Para os imigrantes italianos o sonho de "Fazer a América" em terra brasileiras no final do século XIX esbarrava em inúmeras dificuldades. Nas colônias do Paraná esse cenário não foi diferente conforme relatam Eliane Mimesse e Elaine Maschio ( Universidade de Tuiuti e Faculdade
Internacional de Curitiba) num trabalho comparando a imigração italiana em São
Paulo e no Paraná .
"De acordo com Azzi (1987:213), em 1877, desembarcaram no Porto de Paranaguá cerca de 2000 colonos vênetos, estimulados por um sacerdote do Canal de Brenta. A Colônia Nova Itália, também na região litorânea, não prosperou devido aos mesmos problemas que afetaram a Colônia Alexandra. Vechia (1998) aponta como um dos principais problemas a localização dessas colônias, que dificultava a comercialização dos produtos. Além disso, muitas outras razões levaram ao fracasso daquelas colônias. Ferrarini (1973:42) afirma que outros fatores foram mais relevantes do que a distância.
Segundo ele, o presidente da província, em visita à Colônia Nova Itália, em 1878, relatou a precariedade das condições de sobrevivência e a insatisfação dos colonos ali estabelecidos: estavam sem alimentação nem vestuário e acometidos de muitas doenças decorrentes do clima do litoral. Havia mais de 800 famílias ocupando 610 lotes, dentre os quais, alguns eram impróprios para o plantio. Tudo isso dificultava a permanência desses colonos nessas localidades.
O padre Pietro Colbacchini, em relatório datado de 13 de outubro de 1892, endereçado a Volpi Landi, presidente da Società Italiana de San Rafael e responsável pela assistência aos imigrantes, informou as condições dos colonos que viviam no litoral paranaense, nos anos de 1875 e 1877.
Entre tantos problemas, Colbacchini destacou as doenças mais graves, principalmente aquelas causadas por insetos.
Azzi (1987:213) e Balhana (1958), também se referem às doenças causadas por insetos e pelo clima tropical. Mas o que gostaríamos de destacar no apontamento desses autores, é a transferência gradativa dos colonos do litoral em direção a Curitiba. Como nos informa Balhana (1958), a maior parte do contingente de imigrantes estabelecidos no litoral dirigiu-se a Curitiba e sua acomodação no planalto curitibano deu-se de modo diversificado. Muitos imigrantes que deixaram o litoral por conta própria e acabaram se instalando em colônias já existentes.
A maior parte se fixou em novas colônias formadas nos arredores de Curitiba devido à compra de terras feita pelo governo.
Embora criadas no mesmo momento, as colônias dinamizaram formas de organização social, condizentes com cada grupo de imigrantes que nelas se estabeleceu e com a interação que esses diferentes grupos fizeram com a população brasileira. Assim, enquanto umas mantiveram por mais
tempo uma cultura ligada a seu país de origem, outras sofreram mais rapidamente um processo de integração com a população paranaense, como foi o caso da Colônia Alfredo Chaves”.
Um blog para difundir e aprofundar temas da presença italiana no Brasil, bem como valorizar o Made in Italy. Um espaço para troca de informações e conhecimento, compartilhando raízes comuns da italianidade que carregamos no sangue e na alma. A italianidade engloba a questão das nossas raízes italianas e também reserva um olhar para a linha do tempo, nela buscando e resgatando uma galeria de personagens famosos ou anônimos que, de alguma forma, inseriram seus nomes na História do Brasil.
domingo, 11 de abril de 2010
sábado, 10 de abril de 2010
História (151) - "Far l´America ( 77): Imigrantes na Colônia Nova Itália, no Paraná
A mal sucedida experiência da Colônia Alexandra no Paraná acabaria dando origem a um novo núcleo colonial assim descrito por Luiz Carlos B. Piazzetta, tomando por base os arquivos da La Piave FAINORS Federação Vêneta e publicado no blog Imigração Vêneta)
"Após o fracasso da Colônia Alexandra, ainda o número de imigrantes italianos, e vênetos em particular, continuava a aumentar nas terras do Paraná. Os recém-chegados eram recebidos em Paranaguá e depois levados para os barracões para imigrantes em Morretes, amontoados em grande promiscuidade, sem conforto e em precárias condições higiênicas.Ali foi criada a Colônia Nova Itália, inaugurada em 22 de Abril de 1877, a qual também teve uma vida curta e muito atribulada, com revoltas e desmandos administrativos que muito caracterizaram a história desta colônia, e também de outras iniciativas colonizadoras similares do período.O rítmo dos trabalhos, para a colocação definitiva dessa grande massa de imigrantes que chegava, era muito lento e a organização administrativa deixava muito a desejar. Em Janeiro de 1878 ainda se encontravam nos barracões mais de 800 famílias, portanto há aproximadamente 9 meses, na espera do seu lote de terra para trabalhar".
No mês de Março do mesmo ano viviam 3000 pessoas nos barracões esperando a sua colocação.Em um artigo surgido no mês de Março de 1878, no jornal Dezenove de Dezembro se relatava que: "existem mais de trezentos lotes já demarcados, cento e poucos estão ocupados e os restantes tem casas construídas já há seis meses mas, ainda sem teto, quase todas danificadas por estarem expostas ao tempo, por terem sido construídas com péssimo material adquirido a preço esorbitante".
"Não existe uma estrada para os lotes e os colonos os recusam pois são invadidos pelas águas durante as cheias dos rios ou localizados em terreno muito montanhoso. Os colonos estão quase na miséria, sem roupas, sem casas habitáveis, sem sementes para as suas primeiras plantações. Estão completamente desencorajados, ainda mais que muitos terrenos distribuídos são ruins e pantanosos". Ainda em Fevereiro as condições sanitárias continuavam muito precárias. Assim, em comunicado ao Ministério a presidência advertia que: 'Situada em uma localidade pouco salubre, circundada por terrenos pantanosos e baixos, sujeitos à inundações do Rio Nhundiaquara, muito freqüentes naquela zona, acarretando, como está acontecendo atualmente, febre tifóide, malária e outras enfermidades graves'.
"Em Março do mesmo ano, proveniente do Rio de Janeiro, chegaram alguns navios e com eles doentes com febre amarela. Já no dia 20 de Março a cidade de Antonina foi atingida por uma epidemia desta terrível doença, que apesar dos esforços para contê-la rapidamente atingiu Morretes e Paranaguá, e a notícia das primeiras mortes.A Colônia Nova Itália foi bastante atingida pela epidemia de febre amarela e as mortes foram muitas".
"Porém, outras doenças graves ceifavam a vida dos primeiros imigrantes: anemia por verminoses que atingiam especialmente as crinças, as doenças transmitidas por mosquitos que infestavam aquela zona e por outros parasitos, menos conhecidos, como o bicho-de-pé, que tornavam um inferno a vida daqueles pioneiros. O descontentamento era geral entre os colonos. Alguns procuravam meios para retornarem a seus países, sem encontrarem muita ajuda. Finalmente no mês de Julho o governo do Paraná resolveu transportar parte dos habitantes da Colônia Nova Itália, para colônias localizadas ao redor de Curitiba, a capital do Estado".
