"Os Gabinetes de Leitura, cuja inspiração nos remete à França revolucionária, às chamadas “boutiques a lire”, que apareceram após a revolução de 1789, eram uma casa onde se podiam alugar livros, mediante pagamento e prazo para a sua devolução. Desenvolveram-se na Europa, em especial na França, Inglaterra e Alemanha, dedicados, portanto, ao empréstimo de livros para leitura domiciliar, diferenciando-se das bibliotecas públicas, que permitiam a consulta, muito embora gratuita, somente dentro das suas dependências. O termo também suscita uma conotação moderna, atribuída a um espaço da moda, dada a referência de vanguarda que tanto a função quanto o espaço reservava e que, na literatura da época, aparece associada ao progresso e à civilização e, dessa forma, ao requinte que os novos centros de saber irradiavam.
(...) Os Gabinetes Portugueses de Leitura no Brasil apresentam-se como referenciais urbanos, conformados às aspirações sociais da época, expressos nos novos centros de convívio, cultura e lazer. A sociedade formava-se, os homens aproximavam-se para trocar idéias, e uma nova vida associativa se viu desabrochar, resgatando, por meio de seus edifícios, a memória e a formação da identidade nacional, preservando uma história cuja experiência vivida o tempo poderia pôr a perder.
Dessa forma, tais edifícios, apropriando-se do espaço da cidade, interferiram em nível de representação, através de seus signos e imagens esculpidos num universo simbólico e não somente como edificação, uma vez que alguns deles já contemplavam inovações pertencentes às variáveis estilísticas européias, aqui introduzidas, como o uso do ferro e do vidro.
O Gabinete Português de Leitura de Salvador foi criado em 02 de março de 1863, na sala de sessões da Real Sociedade Portuguesa de Beneficência Dezesseis de Setembro, por iniciativa de um grupo de portugueses, que tinha por finalidade a aquisição de um maior número de obras de "reconhecida utilidade", escritas em português e francês, para utilização de todos. Seu fundador e primeiro Presidente foi o português Comendador Manoel Joaquim Rodrigues, acompanhado de seu irmão, Francisco José Rodrigues Pedreira. Ambos portugueses, idealistas, nascidos em Soutelo, Município de Vila Pouca de Aguiar, Portugal. No mesmo ano, em 09 de junho, foi instalada a sua primeira sede, na Rua Direita do Comércio, n° 44, 2° andar, onde tiveram início as suas atividades. Devido à sua crescente procura, o Gabinete foi transferido três vezes, sendo a última instalação em 27 de junho de 1896, a da Rua do Palácio n° 40 (originalmente era chamada Rua Direita do Palácio e, depois, Rua Chile). Ficou pouco tempo na Rua Chile, pois a reestruturação urbana indicava vários edifícios para serem demolidos.
O edifício do Gabinete de Leitura encontrava-se nessa lista das demolições que permitiria a realização das obras de alargamento da Rua Chile. Para isso, o Presidente, Sr. Augusto Pinho, levou ao conhecimento da Diretoria a proposta do Intendente Municipal para a sua desapropriação, recebendo por indenização a quantia de oitenta contos de réis. O novo edifício do Gabinete Português de Leitura, construído na Praça 13 de Maio, atual Praça Piedade, foi inaugurado em 03 de fevereiro de 1918.( ...) Construído em pedra de granito, medindo 30 metros e 50 de frente, e na sua maior altura 16 metros, em estilo Neomanuelino, foi desenhado entre 1912 e 1915, pelo arquiteto italiano Alberto Borelli, que fiscalizou e acompanhou todo o serviço da obra".(Fonte: Maria de Fátima Costa Garcia de Mattos em "Da ideologia à arquitetura, um projeto além mar: os Gabinetes Portugueses de Leitura no Brasil") -
Um blog para difundir e aprofundar temas da presença italiana no Brasil, bem como valorizar o Made in Italy. Um espaço para troca de informações e conhecimento, compartilhando raízes comuns da italianidade que carregamos no sangue e na alma. A italianidade engloba a questão das nossas raízes italianas e também reserva um olhar para a linha do tempo, nela buscando e resgatando uma galeria de personagens famosos ou anônimos que, de alguma forma, inseriram seus nomes na História do Brasil.
