quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

História (222) - Imigração italiana após a Segunda Guerra Mundial: a colônia de Pedrinhas( 1)


"Não há muito tempo, trens lotados partiam de diversas cidades da Itália com destino a vários países do velho continente e navios zarpavam em direção à América, eram os imigrantes italianos em busca de outra pátria que os acolhesse para viver e criar seus filhos em harmonia e em paz, longe da guerra e da destruição que se alastrou pelas montanhas e vales da Pátria mãe.

Com as notícias vindas de outras partes do mundo, acendeu na mente daquele povo a esperança de encontrar novamente a alegria de viver e ter um lar feliz.
Para trás, ficaram as lembranças da guerra, da destruição e durante a longa viagem se perguntavam ansiosos: “Mérica, Mérica, Mérica, cossa sara lasta Mérica?”
De um lado, tinham a certeza do sofrimento que lá ficou, mas de outro a incerteza de como seria essa América.

Na verdade, a imigração italiana se iniciou em 1860 com grandes grupos tomando direção de alguns países da Europa e os demais, da América e da Austrália, chegando a 24.000.000 no início do século passado; para o Brasil, a partir de 1875 imigraram 1.500.000 em grande parte para substituir a mão-de-obra escrava, após a II Guerra, apenas 22.000.
O Governo brasileiro tinha interesse na imigração para colonizar o interior, razão pela qual promulgou em 18 de setembro de 1945 o Decreto-Lei nº 7.967, que a reconhecia como de utilidade pública e regulamentava a sua seleção no exterior.

Para resolver as questões pendentes do Tratado de Paz de 10/02/47, que desvinculava todos os bens italianos bloqueados durante a II Guerra, foi firmado um acordo entre Brasil e Itália em 08/10/1947, onde, entre outras coisas previa-se a criação da Companhia Brasileira de Colonização e Imigração Italiana, que se concretizou em 28/09/1950, e, através dela, os primeiros recursos foram liberados em 08/10/1950.

A partir de 1949 e 1950, o Governo Italiano encaminhou a Missão Técnica Agrícola para realizar estudos de reconhecimento territorial e de fertilidade em áreas rurais de diversos países da América, inclusive do Brasil, onde foram escolhidas Joinvile em Santa Catarina, Santa Tereza em Goiás, e Pedrinhas Paulista em São
Paulo, sendo esta, a única que prosperou, graças a fértil terra do Vale do Paranapanema, aliada a garra de seu povo, e amparo constante de Dom Ernesto Montagner, pároco, diretor nato, presidente interino por algumas vezes e interlocutor entre colonos e Companhia.

A missão da Companhia Brasileira de Colonização e Imigração Italiana era a de fixação e sustentação do colono italiano em solo brasileiro e de fazer cumprir o acordo firmado entre os dois países em 08/10/47.

A Companhia planejou a colonização em duas etapas, a primeira a implantação da infra-estrutura, idealizada pelos técnicos, engenheiros, com a colaboração dos oficiais da construção civil, que partiram do Posto de Gênova, em 31/08/51, com destino ao Brasil, com a tarefa de construir casas, pontes, estradas e dotar o pequeno núcleo de infra-estrutura capaz de receber os primeiros imigrantes que iriam trabalhar a terra, que chegaram e seguida, trazendo quase nada, além da roupa do corpo, mas com vontade de vencer e conquistar iniciaram os trabalhos de lavrar a terra que a tinha como prometida e abençoada e aos poucos foram transformando tudo ao seu redor. Aonde apenas os pássaros cantavam, foram aparecendo e se misturando aos encantos da natureza, o murmúrio e a alegria da criançada recém-chegada.

No meio da mata e do serrado, muitas trilhas foram aparecendo, várias estradas abertas, e os tratores não paravam, os operários encarregados das construções das primeiras casas não vacilavam e dia após dia, tudo foi se transformando e aparecendo escolas, cinema, clube, ambulatório, jardim da infância, postos de gasolina, hotel, restaurante, comércios diversos, cooperativa, fazendo inveja a muitas cidades do mesmo porte, e quando deram conta o milagre estava feito, e um oásis de verde e de vida se emergiu entre eles, era Pedrinhas Paulista que acabava de nascer.