História (150) - "Far l´America ( 76) - O início da imigração italiana no Estado do Paraná
O grande êxodo dos italianos nas décadas finais do século XIX teve como um de seus destinos no Brasil o Estado do Paraná. Eliane Mimesse e Elaine Maschio ( Universidade de Tuiuti e Faculdade Internacional de Curitiba) num trabalho comparando a imigração italiana em São Paulo e no Paraná abordam a a inserção dos pioneiros nas terras paranaenses.
“No Paraná, a introdução de imigrantes italianos deu-se, primeiramente, por um contrato firmado entre o presidente da província, Venâncio José Lisboa, e o empresário Sabino Tripoti, no ano de 1871 (Balhana,1958:28). Muitos dos imigrantes foram instalados, inicialmente, na Colônia Alexandra no litoral, criada no ano de 1875. Embora a proposta política de distribuição de terras - dinamizada pela província para os imigrantes que desejassem a posse da terra e buscassem o desenvolvimento agrícola e, econômico - fosse aparentemente vantajosa, os imigrantes que pensavam encontrar condições propícias no Paraná, acabaram sofrendo as conseqüências da falta de interesse e de responsabilidade dos agentes da imigração quando de
seu ingresso e instalação no país”.
“O empresário Tripoti, exemplo de falta de responsabilidade, fundou a Colônia Alexandra na região litorânea movido por interesses pessoais. Localizada próxima ao Porto de Paranaguá, despenderia poucos recursos para o transporte dos colonos, Dessa forma, poderia o empresário trazer um número muito maior de imigrantes com a metade dos recursos que o governo lhe pagaria. Segundo Balhana (1958:29), Tripoti não estava interessado nem nos colonos nem na colonização da Província. Seu objetivo era atrair um número maior de imigrantes, uma vez que recebia 500 liras e não despendia mais de 100 por imigrante que trouxesse. Para convencer o maior número deles na Itália, o empresário confeccionou folhetos denominados Carta ao Amico Colono, que traziam informações contrárias e enganosas sobre a realidade daquela colônia”.
“No demorou muito para que aparecessem as conseqüências dessa prática e dessa política. O mau planejamento colocava em evidência a situação lastimável da colônia, tornando quase impossível à sobrevivência dos imigrantes. A localidade tornou-se pequena para o grande número de imigrantes que ali aportava. Os poucos colonos que conseguiram terras não tiveram êxito com a produção devido ao clima, que não era propício para o tipo de cultivo trazido do norte da Itália. A maior parte deles era composta por camponeses contadini, que procediam do Vêneto, região de clima muito frio. (Maschio, 2005)”.
Inúmeras reclamações chegavam a Curitiba da Colônia Alexandra. Muitos imigrantes desejavam até mesmo retornar à Itália, pois julgavam terem sido enganados pelas falsas promessas das propagandas. A melhor solução aos imigrantes seria a assistência e sua remoção para outro lugar. Assim, o governo rescindiu o contrato com o empresário e promoveu diretamente a imigração e a reimigração de colonos”.
“No Paraná, a introdução de imigrantes italianos deu-se, primeiramente, por um contrato firmado entre o presidente da província, Venâncio José Lisboa, e o empresário Sabino Tripoti, no ano de 1871 (Balhana,1958:28). Muitos dos imigrantes foram instalados, inicialmente, na Colônia Alexandra no litoral, criada no ano de 1875. Embora a proposta política de distribuição de terras - dinamizada pela província para os imigrantes que desejassem a posse da terra e buscassem o desenvolvimento agrícola e, econômico - fosse aparentemente vantajosa, os imigrantes que pensavam encontrar condições propícias no Paraná, acabaram sofrendo as conseqüências da falta de interesse e de responsabilidade dos agentes da imigração quando de
seu ingresso e instalação no país”.
“O empresário Tripoti, exemplo de falta de responsabilidade, fundou a Colônia Alexandra na região litorânea movido por interesses pessoais. Localizada próxima ao Porto de Paranaguá, despenderia poucos recursos para o transporte dos colonos, Dessa forma, poderia o empresário trazer um número muito maior de imigrantes com a metade dos recursos que o governo lhe pagaria. Segundo Balhana (1958:29), Tripoti não estava interessado nem nos colonos nem na colonização da Província. Seu objetivo era atrair um número maior de imigrantes, uma vez que recebia 500 liras e não despendia mais de 100 por imigrante que trouxesse. Para convencer o maior número deles na Itália, o empresário confeccionou folhetos denominados Carta ao Amico Colono, que traziam informações contrárias e enganosas sobre a realidade daquela colônia”.
“No demorou muito para que aparecessem as conseqüências dessa prática e dessa política. O mau planejamento colocava em evidência a situação lastimável da colônia, tornando quase impossível à sobrevivência dos imigrantes. A localidade tornou-se pequena para o grande número de imigrantes que ali aportava. Os poucos colonos que conseguiram terras não tiveram êxito com a produção devido ao clima, que não era propício para o tipo de cultivo trazido do norte da Itália. A maior parte deles era composta por camponeses contadini, que procediam do Vêneto, região de clima muito frio. (Maschio, 2005)”.
Inúmeras reclamações chegavam a Curitiba da Colônia Alexandra. Muitos imigrantes desejavam até mesmo retornar à Itália, pois julgavam terem sido enganados pelas falsas promessas das propagandas. A melhor solução aos imigrantes seria a assistência e sua remoção para outro lugar. Assim, o governo rescindiu o contrato com o empresário e promoveu diretamente a imigração e a reimigração de colonos”.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Italiani: A bem sucedida história de Luigi Papaiz
Em 9 de dezembro de 1924 nascia na cidade de Sesto al Reghena na região Friuli- Venezia- Giulia, Luigi Papaiz que, tempos mais tarde, se tornaria no Brasil um empresário extremamente bem sucedido. Em 1947, ainda na Itália, mas em outra região (Emilia Romagna), Luigi inauguraria uma pequena fábrica na cidade de Bolonha. Cinco anos depois a família Papaiz se mudaria para o Brasil, onde, na cidade de São Paulo, bairro da Vila Prudente, lançaria a pedra fundamental do que viria a se tornar o grupo Papaiz, sinônimo de cadeados e fechaduras.
O site Rede de tecnologia traz um depoimento do próprio fundador (falecido em 2003). : "A história do Grupo Papaiz começou em 1947, quando iniciei uma pequena atividade mecânica na cidade de Bolonha, na Itália. Como eram muitas as dificuldades da economia na Europa após a guerra, em 1952 decidi transferir-me para a América do Sul em busca de melhores oportunidades de desenvolvimento.
Cheguei a São Paulo trazendo algumas máquinas como bagagem, e os primeiros anos no Brasil foram muito difíceis. A Papaiz era na Vila Prudente, e o fornecimento de fechaduras para indústrias de móveis permitiu impulsionar o crescimento inicial da empresa.
Minha filosofia sempre foi direcionar recursos para o desenvolvimento dos negócios, através do contínuo investimento em máquinas e equipamentos industriais de última geração, bem como promover uma constante valorização do elemento humano. Posteriormente, iniciamos a fabricação de cadeados, e na década de 70, passamos a produzir também fechaduras residenciais de alta segurança”.
