domingo, 21 de fevereiro de 2010

História (81) - "Far l´America ( 49)": A união dos 'paesanos' em Barra Bonita, interior de São Paulo, no ínico do século XX

 Para os italianos e italianos que se fixaram em Barra Bonita a partir do final do século XIX um ditado era seguido à risca: a união faz a força. É isso que relata o portal  Estância Barra Bonita ao contar a história da cidade.

"Superadas as dificuldades de adaptação, a colônia italiana foi se integrando à nova terra, não esquecendo, porém, a distante Itália. Dessa forma, para amenizar a saudade, receber notícias, trocar experiências, conhecer as dificuldades dos 'paesanos' e manterem vivos os usos, costumes, tradições e cultura da terra-mãe, os italianos aqui residentes decidiram fundar uma sociedade, onde pudessem se reunir para tratar de assuntos de interesse geral, incluindo nas finalidades estatuárias (Artigo 3º e 6º letra "f") o mútuo socorro material, intelectual e moral, a consolidação dos vínculos de nacionalidade entre os italianos residentes nesta República, e efetuar, desde que houvesse disponibilidade, pequenos empréstimos de valores aos sócios necessitados, com aval de associado reconhecidamente idôneo e proprietário de imóvel. A Assembléia Geral de fundação e aprovação dos estatutos da 'Societá Italiana Di Mutuo Socorso e Beneficenza di Barra Bonita' - realizou-se no dia 16 de outubro de 1907, conforme exemplar do mesmo, em impresso datado de 1910, indicando apenas dois diretores: Antenore Balsi, presidente e Bruno Romano, Secretário"

. Segundo consta, (e de acordo com os depoimentos dos descendentes dos Sócios fundadores) a 'Sociedade Italiana' de fato, foi fundada em 1907, mas só foi legalizada e passou a funcionar efetivamente em 5 de setembro de 1909, quando os sócios fundadores elegeram por unanimidade de votos, o Conselho Diretivo e também, por unanimidade, escolheram 20 de setembro - Data Nacional da Itália - como dia de fundação da sociedade (Ata de 5 setembro de 1909 do Livro de Deliberazione Assembléia Generale da Societá Italiana, fls. 1 e 3)"

"O Conselho Diretivo ficou assim constituído: Presidente: Antenore Balsi; Vice presidente: Tomazo Pugliese; Secretário: Bruno Romano, Vice Secretário: Tomazo D'Ambrósio; Tesoureiro: Antônio Reginato; Conselheiros: Tomazo Guzzo, Carlo Meneghesso, Aurélio Saffi, Vittorio Cinquetti, Ferrucio Bolla, Rocco Di Muzio, Francisco Mascaro, Giustino Basilico, Giustiniano Ferrazoli, Eugenio Nanni e Francisco De Luca; Porta Bandeira: Valentino Reginato e Ângelo Borsetto; Exator (Cobrador); Amedeo Ruotti.
Presentes também os sócios fundadores: Vitto Melle, Dr. Luciano Maggiori, Pietro Zanella, Carlo Vechiatti, Antônio Sacco, Giácomo Cestari, Francisco Polizzi, Emilio Bressan, Ângelo Cestari, Alfonso Bellei, Batista Torcia, Giovanni Cicco, Arturo Balsi, Giuseppe Rizzi, Antônio Bruno e Luiz Reginato".

"Para se ter uma idéia do entusiasmo dos 'paesanos' com a sua sociedade, em 8 de novembro de 1909, o sócio fundador e Conselheiro Ferrucio Bolla, doava uma área de 300m2 para a construção da sede social, à rua 1º de março (hoje Atacadão Badu). Em reconhecimento a essa valiosa doação, a 'Sociedade Italiana', como era chamada, concedeu-lhe o título de Sócio Benemérito em 28 de novembro de 1909, oportunidade em que homenageou também Juvenal Pompeu com o título de Sócio Honorário, por ter lavrado a escritura do imóvel gratuitamente e por seus méritos pessoais, como consta da Ata do Conselho. Na mesma data, Ferrucio Bolla foi eleito para chefiar a comissão encarregada de promover festas beneficentes, subscrições, rifas, etc.. com o fim de angariar fundos destinados à construção do prédio próprio".