O nome da colônia surgiu do Riacho Pedrinhas, de água transparente, que serpenteava suavemente entre grande quantidade de pequenas pedras ao fundo.
A fundação da colônia foi marcada com grande festa que se realizou em 21 de setembro de 1952, quando se deu o lançamento da pedra fundamental da Igreja Matriz, na presença do Primeiro Presidente da Companhia, Comendador Arturo Apollinari, do Professor Antonio de Benedictis, superintendente, do Professor Vittorio Ronchi, presidente do ICLE (Instituto Nazionale de Credito Per Il Lavoro Italiano Al’Estero) de Roma, do Monsenhor Ernesto Montagner, vigário geral, diretor nato da Companhia, e da Sra. Celeste Sbais Guerin, nascida na Itália em 1883, pessoa mais idosa da colônia na época, que, convidada, teve a honra de participar do ato.
 
Assim nasceu e se implantou a Colônia de Pedrinhas, que, em 13 de novembro de 1952, recebeu o maior grupo de imigrante italiano composto de 28 famílias.
Logo de início a Companhia Brasileira de Colonização e Imigração Italiana organizou a Cooperativa Mista Agrícola de Pedrinhas, inaugurada em 06/11/1954, hoje denominada
CAP - Cooperativa Agropecuária de Pedrinhas Paulista , em plena atividade, conhecida e reconhecida regionalmente.

Pedrinhas Paulista viveu como núcleo colonial até 14/05/1980, quando foi elevada a Distrito e alcançou a sua tão almejada emancipação político-administrativa em 30/12/1991. Dentre as várias regiões que foram colonizadas pelos italianos na América, Pedrinhas teve a felicidade de ser a única que obteve sucesso naquela época". (Fonte: Prefeitura Pedrinhas)

domingo, 21 de novembro de 2010

Italiani - Família Muccio e a imigração japonesa

Quem resgata uma interessante lembrança da imigração no bairro da Lapa  é a italianíssima família Muccio. “Foi da confecção do meu pai (Arair), na Rua Tito, que saíram as peças de lã usadas no desfile de moda em homenagem ao príncipe do Japão, quando ele visitou São Paulo no final dos anos 80”, conta Gerson Muccio. “É uma feliz coincidência tornar público esse fato exatamente quando os japoneses comemoram 100 anos de presença aqui no nosso país”, acrescenta ele, ao lembrar da Denelã, fundada por Arair na década de 60. 


Antes de chegar ao comércio, a família Muccio trabalhou duro na terra. “Meu bisavô (Amélio) chegou com a família no início do século passado e foi para o interior (no Noroeste paulista). Eles eram de Salerno, localizada no sul da Itália. Meu avô Antonio tinha, na época 12 Anos”, conta Gerson. A família Muccio, como outras tantas que vieram tentar a sorte no Brasil, acabou trabalhando numa próspera fazenda e, com as economias acabaria por comprar lotes de terra. “Papai nasceu na região de Lins em setembro de 1936. Na década de 40, nossa família chegou aqui em São
Paulo e foi morar na Vila Diva, atuando no ramo de transportes”, relata Gerson Muccio, um dos quatro filhos de Arair. “Minha mãe (Diva, falecida recentemente) também era descendente de italianos e nasceu na cidade de São Manuel”. 

Foi somente nos anos 60 que, já na Lapa, os Muccio entraram para o ramo da confecção, inaugurando a Denelã. Como o negócio deu certo, o empresário decidiu abrir uma loja perto do Shopping Lapa. Era a Toca 99, pioneira na venda de roupa solta num grande balcão, dispensando as tradicionais araras e prateleiras. 


