Rio Claro, cidade do interior paulista, também recebeu imigrantes italianos na segunda metade do século XIX. Um breve relato dessa história foi publicado no Diário do Rio Claro de 24 de junho de 2007.
"A formação econômica, histórica e cultural da cidade foi beneficiada pela grande concentração de Italianos na região
Castellano, Giorgi, Bortolotti, Mazziotti, Bertolo, Rodini, Pezzotti, entre tantos outros sobrenomes de famílias que contribuíram com a história da Cidade Azul ao longo das décadas, confirmam a presença marcante de descendentes de Italianos na região.
O sonho de conquistar o novo mundo levou milhares de Italianos a deixarem o local de origem. Estimativa do consolado Italiano, em Rio Claro, aponta que 70% da população do município é de descendente de Italianos.
Este variou com o passar dos tempos.
Até 1900, 50% da população de Rio Claro era de Italianos natos. A imigração Italiana para o Brasil começou impulsionada com a grave drise econômica, enfrentada pela Itália na segunda metade do século XIX.Os Italianos vieram para as regiões Sul e Sudeste do Pais.
A substituição da mão-de-obra escrava por imigrantes europeus chamou a atenção dos Italianos, que desejavam naquela época começar uma nova vida. O Senador Nicolau Campos Vergueiro foi o primeiro fazendeiro a receber os colonos em suas terras localizadas em Rio Claro e Limeira.
A imigração Italiana para o estado de São Paulo teve início oficialmente em 1874, quando chegaram os cincos primeiros Italianos.
Os núcleos agrícolas pioneiros foram estabelecidos em Cananéia e Iguape, em 1877.
Mais de 900 mil Italianos se estabeleceram no estado.
Os municípios paulistas mais procurados foram São Caetano do Sul, São Bernardo do Campo, Lençóis Paulista, Jundiaí, Vinhedo, Campinas, Mogi-Mirim, Mogi Guaçu, Pinhal, Águas da Prata, Lindóia, Serra Negra, Amparo, São Roque, São Manuel, Piracicaba, limeira, Rio Claro, São Carlos, Leme, Pirassununga, Descalvado, Santa Cruz das Palmeiras, Santa Rita do Passa Quatro, Santa Rosa do Viterbo, Tambaú, São José do Rio Pardo, Sertãozinho Ribeirão Preto, Cravinhos, Guariba, Altinópolis, Jaboticabal, Matão, Catanduva, Taquaritinga, Iguape, Cananéia, Pindamonhangaba e outros.
A história dos Italianos em Rio Claro teve inicio a partir de 1880. A maior parte era ciente de seus direitos.
Até a abolição dos escravos, em 1888, o registro era de mais de 1.300 Italianos no município, sendo que o auge da imigração aconteceu de 1891 a 1900, atingindo cerca de 113 mil Italianos. Até o ano de 1910, mais de 20 mil Italianos residiam em Tio Claro. Dentre os que vieram, um grupo numeroso atuou no comércio, pois esta população não tinha conhecimentos agrícolas.
Os Italianos não se limitaram a trazer apenas mão-se-obra para o Brasil. Com elas também vieram as idéias trabalhistas, sindicais e políticas, dando inicio ao movimento socialista e, depois, fascista. Diante dos maus-tratos dos patrões, os colonos Italianos recorriam à Justiça, sob a proteção de seus consulados.
Para os patrões , a posição tomada pelos colonos era totalmente nova, já que eles estavam acostumados ao regime escravocata.
A influência Italiana na tradição Rio-Clarense tem vários exemplos, como a liderança do Movimento Constitucionalista de 1932 por um Cartolano, a primeira maior industria de propriedade de um Scarpa e a industria de tecidos Matarazzo".
Um blog para difundir e aprofundar temas da presença italiana no Brasil, bem como valorizar o Made in Italy. Um espaço para troca de informações e conhecimento, compartilhando raízes comuns da italianidade que carregamos no sangue e na alma. A italianidade engloba a questão das nossas raízes italianas e também reserva um olhar para a linha do tempo, nela buscando e resgatando uma galeria de personagens famosos ou anônimos que, de alguma forma, inseriram seus nomes na História do Brasil.
domingo, 11 de abril de 2010
História (153 ) - A experiência anarquista da Colônia Cecilia, no Paraná
José Antonio Vasconcelos, doutor em História Social pela Unicamp,
professor na Universidade Tuiuti do Paraná e membro do Instituto
Histórico e Geográfico do Paraná. é autor do seguinte texto sobre a primeira experiência anarquista no Brasil: a Colônia Cecília.
"Em fins do século XIX, era bastante comum no sul do Brasil o sistema de colônias formadas por imigrantes europeus, dedicadas a atividades de ordem predominantemente agrícola. Dentre estas colônias, uma em especial, de nome 'Cecília', goza atualmente de relativa notoriedade. Embora de duração efêmera - foi fundada em 1890 e dissolvida em 1894 - ela tem sido objeto de inúmeras pesquisas acadêmicas no Brasil e exterior. Idealizada por um militante anarquista italiano de nome Giovanni Rossi, a colônia Cecília constituiu-se na vivência prática de um ideal de liberdade.