"Sobre a inauguração do prédio, não há nenhum registro em Ata, nem placa comemorativa. Apenas um recorte de jornal, possivelmente do "Estado de São Paulo", que publicava em 9 de setembro de 1911 a notícia do seu correspondente local, Juvenal Pompeu, informando que, 'a Societá Italiana de Mutuo Socorso e Beneficenza trabalha activamente para inaugurar festivamente o seu bello edificio próprio no dia 20 de setembro próximo' ".

"A determinação e a coragem daqueles imigrantes, constituíram-se em alicerces sólidos do belo prédio, construído em menos de dois anos, que resistiu à passagem do tempo, permanecendo majestoso, embora tenha sofrido modificações na sua fachada e interior. É bom lembrar que o edifício sede da "Sociedade Italiana", possuía no pavimento inferior um salão para festas, bailes e reuniões. Na parte térrea, um amplo auditório com 314 poltronas, dotado de camarote, palco, camarins, sanitário, além de um piano e equipamento para o 'cinematógrafo', assim chamados os pertences para a projeção de filmes. No carnaval, as poltronas eram retiradas, e lá se realizavam os bailes. Por aquele palco passaram muitos artistas profissionais e amadores. Recitais, festas cívicas e escolares, teatro e festivais beneficentes, enfim, todas as manifestações artísticas eram realizadas na "Sociedade Italiana"


A denominação 'Príncipe Umberto' só ocorreu a 8 de março de 1925 com a reforma dos estatutos e eleição dos novos conselheiros e diretores, assim distribuídos: Presidente, Antenore Balsi; Vice presidente, Vittorio Blasizza; Tesoureiro, Tommaso Guzzo; Secretário; Luigi Pichiello; Vice Secretário, Alberto Stangherlin; Conselheiros: Julio Turi, Dionísio Barduzzi, Padre Nicola Giúdice, Frederico Corradi, Tizziano Dalla Chiara, Ricardo Pigatto, Mario Lorenzoni, Augusto Bombonatto e Domênico Carlo Stocco; Suplentes: Tiziano Bressanim, Tommaso Casale, Emilio Bertagnoli, Nicola Saffi e Emilio Gottardo; Revisores das Contas: Ambrosio Colombo, Domênico Giovanni Guzzo e Romolo Manesco".


Há que se ressaltar a figura de Antenore Balsi que presidiu a 'Sociedade Italiana' por 28 anos, merecendo, quando de sua retirada, em 26 de maio de 1935, os maiores elogios da nova diretoria, presidida por Julio Turi, além do título de "Presidente Benemérito" concedido por unanimidade.
Para atender as exigências legais, a 'Sociedade Italiana' reformulou seus estatutos em 5 de outubro de 1938, sendo estes, e todas as atas a partir de então, redigidas em português, o que anteriormente era feito no idioma italiano".

"Entre 1938 e 1956, as atividades  limitaram-se, praticamente, a alterações e reformas estatuárias exigidas para registro, reorganização e funcionamento da mesma. Em 15 de janeiro de 1957, houve uma tentativa de transformá-la em 'Associação dos Amigos de Barra Bonita' entidade que não chegou a se constituir juridicamente".

"A 'Sociedade Italiana de Mútuo Socorro e Beneficência Príncipe Umberto' se findou, por deliberação da maioria de seus sócios e representantes, em 25 de outubro de 1961, destinando todos seus bens ao Hospital São José local, de acordo com os estatutos. Dos sócios fundadores apenas um remanescente: Giovanni Chicco (João Chico)".