O site Rede de tecnologia traz um depoimento do próprio fundador (falecido em 2003). : "A história do Grupo Papaiz começou em 1947, quando iniciei uma pequena atividade mecânica na cidade de Bolonha, na Itália. Como eram muitas as dificuldades da economia na Europa após a guerra, em 1952 decidi transferir-me para a América do Sul em busca de melhores oportunidades de desenvolvimento.
Cheguei a São Paulo trazendo algumas máquinas como bagagem, e os primeiros anos no Brasil foram muito difíceis. A Papaiz era na Vila Prudente, e o fornecimento de fechaduras para indústrias de móveis permitiu impulsionar o crescimento inicial da empresa.
Minha filosofia sempre foi direcionar recursos para o desenvolvimento dos negócios, através do contínuo investimento em máquinas e equipamentos industriais de última geração, bem como promover uma constante valorização do elemento humano. Posteriormente, iniciamos a fabricação de cadeados, e na década de 70, passamos a produzir também fechaduras residenciais de alta segurança”.
Italiani: A doce história da família Bauducco
"A história da tradicional fábrica de bolachas e bolos BAUDUCCO tem início em 1948, quando o representante comercial Carlo Bauducco chega ao Brasil vindo da cidade italiana de Turim. O motivo para cruzar o Atlântico de navio não era agradável. Ele vinha cobrar uma dívida de máquinas de torrefação de café, importadas por um amigo, também italiano. Apesar de não falar uma palavra em português, conseguiu recuperar parte do dinheiro. Em vez de voltar à terra natal, o italiano então com 42 anos encantou-se pela cidade e decidiu ficar.
O bom faro para negócios ajudou-o a perceber que o panetone era pouco consumido em São Paulo, onde havia muitos italianos e descendentes. Dois anos depois de sua chegada ao país ele já estava produzindo Panettone artesanalmente, enxergando a possibilidade de ampliar sua produção e comercializar a deliciosa receita italiana em toda a cidade de São Paulo. No ano de 1952 foi inaugurada uma pequena confeitaria chamada DOCERIA BAUDUCCO no bairro do Brás, bairro onde se concentravam os imigrantes italianos em São Paulo, que além dos deliciosos panettones, começou a produzir também biscoitos Champanhe, doces, salgados e petit fours. Carlo logo trouxe de Milão seu único filho Luigi para ajudá-lo. Como as vendas ainda precisavam melhorar, o Sr. Bauducco resolveu inovar mais uma vez. Ele teve a idéia de encher um avião de panfletos e “bombardeou” a cidade de São Paulo.
Conseguiu ao mesmo tempo divulgar o panettone, desconhecido para muita gente, e vender todo o estoque em apenas três dias. Curiosamente, Carlo Bauducco não cozinhava. Para cuidar da preparação das guloseimas, o patriarca convidou o conterrâneo Armando Poppa, um habilidoso confeiteiro. Quando Poppa saiu para abrir sua própria doçaria, a Cristallo, em 1953, Carlo trouxe outros especialistas para substituí-lo, mas tomou o cuidado de preservar a fórmula original do doce recheado de frutas cristalizadas. O grande salto, no entanto, foi dado em 1962 com a inauguração da fábrica em Guarulhos. Começava então a passagem de produção artesanal para a produção industrial e o lançamento de novas linhas de produtos. Três anos depois, observando o hábito brasileiro de querer tocar o produto, a marca decidiu criar uma embalagem mais resistente, feito de papelão. Na caixa o Panettone encontrava-se devidamente protegido. O mesmo aconteceu posteriormente com a linha de biscoitos. P
ouco tempo depois, também foi fundamental para a expansão da marca a entrada do produto em supermercados, onde o consumidor comprava por impulso. Nos anos seguintes a BAUDUCCO lançou no mercado brasileiro vários produtos inovadores como a linha de torradas e grissinis, a Colomba Pascal e o panettone com gotas de chocolate, que fisgou os fãs do tradicional doce incapazes de comer frutas cristalizadas. Os produtos BAUDUCCO cruzaram as fronteiras internacionais em 1979 com as primeiras exportações para os Estados Unidos. A década de 80 começou com grandes novidades, como a construção da segunda fábrica em 1983 e os lançamentos de dois grandes sucessos da marca: biscoitos amanteigados e Wafers. Foi também nesta época que Massimo, neto do fundador da empresa, assumiu o comando da empresa e deu partida em um ambicioso plano de diversificação. Na ocasião, os panetones garantiam quase a totalidade do faturamento.
Hoje, eles representam apenas 25%. Num primeiro momento, os Bauducco definiram dois mandamentos. O primeiro: não abandonariam sua vocação, isto é, “produtos de forno”. O segundo: “A gente não admite fazer nada que já existe no mercado”. Foi assim com os sabores inéditos da bolacha wafer, setor no qual a BAUDUCCO se tornou o segundo maior fabricante do mundo. No ano de 1997, após uma série de pesquisas em profundidade, a BAUDUCCO faz a maior mudança de identidade visual já realizada por uma empresa de alimentos. Modernizando a sua logomarca, adota o amarelo como cor predominante em todas as suas embalagens. O amarelo, entre outras coisas, simboliza a luz do sol e o trigo, base de todos os produtos. Junto com a mudança das embalagens, foi veiculado um filme publicitário contando a chegada da família Bauducco ao Brasil.
No ano seguinte a BAUDUCCO recebe, em Londres, o prêmio Design Effectiveness Awards com a embalagem desenvolvida para a sua lata especial de Natal do Panettone. É a primeira vez que uma empresa brasileira de alimentos recebe este prêmio. Em 1999, com um produto de grande qualidade e versões com recheio, torna-se líder de mercado na categoria de bolos no Brasil. Em 2001, a empresa comprou sua principal concorrente, a Visconti. Essa aquisição consolidou a BAUDUCCO na liderança, com uma fatia de 70% do mercado de panettones. Recentemente, a BAUDUCCO concluiu uma ampla pesquisa para mensurar a aceitação de novos produtos.
Sete categorias foram avaliadas. O resultado revela o vigor da marca. Algumas das categorias estão “prontas” para receber a assinatura BAUDUCCO. É o caso de pães, massas e, um pouco depois, chocolates. Itens como molhos prontos não estão descartados. Conquistando o mundo A partir de 2000 a BAUDUCCO começou uma forte expansão internacional para vários países. Mas a grande sedução vem do mercado americano. Lá, a BAUDUCCO inaugurou em 2005 uma subsidiária, a Bauducco Foods, responsável pela coordenação de oito distribuidores locais. O principal objetivo é atender as grandes redes de supermercados americanas. A Wal-Mart fechou um contrato para abastecer suas lojas da Flórida.
Também é possível encontrar torradas, biscoitos e panetones BAUDUCCO na Walgreens, maior rede de lojas de farmácia e conveniência do país. A menina dos olhos da família, porém, é o contrato com a Target, segunda maior empresa de varejo dos Estados Unidos. A BAUDUCCO será a primeira marca brasileira a ocupar espaço nas gôndolas da gigante. A marca no mundo A empresa comercializa seus produtos através de 200 mil pontos de venda no Brasil.