Como projeto, sua proposta era a de oferecer ao mundo uma prova da possibilidade de uma organização social onde a autoridade fosse inexistente. Desta forma, segundo Rossi, o discurso do movimento anarquista europeu se fortaleceria, pois o operariado seria seduzido pelo exemplo da colônia Cecília. Rossi sempre se manifestou desejoso de criar uma pequena comunidade onde os ideais anarquistas fossem plenamente vividos. Enquanto membro da Associação Internacional dos Trabalhadores, propunha a fundação de uma colônia socialista na Polinésia. Tendo sido convidado a dirigir Citadella, um projeto cooperativista na Itália, Rossi viu-se frustrado em seus objetivos, pois os camponeses italianos com os quais trabalhou revelaram-se extremamente reacionários no que concernia à propriedade da terra.
Convencido de que o fracasso de Citadella deveu-se, principalmente, à ausência de um ideal socialista entre os integrantes do projeto, Rossi moveu, então, uma campanha para a fundação de uma experiência anárquica na América. Motivado pela propaganda brasileira ao mercado de trabalho europeu, Rossi optou por fundar uma colônia no Brasil, e, em função das circunstâncias então encontradas, ele e um pequeno grupo de companheiros acabou se instalando no Paraná, no município de Palmeira. De fato, o século XIX foi palco de uma imensa série de experimentos socialistas - comunidades utópicas -, que guardavam clara semelhança com os projetos comunitários de Rossi. Todas estas iniciativas tinham como marca a tentativa de auto-suficiência e a freqüente concentração de esforços na atividade agrícola.
A colônia Cecília, nesse sentido, não foi exceção à regra. Os anos vividos na colônia, de acordo com os registros de Rossi, foram muito difíceis. O fracasso das colheitas, a precariedade das condições de moradia, o isolamento em que viviam os habitantes da colônia, a dificuldade de muitos com relação à adaptação ao trabalho agrícola, tudo isto era motivo de desilusão para aqueles que haviam abandonado a Itália em favor de seus ideais. Ao descontentamento causado pela ausência do conforto material, acrescentavam-se ainda os conflitos surgidos entre os próprios membros da colônia. Rossi tinha uma confiança muito grande na infinita capacidade de transformação do ser humano e por isso não havia uma seleção rigorosa dos elementos que integrariam a colônia Cecília.
Ali se reuniram indistintamente pessoas de procedências diversas. Muitos vieram à colônia imbuídos de sinceros ideais anarquistas, mas outros viam na Cecília somente uma colônia de imigrantes italianos, igual a tantas outras que havia no Brasil. Para estes o projeto de Rossi não representava senão a oportunidade para fugir da crise que assolava a Itália na época. Os desentendimentos resultantes dessa situação, o choque de idéias e valores, constituíram um fator importante para o fim da colônia. Após a dissolução da colônia Cecília, Rossi permaneceu no Brasil por ainda mais alguns anos, sem, entretanto, desempenhar atividades de militância anarquista. Ao deixar a colônia, em março de 1894, Rossi dirigiu-se a Taquari, no Rio Grande do Sul, onde passou a exercer a função de agrônomo.
Mais tarde mudou-se para Santa Catarina, morando primeiramente perto de Blumenau, e dirigindo a estação agronômica de Rio dos Cedros. Em 1907 Giovanni Rossi decidiu retornar à Itália, onde permaneceu até sua morte, em 1942. O fim da colônia Cecília, no entanto, não significou o fim do sonho de Rossi, que ainda mantinha vivo o desejo de criar núcleos experimentais de vida socialista. Sua ambição não era a de apontar o caminho, mas abrir perspectivas.
Rossi afirmava que seu propósito não era incutir o seu desejo nas massas incultas, mas sim de fazê-las desejar, e a partir disso iniciar a construção da sociedade futura. Isto talvez explique porque a colônia Cecília, apesar de sua breve duração, ainda hoje exerce um imenso fascínio sobre os pesquisadores que sobre ela se debruçam.
"Em fins do século XIX, era bastante comum no sul do Brasil o sistema de colônias formadas por imigrantes europeus, dedicadas a atividades de ordem predominantemente agrícola. Dentre estas colônias, uma em especial, de nome 'Cecília', goza atualmente de relativa notoriedade. Embora de duração efêmera - foi fundada em 1890 e dissolvida em 1894 - ela tem sido objeto de inúmeras pesquisas acadêmicas no Brasil e exterior. Idealizada por um militante anarquista italiano de nome Giovanni Rossi, a colônia Cecília constituiu-se na vivência prática de um ideal de liberdade.
Como projeto, sua proposta era a de oferecer ao mundo uma prova da possibilidade de uma organização social onde a autoridade fosse inexistente. Desta forma, segundo Rossi, o discurso do movimento anarquista europeu se fortaleceria, pois o operariado seria seduzido pelo exemplo da colônia Cecília. Rossi sempre se manifestou desejoso de criar uma pequena comunidade onde os ideais anarquistas fossem plenamente vividos. Enquanto membro da Associação Internacional dos Trabalhadores, propunha a fundação de uma colônia socialista na Polinésia. Tendo sido convidado a dirigir Citadella, um projeto cooperativista na Itália, Rossi viu-se frustrado em seus objetivos, pois os camponeses italianos com os quais trabalhou revelaram-se extremamente reacionários no que concernia à propriedade da terra.
Convencido de que o fracasso de Citadella deveu-se, principalmente, à ausência de um ideal socialista entre os integrantes do projeto, Rossi moveu, então, uma campanha para a fundação de uma experiência anárquica na América. Motivado pela propaganda brasileira ao mercado de trabalho europeu, Rossi optou por fundar uma colônia no Brasil, e, em função das circunstâncias então encontradas, ele e um pequeno grupo de companheiros acabou se instalando no Paraná, no município de Palmeira. De fato, o século XIX foi palco de uma imensa série de experimentos socialistas - comunidades utópicas -, que guardavam clara semelhança com os projetos comunitários de Rossi. Todas estas iniciativas tinham como marca a tentativa de auto-suficiência e a freqüente concentração de esforços na atividade agrícola.