História (80) - "Far l´America ( 48)": As primeiras famílias italianas em Barra Bonita, interior de São Paulo

Assim como diversas cidades paulistas, Barra Bonita também acolheu imigrantes italianos no final do século XIX e início do XX. O portal Estância Barra Bonita traça retratos desse período.


"Segundo dados do IBGE, até o ano de 1890 o Brasil havia recebido 360.224 imigrantes italianos, 313.025 portugueses, 45.834 espanhóis e 75.299 entre alemães e demais nacionalidades em menor número. Os desembarques, em sua maioria, eram nos Portos do Rio de Janeiro ou de Santos. Os que desciam em Santos eram encaminhados para São Paulo, e alojados na Hospedaria dos Imigrantes. Dali, após triagem e formalidades legais, o encaminhamento aos locais de trabalho, a maioria na zona rural".

Dos tantos que vieram para a Vila do Jahu, muitos chegaram à região agrícola do Porto da Barra Bonita, após cansativa viagem em sacolejantes carroções que faziam o trajeto entre trilhas e picadas. Outros viajavam de trem até a Estação do Banharão e de lá, em carroças ou a pé, chegaram aqui, a partir da década de 1880. Os italianos formavam a grande maioria mas, entre eles haviam muitos espanhóis, sírios, alemães, austríacos e portugueses. Cada família foi tomando seu rumo, formando novos núcleos espalhados pelas inúmeras propriedades agrícolas que compunham o nosso território de então. Dedicados ao trabalho e à terra que os acolheu, escreveram, de modo indelével seus nomes na história da cidade que ajudaram a formar e progredir".

"Nas pesquisas e buscas realizadas no Departamento de Imigração em São Paulo, nos arquivos do Estado, no Museu Municipal de Jahu, nos livros e relações de eleitores (os estrangeiros também votavam) do "Districto de Barra Bonita - Comarca de Jahu" - a partir de 1897 e anos seguintes, nos livros de atas da 'Societá Italiana', nos cartórios locais, de Brotas e Jahu, nos jornais e publicações diversas, no livro "Memórias de Barra Bonita" de Domingos Settimio Frollini, e de acordo com informações dos familiares e descendentes dos antigos moradores da cidade, figuram entre os pioneiros imigrantes que se fixaram na zona rural, as famílias: Aiello, Antonangelo, Antonelli, Alponti, Abruzzi, Bellini, Barduzzi, Bellei, Balbo, Boldo, Bressanim, Bozzi (Rigon), Bérgamo, Ballan, Blasizza, Bettini, Boarini, Bressan, Bocato, Borgui, Brunelli, Caetano, Cárdia, Cagnotti, Constanzo, Cestari, Casagrande, Casale, Chiarato, Capelossa, Castelari, Dal Corso, De Marchi, De Conti, Dalla Costa, De Luca, Dias, Ereno, Frollini, Ferrari, Fagá, Ferrazolli, Fantin, Fantinatti, Fuim, Feltrin, Finatto, Giacomini, Guedin, Giroto, Grizzoni, Galhardi, Gatti, Marcon, Mascaro, Massenero, Mori, Marinelli, Maffei, Mozarle, Nardo, Osti, Patuzzo, Pizzo, Pollini, Pozebon, Perassoli, Piva, Pezente, Pellini, Pavani, Parezan, Petri, Polatto, Ricci, Rossi, Rizzatto, Reginato, Ragoni, Ribeiro de Andrade, Santinello, Stangherlin, Selleguin, Sargentim, Scarpela, Scalissa, Scapin, Stringheta, Stramantinolli, Sponchiatto, Santilli, Sabbatini, Spaulonci, Salve, Sacco, Simionatto, Simoncini, Testa, Tozatto, Terrazan, Ursolino, Ungaro, Vechiatti, Veghini, Vetorazzo, Victorino de França, Zaffani, Zanella, Zerlin e Ziglio, todas elas representando os fundamentos sólidos sobre os quais construiu-se a cidade de que hoje nos orgulhamos: Barra Bonita".

