domingo, 30 de maio de 2010

História ( 208) - "Far l'America (119)" - Imigração no Rio Grande do Sul nas memórias de Andrea Pozzobon (1)

No trabalho "Um olhar antropológico sobre fatos e memórias da imigração italiana", Maria Catarina Chitolina Zanini, professora da Universidade Federal de Santa Maria,analisa de que forma os imigrantes italianos que se dirigiram para a região central do estado do Rio Grande do Sul em finais do século XIX conduziram a colonização local e quais as categorias sociais presentes nesse processo. A pesquisadora usou como fonte as memórias escritas por dois imigrantes: Julio Lorenzoni (publicadas em 1975) e Andrea Pozzobon (publicadas em 1997), bem como o Álbum do Primeiro cinquentenário da imigração italiana no estado, escrito em italiano e impresso em 1925.

“(O vêneto) Andrea Pozzobon (1863–19–),aqui chegado em 1885 (Rio Grande do Sul), já com 22 de idade e recém-casado. As memórias de Pozzobon (originalmente escritas em italiano) foram publicadas  (traduzidas) em 1997 por seu neto Zolá Franco Pozzobon e receberam o título de Uma odisséia na América. Abarcam o período de vida do migrante que vai de 1884 a 1928.

(..) As memórias são entrecortadas por temas, intitulados Soldado do rei; Adeus às armas; Coração aflito; Com Francesca, no altar; Arriverdérci; A travessia; Siamo arrivati, entre outros. As datas vão de 1884 a 1928, no livro publicado. Sua família era proprietária de poucos bens, o que teria sido "torrado", segundo ele, por preços irrisórios) quando de sua partida da Itália. (...)Pozzobon relata que, ao embarcarem, ‘quantas mulheres com os cabelos desgrenhados increpam os maridos que quiseram dar aquele triste passo".

Contudo, acrescenta ele, "a culpa disso é de terem ouvido falar que na América se trabalha pouco e se vestem roupas de seda’ , ou seja, a América assegurava a possibilidade de reverter a condição social na qual viviam: a de seres despossuídos e sem oportunidades, numa Itália em que comiam mal, vestiam-se mal e não possuíam prestígio algum.

(...) Todavia, a partida para a América, para alguns, era também uma passagem ritual para uma nova condição social, na qual a família como um todo teria que lutar pela sobrevivência. Para aqueles que seguiram com a parentela extensa, o desconforto talvez tenha sido menor. Para Pozzobon, a emigração foi um processo complexo em relação a diversos pontos de vista: tratava-se de uma decisão paterna à qual teve que obedecer e, no decurso da travessia, ele mudaria também seu estado civil, de solteiro para casado. Diz ele que a ‘idéia de constituir família em terra estrangeira, completamente desconhecida até em meus livros escolares, num país onde nada e ninguém me falava ao coração’ (1997:38) causava-lhe terror. E, assim, nesse quadro conflituoso, muitos migraram; como ele, sob a autoridade da decisão paterna ou familiar”.

sábado, 29 de maio de 2010

Oriundi – Pastoral e política na vida de Dom Agnelo Rossi (4)

"Em 7 de outubro de 1970, dom Agnelo Rossi enviou e publicou carta ao governador paulista Abreu Sodré. Sodré tinha dito nos jornais, um dia antes, que dom Helder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife, pertencia à máquina de propaganda do Partido Comunista, “sendo seu elemento de promoção na Europa”. Dizia o governador que “como as esquerdas querem uma ‘vedete’ não de barbas e charuto na mão, mas de batina, usam-no no exterior para denegrir o Brasil. É o que esse Fidel Castro de batina tem feito na Europa”. Dom Agnelo exigiu explicações. “Fico na constrangedora contingência de solicitar-lhe provas de sua afirmação, e, ao mesmo tempo, direito de defesa ao acusado”. Sodré não deu resposta. Tempos de ditadura são assim". (Fonte:  Arquidiocese de São Paulo (Jornal O São Paulo-junho de 2008)

Oriundi – Pastoral e política na vida de Dom Agnelo Rossi (3)

O site da Arquidiocese de São Paulo (Jornal O São Paulo-junho de 2008) assim relata o perfil de Dom Agnelo  Rossi
 