sábado, 19 de junho de 2010
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Italiani - Palácio Rio Branco, obra do arquiteto Conti na Bahia
“Erguido no início do século XX e inaugurado em 1919, o edifício tem estilo eclético e representa a quarta versão arquitetônica do antigo Paço dos Governadores feito pelo fundador da cidade, Tomé de Souza. Obra do arquiteto italiano Júlio (Giulio) Conti, seu interior contém o Memorial dos Governadores do período republicano (de 1889 aos dias atuais) e muitas obras de arte.
A grande cúpula e o belvedere situado na ala com vista para o mar, são referenciais da cidade. No seu interior, merece destaque a escadaria em ferro e cristal e uma escultura representando o fundador da cidade, Tomé de Souza. Centro de vida política da cidade, nele ocorreram fatos de grande importância. Em 1818, a então casa dos governadores hospeda D. João, Príncipe Regente, e a Família Real. Em 1826, D. Pedro I e a Princesa Maria se hospedaram na casa. Em 1859, foi residência provisória de D. Pedro II e sua mulher, a Imperatriz Tereza Cristina". (Fonte: governo da Bahia)
Em 1949, sofreu nova reforma e ampliação em função do crescimento da máquina administrativa. O centro de decisões do Estado da Bahia permaneceu no palácio até o ano de 1979, quando foi transferido para o recém-construído Centro Administrativo da Bahia. Durante os quatro anos seguintes abrigou a Prefeitura de Salvador. Em 1986, após grande restauração, recebe a fundação Pedro Calmon – Centro de Memória da Bahia”.
A grande cúpula e o belvedere situado na ala com vista para o mar, são referenciais da cidade. No seu interior, merece destaque a escadaria em ferro e cristal e uma escultura representando o fundador da cidade, Tomé de Souza. Centro de vida política da cidade, nele ocorreram fatos de grande importância. Em 1818, a então casa dos governadores hospeda D. João, Príncipe Regente, e a Família Real. Em 1826, D. Pedro I e a Princesa Maria se hospedaram na casa. Em 1859, foi residência provisória de D. Pedro II e sua mulher, a Imperatriz Tereza Cristina". (Fonte: governo da Bahia)
Em 1949, sofreu nova reforma e ampliação em função do crescimento da máquina administrativa. O centro de decisões do Estado da Bahia permaneceu no palácio até o ano de 1979, quando foi transferido para o recém-construído Centro Administrativo da Bahia. Durante os quatro anos seguintes abrigou a Prefeitura de Salvador. Em 1986, após grande restauração, recebe a fundação Pedro Calmon – Centro de Memória da Bahia”.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Italiani - Na Bahia, a influência dos arquitetos vindos da Itália
"A década de 1910 coincide com a chegada, em Salvador, de diversos engenheiros, arquitetos e construtores estrangeiros, principalmente italianos, que vão se ocupar da construção dos novos edifícios institucionais e da renovação dos antigos palácios e sobrados coloniais, ao mesmo tempo em que erguem os palacetes da nova burguesia baiana, financiados com os recursos oriundos da atividade industrial e das plantações de fumo do Recôncavo e de cacau do sul da Bahia.
Segundo Godofredo Filho , essa renovação arquitetônica e artística se deve principalmente aos 'técnicos italianos aqui chegados a partir de 1912, no 1º Governo Seabra, quando o Secretário Geral Arlindo Fragoso e, sobretudo, o Intendente Júlio Viveiros Brandão, buscaram abastecer-se em São Paulo, de arquitetos, escultores, pintores, decoradores e artesãos especializados, com o fito de mudar, como pretenderam e em parte conseguiram, a grave e tranqüila fisionomia plástica de Salvador': Os Chirico, os Conti, os Santoro, os Rossi, os Sercelli e tantos outros, diferentes entre si nos misteres e nos méritos, trabalharam com afinco, brindando a cidade ora de bronzes e mármores duradouros, ora de pinturas de salão mundano em igrejas austeras e, ainda, em edifícios públicos e particulares, da glace caricatural dos estuques, as grinaldas, os festões, as águias de bico voraz e asas abertas, e, até, de mulheres aladas ou de corpo natural inteiro, todas elas de seios duros e pontudos ede Dânae de Corregio, por onde se pudessem modelar, acaso, as taças cônicas das festanças inaugurais.