"Embora a grande maioria dos imigrantes tenha se dedicado à lavoura, muitos desenvolveram atividades de acordo com as profissões que exerciam anteriormente. Lembram-se, nesse particular, entre outros, italianos, alemães, sírios, espanhóis, portugueses e austríacos, os comerciantes: José Angelino, Ângelo e Silvano Bataiola; Guerino; Luiz e Antonio Reginato; Luiz, Carlos, João, Antônio e Francisco Lourenção; Rocco Di Muzio; Emílio Bressan; Luigi Gaioli; Luiz Iaia; Salomão, Elias e Alfredo Simão; José, Alfredo e Muhama Rayes e José Chadad; Cláudio e Hyppólito Lopes. Os sapateiros: Tiziano Dalla Chiara, Aurélio Saffi e Gregório Vessio. Os ferreiros: Júlio Turi, Ezio Benfatti, Luiz Simon e Alberto Strutzel. Arthur e Antenor Balsi foram proprietário da primeira serraria do lugar. Os hoteleiros: Jacob Chalita, Victorio Cinquetti, Tomaz Mantovani, Emílio Quaglia e João Fantinatti. Os ceramistas: Ezequiel Otero, Thomas Guzzo, Francisco e Frederico Corradi, Benedito Bressanim, Ângelo Borsetto, Valentin Ferrazolli e mais tarde, João Martini, o introdutor do forno "abóboda" no município. Os açougueiros: Ferrucio e Sabino Bolla. Os primeiros pescadores profissionais: Valentino e Eugenio Giacomini. Vito Melle e Serafim Berti foram os primeiros farmacêuticos e Dr. Luciano Maggiori um dos primeiros médicos. Os fabricantes de cervejas e refrigerantes: Germano Güther, Baptista Torcia e os irmãos Antônio, Luiz e Giovanni Carnevalle. Os barbeiros: Francisco Mascaro e Domingos Di Poldo. Os construtores: Eugenio Nanni, José Negrin, Emílio Bertagnolli e Bernardo Pardo. Os carpinteiros: Amadeu Angelici, Ângelo e Emílio Gottardo e os irmãos José, Antônio e Manoel Marques Ferreira. Relojoeiro: José Lodi. O comandante fluvial: Francisco de Oliveira Diniz. Os condutores ou proprietários de trolis e carroças: João Gerin, Ângelo e Valentin Reginato, Ângelo e Giácomo Cestari, Adamo e Pietro Ziglio, Lorenzo e Severino Antonelli, Victório e Arthur Blasizza, Giuseppe Antonangelo, Olimpio Trema, Alfonso e Aristodemo Bellei, Francisco e Victorio Bergamo, Antônio Guerreiro, Antônio Moreno Ramirez e Miguel Molina que se juntaram aos "brasilianos": Francisco de Oliveira Paulista, Virgolino e João da Silva Nogueira".

História (79 ) - "Far l´America ( 47)": Dificuldades ao cruzar o Atlântico rumo ao Brasil

O portal  Estância Barra Bonita, cidade do interior de São Paulo, ao retratar a história do município abre espaço para falar da importância do imigrante italiano no desenvolvimento local, além de contar histórias que ilustram a saga de homens e mulheres que cruzaram o Atlântico dispostos a "Fazer a América".

"Nossa cidade deve a maior parte de seu desenvolvimento aos imigrantes e, de modo especial, à colônia italiana, que aqui se fixou no final do século 19 e início do século 20, época do início da formação do povoado e da Vila de São José da Barra Bonita.Segundo a historiadora Célia Stangherlin, havia, em cada imigrante, um sonho de riqueza a se concretizar. O café, chamado de 'ouro verde' e as pedras preciosas, das quais tinham ouvido falar, eram a promessa de uma nova vida de sucessos. Célia Stangherlin destacou uma curiosidade na história local dos imigrantes italianos".