A colônia Cecília, nesse sentido, não foi exceção à regra. Os anos vividos na colônia, de acordo com os registros de Rossi, foram muito difíceis. O fracasso das colheitas, a precariedade das condições de moradia, o isolamento em que viviam os habitantes da colônia, a dificuldade de muitos com relação à adaptação ao trabalho agrícola, tudo isto era motivo de desilusão para aqueles que haviam abandonado a Itália em favor de seus ideais. Ao descontentamento causado pela ausência do conforto material, acrescentavam-se ainda os conflitos surgidos entre os próprios membros da colônia. Rossi tinha uma confiança muito grande na infinita capacidade de transformação do ser humano e por isso não havia uma seleção rigorosa dos elementos que integrariam a colônia Cecília.
Ali se reuniram indistintamente pessoas de procedências diversas. Muitos vieram à colônia imbuídos de sinceros ideais anarquistas, mas outros viam na Cecília somente uma colônia de imigrantes italianos, igual a tantas outras que havia no Brasil. Para estes o projeto de Rossi não representava senão a oportunidade para fugir da crise que assolava a Itália na época. Os desentendimentos resultantes dessa situação, o choque de idéias e valores, constituíram um fator importante para o fim da colônia. Após a dissolução da colônia Cecília, Rossi permaneceu no Brasil por ainda mais alguns anos, sem, entretanto, desempenhar atividades de militância anarquista. Ao deixar a colônia, em março de 1894, Rossi dirigiu-se a Taquari, no Rio Grande do Sul, onde passou a exercer a função de agrônomo.
Mais tarde mudou-se para Santa Catarina, morando primeiramente perto de Blumenau, e dirigindo a estação agronômica de Rio dos Cedros. Em 1907 Giovanni Rossi decidiu retornar à Itália, onde permaneceu até sua morte, em 1942. O fim da colônia Cecília, no entanto, não significou o fim do sonho de Rossi, que ainda mantinha vivo o desejo de criar núcleos experimentais de vida socialista. Sua ambição não era a de apontar o caminho, mas abrir perspectivas.
Rossi afirmava que seu propósito não era incutir o seu desejo nas massas incultas, mas sim de fazê-las desejar, e a partir disso iniciar a construção da sociedade futura. Isto talvez explique porque a colônia Cecília, apesar de sua breve duração, ainda hoje exerce um imenso fascínio sobre os pesquisadores que sobre ela se debruçam.
História (152) - "Far l´America ( 78): Imigrantes na Colônia Nova Itália, no Paraná
Para os imigrantes italianos o sonho de "Fazer a América" em terra brasileiras no final do século XIX esbarrava em inúmeras dificuldades. Nas colônias do Paraná esse cenário não foi diferente conforme relatam Eliane Mimesse e Elaine Maschio ( Universidade de Tuiuti e Faculdade
Internacional de Curitiba) num trabalho comparando a imigração italiana em São
Paulo e no Paraná .
"De acordo com Azzi (1987:213), em 1877, desembarcaram no Porto de Paranaguá cerca de 2000 colonos vênetos, estimulados por um sacerdote do Canal de Brenta. A Colônia Nova Itália, também na região litorânea, não prosperou devido aos mesmos problemas que afetaram a Colônia Alexandra. Vechia (1998) aponta como um dos principais problemas a localização dessas colônias, que dificultava a comercialização dos produtos. Além disso, muitas outras razões levaram ao fracasso daquelas colônias. Ferrarini (1973:42) afirma que outros fatores foram mais relevantes do que a distância.
Segundo ele, o presidente da província, em visita à Colônia Nova Itália, em 1878, relatou a precariedade das condições de sobrevivência e a insatisfação dos colonos ali estabelecidos: estavam sem alimentação nem vestuário e acometidos de muitas doenças decorrentes do clima do litoral. Havia mais de 800 famílias ocupando 610 lotes, dentre os quais, alguns eram impróprios para o plantio. Tudo isso dificultava a permanência desses colonos nessas localidades. O padre Pietro Colbacchini, em relatório datado de 13 de outubro de 1892, endereçado a Volpi Landi, presidente da Società Italiana de San Rafael e responsável pela assistência aos imigrantes, informou as condições dos colonos que viviam no litoral paranaense, nos anos de 1875 e 1877.
Entre tantos problemas, Colbacchini destacou as doenças mais graves, principalmente aquelas causadas por insetos. Azzi (1987:213) e Balhana (1958), também se referem às doenças causadas por insetos e pelo clima tropical. Mas o que gostaríamos de destacar no apontamento desses autores, é a transferência gradativa dos colonos do litoral em direção a Curitiba. Como nos informa Balhana (1958), a maior parte do contingente de imigrantes estabelecidos no litoral dirigiu-se a Curitiba e sua acomodação no planalto curitibano deu-se de modo diversificado. Muitos imigrantes que deixaram o litoral por conta própria e acabaram se instalando em colônias já existentes.
A maior parte se fixou em novas colônias formadas nos arredores de Curitiba devido à compra de terras feita pelo governo. Embora criadas no mesmo momento, as colônias dinamizaram formas de organização social, condizentes com cada grupo de imigrantes que nelas se estabeleceu e com a interação que esses diferentes grupos fizeram com a população brasileira. Assim, enquanto umas mantiveram por mais tempo uma cultura ligada a seu país de origem, outras sofreram mais rapidamente um processo de integração com a população paranaense, como foi o caso da Colônia Alfredo Chaves”.