Os filhos e netos de Arair Muccio continuam morando do na região Lapa. A família tem participação numa das casas mais badaladas de São
Paulo, a Porto Alcobaça, na Avenida Francisco Matarazzo. Recentemente, a memória de Arair foi lembrada em solenidade realizada pela Câmara Municipal de São Paulo com apoio do Conselho das Associações Amigos de Bairro da Região da Lapa.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Italiani - O projeto não executado do arquiteto Michele Caselli

"Em 1914, houve concorrência pública para construção da nova matriz da Paróquia de São Pedro (Salvador, Bahia). A Irmandade do Santíssimo Sacramento adquiriu o prédio de nº 59 à rua de São Pedro, vizinho a Escola Politécnica (hoje local do Edifício da Fundação Politécnica), do espólio do barão de São Francisco, para este fim, em 29 de novembro de 1913.

Em 24 de maio de 1914, foram abertas as propostas, que foram limitadas ao preço de 250 contos de réis. Venceu a de nº 3 projeto nº 1 e orçamento nº 4A do arquiteto italiano residente em Salvador, Michele Caselli, pelo valor de 248 contos de réis. (Rs. 248:000$000). Entretanto, antes que fosse assinado o contrato entre as partes, o arquiteto acrescentou uma cláusula na qual a Irmandade do Santíssimo Sacramento assumiria a diferença da alta dos preços dos materiais a serem importados da Europa, pois havia eclodido a Primeira Guerra Mundial chamada, naquela época, de Guerra Européia.

A Irmandade do Santíssimo Sacramento não aceitou essa cláusula, ficando suspenso o contrato. A diretoria do Gabinete Português de Leitura propôs a permuta de um terreno e edificação de sua propriedade sito à praça da Piedade pelo prédio de nº 59 sito à rua de São Pedro pertencente a Irmandade do Santíssimo Sacramento, porém não foi viável. A diretoria da Escola Politécnica também fez uma proposta de permuta do dito prédio à rua de São Pedro nº 59 por um terreno do que restou da demolição da casa nº 13 à praça da Piedade e casas nº 6 e 8 à antiga rua Cons. Pedro Luiz (hoje avenida Sete de Setembro) e os prédios e terrenos nº 15 e 17 sitos à praça da Piedade, perfazendo uma arca de 12,70m de frente com 31m de fundo. A permuta foi aceita e concretizada em 27 de março de 1916." (Fonte: Paróquia São Pedro)

domingo, 20 de junho de 2010

Italaini - Alberto Borelli e o Gabinete Português de Leitura em Salvador (2)

"Edificado em dois pavimentos, atualmente, encontramos à direita o salão da biblioteca e à esquerda, onde já foi a sede do Consulado Português, uma secretaria e um pequeno auditório com capacidade para cinqüenta pessoa, além de outra biblioteca, com acesso independente (feito pela esquina esquerda), com livros e jornais. É aberto ao público diariamente, em dois turnos, e sua biblioteca possui cerca de 17.000 títulos, sendo que seu primeiro catálogo é de 1902, tendo sido organizado pelo bibliotecário Zeferino Leal, e mantido junto às demais peças em exposição no local, como as Atas de Fundação, Medalhas Comemorativas, Quadros de Honra e Pratos Decorativos com motivos celebrativos.

A escadaria, construída em concreto armado, é revestida em mármore de Carrara, com um lance central, onde se vê um vitral executado em Paris por A. Dupleix, em 1921, e retrata a Primeira Missa realizada na Bahia, em 26 de abril de 1500. É ladeado por duas pinturas a óleo de De Serv, já repintadas (que, pela aparência grosseira não podemos inferir como resultado de restauro). Na parte externa [Figura 3], a fachada, decorada por cordões, escudos, esferas armilares, mede 94 metros de extensão e “compreende três faces livres com 26 janellas, uma porta principal ao centro e outra em cada ângulo”. Identificam-se duas esculturas, a do Infante D. Henrique, do lado esquerdo, que “atira seus compatriotas bem armados na rota dos descobrimentos e das conquistas”, e a de Luís de Camões, do lado direito, que “com seus Luzíadas magnifica e immortaliza a literatura portugueza” e, nos medalhões, Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral". (Fonte: Da ideologia à arquitetura, um projeto além mar: os Gabinetes Portugueses de Leitura no Brasil por Maria de Fátima da Silva Costa Garcia de Mattos )

sábado, 19 de junho de 2010

Italaini - Alberto Borelli e o Gabinete Português de Leitura em Salvador (1)