"Dona Tereza G. Bolla, imigrante italiana, que chegou ao Brasil, aos 18 anos, em 30 de dezembro de 1897, juntamente com o esposo Ferrúcio, com 25 anos, e uma filha recém-nascida, Éster, contava as dificuldades da viagem no navio, onde quase tudo era racionado". "Segundo o relato de dona Tereza, resgatado por Célia, a água para se beber, era colocada numa cartola, a mais de um metro de altura e, nela, se colocava uma chupeta (tipo de bico de mamadeira antiga) para os passageiros "chuparem" a água, quando estivessem com sede. 'Todos bebiam no mesmo bico. Assim, evitava-se o desperdício, para não faltar água em alto mar''.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Oriundi - Pedro Ometto e o desenvolvimento do agronegócio em São Paulo (2)

Para constituir e modernizar a Usina Costa Pinto, Pedro Ometto, associou-se a Mário Dedini & Irmãos. Na safra de 1936/37 produziram 6.055 sacas de açúcar e a partir daí negócio adquiriu significado. Em 1938 foi feita uma reforma grande na Costa Pinto e começaram a fabricar açúcar cristal. Já nesse ano produziram 38.000 sacas. O lucro era sempre investido na compra de terras e de cotas de açúcar, ao IAA. Os caminhos dos Omettos e dos Dedinis, cruzaram-se, permitindo que eles crescessem e se tornassem presidentes de grandes grupos econômicos.

Em 1943, a empresa comprou uma fazenda de 340 alqueires, no município de Barra Bonita, pequena cidade turística a 310km da capital paulista. Foi início da Usina da Barra. A cultura da cana-de-açúcar no Estado de São Paulo estava desde os mais remotos tempos concentrada na região de Piracicaba, onde o pioneiro Pedro Ometto e seus irmãos iniciaram suas atividades e possuíam unidades sucroalcooleiras em pleno funcionamento.

A responsabilidade do acompanhamento da instalação e implantação da destilaria coube ao filho de Pedro, Orlando Chesini Ometto. Aos 21 anos, Orlando já havia terminado o seu treinamento nas usinas da família, estando apto para assumir esta importante tarefa, que implicava uma competição com a cultura do café, até então preferida na região. Os objetivos foram se alterando com o tempo. Surgiu a possibilidade de compra de uma cota de açúcar e, em 1946, apenas um ano após o fim da 2ª Guerra Mundial, a Usina da Barra fazia sua primeira safra: 41 mil sacas de açúcar e 110 mil litros de álcool. Durante cinco anos, até idos de 48, a Usina moeu apenas cana-de-açúcar própria, enfrentando preconceito e desconfiança dos cafeicultores locais.

Em 1949, o crescimento foi acelerado com a constituição da Usina da Barra S.A., e a partir daí a Usina começou a moer canas-de-açúcar também de terceiros, seguindo um longo caminho de ampliação e de aumento de produtividade. Para estimular a produção, a Usina da Barra se comprometia, inicialmente, a realizar na propriedade do eventual interessado os trabalhos de preparo de solo, plantio, tratos culturais, corte e transporte da cana-de-açúcar plantada. O proprietário do fundo cedia a terra e recebia, no final da colheita, lucro da operação.

Os resultados não foram imediatos, mas vieram. O primeiro milhão de sacas foi ultrapassado na safra 58/59. Daí, aumentos sucessivos de produção e ampliações no parque industrial levaram-na à condição de maior produtora individual de cana-de-açúcar e álcool domundo. Hoje graças a essa iniciativa pioneira de Pedro Ometto, um novo pólo sucroalcooleiro foi implantado na região de Jaú onde existe quase uma dezena de unidades produtoras em franco progresso. Tudo isso teve como ponto de partida a implantação da Usina da Barra, no distante ano de 1946.