"De acordo com Azzi (1987:213), em 1877, desembarcaram no Porto de Paranaguá cerca de 2000 colonos vênetos, estimulados por um sacerdote do Canal de Brenta. A Colônia Nova Itália, também na região litorânea, não prosperou devido aos mesmos problemas que afetaram a Colônia Alexandra. Vechia (1998) aponta como um dos principais problemas a localização dessas colônias, que dificultava a comercialização dos produtos. Além disso, muitas outras razões levaram ao fracasso daquelas colônias. Ferrarini (1973:42) afirma que outros fatores foram mais relevantes do que a distância.
Segundo ele, o presidente da província, em visita à Colônia Nova Itália, em 1878, relatou a precariedade das condições de sobrevivência e a insatisfação dos colonos ali estabelecidos: estavam sem alimentação nem vestuário e acometidos de muitas doenças decorrentes do clima do litoral. Havia mais de 800 famílias ocupando 610 lotes, dentre os quais, alguns eram impróprios para o plantio. Tudo isso dificultava a permanência desses colonos nessas localidades. O padre Pietro Colbacchini, em relatório datado de 13 de outubro de 1892, endereçado a Volpi Landi, presidente da Società Italiana de San Rafael e responsável pela assistência aos imigrantes, informou as condições dos colonos que viviam no litoral paranaense, nos anos de 1875 e 1877.
Entre tantos problemas, Colbacchini destacou as doenças mais graves, principalmente aquelas causadas por insetos. Azzi (1987:213) e Balhana (1958), também se referem às doenças causadas por insetos e pelo clima tropical. Mas o que gostaríamos de destacar no apontamento desses autores, é a transferência gradativa dos colonos do litoral em direção a Curitiba. Como nos informa Balhana (1958), a maior parte do contingente de imigrantes estabelecidos no litoral dirigiu-se a Curitiba e sua acomodação no planalto curitibano deu-se de modo diversificado. Muitos imigrantes que deixaram o litoral por conta própria e acabaram se instalando em colônias já existentes.
A maior parte se fixou em novas colônias formadas nos arredores de Curitiba devido à compra de terras feita pelo governo. Embora criadas no mesmo momento, as colônias dinamizaram formas de organização social, condizentes com cada grupo de imigrantes que nelas se estabeleceu e com a interação que esses diferentes grupos fizeram com a população brasileira. Assim, enquanto umas mantiveram por mais tempo uma cultura ligada a seu país de origem, outras sofreram mais rapidamente um processo de integração com a população paranaense, como foi o caso da Colônia Alfredo Chaves”.
sábado, 10 de abril de 2010
História (151) - "Far l´America ( 77): Imigrantes na Colônia Nova Itália, no Paraná
A mal sucedida experiência da Colônia Alexandra no Paraná acabaria dando origem a um novo núcleo colonial assim descrito por Luiz Carlos B. Piazzetta, tomando por base os arquivos da La Piave FAINORS Federação Vêneta e publicado no blog Imigração Vêneta)
"Após o fracasso da Colônia Alexandra, ainda o número de imigrantes italianos, e vênetos em particular, continuava a aumentar nas terras do Paraná. Os recém-chegados eram recebidos em Paranaguá e depois levados para os barracões para imigrantes em Morretes, amontoados em grande promiscuidade, sem conforto e em precárias condições higiênicas.Ali foi criada a Colônia Nova Itália, inaugurada em 22 de Abril de 1877, a qual também teve uma vida curta e muito atribulada, com revoltas e desmandos administrativos que muito caracterizaram a história desta colônia, e também de outras iniciativas colonizadoras similares do período.O rítmo dos trabalhos, para a colocação definitiva dessa grande massa de imigrantes que chegava, era muito lento e a organização administrativa deixava muito a desejar. Em Janeiro de 1878 ainda se encontravam nos barracões mais de 800 famílias, portanto há aproximadamente 9 meses, na espera do seu lote de terra para trabalhar".
No mês de Março do mesmo ano viviam 3000 pessoas nos barracões esperando a sua colocação.Em um artigo surgido no mês de Março de 1878, no jornal Dezenove de Dezembro se relatava que: "existem mais de trezentos lotes já demarcados, cento e poucos estão ocupados e os restantes tem casas construídas já há seis meses mas, ainda sem teto, quase todas danificadas por estarem expostas ao tempo, por terem sido construídas com péssimo material adquirido a preço esorbitante".
"Não existe uma estrada para os lotes e os colonos os recusam pois são invadidos pelas águas durante as cheias dos rios ou localizados em terreno muito montanhoso. Os colonos estão quase na miséria, sem roupas, sem casas habitáveis, sem sementes para as suas primeiras plantações. Estão completamente desencorajados, ainda mais que muitos terrenos distribuídos são ruins e pantanosos". Ainda em Fevereiro as condições sanitárias continuavam muito precárias. Assim, em comunicado ao Ministério a presidência advertia que: 'Situada em uma localidade pouco salubre, circundada por terrenos pantanosos e baixos, sujeitos à inundações do Rio Nhundiaquara, muito freqüentes naquela zona, acarretando, como está acontecendo atualmente, febre tifóide, malária e outras enfermidades graves'.
