quarta-feira, 26 de maio de 2010

Italiani - O legado de Luigi Caloi ( 2)

"Em 1942, as dificuldades de importar devido à Segunda Guerra Mundial obrigaram-no a produzir peças de reposição em um barracão no bairro do Brooklin. Anos mais tarde, em 1948, mesmo com a volta da importação, a empresa agora chamada Indústria e Comércio de Bicicletas Caloi, manteve sua fabricação, passando a produzir suas bicicletas no Brasil com a inauguração da primeira fábrica de bicicletas do país. No ano de 1953 ocorreu o lançamento da linha Fiorentina que tinha aro 26" (novidade para a época), freio a varão, bagageiro e vinha com uma utilíssima bolsa para ferramentas sob o selim, em couro.

Em 1955 foi o ano em que o Sr. Guido Caloi faleceu, dando lugar à 3ª geração da família na direção da indústria; o Sr. Bruno Antônio Caloi. - - A bicicleta Berlineta dobrável lançada no final da década de 60, possuía aro 20 e se tornou moda nos anos 70 entre o público jovem. Suas características compactas, aliadas ao fato de ser dobrável, fizeram dela uma ótima opção para uso urbano. Tinha bagageiro na traseira e guidão alto, para o conforto do ciclista. Na década de 70 ocorreu a consolidação e expansão da marca no mercado brasileiro e internacional como sinônimo de bicicletas, além de várias novidades como a famosa e inesquecível Caloi 10, com quadro baseado nas Biachi San Remo. Era a primeira vez que um cidadão comum podia adquirir uma “bicicleta de corrida”, com 10 marchas.

Outra novidade foi a Caloi Barra Forte, uma bicicleta robusta e resistente com quadro em aço carbono, desenvolvida para levar o ciclista com segurança e conforto, que se tornou referência histórica no segmento de transporte. Depois foi a vez da Caloi Jovem com aro 24". Pouco depois, o lançamento da Extralight marcou a chegada do BMX ao Brasil, em 1978. As rodas eram no tamanho 20" com pneus biscoito. As partes de alumínio da Extralight eram coloridas (inédito na época) e tinha rotor na caixa de direção. - - No ano seguinte foi à vez da Caloi Ceci, primeira bicicleta feminina do mercado brasileiro. A cestinha na dianteira sempre foi à marca registrada deste modelo.

O comercial de televisão desta bicicleta trazia a atriz Bruna Lombardi como garota propaganda. Foi também nesta década, no ano de 1975, em franca expansão, que a CALOI inaugurou mais uma fábrica no país. Localizada em Manaus, a nova unidade industrial destinava-se à produção de bicicletas de alto valor agregado. - - No ano de 1990 a CALOI inaugurou uma subsidiária nos Estados Unidos, localizada em Jacksonville, no estado da Flórida, começando a comercializar bicicletas no mercado americano. Outro importante fato para sua expansão internacional nesta época foi o patrocínio ao heptacampeão do Tour de rance, o americano Lance Amstrong, na equipe Motorola/Caloi.

Até a abertura do mercado brasileiro, em 1992, a CALOI tinha como única concorrente a Monark. As duas se alternavam na liderança das vendas, mas fim da década de 80, a empresa consolidou sua vantagem e chegou ao recorde de produção de 2.2 milhões de unidades. Depois da abertura, o mercado do pedal ficou muito mais competitivo e a CALOI passou a enfrentar grandes problemas. Mesmo com uma situação financeira delicada, em 1997 expande seus negócios, ingressando no segmento de Home Fitness, com o lançamento de uma linha de equipamentos de ginástica com esteiras e stepper.

Em pouco mais de cinco anos, a CALOI assume a liderança de mercado no segmento home fitness e reafirma sua posição de liderança no mercado de bicicletas. - - A empresa foi dirigida pela família Caloi até o ano de 1999, quando a família vendeu a maioria acionária para Edson Vaz Musa, respeitado administrador de empresas. A partir de então, a CALOI partiu para um novo desafio: ser sinônimo de bicicletas e também de fitness, agregando saúde, esporte e lazer à marca Em 2006, a CALOI inaugurou uma moderna fábrica em Atibaia, desativando a antiga unidade da Avenida Guido Caloi. Líder de mercado, em 2008 a CALOI comemorou 110 anos comercializando mais de 700 mil bicicletas e 100 mil unidades de aparelhos para home fitness por ano, e lançando um novo posicionamento da marca com o slogan “Caloi. Movimentando a Vida”. (fonte: Mundo das Marcas)

Italiani - O legado de Luigi Caloi ( 1)