"(..)Preocupou-se com as comunidades estrageiras de São Paulo. Para formar leigos auxiliares, criou o Instituto Paulo 6º, em Taboão da Serra (Grande SP). Através do Instituto Mater Ecclesiae, incentivou o estudo e o desenvolvimento da estrutura paroquial. Criou cerca de 90 paróquias novas. Através do Centro de Informações “Ecclesia”, impulsionou a comunicação. Em seu arcebispado, aconteceu o golpe militar de 1964. O esforço de dialogar com os governos militares não surtiu efeito. Quando cresciam os conflitos entre Igreja e o governo, foi chamado a Roma para chefiar a atual Congregação para a Evangelização dos Povos".

Oriundi – Pastoral e política na vida de Dom Agnelo Rossi (2)

O escritor e jornalista Elio Gaspari, no livro A Ditadura Escancarada revela como o cardeal Rossi conviveu com o regime militar.

”O segundo remanejamento que alteraria o balanço do poder eclesiástico brasileiro ocorreu no dia 22 de março de 1964, quando o cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, aos 74 anos de idade, despachou uma carta ao papa pedindo que o dispensasse da função. Bisneto do visconde de Caeté, era ao mesmo tempo descendente da nobreza mineira do Primeiro Reinado e exemplar típico do cardinalato principesco. Defendia um clero palaciano, que evitasse disputas políticas públicas. Condômino do poder, tivera suficiente intimidade com o governador Adhemar de Barros para aconselhá-lo, em momentos de crise, na casa da amante.6 Talvez tenha sido o único (certamente o último) cardeal brasileiro a escrever ao presidente da República pedindo a promoção de um coronel a general-de-brigada.

A saída de d. Helder do Rio e o nome do sucessor do cardeal Mota em São Paulo haveriam de favorecer o entendimento dos bispos com os generais. Em outubro de 1964, a CNBB reuniu-se em Roma. Formou-se uma maioria conservadora, derrubou-se d. Helder da secretaria geral, e defenestrou-se toda a sua equipe.8 A ofensiva foi tão profunda que em dezembro o arcebispo de Olinda foi visitado por uma carta do Santo Ofício e teve de se defender da acusação de freqüentar um templo protestante, elogiar seus fiéis e criticar a devoção católica à Virgem Maria.

O reverendo respondeu com amargura: "Pedi ao Menino Deus: que eu morra antes de causar uma apreensão justificada à Santa Sé".9 O conservadorismo colocou na presidência da CNBB o arcebispo de Ribeirão Preto, d. Agnello Rossi. Um mês depois, durante os debates da terceira sessão do Concílio,Paulo VI indicou-o arcebispo de São Paulo. Filho de um funileiro italiano, sacerdote de hábitos gentis e reputação de excelente administrador, Agnello Rossi recebeu com o pálio da sé paulista a oferta da liderança de um reordenamento conservador. A

os 51 anos, saído de um bispado sem expressão política, chefiava a maior arquidiocese do país e presidia uma CNBB sem d. Helder na secretaria geral. Tornou-se um operário do regresso. Com a ajuda da hierarquia tentou fazer que a Igreja coubesse dentro do projeto desmobilizador do regime. Diluiu a ação da CNBB, liquidou as organizações laicas da juventude católica e afastou-se do debate político”.

Oriundi – Pastoral e política na vida de Dom Agnelo Rossi (1)

O  site do  Pontifício Instituto Missões Exteriores ao falar sobre igreja e comunidade destaca que “em 1956, o bispo de Barra do Piraí, Dom Agnelo Rossi, preocupado com a difusão do protestantismo e com carência de padres e religiosos, formou centenas de catequistas leigos que, após alfabetizados e treinados, recebiam materiais catequéticos que explicavam em suas comunidades. Reuniam o povo para a leitura bíblica, cânticos e orações. Foi uma primeira experiência de valorização da capacidade dos leigos”.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Oriundi - O cardinalato de Dom Agnelo Rossi (2)

O site da Arquidiocese de São Paulo relata, brevemente, a nomeação espiscopal de Dom Agnelo Rossi e suas posterior elevação a Cardeal