"Em Março do mesmo ano, proveniente do Rio de Janeiro, chegaram alguns navios e com eles doentes com febre amarela. Já no dia 20 de Março a cidade de Antonina foi atingida por uma epidemia desta terrível doença, que apesar dos esforços para contê-la rapidamente atingiu Morretes e Paranaguá, e a notícia das primeiras mortes.A Colônia Nova Itália foi bastante atingida pela epidemia de febre amarela e as mortes foram muitas".
"Porém, outras doenças graves ceifavam a vida dos primeiros imigrantes: anemia por verminoses que atingiam especialmente as crinças, as doenças transmitidas por mosquitos que infestavam aquela zona e por outros parasitos, menos conhecidos, como o bicho-de-pé, que tornavam um inferno a vida daqueles pioneiros. O descontentamento era geral entre os colonos. Alguns procuravam meios para retornarem a seus países, sem encontrarem muita ajuda. Finalmente no mês de Julho o governo do Paraná resolveu transportar parte dos habitantes da Colônia Nova Itália, para colônias localizadas ao redor de Curitiba, a capital do Estado".
História (150) - "Far l´America ( 76) - O início da imigração italiana no Estado do Paraná
O grande êxodo dos italianos nas décadas finais do século XIX teve como um de seus destinos no Brasil o Estado do Paraná. Eliane Mimesse e Elaine Maschio ( Universidade de Tuiuti e Faculdade Internacional de Curitiba) num trabalho comparando a imigração italiana em São Paulo e no Paraná abordam a a inserção dos pioneiros nas terras paranaenses.
“No Paraná, a introdução de imigrantes italianos deu-se, primeiramente, por um contrato firmado entre o presidente da província, Venâncio José Lisboa, e o empresário Sabino Tripoti, no ano de 1871 (Balhana,1958:28). Muitos dos imigrantes foram instalados, inicialmente, na Colônia Alexandra no litoral, criada no ano de 1875. Embora a proposta política de distribuição de terras - dinamizada pela província para os imigrantes que desejassem a posse da terra e buscassem o desenvolvimento agrícola e, econômico - fosse aparentemente vantajosa, os imigrantes que pensavam encontrar condições propícias no Paraná, acabaram sofrendo as conseqüências da falta de interesse e de responsabilidade dos agentes da imigração quando de
seu ingresso e instalação no país”.
“O empresário Tripoti, exemplo de falta de responsabilidade, fundou a Colônia Alexandra na região litorânea movido por interesses pessoais. Localizada próxima ao Porto de Paranaguá, despenderia poucos recursos para o transporte dos colonos, Dessa forma, poderia o empresário trazer um número muito maior de imigrantes com a metade dos recursos que o governo lhe pagaria. Segundo Balhana (1958:29), Tripoti não estava interessado nem nos colonos nem na colonização da Província. Seu objetivo era atrair um número maior de imigrantes, uma vez que recebia 500 liras e não despendia mais de 100 por imigrante que trouxesse. Para convencer o maior número deles na Itália, o empresário confeccionou folhetos denominados Carta ao Amico Colono, que traziam informações contrárias e enganosas sobre a realidade daquela colônia”.
“No demorou muito para que aparecessem as conseqüências dessa prática e dessa política. O mau planejamento colocava em evidência a situação lastimável da colônia, tornando quase impossível à sobrevivência dos imigrantes. A localidade tornou-se pequena para o grande número de imigrantes que ali aportava. Os poucos colonos que conseguiram terras não tiveram êxito com a produção devido ao clima, que não era propício para o tipo de cultivo trazido do norte da Itália. A maior parte deles era composta por camponeses contadini, que procediam do Vêneto, região de clima muito frio. (Maschio, 2005)”.
Inúmeras reclamações chegavam a Curitiba da Colônia Alexandra. Muitos imigrantes desejavam até mesmo retornar à Itália, pois julgavam terem sido enganados pelas falsas promessas das propagandas. A melhor solução aos imigrantes seria a assistência e sua remoção para outro lugar. Assim, o governo rescindiu o contrato com o empresário e promoveu diretamente a imigração e a reimigração de colonos”.
“No Paraná, a introdução de imigrantes italianos deu-se, primeiramente, por um contrato firmado entre o presidente da província, Venâncio José Lisboa, e o empresário Sabino Tripoti, no ano de 1871 (Balhana,1958:28). Muitos dos imigrantes foram instalados, inicialmente, na Colônia Alexandra no litoral, criada no ano de 1875. Embora a proposta política de distribuição de terras - dinamizada pela província para os imigrantes que desejassem a posse da terra e buscassem o desenvolvimento agrícola e, econômico - fosse aparentemente vantajosa, os imigrantes que pensavam encontrar condições propícias no Paraná, acabaram sofrendo as conseqüências da falta de interesse e de responsabilidade dos agentes da imigração quando de
seu ingresso e instalação no país”.
“O empresário Tripoti, exemplo de falta de responsabilidade, fundou a Colônia Alexandra na região litorânea movido por interesses pessoais. Localizada próxima ao Porto de Paranaguá, despenderia poucos recursos para o transporte dos colonos, Dessa forma, poderia o empresário trazer um número muito maior de imigrantes com a metade dos recursos que o governo lhe pagaria. Segundo Balhana (1958:29), Tripoti não estava interessado nem nos colonos nem na colonização da Província. Seu objetivo era atrair um número maior de imigrantes, uma vez que recebia 500 liras e não despendia mais de 100 por imigrante que trouxesse. Para convencer o maior número deles na Itália, o empresário confeccionou folhetos denominados Carta ao Amico Colono, que traziam informações contrárias e enganosas sobre a realidade daquela colônia”.