Oriundi - Pedro Ometto e o desenvolvimento do agronegócio em São Paulo (1)

A história da cana-de-açúcar no Estado de São Paulo está fortemente ligada às raízes dos Ometto família italiana que desembarcou no Brasil em 1887. Primeiro chegou Girolamo que logo chamou o irmão Antonio e a cunhada Caterina. No texto Italianos em São Paulo: de colonos a empresários do açúcar. 1876 -1941 (publicado dos Anais do XVIII Encontro Regional de História – O historiador e seu tempo. ANPUH/SP – UNESP/Assis, 24 a 28 de julho de 2006.), a pesquisadora Zóia Vilar Campos traça um breve relato da história dos Ometto no interior paulista.

 Ela lembra que em 1888 Girolano Ometto “comprou uma pequena propriedade fundiária: sítio Santa Fé, sito em Tupi, região entre os Municípios de Santa Bárbara D’Oeste e Piracicaba. Convidou seu irmão Antônio Ometto e família, que ainda se encontrava trabalhando na Fazenda Salto Grande, para morar com ele e ajudá-lo na labuta da lavoura da cana e da produção de cachaça no velho alambique”. “Logo, Girolamo comprou uma olaria em Piracicaba. Mas, em 1901, faleceu , legando dívidas para a sua família. Coincidentemente, seu irmão Antônio, morreu nesse mesmo ano, Antonio, também, morreu no mesmo ano que ele, deixando para os seus filhos: João, Jerônimo, Luiz e Pedro, e, a sua mulher Caterina, a tarefa de “fazer a América.”

“As duas famílias, sem outra alternativa, voltaram a trabalhar na lavoura de café, na Fazenda São José, do Coronel Juca Barbosa.Em 1906, a família Ometto deixou a condição de colona, comandada por Caterine, compraram seis alqueires, da Fazenda Água Santa, em Piracicaba, por 1:900$000. Nele, construíram uma olaria e continuaram produzindo aguardente; em 1911, adquiriram mais 24 alqueires da mesma Fazenda - onde desenvolveram as mesmas atividades, onde três anos depois, edificaram um engenho de açúcar. Em 1918, compraram a Fazenda Aparecida, também, denominada de Boa Esperança, em Iracemápolis, hipotecada, em função dos prejuízos causados pela geada que assolou a região e destruiu o cafezal. A partir daí, a família se dividiu entre a olaria e a nova aquisição. Nessa última, plantou cana e produziu aguardente".

“Os negócios da família Ometto continuaram prosperando, acompanhando o crescimento da região. Em 1922, a propósito, Pedro Ometto, comprou sem a participação da família, a Fazenda Primavera, com 100 alqueires, a 5 km de água Santa. Nela, continuou fabricando cachaça, plantando cana, fabricando cachaça e açúcar batido".

"Dez anos depois, em 1932, reuniu-se aos irmãos e constituiu a empresa Irmãos Ometto & Cia, com o intuito de comprar a Fazenda Boa Vista, de 440 alqueires, também, localizada no Município de Piracicaba. Logo em seguida, adquiriram a Fazenda Aparecida, divisa com a Boa Vista, município de Iracemápolis. Tornaram-se proprietários de 560 alqueires. Nessas terras, em 1934, edificaram a Usina Boa Vista. Nos anos seguintes, o clã Ometto, adquiriu várias outras propriedades. Para constituir e modernizar a Usina Costa Pinto, Pedro Ometto, associou-se a Mário Dedini & Irmão”

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Oriundi - Sangue italiano nas veias do Modernismo brasileiro: Zina Aita, a artista esquecida

Na italianidade da Semana de Arte Moderna (fevereiro de 1922), um nome menos badalado, foi o de Zina Aita, filha de imigrantes italianos, nascida em Belo Horizonte em 1900. Poucas vezes mencionada quando o assunto é a Semana de 22, Zina viveu boa parte de sua vida na Itália, fato que talvez explique esse vazio nas análises sobre o modernismo no Brasil.