Atualmente a BAUDUCCO possui quatro fábricas (três em São Paulo e uma em Minas Gerais) e nove centros de distribuição, nos quais trabalham 3.000 funcionários. Os produtos da marca são vendidos em cinqüenta países, entre os quais Estados Unidos, Japão, Portugal e Argentina. As exportações representam hoje 10% do faturamento da empresa. O grupo ainda mantém em seu portfólio a marca Visconti". (Fonte: Blog Empreendedorismo)
O bom faro para negócios ajudou-o a perceber que o panetone era pouco consumido em São Paulo, onde havia muitos italianos e descendentes. Dois anos depois de sua chegada ao país ele já estava produzindo Panettone artesanalmente, enxergando a possibilidade de ampliar sua produção e comercializar a deliciosa receita italiana em toda a cidade de São Paulo. No ano de 1952 foi inaugurada uma pequena confeitaria chamada DOCERIA BAUDUCCO no bairro do Brás, bairro onde se concentravam os imigrantes italianos em São Paulo, que além dos deliciosos panettones, começou a produzir também biscoitos Champanhe, doces, salgados e petit fours. Carlo logo trouxe de Milão seu único filho Luigi para ajudá-lo. Como as vendas ainda precisavam melhorar, o Sr. Bauducco resolveu inovar mais uma vez. Ele teve a idéia de encher um avião de panfletos e “bombardeou” a cidade de São Paulo.
Conseguiu ao mesmo tempo divulgar o panettone, desconhecido para muita gente, e vender todo o estoque em apenas três dias. Curiosamente, Carlo Bauducco não cozinhava. Para cuidar da preparação das guloseimas, o patriarca convidou o conterrâneo Armando Poppa, um habilidoso confeiteiro. Quando Poppa saiu para abrir sua própria doçaria, a Cristallo, em 1953, Carlo trouxe outros especialistas para substituí-lo, mas tomou o cuidado de preservar a fórmula original do doce recheado de frutas cristalizadas. O grande salto, no entanto, foi dado em 1962 com a inauguração da fábrica em Guarulhos. Começava então a passagem de produção artesanal para a produção industrial e o lançamento de novas linhas de produtos. Três anos depois, observando o hábito brasileiro de querer tocar o produto, a marca decidiu criar uma embalagem mais resistente, feito de papelão. Na caixa o Panettone encontrava-se devidamente protegido. O mesmo aconteceu posteriormente com a linha de biscoitos. P
ouco tempo depois, também foi fundamental para a expansão da marca a entrada do produto em supermercados, onde o consumidor comprava por impulso. Nos anos seguintes a BAUDUCCO lançou no mercado brasileiro vários produtos inovadores como a linha de torradas e grissinis, a Colomba Pascal e o panettone com gotas de chocolate, que fisgou os fãs do tradicional doce incapazes de comer frutas cristalizadas. Os produtos BAUDUCCO cruzaram as fronteiras internacionais em 1979 com as primeiras exportações para os Estados Unidos. A década de 80 começou com grandes novidades, como a construção da segunda fábrica em 1983 e os lançamentos de dois grandes sucessos da marca: biscoitos amanteigados e Wafers. Foi também nesta época que Massimo, neto do fundador da empresa, assumiu o comando da empresa e deu partida em um ambicioso plano de diversificação. Na ocasião, os panetones garantiam quase a totalidade do faturamento.
Hoje, eles representam apenas 25%. Num primeiro momento, os Bauducco definiram dois mandamentos. O primeiro: não abandonariam sua vocação, isto é, “produtos de forno”. O segundo: “A gente não admite fazer nada que já existe no mercado”. Foi assim com os sabores inéditos da bolacha wafer, setor no qual a BAUDUCCO se tornou o segundo maior fabricante do mundo. No ano de 1997, após uma série de pesquisas em profundidade, a BAUDUCCO faz a maior mudança de identidade visual já realizada por uma empresa de alimentos. Modernizando a sua logomarca, adota o amarelo como cor predominante em todas as suas embalagens. O amarelo, entre outras coisas, simboliza a luz do sol e o trigo, base de todos os produtos. Junto com a mudança das embalagens, foi veiculado um filme publicitário contando a chegada da família Bauducco ao Brasil.
No ano seguinte a BAUDUCCO recebe, em Londres, o prêmio Design Effectiveness Awards com a embalagem desenvolvida para a sua lata especial de Natal do Panettone. É a primeira vez que uma empresa brasileira de alimentos recebe este prêmio. Em 1999, com um produto de grande qualidade e versões com recheio, torna-se líder de mercado na categoria de bolos no Brasil. Em 2001, a empresa comprou sua principal concorrente, a Visconti. Essa aquisição consolidou a BAUDUCCO na liderança, com uma fatia de 70% do mercado de panettones. Recentemente, a BAUDUCCO concluiu uma ampla pesquisa para mensurar a aceitação de novos produtos.
Sete categorias foram avaliadas. O resultado revela o vigor da marca. Algumas das categorias estão “prontas” para receber a assinatura BAUDUCCO. É o caso de pães, massas e, um pouco depois, chocolates. Itens como molhos prontos não estão descartados. Conquistando o mundo A partir de 2000 a BAUDUCCO começou uma forte expansão internacional para vários países. Mas a grande sedução vem do mercado americano. Lá, a BAUDUCCO inaugurou em 2005 uma subsidiária, a Bauducco Foods, responsável pela coordenação de oito distribuidores locais. O principal objetivo é atender as grandes redes de supermercados americanas. A Wal-Mart fechou um contrato para abastecer suas lojas da Flórida.
Também é possível encontrar torradas, biscoitos e panetones BAUDUCCO na Walgreens, maior rede de lojas de farmácia e conveniência do país. A menina dos olhos da família, porém, é o contrato com a Target, segunda maior empresa de varejo dos Estados Unidos. A BAUDUCCO será a primeira marca brasileira a ocupar espaço nas gôndolas da gigante. A marca no mundo A empresa comercializa seus produtos através de 200 mil pontos de venda no Brasil.
Atualmente a BAUDUCCO possui quatro fábricas (três em São Paulo e uma em Minas Gerais) e nove centros de distribuição, nos quais trabalham 3.000 funcionários. Os produtos da marca são vendidos em cinqüenta países, entre os quais Estados Unidos, Japão, Portugal e Argentina. As exportações representam hoje 10% do faturamento da empresa. O grupo ainda mantém em seu portfólio a marca Visconti". (Fonte: Blog Empreendedorismo)
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Oriundi - Ciccillo Matarazzo e a criação do Museu de Arte Moderna
Criado em 1949 por iniciativa de um grupo de amantes da cultura, em particular Ciccillo Matarazzo, o Museu de Arte Moderna (São Paulo)guarda importante acervo nacional e internacional.
"Encabeça a genealogia do MAM – e, portanto, de sua coleção – uma carta enviada, em 1946, por Sérgio Millet, então diretor da Biblioteca Municipal de São Paulo, ao magnata norte-americano Nelson Rockefeller, presidente do Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York. A correspondência falava de um grupo interessado em formar um Museu de Arte Moderna em São Paulo e a resposta, entusiasta, era de que a instituição nova-iorquina fundada em 1929 poderia servir de modelo a 'todas as entidades que se abririam com esse nome no mundo ocidenta'; palavras de Rockefeller.