“No demorou muito para que aparecessem as conseqüências dessa prática e dessa política. O mau planejamento colocava em evidência a situação lastimável da colônia, tornando quase impossível à sobrevivência dos imigrantes. A localidade tornou-se pequena para o grande número de imigrantes que ali aportava. Os poucos colonos que conseguiram terras não tiveram êxito com a produção devido ao clima, que não era propício para o tipo de cultivo trazido do norte da Itália. A maior parte deles era composta por camponeses contadini, que procediam do Vêneto, região de clima muito frio. (Maschio, 2005)”.
Inúmeras reclamações chegavam a Curitiba da Colônia Alexandra. Muitos imigrantes desejavam até mesmo retornar à Itália, pois julgavam terem sido enganados pelas falsas promessas das propagandas. A melhor solução aos imigrantes seria a assistência e sua remoção para outro lugar. Assim, o governo rescindiu o contrato com o empresário e promoveu diretamente a imigração e a reimigração de colonos”.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Italiani: A bem sucedida história de Luigi Papaiz
Em 9 de dezembro de 1924 nascia na cidade de Sesto al Reghena na região Friuli- Venezia- Giulia, Luigi Papaiz que, tempos mais tarde, se tornaria no Brasil um empresário extremamente bem sucedido. Em 1947, ainda na Itália, mas em outra região (Emilia Romagna), Luigi inauguraria uma pequena fábrica na cidade de Bolonha. Cinco anos depois a família Papaiz se mudaria para o Brasil, onde, na cidade de São Paulo, bairro da Vila Prudente, lançaria a pedra fundamental do que viria a se tornar o grupo Papaiz, sinônimo de cadeados e fechaduras.
O site Rede de tecnologia traz um depoimento do próprio fundador (falecido em 2003). : "A história do Grupo Papaiz começou em 1947, quando iniciei uma pequena atividade mecânica na cidade de Bolonha, na Itália. Como eram muitas as dificuldades da economia na Europa após a guerra, em 1952 decidi transferir-me para a América do Sul em busca de melhores oportunidades de desenvolvimento.
Cheguei a São Paulo trazendo algumas máquinas como bagagem, e os primeiros anos no Brasil foram muito difíceis. A Papaiz era na Vila Prudente, e o fornecimento de fechaduras para indústrias de móveis permitiu impulsionar o crescimento inicial da empresa.
Minha filosofia sempre foi direcionar recursos para o desenvolvimento dos negócios, através do contínuo investimento em máquinas e equipamentos industriais de última geração, bem como promover uma constante valorização do elemento humano. Posteriormente, iniciamos a fabricação de cadeados, e na década de 70, passamos a produzir também fechaduras residenciais de alta segurança”.
O site Rede de tecnologia traz um depoimento do próprio fundador (falecido em 2003). : "A história do Grupo Papaiz começou em 1947, quando iniciei uma pequena atividade mecânica na cidade de Bolonha, na Itália. Como eram muitas as dificuldades da economia na Europa após a guerra, em 1952 decidi transferir-me para a América do Sul em busca de melhores oportunidades de desenvolvimento.
Cheguei a São Paulo trazendo algumas máquinas como bagagem, e os primeiros anos no Brasil foram muito difíceis. A Papaiz era na Vila Prudente, e o fornecimento de fechaduras para indústrias de móveis permitiu impulsionar o crescimento inicial da empresa.
Minha filosofia sempre foi direcionar recursos para o desenvolvimento dos negócios, através do contínuo investimento em máquinas e equipamentos industriais de última geração, bem como promover uma constante valorização do elemento humano. Posteriormente, iniciamos a fabricação de cadeados, e na década de 70, passamos a produzir também fechaduras residenciais de alta segurança”.
Italiani: A doce história da família Bauducco
"A história da tradicional fábrica de bolachas e bolos BAUDUCCO tem início em 1948, quando o representante comercial Carlo Bauducco chega ao Brasil vindo da cidade italiana de Turim. O motivo para cruzar o Atlântico de navio não era agradável. Ele vinha cobrar uma dívida de máquinas de torrefação de café, importadas por um amigo, também italiano. Apesar de não falar uma palavra em português, conseguiu recuperar parte do dinheiro. Em vez de voltar à terra natal, o italiano então com 42 anos encantou-se pela cidade e decidiu ficar.
O bom faro para negócios ajudou-o a perceber que o panetone era pouco consumido em São Paulo, onde havia muitos italianos e descendentes. Dois anos depois de sua chegada ao país ele já estava produzindo Panettone artesanalmente, enxergando a possibilidade de ampliar sua produção e comercializar a deliciosa receita italiana em toda a cidade de São Paulo. No ano de 1952 foi inaugurada uma pequena confeitaria chamada DOCERIA BAUDUCCO no bairro do Brás, bairro onde se concentravam os imigrantes italianos em São Paulo, que além dos deliciosos panettones, começou a produzir também biscoitos Champanhe, doces, salgados e petit fours. Carlo logo trouxe de Milão seu único filho Luigi para ajudá-lo. Como as vendas ainda precisavam melhorar, o Sr. Bauducco resolveu inovar mais uma vez. Ele teve a idéia de encher um avião de panfletos e “bombardeou” a cidade de São Paulo.