Pintora, ceramista e desenhista, seu nome de batismo era Tereza Aita. Ainda adolescente parte com a família para a Itália) em 1914 onde permanece por quatro anos, realizando estudos na Accademia di Belle Arti di Firenze [Academia de Belas Artes. Em seu retorno ao Brasil começa a conviver com o ambiente modernista, tornando-se amida da pintora Anita Malfati e do escritor Mario de Andrade. Em 1920 realizaria sua primeira exposição individual, justamente na sua cidade natal.

“Assim como Anita havia inaugurado o modernismo em São Paulo, desper- tando uma estética revolucionária nas artes plásticas, Zina Aita transpôs para o cenário cultural ainda acanhado, de Belo Horizonte, no início do século XX, uma arte que funcionou como mecanismo de subversão ao sistema de valores plásticos convencionais. Em 31 de janeiro de 1920 foi inaugurada, no edifício do Conselho Deliberativo da Capital, uma exposição de suas obras, que canalizou os contrastes existentes no ambiente cultural da cidade. Partindo de uma nova sintaxe da cor e de uma liberdade no tratamento técnico que a aproximam do fauvismo de Matisse e Derain, Zina Aita introduziu uma maneira revolucionária de pintar, estranha ao gosto da cidade”, comenta a professora de História da Arte Mônica Eustáquio Fonseca (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais).


Para alguns estudiosos, sua pintura desse período aproxima-se do movimento art nouveau e do pós-impressionismo. Dois anos após paryocipar da Semana de Arte Moderna, Zina muda-se para Itália onde teve intensa produção artística, sobretudo como ceramista. Faleceu em Napoli em 1967.

História (78 ) – ”Far l´America (46 )”: perfil dos imigrantes Piemonteses no Estado do Espírito Santo

Chiara Vangelista, autora do trabalho Gênero e estratégias migratórias: mulheres italianas imigrantes no Estado do Espírito Santo Brasil, 1894-1895 , analisa o perfil dos piemonteses que desembarcaram no Espírito Santo no final do século XIX. “Contrariamente ao que se passou em São Paulo, e de forma semelhante à situação dos Estados do Sul, a imigração das últimas décadas do século XIX consolidou, no Espírito Santo, o sistema introduzido pelas colônias imperiais.

O bom êxito das colônias agrícolas deveu-se ao fato de que estas não foram simples núcleos de povoamento, mas ligaram-se ao circuito comercial internacional, participando da produção do café, produzido, desta maneira, tanto pelas fazendas do sul do Estado, como pelas colônias agrícolas do Centro (Saletto, 1996; Reginato, Vangelista, 1997)”

“Os emigrantes piemonteses aqui analisados embarcaram para o Espírito Santo entre outubro e dezembro de 1894 e chegaram em Vitória entre novembro de 1894 e janeiro de 1895 São no total 467 pessoas que, tendo emigrado no final de 1894, formam parte das estatísticas da imigração dos dois anos – 1894 e 1895 – que representaram um dos picos da imigração italiana no Espírito Santo” “Nos três navios os emigrantes procedentes do Piemonte representam de 8 a 14,5% do total dos passageiros. No caso destes três navios, a emigração piemontesa é formada exclusivamente por unidades familiares (famílias nucleares, famílias com agregados, ou, mais raramente, grupos de famílias nu- cleares, indicadas como unidades pelo registro de embarque”

"Dos 467 emigrantes, com efeito, somente um viajava sozinho e os outros formavam 112 unidades familiares, com uma média de 4,2 pessoas cada uma). O índice de masculinidade médio dos pie- monteses para os três navios (122) é superior àquele do total dos passageiros (107.8)”. “No que se refere à procedência 44,6% das unidades familiares partiu da Província de Alessandria, 24% e 18% das Províncias de Cuneo e Vercelli, enquanto que Asti, Novara e Torino forneceram, juntas, somente 16% das famílias restantes”.