Dentre os arquitetos, engenheiros e construtores ] italianos que atuaram, ainda que temporariamente, em Salvador entre as décadas de 1910 e 1920 podemos destacar: Júlio Conti, responsável pela versão original do projeto de reconstrução do Palácio Rio Branco, iniciada em 1912, pela nova Igreja da Ajuda, construída entre 1912 e 1923, e pela construção do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, também inaugurado em 1923 (PUPPI, 1998, p. 129); Alberto Borelli, que chegou a Salvador, procedente de São Paulo, em 1912 e que foi autor do projeto do Gabinete Português de Leitura, inaugurado em 1918 (ibid., p. 107); e Michele Caselli, autor do projeto original da nova Igreja de São Pedro da Piedade, datado de 1914 e não executado" (Fonte: A Influência Italiana na Modernidade Baiana: O caráter público, urbano e monumental da arquitetura de Filinto Santoro de autoria de Nivaldo Vieira de Andrade Junior)
Segundo Godofredo Filho , essa renovação arquitetônica e artística se deve principalmente aos 'técnicos italianos aqui chegados a partir de 1912, no 1º Governo Seabra, quando o Secretário Geral Arlindo Fragoso e, sobretudo, o Intendente Júlio Viveiros Brandão, buscaram abastecer-se em São Paulo, de arquitetos, escultores, pintores, decoradores e artesãos especializados, com o fito de mudar, como pretenderam e em parte conseguiram, a grave e tranqüila fisionomia plástica de Salvador': Os Chirico, os Conti, os Santoro, os Rossi, os Sercelli e tantos outros, diferentes entre si nos misteres e nos méritos, trabalharam com afinco, brindando a cidade ora de bronzes e mármores duradouros, ora de pinturas de salão mundano em igrejas austeras e, ainda, em edifícios públicos e particulares, da glace caricatural dos estuques, as grinaldas, os festões, as águias de bico voraz e asas abertas, e, até, de mulheres aladas ou de corpo natural inteiro, todas elas de seios duros e pontudos ede Dânae de Corregio, por onde se pudessem modelar, acaso, as taças cônicas das festanças inaugurais.
Dentre os arquitetos, engenheiros e construtores ] italianos que atuaram, ainda que temporariamente, em Salvador entre as décadas de 1910 e 1920 podemos destacar: Júlio Conti, responsável pela versão original do projeto de reconstrução do Palácio Rio Branco, iniciada em 1912, pela nova Igreja da Ajuda, construída entre 1912 e 1923, e pela construção do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, também inaugurado em 1923 (PUPPI, 1998, p. 129); Alberto Borelli, que chegou a Salvador, procedente de São Paulo, em 1912 e que foi autor do projeto do Gabinete Português de Leitura, inaugurado em 1918 (ibid., p. 107); e Michele Caselli, autor do projeto original da nova Igreja de São Pedro da Piedade, datado de 1914 e não executado" (Fonte: A Influência Italiana na Modernidade Baiana: O caráter público, urbano e monumental da arquitetura de Filinto Santoro de autoria de Nivaldo Vieira de Andrade Junior)
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Italiani - Padre Vicente Schiena e a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré (2)
"Os púlpitos foram acrescentados ao projeto da igreja por sugestão do padre Di Giorgio. As sugestões eram enviadas por carta à Itália, acatadas por Zoia e executadas para retornarem a Belém. O padre Di Giorgio teve o trabalho de guardar toda esta longa correspondência, onde surgem discussões sobre a ausência de certo material; ou o tamanho das peças que não conferiam com o espaço disponível.