Conseguiu ao mesmo tempo divulgar o panettone, desconhecido para muita gente, e vender todo o estoque em apenas três dias. Curiosamente, Carlo Bauducco não cozinhava. Para cuidar da preparação das guloseimas, o patriarca convidou o conterrâneo Armando Poppa, um habilidoso confeiteiro. Quando Poppa saiu para abrir sua própria doçaria, a Cristallo, em 1953, Carlo trouxe outros especialistas para substituí-lo, mas tomou o cuidado de preservar a fórmula original do doce recheado de frutas cristalizadas. O grande salto, no entanto, foi dado em 1962 com a inauguração da fábrica em Guarulhos. Começava então a passagem de produção artesanal para a produção industrial e o lançamento de novas linhas de produtos. Três anos depois, observando o hábito brasileiro de querer tocar o produto, a marca decidiu criar uma embalagem mais resistente, feito de papelão. Na caixa o Panettone encontrava-se devidamente protegido. O mesmo aconteceu posteriormente com a linha de biscoitos. P
ouco tempo depois, também foi fundamental para a expansão da marca a entrada do produto em supermercados, onde o consumidor comprava por impulso. Nos anos seguintes a BAUDUCCO lançou no mercado brasileiro vários produtos inovadores como a linha de torradas e grissinis, a Colomba Pascal e o panettone com gotas de chocolate, que fisgou os fãs do tradicional doce incapazes de comer frutas cristalizadas. Os produtos BAUDUCCO cruzaram as fronteiras internacionais em 1979 com as primeiras exportações para os Estados Unidos. A década de 80 começou com grandes novidades, como a construção da segunda fábrica em 1983 e os lançamentos de dois grandes sucessos da marca: biscoitos amanteigados e Wafers. Foi também nesta época que Massimo, neto do fundador da empresa, assumiu o comando da empresa e deu partida em um ambicioso plano de diversificação. Na ocasião, os panetones garantiam quase a totalidade do faturamento.
Hoje, eles representam apenas 25%. Num primeiro momento, os Bauducco definiram dois mandamentos. O primeiro: não abandonariam sua vocação, isto é, “produtos de forno”. O segundo: “A gente não admite fazer nada que já existe no mercado”. Foi assim com os sabores inéditos da bolacha wafer, setor no qual a BAUDUCCO se tornou o segundo maior fabricante do mundo. No ano de 1997, após uma série de pesquisas em profundidade, a BAUDUCCO faz a maior mudança de identidade visual já realizada por uma empresa de alimentos. Modernizando a sua logomarca, adota o amarelo como cor predominante em todas as suas embalagens. O amarelo, entre outras coisas, simboliza a luz do sol e o trigo, base de todos os produtos. Junto com a mudança das embalagens, foi veiculado um filme publicitário contando a chegada da família Bauducco ao Brasil.
No ano seguinte a BAUDUCCO recebe, em Londres, o prêmio Design Effectiveness Awards com a embalagem desenvolvida para a sua lata especial de Natal do Panettone. É a primeira vez que uma empresa brasileira de alimentos recebe este prêmio. Em 1999, com um produto de grande qualidade e versões com recheio, torna-se líder de mercado na categoria de bolos no Brasil. Em 2001, a empresa comprou sua principal concorrente, a Visconti. Essa aquisição consolidou a BAUDUCCO na liderança, com uma fatia de 70% do mercado de panettones. Recentemente, a BAUDUCCO concluiu uma ampla pesquisa para mensurar a aceitação de novos produtos.
Sete categorias foram avaliadas. O resultado revela o vigor da marca. Algumas das categorias estão “prontas” para receber a assinatura BAUDUCCO. É o caso de pães, massas e, um pouco depois, chocolates. Itens como molhos prontos não estão descartados. Conquistando o mundo A partir de 2000 a BAUDUCCO começou uma forte expansão internacional para vários países. Mas a grande sedução vem do mercado americano. Lá, a BAUDUCCO inaugurou em 2005 uma subsidiária, a Bauducco Foods, responsável pela coordenação de oito distribuidores locais. O principal objetivo é atender as grandes redes de supermercados americanas. A Wal-Mart fechou um contrato para abastecer suas lojas da Flórida.
Também é possível encontrar torradas, biscoitos e panetones BAUDUCCO na Walgreens, maior rede de lojas de farmácia e conveniência do país. A menina dos olhos da família, porém, é o contrato com a Target, segunda maior empresa de varejo dos Estados Unidos. A BAUDUCCO será a primeira marca brasileira a ocupar espaço nas gôndolas da gigante. A marca no mundo A empresa comercializa seus produtos através de 200 mil pontos de venda no Brasil.
Atualmente a BAUDUCCO possui quatro fábricas (três em São Paulo e uma em Minas Gerais) e nove centros de distribuição, nos quais trabalham 3.000 funcionários. Os produtos da marca são vendidos em cinqüenta países, entre os quais Estados Unidos, Japão, Portugal e Argentina. As exportações representam hoje 10% do faturamento da empresa. O grupo ainda mantém em seu portfólio a marca Visconti". (Fonte: Blog Empreendedorismo)
O bom faro para negócios ajudou-o a perceber que o panetone era pouco consumido em São Paulo, onde havia muitos italianos e descendentes. Dois anos depois de sua chegada ao país ele já estava produzindo Panettone artesanalmente, enxergando a possibilidade de ampliar sua produção e comercializar a deliciosa receita italiana em toda a cidade de São Paulo. No ano de 1952 foi inaugurada uma pequena confeitaria chamada DOCERIA BAUDUCCO no bairro do Brás, bairro onde se concentravam os imigrantes italianos em São Paulo, que além dos deliciosos panettones, começou a produzir também biscoitos Champanhe, doces, salgados e petit fours. Carlo logo trouxe de Milão seu único filho Luigi para ajudá-lo. Como as vendas ainda precisavam melhorar, o Sr. Bauducco resolveu inovar mais uma vez. Ele teve a idéia de encher um avião de panfletos e “bombardeou” a cidade de São Paulo.