No final do mesmo ano, a comunicação de Milliet com o conselheiro do MoMA Carleton Sprague Smith acertava a doação que viria dos EUA para iniciar o acervo de dois novos museus brasileiros. Ao todo seriam 14 trabalhos, sete para o MAM paulistano e sete para o MAM carioca, entregues ao Instituto dos Arquitetos do Brasil – Seção SP, nos termos de guarda provisória.
Da Europa, o empresário Francisco Matarazzo Filho acompanha os preparativos e destaca o secretário Carlos Pinto Alves para fazer a diplomacia das relações com o MoMA. Em janeiro de 1948, Ciccillo Matarazzo Sobrinho cria a Fundação de Arte Moderna, por meio da qual encomenda a Rockefeller uma exposição de arte abstrata, “que causaria grande repercussão e levaria o público a discutir essa forma especial de pintura”, como escreve o industrial ítalo-brasileiro em carta. Enfim, em julho de 1949, é criado o Museu de Arte Moderna de São Paulo. A ata de constituição da sociedade civil, registrada no Tabelionato Nobre da cidade, leva a assinatura de 68 artistas, empresários, intelectuais e arquitetos. Entre eles, Tarsila do Amaral, Villanova Artigas, Oswald de Andrade, o próprio Ciccillo e Milliet. Antes da inauguração da sede à rua Sete de Abril, o MAM expunha tímida coleção – constituída, por exemplo, de telas de Chagall, Dufy, Kandisky, Miró e Picasso, entre os estrangeiros, e Anita Malfatti, Di Cavalcanti, José Antônio da Silva, Mário Zanini e Volpi, entre os brasileiros – no endereço da Metalúrgica Matarazzo.
A maior parte das obras, supõe-se, pertencente a Ciccillo – as doações do casal Matarazzo são imprecisas até hoje. Os trabalhos doados por Rockefeller chegam ao museu em dezembro de 1949. São eles um móbile de Alexander Calder, aquarelas de George Grosz e de Marc Chagall, uma têmpera de Morris Grave, um óleo de Byron Browne e guaches de André Masson e de Fernand Léger. D
urante toda a década seguinte, a coleção amplia-se por meio de aquisições, realizadas sobretudo durante o período das Bienais, e doação de artistas, como é o caso de Emiliano Di Cavalcanti, que cedeu ao museu, em meados daquele decênio, mais de 500 de seus desenhos. Em 1963, Ciccillo apoiou-se no artigo de número 52 da escritura de constituição do MAM – o qual reza que “o patrimônio da associação se reverterá, no caso de dissolução, em benefício da Fundação de Arte Moderna”, dirigida por ele - para transferir acervo e tudo o mais ao nascente Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.
Membros da associação do MAM perpetram a tentativa inglória de rever a coleção; conseguem, apenas, sustentar o nome do museu. É só em 1967 que o museu reinicia a formação de um novo (ou segundo) acervo, com a doação da coleção do tesoureiro da instituição na época, Carlo Tamagni.
Outra alternativa foi muito bem pensada por Diná Lopes Coelho, secretária do MAM, idealizadora do Panorama de Arte Atual Brasileira, exposição periódica que traçaria a mais recente produção artística do Brasil, cujos prêmios, aquisitivos, engordariam a coleção. Em paralelo a isso, contava-se com doações generosas de artistas, colecionadores, empresas etc. De todo modo, as circunstâncias que se impunham fizeram o museu volver a diretriz do acervo: daí em diante, o MAM privilegiaria a arte do pós-guerra, produzida a partir dos anos 50.
Nas décadas posteriores, até meados de 90, o museu valia-se muito de doações e das aquisições do Panorama. A coleção dá uma guinada exponencial a partir do final do século passado. Se em 1998, a instituição contava com cerca de 2.500 obras, hoje a coleção constitui-se de mais de 4.000 peças, entre pintura, escultura, desenho, fotografia, vídeo, instalação e performance, concebidas por quase 1.000 nomes da arte brasileira. Entre eles, nomes importantes da ou para a atual produção, como Cildo Meireles, Beatriz Milhazes, Rafael França, Marepe, Rivane Neuenschwander, Valdirlei Dias Nunes, Leda Catunda, Rubens Mano, Daniel Acosta, Laura Lima, Nelson Leirner e Carlos Fajardo". (Fonte MAM)
"Encabeça a genealogia do MAM – e, portanto, de sua coleção – uma carta enviada, em 1946, por Sérgio Millet, então diretor da Biblioteca Municipal de São Paulo, ao magnata norte-americano Nelson Rockefeller, presidente do Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York. A correspondência falava de um grupo interessado em formar um Museu de Arte Moderna em São Paulo e a resposta, entusiasta, era de que a instituição nova-iorquina fundada em 1929 poderia servir de modelo a 'todas as entidades que se abririam com esse nome no mundo ocidenta'; palavras de Rockefeller.
No final do mesmo ano, a comunicação de Milliet com o conselheiro do MoMA Carleton Sprague Smith acertava a doação que viria dos EUA para iniciar o acervo de dois novos museus brasileiros. Ao todo seriam 14 trabalhos, sete para o MAM paulistano e sete para o MAM carioca, entregues ao Instituto dos Arquitetos do Brasil – Seção SP, nos termos de guarda provisória.
Da Europa, o empresário Francisco Matarazzo Filho acompanha os preparativos e destaca o secretário Carlos Pinto Alves para fazer a diplomacia das relações com o MoMA. Em janeiro de 1948, Ciccillo Matarazzo Sobrinho cria a Fundação de Arte Moderna, por meio da qual encomenda a Rockefeller uma exposição de arte abstrata, “que causaria grande repercussão e levaria o público a discutir essa forma especial de pintura”, como escreve o industrial ítalo-brasileiro em carta. Enfim, em julho de 1949, é criado o Museu de Arte Moderna de São Paulo. A ata de constituição da sociedade civil, registrada no Tabelionato Nobre da cidade, leva a assinatura de 68 artistas, empresários, intelectuais e arquitetos. Entre eles, Tarsila do Amaral, Villanova Artigas, Oswald de Andrade, o próprio Ciccillo e Milliet. Antes da inauguração da sede à rua Sete de Abril, o MAM expunha tímida coleção – constituída, por exemplo, de telas de Chagall, Dufy, Kandisky, Miró e Picasso, entre os estrangeiros, e Anita Malfatti, Di Cavalcanti, José Antônio da Silva, Mário Zanini e Volpi, entre os brasileiros – no endereço da Metalúrgica Matarazzo.