Na Basílica, todos os pontos convergem para o altar, onde está a imagem de Nossa Senhora. E é de lá, iniciando pela direita, que os vitrais contam histórias da bíblia e os mosaicos rezam a Salve Rainha, através de anjos. Nas naves laterais encontram-se ainda, os mosaicos das mulheres que estão na Bíblia e guardam virtudes que serão encontradas na Virgem Maria. Suzana, Isabel, Ruth, Esther, Noêmia e tantas outras estão retratadas ali. Segundo o padre Vicente, a sugestão destas figuras femininas deve ter partido de padres franceses. Ele encontrou, no acervo da Basílica, um livro de 11 volumes com as pregações de santos sobre Nossa Senhora.
No final, vem a relação das mulheres bíblicas e as virtudes que elas trazem e que se vão refletir em Maria. Foram os padre franceses que definiram os temas dos vitais, assim como as imagens das estátuas que ornariam os altares laterais. Diz isto porque, entre as estátuas, duas são de santos franceses, Joana D'Arc e São Vicente de Paula. Mesmo os confessionários, feitos em acapu, madeira da terra, podem não ter sido feitos aqui. Padre Vicente levanta a hipótese de que a madeira teria sido enviada a Gênova e lá, onde morava Coppede, filho de uma tradicional família de entalhadores, preparadas em peças e devolvidas.
Ele se baseia em outro fato, que o fez supor que a madeira foi levada para a Itália. Durante uma visita à casa missionária de origem do padre Zoia, em conversa com seu superior, padre Clerit, padre Vicente ouviu-o falar que os bancos da capela eram de madeira brasileira.
Como Gênova tem porto de mar, raciocina o padre, seria fácil ter transportado a madeira, feito os confessionários e, com as sobras, construir os bancos. Segundo o padre, os bancos eram de madeira leve, talvez macacaúba, como a madeira utilizada no pequeno altar da sacristia, e, apesar de intensamente utilizados, 'estavam como se tivessem sido feitos no dia anterior'.
Padre Vicente reclama que a parte culta dos arquitetos não prestigie a Basílica, dando-lhe pouco valor. 'É uma obra de arte', afirma ele. 'Assim como não tive coragem de olhá-la, há gente que não quer admitir que ela é bela". Ele reclama também dos estaqueamentos que foram feitos próximos à igreja, produzindo rachaduras nas paredes e queda de parte do teto. 'Foi um sinal', garante ele. Depois que vários edifícios foram construídos pela vizinhança, diz ele, é impossível tirar fotografias da Basílica 'sem que apareça aquela sujeira'. (.(Fonte: TV Liberal)
Na Basílica, todos os pontos convergem para o altar, onde está a imagem de Nossa Senhora. E é de lá, iniciando pela direita, que os vitrais contam histórias da bíblia e os mosaicos rezam a Salve Rainha, através de anjos. Nas naves laterais encontram-se ainda, os mosaicos das mulheres que estão na Bíblia e guardam virtudes que serão encontradas na Virgem Maria. Suzana, Isabel, Ruth, Esther, Noêmia e tantas outras estão retratadas ali. Segundo o padre Vicente, a sugestão destas figuras femininas deve ter partido de padres franceses. Ele encontrou, no acervo da Basílica, um livro de 11 volumes com as pregações de santos sobre Nossa Senhora.
No final, vem a relação das mulheres bíblicas e as virtudes que elas trazem e que se vão refletir em Maria. Foram os padre franceses que definiram os temas dos vitais, assim como as imagens das estátuas que ornariam os altares laterais. Diz isto porque, entre as estátuas, duas são de santos franceses, Joana D'Arc e São Vicente de Paula. Mesmo os confessionários, feitos em acapu, madeira da terra, podem não ter sido feitos aqui. Padre Vicente levanta a hipótese de que a madeira teria sido enviada a Gênova e lá, onde morava Coppede, filho de uma tradicional família de entalhadores, preparadas em peças e devolvidas.