Conseguiu ao mesmo tempo divulgar o panettone, desconhecido para muita gente, e vender todo o estoque em apenas três dias. Curiosamente, Carlo Bauducco não cozinhava. Para cuidar da preparação das guloseimas, o patriarca convidou o conterrâneo Armando Poppa, um habilidoso confeiteiro. Quando Poppa saiu para abrir sua própria doçaria, a Cristallo, em 1953, Carlo trouxe outros especialistas para substituí-lo, mas tomou o cuidado de preservar a fórmula original do doce recheado de frutas cristalizadas. O grande salto, no entanto, foi dado em 1962 com a inauguração da fábrica em Guarulhos. Começava então a passagem de produção artesanal para a produção industrial e o lançamento de novas linhas de produtos. Três anos depois, observando o hábito brasileiro de querer tocar o produto, a marca decidiu criar uma embalagem mais resistente, feito de papelão. Na caixa o Panettone encontrava-se devidamente protegido. O mesmo aconteceu posteriormente com a linha de biscoitos. P
ouco tempo depois, também foi fundamental para a expansão da marca a entrada do produto em supermercados, onde o consumidor comprava por impulso. Nos anos seguintes a BAUDUCCO lançou no mercado brasileiro vários produtos inovadores como a linha de torradas e grissinis, a Colomba Pascal e o panettone com gotas de chocolate, que fisgou os fãs do tradicional doce incapazes de comer frutas cristalizadas. Os produtos BAUDUCCO cruzaram as fronteiras internacionais em 1979 com as primeiras exportações para os Estados Unidos. A década de 80 começou com grandes novidades, como a construção da segunda fábrica em 1983 e os lançamentos de dois grandes sucessos da marca: biscoitos amanteigados e Wafers. Foi também nesta época que Massimo, neto do fundador da empresa, assumiu o comando da empresa e deu partida em um ambicioso plano de diversificação. Na ocasião, os panetones garantiam quase a totalidade do faturamento.
Hoje, eles representam apenas 25%. Num primeiro momento, os Bauducco definiram dois mandamentos. O primeiro: não abandonariam sua vocação, isto é, “produtos de forno”. O segundo: “A gente não admite fazer nada que já existe no mercado”. Foi assim com os sabores inéditos da bolacha wafer, setor no qual a BAUDUCCO se tornou o segundo maior fabricante do mundo. No ano de 1997, após uma série de pesquisas em profundidade, a BAUDUCCO faz a maior mudança de identidade visual já realizada por uma empresa de alimentos. Modernizando a sua logomarca, adota o amarelo como cor predominante em todas as suas embalagens. O amarelo, entre outras coisas, simboliza a luz do sol e o trigo, base de todos os produtos. Junto com a mudança das embalagens, foi veiculado um filme publicitário contando a chegada da família Bauducco ao Brasil.
No ano seguinte a BAUDUCCO recebe, em Londres, o prêmio Design Effectiveness Awards com a embalagem desenvolvida para a sua lata especial de Natal do Panettone. É a primeira vez que uma empresa brasileira de alimentos recebe este prêmio. Em 1999, com um produto de grande qualidade e versões com recheio, torna-se líder de mercado na categoria de bolos no Brasil. Em 2001, a empresa comprou sua principal concorrente, a Visconti. Essa aquisição consolidou a BAUDUCCO na liderança, com uma fatia de 70% do mercado de panettones. Recentemente, a BAUDUCCO concluiu uma ampla pesquisa para mensurar a aceitação de novos produtos.
Sete categorias foram avaliadas. O resultado revela o vigor da marca. Algumas das categorias estão “prontas” para receber a assinatura BAUDUCCO. É o caso de pães, massas e, um pouco depois, chocolates. Itens como molhos prontos não estão descartados. Conquistando o mundo A partir de 2000 a BAUDUCCO começou uma forte expansão internacional para vários países. Mas a grande sedução vem do mercado americano. Lá, a BAUDUCCO inaugurou em 2005 uma subsidiária, a Bauducco Foods, responsável pela coordenação de oito distribuidores locais. O principal objetivo é atender as grandes redes de supermercados americanas. A Wal-Mart fechou um contrato para abastecer suas lojas da Flórida.
Também é possível encontrar torradas, biscoitos e panetones BAUDUCCO na Walgreens, maior rede de lojas de farmácia e conveniência do país. A menina dos olhos da família, porém, é o contrato com a Target, segunda maior empresa de varejo dos Estados Unidos. A BAUDUCCO será a primeira marca brasileira a ocupar espaço nas gôndolas da gigante. A marca no mundo A empresa comercializa seus produtos através de 200 mil pontos de venda no Brasil.
Atualmente a BAUDUCCO possui quatro fábricas (três em São Paulo e uma em Minas Gerais) e nove centros de distribuição, nos quais trabalham 3.000 funcionários. Os produtos da marca são vendidos em cinqüenta países, entre os quais Estados Unidos, Japão, Portugal e Argentina. As exportações representam hoje 10% do faturamento da empresa. O grupo ainda mantém em seu portfólio a marca Visconti". (Fonte: Blog Empreendedorismo)
Assinar:
Postagens (Atom)