"Os Gabinetes de Leitura, cuja inspiração nos remete à França revolucionária, às chamadas “boutiques a lire”, que apareceram após a revolução de 1789, eram uma casa onde se podiam alugar livros, mediante pagamento e prazo para a sua devolução. Desenvolveram-se na Europa, em especial na França, Inglaterra e Alemanha, dedicados, portanto, ao empréstimo de livros para leitura domiciliar, diferenciando-se das bibliotecas públicas, que permitiam a consulta, muito embora gratuita, somente dentro das suas dependências. O termo também suscita uma conotação moderna, atribuída a um espaço da moda, dada a referência de vanguarda que tanto a função quanto o espaço reservava e que, na literatura da época, aparece associada ao progresso e à civilização e, dessa forma, ao requinte que os novos centros de saber irradiavam.

(...) Os Gabinetes Portugueses de Leitura no Brasil apresentam-se como referenciais urbanos, conformados às aspirações sociais da época, expressos nos novos centros de convívio, cultura e lazer. A sociedade formava-se, os homens aproximavam-se para trocar idéias, e uma nova vida associativa se viu desabrochar, resgatando, por meio de seus edifícios, a memória e a formação da identidade nacional, preservando uma história cuja experiência vivida o tempo poderia pôr a perder. Dessa forma, tais edifícios, apropriando-se do espaço da cidade, interferiram em nível de representação, através de seus signos e imagens esculpidos num universo simbólico e não somente como edificação, uma vez que alguns deles já contemplavam inovações pertencentes às variáveis estilísticas européias, aqui introduzidas, como o uso do ferro e do vidro. O Gabinete Português de Leitura de Salvador foi criado em 02 de março de 1863, na sala de sessões da Real Sociedade Portuguesa de Beneficência Dezesseis de Setembro, por iniciativa de um grupo de portugueses, que tinha por finalidade a aquisição de um maior número de obras de "reconhecida utilidade", escritas em português e francês, para utilização de todos. Seu fundador e primeiro Presidente foi o português Comendador Manoel Joaquim Rodrigues, acompanhado de seu irmão, Francisco José Rodrigues Pedreira. Ambos portugueses, idealistas, nascidos em Soutelo, Município de Vila Pouca de Aguiar, Portugal. No mesmo ano, em 09 de junho, foi instalada a sua primeira sede, na Rua Direita do Comércio, n° 44, 2° andar, onde tiveram início as suas atividades. Devido à sua crescente procura, o Gabinete foi transferido três vezes, sendo a última instalação em 27 de junho de 1896, a da Rua do Palácio n° 40 (originalmente era chamada Rua Direita do Palácio e, depois, Rua Chile). Ficou pouco tempo na Rua Chile, pois a reestruturação urbana indicava vários edifícios para serem demolidos.

O edifício do Gabinete de Leitura encontrava-se nessa lista das demolições que permitiria a realização das obras de alargamento da Rua Chile. Para isso, o Presidente, Sr. Augusto Pinho, levou ao conhecimento da Diretoria a proposta do Intendente Municipal para a sua desapropriação, recebendo por indenização a quantia de oitenta contos de réis. O novo edifício do Gabinete Português de Leitura, construído na Praça 13 de Maio, atual Praça Piedade, foi inaugurado em 03 de fevereiro de 1918.( ...) Construído em pedra de granito, medindo 30 metros e 50 de frente, e na sua maior altura 16 metros, em estilo Neomanuelino, foi desenhado entre 1912 e 1915, pelo arquiteto italiano Alberto Borelli, que fiscalizou e acompanhou todo o serviço da obra".(Fonte: Maria de Fátima Costa  Garcia de Mattos em  "Da ideologia à arquitetura, um projeto além mar: os Gabinetes Portugueses de Leitura no Brasil") -

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Italiani - Palácio Rio Branco, obra do arquiteto Conti na Bahia

“Erguido no início do século XX e inaugurado em 1919, o edifício tem estilo eclético e representa a quarta versão arquitetônica do antigo Paço dos Governadores feito pelo fundador da cidade, Tomé de Souza. Obra do arquiteto italiano Júlio (Giulio) Conti, seu interior contém o Memorial dos Governadores do período republicano (de 1889 aos dias atuais) e muitas obras de arte.