Ele se baseia em outro fato, que o fez supor que a madeira foi levada para a Itália. Durante uma visita à casa missionária de origem do padre Zoia, em conversa com seu superior, padre Clerit, padre Vicente ouviu-o falar que os bancos da capela eram de madeira brasileira.
Como Gênova tem porto de mar, raciocina o padre, seria fácil ter transportado a madeira, feito os confessionários e, com as sobras, construir os bancos. Segundo o padre, os bancos eram de madeira leve, talvez macacaúba, como a madeira utilizada no pequeno altar da sacristia, e, apesar de intensamente utilizados, 'estavam como se tivessem sido feitos no dia anterior'.
Padre Vicente reclama que a parte culta dos arquitetos não prestigie a Basílica, dando-lhe pouco valor. 'É uma obra de arte', afirma ele. 'Assim como não tive coragem de olhá-la, há gente que não quer admitir que ela é bela". Ele reclama também dos estaqueamentos que foram feitos próximos à igreja, produzindo rachaduras nas paredes e queda de parte do teto. 'Foi um sinal', garante ele. Depois que vários edifícios foram construídos pela vizinhança, diz ele, é impossível tirar fotografias da Basílica 'sem que apareça aquela sujeira'. (.(Fonte: TV Liberal)
Italiani - Padre Vicente Schiena e a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré
No site da TV Liberal, encontramos referências ao padre Vicente di Schiena que durante muitos anos trabalhou na Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. Padre Vicente nasce em 16 de novembro de 1929, em Andria, Itália, sendo ordenado sacerdote em 4 de abril de 1955, em Roma. Faleceu na Itália em 1991.
No site da TV Liberal.
"Segundo o padre Vicente, a construção foi difícil. Durante a primeira guerra mundial, com as obras em pleno andamento, grande parte do mármore foi encomendado à Marmífera Lígure, italiana. A encomenda chegou, mas como houve o "crack" econômico, não foi possível enviar o valor do pagamento. Assim, quando a guerra terminou e a dívida pôde ser saldada, a Marmífera havia pedido falência. Uma das causas foi a falta de pagamento da encomenda da Basílica. 'São inconvenientes internacionais', explica o padre. Durante a segunda guerra, com o cruzeiro valorizado, foi possível adquirir os materiais necessários à construção. Naquela época, conta o padre, para se comprar um cruzeiro gastava-se 64 liras.
Mas, com o acirramento da luta, o comércio teve que ser interrompido. O atraso só não foi maior porque a maior parte das obras estava pronta. Todos os mosaicos e vitrais haviam chegado, e faltava pouco para completar o templo. Segundo o padre Vicente, o padre Luiz Zoia, que só esteve uma vez em Belém, acreditou que seria fácil construir a Basílica nova, porque nesta época vivia-se o fausto provocado pelo "boom" da borracha. Já então, em 1908, começava o declínio deste comércio, mas na época todos pensavam que a euforia iria continuar por muito mais tempo. Quando aqui esteve, o padre Zoia admirou-se do rico Teatro da Paz e dos gastos que a sociedade local tinha, importando "shows" de outros países. "Se havia dinheiro para isso, porque não haveria dinheiro para construir igreja?", perguntou-se ele.
A realidade provou que as facilidades não eram tantas. Graças ao vigário da igreja , padre Emilio Richert, que foi, segundo o padre Vicente, quem administrou a obra do ponto de vista financeiro, e ao padre Afonso Di Giorgio, que se mostraria incansável na coleta de doações, os trabalhos foram desenvolvidos progressivamente. Conta o padre Vicente que, ao findar a semana e ver que o dinheiro arrecadado não fora o suficiente para pagar os trabalhadores, padre Di Giorgio convocava um fiel e ia, de loja em loja, pedir colaborações.