"No dia 5 de março de 1956, aos 33 anos, foi nomeado, pelo Papa Pio XII, Bispo de Barra do Piraí, Rio de Janeiro, tendo o anúncio sido feito pelo então Núncio Apostólico no Brasil, Dom Armando Lombardi, na seção solene de instalação da Universidade Católica de Campinas, realizada no Teatro Municipal de Campinas, no dia 14 de março de 1956. Foi sagrado bispo no dia 15 de abril de 1956, na catedral metropolitana de Campinas, pelas mãos de Dom Paulo de Tarso Campos, Arcebispo Metropolitano de Campinas, sendo consagrantes Dom Helder Pessoa Câmara e de Dom Vicente Ângelo José Marchetti Zioni. Em 6 de setembro de 1962, foi designado Arcebispo Metropolitano de Ribeirão Preto, São Paulo, função que exerceu até 1 de novembro de 1964, quando da sua nomeação pelo Papa Paulo VI para Arcebispo de São Paulo.

Exerceu esta função até 22 de outubro de 1970, quando foi chamado a servir a Igreja na Cúria Romana. Cardinalato A 25 de janeiro de 1965,durante as cerimônias de inauguração do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado de São Paulo, foi anunciada a sua escolha para o cardinalato. No Consistório do dia 22 de fevereiro de 1965, festa da Cátedra de São Pedro, presidido pelo Papa Paulo VI, na Basílica de São Pedro, Dom Agnelo Rossi foi criado Cardeal presbítero, do título da Grande Mãe de Deus (1970-1984). Tomou posse de sua igreja titular a 27 de fevereiro de 1965. Em 22 de outubro de 1970, foi designado Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos. Em 8 de abril de 1984, foi designado Presidente da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica , cargo que renunciou a 6 de dezembro de 1989, Em 25 de junho de 1984, foi eleito Cardeal-Bispo do título Suburbicário de Sabina e Poggio-Mirteto (1984-1995).

Em 19 de dezembro de 1986, foi eleito Cardeal-Bispo do Título Suburbicário de Óstia Antiga, sendo confirmado, pelo Papa João Paulo II, Cardeal Decano do Sacro Colégio, cargo que renunciou a 31 de maio de 1993"

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Oriundi - O cardinalato de Dom Agnelo Rossi (1)

Na história da Cúria Metropolitana de São Paulo um nome de destaque é do Cardeal Agnelo Rossi cujo perfil é assim retratado de Arquidiocese paulista.

"Dom Agnelo Cardeal Rossi (Joaquim Egídio, 4 de maio de 1913 - Helvetia, 21 de maio de 1995) foi um sacerdote católico brasileiro, décimo sexto bispo de São Paulo, sendo seu quarto arcebispo e segundo cardeal. Foi o brasileiro que mais alto subiu na hierarquia eclesiástica, sendo considerado o maior expoente da Igreja do Brasil, chegando a ser cardeal-decano do Colégio Cardinalício. Nasceu em Joaquim Egídio, distrito de Campinas-SP, filho de Vincenzo Rossi, Comendador da Ordem do Santo Sepulcro, e Vittoria Colombo. Teve um único irmão, Miguel Rossi. Faleceu aos 82 anos, tendo sido sepultado na igreja de Nossa Senhora do Guadalupe, por ele construída, em Campinas.

Estudos Realizou seus primeiros estudos em Valinhos, São Paulo, ingressando depois, a 26 de janeiro de 1926, no Seminário Menor Diocesano Santa Maria, de Campinas, onde também cursou a Filosofia. A 15 de outubro de 1933 partiu para Roma, instalando-se por cinco meses no Colégio Pio Latino-Americano. A 4 de abril de 1934, foi um dos trinta e três alunos fundadores do Pontifício Colégio Pio Brasileiro, onde recebeu a matrícula de número 1 do novo e grandioso colégio, na Via Aurélia. Realizou seus estudos de Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Presbiterado Foi ordenado sacerdote pelas mãos de S. Ema. Revma. Cardeal Luigi Traglia, Bispo Auxiliar de Roma, na Arquibasílica de São João Latrão, em Roma, a 27 de março de 1937".