A grande cúpula e o belvedere situado na ala com vista para o mar, são referenciais da cidade. No seu interior, merece destaque a escadaria em ferro e cristal e uma escultura representando o fundador da cidade, Tomé de Souza. Centro de vida política da cidade, nele ocorreram fatos de grande importância. Em 1818, a então casa dos governadores hospeda D. João, Príncipe Regente, e a Família Real. Em 1826, D. Pedro I e a Princesa Maria se hospedaram na casa. Em 1859, foi residência provisória de D. Pedro II e sua mulher, a Imperatriz Tereza Cristina". (Fonte: governo da Bahia)

Em 1949, sofreu nova reforma e ampliação em função do crescimento da máquina administrativa. O centro de decisões do Estado da Bahia permaneceu no palácio até o ano de 1979, quando foi transferido para o recém-construído Centro Administrativo da Bahia. Durante os quatro anos seguintes abrigou a Prefeitura de Salvador. Em 1986, após grande restauração, recebe a fundação Pedro Calmon – Centro de Memória da Bahia”.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Italiani - Na Bahia, a influência dos arquitetos vindos da Itália

"A década de 1910 coincide com a chegada, em Salvador, de diversos engenheiros, arquitetos e construtores estrangeiros, principalmente italianos, que vão se ocupar da construção dos novos edifícios institucionais e da renovação dos antigos palácios e sobrados coloniais, ao mesmo tempo em que erguem os palacetes da nova burguesia baiana, financiados com os recursos oriundos da atividade industrial e das plantações de fumo do Recôncavo e de cacau do sul da Bahia.

  Segundo Godofredo Filho , essa renovação arquitetônica e artística se deve principalmente aos  'técnicos italianos aqui chegados a partir de 1912, no 1º Governo Seabra, quando o Secretário Geral Arlindo Fragoso e, sobretudo, o Intendente Júlio Viveiros Brandão, buscaram abastecer-se em São Paulo, de arquitetos, escultores, pintores, decoradores e artesãos especializados, com o fito de mudar, como pretenderam e em parte conseguiram, a grave e tranqüila fisionomia plástica de Salvador': Os Chirico, os Conti, os Santoro, os Rossi, os Sercelli e tantos outros, diferentes entre si nos misteres e nos méritos, trabalharam com afinco, brindando a cidade ora de bronzes e mármores duradouros, ora de pinturas de salão mundano em igrejas austeras e, ainda, em edifícios públicos e particulares, da glace caricatural dos estuques, as grinaldas, os festões, as águias de bico voraz e asas abertas, e, até, de mulheres aladas ou de corpo natural inteiro, todas elas de seios duros e pontudos ede Dânae de Corregio, por onde se pudessem modelar, acaso, as taças cônicas das festanças inaugurais.

Dentre os arquitetos, engenheiros e construtores ] italianos que atuaram, ainda que temporariamente, em Salvador entre as décadas de 1910 e 1920 podemos destacar: Júlio Conti, responsável pela versão original do projeto de reconstrução do Palácio Rio Branco, iniciada em 1912, pela nova Igreja da Ajuda, construída entre 1912 e 1923, e pela construção do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, também inaugurado em 1923 (PUPPI, 1998, p. 129); Alberto Borelli, que chegou a Salvador, procedente de São Paulo, em 1912 e que foi autor do projeto do Gabinete Português de Leitura, inaugurado em 1918 (ibid., p. 107); e Michele Caselli, autor do projeto original da nova Igreja de São Pedro da Piedade, datado de 1914 e não executado" (Fonte: A Influência Italiana na Modernidade Baiana: O caráter público, urbano e monumental da arquitetura de Filinto Santoro de autoria de Nivaldo Vieira de Andrade Junior)