A maior parte das obras, supõe-se, pertencente a Ciccillo – as doações do casal Matarazzo são imprecisas até hoje. Os trabalhos doados por Rockefeller chegam ao museu em dezembro de 1949. São eles um móbile de Alexander Calder, aquarelas de George Grosz e de Marc Chagall, uma têmpera de Morris Grave, um óleo de Byron Browne e guaches de André Masson e de Fernand Léger. D
urante toda a década seguinte, a coleção amplia-se por meio de aquisições, realizadas sobretudo durante o período das Bienais, e doação de artistas, como é o caso de Emiliano Di Cavalcanti, que cedeu ao museu, em meados daquele decênio, mais de 500 de seus desenhos. Em 1963, Ciccillo apoiou-se no artigo de número 52 da escritura de constituição do MAM – o qual reza que “o patrimônio da associação se reverterá, no caso de dissolução, em benefício da Fundação de Arte Moderna”, dirigida por ele - para transferir acervo e tudo o mais ao nascente Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.
Membros da associação do MAM perpetram a tentativa inglória de rever a coleção; conseguem, apenas, sustentar o nome do museu. É só em 1967 que o museu reinicia a formação de um novo (ou segundo) acervo, com a doação da coleção do tesoureiro da instituição na época, Carlo Tamagni.
Outra alternativa foi muito bem pensada por Diná Lopes Coelho, secretária do MAM, idealizadora do Panorama de Arte Atual Brasileira, exposição periódica que traçaria a mais recente produção artística do Brasil, cujos prêmios, aquisitivos, engordariam a coleção. Em paralelo a isso, contava-se com doações generosas de artistas, colecionadores, empresas etc. De todo modo, as circunstâncias que se impunham fizeram o museu volver a diretriz do acervo: daí em diante, o MAM privilegiaria a arte do pós-guerra, produzida a partir dos anos 50.
Nas décadas posteriores, até meados de 90, o museu valia-se muito de doações e das aquisições do Panorama. A coleção dá uma guinada exponencial a partir do final do século passado. Se em 1998, a instituição contava com cerca de 2.500 obras, hoje a coleção constitui-se de mais de 4.000 peças, entre pintura, escultura, desenho, fotografia, vídeo, instalação e performance, concebidas por quase 1.000 nomes da arte brasileira. Entre eles, nomes importantes da ou para a atual produção, como Cildo Meireles, Beatriz Milhazes, Rafael França, Marepe, Rivane Neuenschwander, Valdirlei Dias Nunes, Leda Catunda, Rubens Mano, Daniel Acosta, Laura Lima, Nelson Leirner e Carlos Fajardo". (Fonte MAM)
Oriundi - O legado de Ciccillo Matarazzo
O desenvolvimento das artes no Brasil deve muito a um oriundo nascido de tradicional família de imigrantes italianos: Francisco Matarazzo Sobrinho ((São Paulo, 20 de fevereiro de 1898 — São Paulo, 16 de abril de 1977), mais conhecido por Ciccillo Matarazzo, cujo perfil é assim traçado no portal Sesc.
"Francisco Antônio Paulo Matarazzo, filho de Angelo Andrea Matarazzo e de Maria Virginia Geraldi, nasceu em São Paulo em 20 de fevereiro de 1898 e faleceu na mesma cidade em 16 de abril de 1977. Para a família, para os amigos, e mais tarde para todos os seus conterrâneos, simples e afetuosamente, Ciccillo – homem afável, de saudosa memória para todos os que tiveram a ventura de conhecê-lo, e cuja passagem por este mundo foi marcada tanto pela agudeza de sua visão empresarial como pelos esforços de sintonia com as necessidades da comunidade.
Uma vida assim sintetizada pelo jornalista Luiz Ernesto Machado Kawall por ocasião de sua morte, em matéria da Folha de S. Paulo (17/4/1977): 'Ciccillo nasceu ligado e deitou raízes no tempo e no espaço. Não teve um filho, mas amou a criação, a natureza, o belo, o ideal do entendimento entre os povos pelo congraçamento da arte'.
Era sobrinho do primeiro Francisco Matarazzo (1854-1937), italiano de Castellabate emigrado para o Brasil em 1881, aos 27 anos. E que cerca de 20 anos mais tarde já começaria a implantar um verdadeiro império industrial, representado por 365 fábricas espalhadas por todo o território brasileiro. Em 1934, o conglomerado de suas empresas (Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo – IRFM) tinha uma renda que só perdia, no Brasil, para o Produto Interno Bruto do estado de São Paulo, ultrapassando de longe Minas Gerais, o Distrito Federal e o Rio Grande do Sul. Em 1917, após vultosa contribuição à Itália durante a 1ª Guerra Mundial, o primeiro Francisco receberia do rei Vítor Emanuel o título de conde, logo mais estendido também a seus herdeiros. Ligando-se muito jovem ao trabalho da família e do tio, Ciccillo conseguiria em 1935 tornar-se independente com o desmembramento das várias empresas do grupo, cabendo-lhe a propriedade total da metalúrgica Matarazzo-Metalma.
Em 1944, por averbação em cartório adotou em definitivo o nome comercial de Francisco Matarazzo Sobrinho. Nascido em berço esplêndido, o menino Ciccillo recebeu educação esmerada, iniciada como a de outros garotos de seu tempo no prestigioso Instituto de Educação Caetano de Campos. Com 10 anos, porém, foi mandado pela família, com um preceptor, para estudar em Nápoles. Permaneceu na Europa até os 20 anos, tendo estudado engenharia na Universidade de Liège (Bélgica) – desse prolongado séjour europeu conservaria um sotaque típico, ítalo-francês, durante toda a vida, e um entranhado amor pela literatura e pelas artes. Na mocidade – como ele próprio confessava – preferia a arte acadêmica, e na verdade estava mais interessado "em uma reluzente Bugatti ou em uma Fiat modelo esportivo".
Na maturidade realizou um esforço consciente de integração no meio intelectual, desde o início da década de 1940, e começou a arranjar meios de tornar realidade o desejo de muitos: fazer de São Paulo um centro de efervescência artística e cultural permanente. Sonhos realizados A cidade de São Paulo assistiu na década de 1940 ao surgimento de vários clubes e associações de caráter artístico em que os remanescentes de 1922, juntando-se aos novos artistas e intelectuais recrutados na recém-criada Faculdade de Filosofia de São Paulo, organizavam-se para a criação institucional de uma cultura que pudesse se situar perante o mundo. Com a 2ª Guerra Mundial em curso, os contatos tradicionais com a Europa tornavam-se difíceis.
O Brasil assistia a um processo de substituição de referências culturais, orientando-se mais pelos moldes norte-americanos – aliás, para isso se empenhavam os governos do Brasil e dos Estados Unidos, através da chamada 'Política da Boa Vizinhança', que teve como coordenador o milionário Nelson Rockefeller, dono da Standard Oil e presidente do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA).
Grande articulador dessa aproximação foi um dos maiores intelectuais da época, o crítico de arte Sérgio Milliet, desde o tempo em que era professor da Escola de Sociologia e Política até tornar-se diretor da Biblioteca Municipal. E também o arquiteto Eduardo Kneese de Melo. Ligando-se a eles por laços de amizade e trabalhando em conjunto no projeto do Museu de Arte Moderna – e um pouco mais tarde no da Bienal –, Ciccillo tornou-se um conhecedor de arte e dedicou o resto de sua vida às atividades culturais. Em sua linguagem peculiar, diria o empresário, mais tarde, que fundara o museu porque necessitava fazer alguma coisa do gênero, era preciso 'levantar o diabo nell’acqua morta'.