Estas visitas às autoridades locais se faziam freqüentes, também, quando chegavam da Itália os carregamentos de mármore. Adquirido por um bom preço e transportado gratuitamente como lastro do navio, o mármore, ao chegar ao porto de Belém, era taxado pela alfândega. Para liberá-lo, o padre Di Giorgio percorria gabinetes e a Câmara, recorrendo a todos os meios até conseguir isenção parcial ou total do imposto”.(Fonte: TV Liberal)
"Segundo o padre Vicente, a construção foi difícil. Durante a primeira guerra mundial, com as obras em pleno andamento, grande parte do mármore foi encomendado à Marmífera Lígure, italiana. A encomenda chegou, mas como houve o "crack" econômico, não foi possível enviar o valor do pagamento. Assim, quando a guerra terminou e a dívida pôde ser saldada, a Marmífera havia pedido falência. Uma das causas foi a falta de pagamento da encomenda da Basílica. 'São inconvenientes internacionais', explica o padre. Durante a segunda guerra, com o cruzeiro valorizado, foi possível adquirir os materiais necessários à construção. Naquela época, conta o padre, para se comprar um cruzeiro gastava-se 64 liras.
Mas, com o acirramento da luta, o comércio teve que ser interrompido. O atraso só não foi maior porque a maior parte das obras estava pronta. Todos os mosaicos e vitrais haviam chegado, e faltava pouco para completar o templo. Segundo o padre Vicente, o padre Luiz Zoia, que só esteve uma vez em Belém, acreditou que seria fácil construir a Basílica nova, porque nesta época vivia-se o fausto provocado pelo "boom" da borracha. Já então, em 1908, começava o declínio deste comércio, mas na época todos pensavam que a euforia iria continuar por muito mais tempo. Quando aqui esteve, o padre Zoia admirou-se do rico Teatro da Paz e dos gastos que a sociedade local tinha, importando "shows" de outros países. "Se havia dinheiro para isso, porque não haveria dinheiro para construir igreja?", perguntou-se ele.
A realidade provou que as facilidades não eram tantas. Graças ao vigário da igreja , padre Emilio Richert, que foi, segundo o padre Vicente, quem administrou a obra do ponto de vista financeiro, e ao padre Afonso Di Giorgio, que se mostraria incansável na coleta de doações, os trabalhos foram desenvolvidos progressivamente. Conta o padre Vicente que, ao findar a semana e ver que o dinheiro arrecadado não fora o suficiente para pagar os trabalhadores, padre Di Giorgio convocava um fiel e ia, de loja em loja, pedir colaborações.
Estas visitas às autoridades locais se faziam freqüentes, também, quando chegavam da Itália os carregamentos de mármore. Adquirido por um bom preço e transportado gratuitamente como lastro do navio, o mármore, ao chegar ao porto de Belém, era taxado pela alfândega. Para liberá-lo, o padre Di Giorgio percorria gabinetes e a Câmara, recorrendo a todos os meios até conseguir isenção parcial ou total do imposto”.(Fonte: TV Liberal)
terça-feira, 15 de junho de 2010
Italiani - O trabalho de Gino Coppedè e outros na construção da Basílica de Nossa Senhora de Nazaré em Belém (2)
Inspirada na Igreja de São Paulo, em Roma, a Basílica foi projetada pelos italianos Gino Coppedé (arquiteto) e Giusepe Pedrasso (engenheiro),
que conceberam o que havia de mais suntuoso e de mais belo nas igrejas italianas para este templo.
Com linhas arquitetônicas que tendem para o centro religioso e artístico da igreja, esta obra é uma exuberância de estilos conjugados, fortemente renascentista, gótico, bizantino e românico.
Decorada em estilo neoclássico e liberty, mesclando desde o romântico até o moderno, a Basílica compõe-se da elegância do mármore de carrara europeu, do requinte dos estuques espanhóis, da exuberância dos vitrais franceses, dos mosaicos e sinos italianos, dos candelabros milaneses, dos lampadários venezianos e das estátuas do escultor Antônio Bozzano.