Em 1947, Ciccillo casa-se em Roma com Yolanda Penteado, uma sobrinha de dona Olívia Guedes Penteado que herdara fortuna e tradição familiar de amparo às artes e se tornara uma "locomotiva" da alta sociedade brasileira – uma catalisadora da grande energia criadora de artistas e intelectuais. Quando o casal estava em Paris em lua-de-mel, Ciccillo adoeceu dos pulmões. Por recomendação médica, tiveram de passar uma temporada no sanatório de Schatzalp, em Davos (Suíça), que já passara à história da literatura como cenário do romance de Thomas Mann, A Montanha Mágica. Lá conheceram o museólogo alemão Karl Nierendorf, diretor do Museu Guggenheim, com quem mantiveram longas e instrutivas conversas.
Ele acabou por lhes sugerir a montagem de uma exposição de arte abstrata para a abertura do MAM, que já estava sendo planejado pelo casal brasileiro.
Seu conselho frutificou no espírito de Ciccillo e Yolanda – a primeira mostra do museu, "Do Figurativismo ao Abstracionismo", aberta em março de 1949, marcaria época: apesar do nome, na realidade trazia somente trabalhos abstratos e condensava toda a polêmica em torno desse tipo de arte, que já corria há tempos. Em 1948 Ciccillo fundou também, com seu amigo de infância Franco Zampari, o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), e, em 1949, a Companhia Cinematográfica Vera Cruz. A partir dessa época, e até sua morte, a figura do empresário se faria presente também na criação da Cinemateca Brasileira, do Museu de Arte e Arqueologia da Universidade de São Paulo e do Balé do 4º Centenário. Logo após a inauguração do MAM, Ciccillo propôs a realização de uma grande mostra periódica internacional, inspirada na Bienal de Veneza – ideia ousada, que enfrentou a resistência de alguns membros da diretoria. Percebendo que não poderia realizar esse sonho apenas convidando por correspondência os artistas estrangeiros, Ciccillo insistiu que Yolanda fosse pessoalmente à Europa para isso.
Devemos a realização da 1ª Bienal, em 1951, a essa grande mulher, que tinha um notável poder de sedução e convicção. No dia da inauguração do evento, 20 de outubro, chovia torrencialmente, mas uma multidão de 5 mil convidados comprimia-se tanto na Avenida Paulista, diante do salão do Trianon, que o ministro das Relações Exteriores foi obrigado a fazer uma entrada sui generis no recinto da exposição: pela janela. O sucesso do evento foi tão grande que foram iniciados imediatamente os preparativos para a 2ª Bienal – a mais gloriosa de todas que já tivemos.
Inaugurada no final de 1953, ela continuaria durante as comemorações do 4º Centenário da cidade, em 1954. Ciccillo presidia a comissão desses festejos e convocou Oscar Niemeyer e Burle Marx para construírem em tempo recorde edifícios e jardins em uma área de várzea, distante e sem nenhuma estrutura urbana até então – que se transformou no Parque do Ibirapuera.
A 2ª Bienal trouxe para nosso público um presente régio: nada menos que o mais famoso quadro de Picasso, Guernica. Além do artista espanhol, contavam também com salas especiais Calder, Paul Klee e Mondrian. O escultor britânico Henry Moore compareceu pessoalmente e foi premiado. Diz a historiadora e crítica de arte Aracy Amaral: 'A Bienal de São Paulo foi um evento que realmente marcou nossas vidas [...] dos críticos, artistas e historiadores da arte [...] Nós nos envolvemos nesse ambiente tão cheio de vibração que existia nos anos 1950. Mas isso não ficou apenas na 1ª Bienal. Esse clima perdurou nas bienais que vieram depois. Talvez isso exista até hoje'.
Em 1962, as Bienais seriam desvinculadas do MAM e surgiria a Fundação Bienal de São Paulo. No ano seguinte, o acervo do MAM passaria totalmente, por decisão de Ciccillo Matarazzo, para um novo museu, o de Arte Contemporânea, cuja administração foi confiada à Universidade de São Paulo. Ele doou também a essa instituição 419 peças de sua coleção particular. Sua esposa, Yolanda, doou 19 obras. Uma grande parte dos sócios do MAM opuseram-se ao fechamento da instituição e decidiram mantê-la em funcionamento
Reestruturado a partir de 1968, o museu existe até hoje. Ciccillo foi também político, tendo sido prefeito de Ubatuba de 1964 a 1969, eleito pelo Partido Social Progressista (PSP). Organizou importantes eventos no município, como a alfabetização em massa promovida segundo o Método Paulo Freire (em plena ditadura, e quando o educador pernambucano já estava banido e exilado) – tal como descrevemos na matéria 'Ubatuba 65: Uma Revolução em Surdina' (PB 385, janeiro-fevereiro de 2008). Ele passou também por dois processos de cassação, ambos sem êxito".
"Francisco Antônio Paulo Matarazzo, filho de Angelo Andrea Matarazzo e de Maria Virginia Geraldi, nasceu em São Paulo em 20 de fevereiro de 1898 e faleceu na mesma cidade em 16 de abril de 1977. Para a família, para os amigos, e mais tarde para todos os seus conterrâneos, simples e afetuosamente, Ciccillo – homem afável, de saudosa memória para todos os que tiveram a ventura de conhecê-lo, e cuja passagem por este mundo foi marcada tanto pela agudeza de sua visão empresarial como pelos esforços de sintonia com as necessidades da comunidade.
Uma vida assim sintetizada pelo jornalista Luiz Ernesto Machado Kawall por ocasião de sua morte, em matéria da Folha de S. Paulo (17/4/1977): 'Ciccillo nasceu ligado e deitou raízes no tempo e no espaço. Não teve um filho, mas amou a criação, a natureza, o belo, o ideal do entendimento entre os povos pelo congraçamento da arte'.
Era sobrinho do primeiro Francisco Matarazzo (1854-1937), italiano de Castellabate emigrado para o Brasil em 1881, aos 27 anos. E que cerca de 20 anos mais tarde já começaria a implantar um verdadeiro império industrial, representado por 365 fábricas espalhadas por todo o território brasileiro. Em 1934, o conglomerado de suas empresas (Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo – IRFM) tinha uma renda que só perdia, no Brasil, para o Produto Interno Bruto do estado de São Paulo, ultrapassando de longe Minas Gerais, o Distrito Federal e o Rio Grande do Sul. Em 1917, após vultosa contribuição à Itália durante a 1ª Guerra Mundial, o primeiro Francisco receberia do rei Vítor Emanuel o título de conde, logo mais estendido também a seus herdeiros. Ligando-se muito jovem ao trabalho da família e do tio, Ciccillo conseguiria em 1935 tornar-se independente com o desmembramento das várias empresas do grupo, cabendo-lhe a propriedade total da metalúrgica Matarazzo-Metalma.