Em números marcantes, a Basílica tem 5 naves, 62m de comprimento, 24m de largura, 20m de altura, 2 torres de 42m de altura, 32 colunas de granito maciço, 54 vitrais, 38 medalhões em mosaico de 1,5m de diâmetro, 19 estátuas do mais puro mármore de carrara, 9 sinos (o maior com 2,8 ton.), 1 órgão com 3 teclados e 1.100 tubos, além de incontáveis detalhes sacros reservados a um olhar atento. O Pantheon do Pará é uma grandiosidade de fé e arte, feito do fervor de um povo, do bom gosto dos seus idealizadores e da ousadia dos Padres Barnabitas. (Fonte:Basílica de Nazaré)
Decorada em estilo neoclássico e liberty, mesclando desde o romântico até o moderno, a Basílica compõe-se da elegância do mármore de carrara europeu, do requinte dos estuques espanhóis, da exuberância dos vitrais franceses, dos mosaicos e sinos italianos, dos candelabros milaneses, dos lampadários venezianos e das estátuas do escultor Antônio Bozzano.
Em números marcantes, a Basílica tem 5 naves, 62m de comprimento, 24m de largura, 20m de altura, 2 torres de 42m de altura, 32 colunas de granito maciço, 54 vitrais, 38 medalhões em mosaico de 1,5m de diâmetro, 19 estátuas do mais puro mármore de carrara, 9 sinos (o maior com 2,8 ton.), 1 órgão com 3 teclados e 1.100 tubos, além de incontáveis detalhes sacros reservados a um olhar atento. O Pantheon do Pará é uma grandiosidade de fé e arte, feito do fervor de um povo, do bom gosto dos seus idealizadores e da ousadia dos Padres Barnabitas. (Fonte:Basílica de Nazaré)
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Italiani - O trabalho de Gino Coppedè e outros na construção da Basílica de Nossa Senhora de Nazaré em Belém (1)
Desde o início da devoção, todas as ermidas eram simples e não correspondiam a grandiosidade do culto à Nossa Senhora de Nazaré e às exigências dos fiéis, que reclamavam uma obra à altura de sua fé. No início do século XX um majestoso templo começa a ser erguido pelo esforço dos Padres Barnabitas e pela fé do povo paraense.
Em 1909, ano de lançamento da pedra fundamental, ficava pronto em Gênova, Itália, o projeto arquitetônico da Basílica.
A construção foi iniciada em 1910. Já em 1916 estavam concluídos a cripta, o telhado, as paredes e a torre. Os trabalhos foram conduzidos a distância, da Itália, pelo arquiteto Gino Coppedè e pelo idealizador da obra Padre Luis Zoia. Os mármores chegavam cortados sob medida, bem como os demais objetos de decoração, tudo transportado pelos navios que vinham buscar borracha no Pará. Neste período vários objetos de arte foram roubados, sendo necessário que os Padres limitassem o acesso das pessoas à obra. Cuidadoso e detalhado, o período da decoração foi longo, de 1923 - 1953.
O modelo seguido foi o da Basílica de São Paulo, em Roma, mas o motivo foi todo baseado na Virgem Maria. Atravessando todas as dificuldades de época, como duas guerras mundiais e a decadência do ciclo da borracha no Pará, este monumento levou 43 anos para ser concluído e já se impõe com quase um século de história, fé e arte.
A construção foi iniciada em 1910. Já em 1916 estavam concluídos a cripta, o telhado, as paredes e a torre. Os trabalhos foram conduzidos a distância, da Itália, pelo arquiteto Gino Coppedè e pelo idealizador da obra Padre Luis Zoia. Os mármores chegavam cortados sob medida, bem como os demais objetos de decoração, tudo transportado pelos navios que vinham buscar borracha no Pará. Neste período vários objetos de arte foram roubados, sendo necessário que os Padres limitassem o acesso das pessoas à obra. Cuidadoso e detalhado, o período da decoração foi longo, de 1923 - 1953.
O modelo seguido foi o da Basílica de São Paulo, em Roma, mas o motivo foi todo baseado na Virgem Maria. Atravessando todas as dificuldades de época, como duas guerras mundiais e a decadência do ciclo da borracha no Pará, este monumento levou 43 anos para ser concluído e já se impõe com quase um século de história, fé e arte.
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