Em 1944, por averbação em cartório adotou em definitivo o nome comercial de Francisco Matarazzo Sobrinho. Nascido em berço esplêndido, o menino Ciccillo recebeu educação esmerada, iniciada como a de outros garotos de seu tempo no prestigioso Instituto de Educação Caetano de Campos. Com 10 anos, porém, foi mandado pela família, com um preceptor, para estudar em Nápoles. Permaneceu na Europa até os 20 anos, tendo estudado engenharia na Universidade de Liège (Bélgica) – desse prolongado séjour europeu conservaria um sotaque típico, ítalo-francês, durante toda a vida, e um entranhado amor pela literatura e pelas artes. Na mocidade – como ele próprio confessava – preferia a arte acadêmica, e na verdade estava mais interessado "em uma reluzente Bugatti ou em uma Fiat modelo esportivo".
Na maturidade realizou um esforço consciente de integração no meio intelectual, desde o início da década de 1940, e começou a arranjar meios de tornar realidade o desejo de muitos: fazer de São Paulo um centro de efervescência artística e cultural permanente. Sonhos realizados A cidade de São Paulo assistiu na década de 1940 ao surgimento de vários clubes e associações de caráter artístico em que os remanescentes de 1922, juntando-se aos novos artistas e intelectuais recrutados na recém-criada Faculdade de Filosofia de São Paulo, organizavam-se para a criação institucional de uma cultura que pudesse se situar perante o mundo. Com a 2ª Guerra Mundial em curso, os contatos tradicionais com a Europa tornavam-se difíceis.
O Brasil assistia a um processo de substituição de referências culturais, orientando-se mais pelos moldes norte-americanos – aliás, para isso se empenhavam os governos do Brasil e dos Estados Unidos, através da chamada 'Política da Boa Vizinhança', que teve como coordenador o milionário Nelson Rockefeller, dono da Standard Oil e presidente do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA).
Grande articulador dessa aproximação foi um dos maiores intelectuais da época, o crítico de arte Sérgio Milliet, desde o tempo em que era professor da Escola de Sociologia e Política até tornar-se diretor da Biblioteca Municipal. E também o arquiteto Eduardo Kneese de Melo. Ligando-se a eles por laços de amizade e trabalhando em conjunto no projeto do Museu de Arte Moderna – e um pouco mais tarde no da Bienal –, Ciccillo tornou-se um conhecedor de arte e dedicou o resto de sua vida às atividades culturais. Em sua linguagem peculiar, diria o empresário, mais tarde, que fundara o museu porque necessitava fazer alguma coisa do gênero, era preciso 'levantar o diabo nell’acqua morta'.
Em 1947, Ciccillo casa-se em Roma com Yolanda Penteado, uma sobrinha de dona Olívia Guedes Penteado que herdara fortuna e tradição familiar de amparo às artes e se tornara uma "locomotiva" da alta sociedade brasileira – uma catalisadora da grande energia criadora de artistas e intelectuais. Quando o casal estava em Paris em lua-de-mel, Ciccillo adoeceu dos pulmões. Por recomendação médica, tiveram de passar uma temporada no sanatório de Schatzalp, em Davos (Suíça), que já passara à história da literatura como cenário do romance de Thomas Mann, A Montanha Mágica. Lá conheceram o museólogo alemão Karl Nierendorf, diretor do Museu Guggenheim, com quem mantiveram longas e instrutivas conversas.
Ele acabou por lhes sugerir a montagem de uma exposição de arte abstrata para a abertura do MAM, que já estava sendo planejado pelo casal brasileiro.
Seu conselho frutificou no espírito de Ciccillo e Yolanda – a primeira mostra do museu, "Do Figurativismo ao Abstracionismo", aberta em março de 1949, marcaria época: apesar do nome, na realidade trazia somente trabalhos abstratos e condensava toda a polêmica em torno desse tipo de arte, que já corria há tempos. Em 1948 Ciccillo fundou também, com seu amigo de infância Franco Zampari, o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), e, em 1949, a Companhia Cinematográfica Vera Cruz. A partir dessa época, e até sua morte, a figura do empresário se faria presente também na criação da Cinemateca Brasileira, do Museu de Arte e Arqueologia da Universidade de São Paulo e do Balé do 4º Centenário. Logo após a inauguração do MAM, Ciccillo propôs a realização de uma grande mostra periódica internacional, inspirada na Bienal de Veneza – ideia ousada, que enfrentou a resistência de alguns membros da diretoria. Percebendo que não poderia realizar esse sonho apenas convidando por correspondência os artistas estrangeiros, Ciccillo insistiu que Yolanda fosse pessoalmente à Europa para isso.
Devemos a realização da 1ª Bienal, em 1951, a essa grande mulher, que tinha um notável poder de sedução e convicção. No dia da inauguração do evento, 20 de outubro, chovia torrencialmente, mas uma multidão de 5 mil convidados comprimia-se tanto na Avenida Paulista, diante do salão do Trianon, que o ministro das Relações Exteriores foi obrigado a fazer uma entrada sui generis no recinto da exposição: pela janela. O sucesso do evento foi tão grande que foram iniciados imediatamente os preparativos para a 2ª Bienal – a mais gloriosa de todas que já tivemos.
Inaugurada no final de 1953, ela continuaria durante as comemorações do 4º Centenário da cidade, em 1954. Ciccillo presidia a comissão desses festejos e convocou Oscar Niemeyer e Burle Marx para construírem em tempo recorde edifícios e jardins em uma área de várzea, distante e sem nenhuma estrutura urbana até então – que se transformou no Parque do Ibirapuera.
A 2ª Bienal trouxe para nosso público um presente régio: nada menos que o mais famoso quadro de Picasso, Guernica. Além do artista espanhol, contavam também com salas especiais Calder, Paul Klee e Mondrian. O escultor britânico Henry Moore compareceu pessoalmente e foi premiado. Diz a historiadora e crítica de arte Aracy Amaral: 'A Bienal de São Paulo foi um evento que realmente marcou nossas vidas [...] dos críticos, artistas e historiadores da arte [...] Nós nos envolvemos nesse ambiente tão cheio de vibração que existia nos anos 1950. Mas isso não ficou apenas na 1ª Bienal. Esse clima perdurou nas bienais que vieram depois. Talvez isso exista até hoje'.
Em 1962, as Bienais seriam desvinculadas do MAM e surgiria a Fundação Bienal de São Paulo. No ano seguinte, o acervo do MAM passaria totalmente, por decisão de Ciccillo Matarazzo, para um novo museu, o de Arte Contemporânea, cuja administração foi confiada à Universidade de São Paulo. Ele doou também a essa instituição 419 peças de sua coleção particular. Sua esposa, Yolanda, doou 19 obras. Uma grande parte dos sócios do MAM opuseram-se ao fechamento da instituição e decidiram mantê-la em funcionamento
Reestruturado a partir de 1968, o museu existe até hoje. Ciccillo foi também político, tendo sido prefeito de Ubatuba de 1964 a 1969, eleito pelo Partido Social Progressista (PSP). Organizou importantes eventos no município, como a alfabetização em massa promovida segundo o Método Paulo Freire (em plena ditadura, e quando o educador pernambucano já estava banido e exilado) – tal como descrevemos na matéria 'Ubatuba 65: Uma Revolução em Surdina' (PB 385, janeiro-fevereiro de 2008). Ele passou também por dois processos de cassação, ambos sem êxito".
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