"Em 1898, Luigi Caloi, um italiano cujo sonho era fazer a melhor bicicleta utilizando a tecnologia mais avançada que alguém pudesse imaginar na época, veio da Itália com seu cunhado Agenor Poletti, um mecânico muito hábil. Abriram a Casa Poletti & Caloi, um estabelecimento que alugava, consertava e reformava bicicletas de corrida do Clube Atlético Paulistano em São Paulo. Quatro anos depois, Luigi se tornou representante exclusivo da fábrica italiana de bicicletas Bianchi no Brasil. Em 1924, ele faleceu e a nova sociedade, agora chamada Casa Irmãos Caloi, formada por seus filhos, Henrique, Guido e José Pedro, durou pouco. Guido ficou sozinho com a empresa, que passou a ser conhecida como Casa Luiz Caloi". (fonte: Mundo das Marcas)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Oriundi - Miguel Reale e o Direito no Brasil (2)

"Com a tese Fundamentos do Direito (1940), considerada inovadora e um marco para a época, Reale lançou as bases da 'Teoria Tridimensional do Direito', tornando-se internacionalmente conhecido. Ele interpretou a experiência jurídica sob vários prismas, determinando, assim, uma reação contra o formalismo jurídico.

Em 2000, na entrevista concedida ao Jornal da USP, o jurista descreveu o sentido de sua teoria e esclareceu que, 'em primeiro lugar, há o formalismo legislativo, ou legislado, no sentido de que se confunde o Direito com o código, o Direito com o diploma legal.Dessa maneira, conhecer o Direito se resume a interpretar as leis e aplicá-las, recebendo-se, portanto, algo já pronto e acabado sob a forma de regula juris, de norma de direito. Contra isso havia um segundo formalismo, o formalismo factual, no sentido de que se procurava nos fatos sociais uma ciência jurídica sociológica. E uma terceira orientação tinha um caráter idealista e filosófico, dando importância apenas ao mundo dos princípios e dos valores', concluiu.

O professor reagiu contra essa tríplice orientação descrita como separada e unilateral. Sua originalidade mostrou que 'fato, valor e norma' são elementos que se correlacionam, representando três aspectos unitários e dinâmicos. E dessa idéia, surgiu o nome Teoria Tridimensional do Direito, definida como 'uma tomada de posição contra compreensões unilaterais da experiência jurídica'." (Fonte OAB-DF)

Oriundi - Miguel Reale e o Direito no Brasil (1)

Um dos maiores juristas brasileiros do século XX, Miguel Reale, tinha sangue italiano nas veias. Confira o perfil de Miguel Reale publicado no site da OAB do Distrito Federal.

"Paulista de São Bento de Sapucaí, Miguel Reale nasceu em 6 de novembro de 1910. Descendente de italianos, filho do médico Braz Reale e de Felicidade da Rosa Góes Chiarardia Reale.

Ainda adolescente, despertou sua vocação para o ensino, dando aulas de francês e latim para estudantes de escolas particulares. Estudou no internato do então Instituto Médio Dante Alighieri, colégio clássico que, segundo Reale, decidiu seu destino humanístico e sua razão existencial. Casou-se com sua colega de classe, Filomena Pucci Reale, ou simplesmente Nuce. Formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo (1934), e posteriormente desenvolveu uma longa carreira como professor.

Como estudante escreveu seu primeiro livro, O Estado Moderno, em que debatia as ideologias do fascismo, do comunismo e do liberalismo. Por duas vezes foi reitor da USP, em 1949 e 1969, onde implantou as reformas administrativas e universitárias, substituindo as cátedras pelos departamentos. Implementou e urbanizou o campus da universidade, construindo cerca de 250 mil metros quadrados de edifícios destinados ao ensino, à pesquisa e ao esporte.

No ano de 1949, foi fundador do Instituto Brasileiro de Filosofia e cinco anos depois, da Sociedade Interamericana de Filosofia. Reale revelou valores esquecidos do pensamento brasileiro em seus estudos sobre a teoria da cultura. Determinou as diretrizes do culturalismo, movimento que sugere a idéia de que não basta analisar as condições subjetivas do conhecimento, mas também as objetivas e as histórico-sociais. Para o filosófo e jurista, a cultura não era apenas o aprimoramento do intelecto, e sim o conjunto de tudo que o homem realizou no plano material e espiritual, por meio do processo das gerações. 'Em toda a minha vida representaram os trágicos conflitos militares e sociológicos do século XX, tendo sido a minha perene preocupação de compor em unidade integral a liberdade, a pluralidade e a solidariedade', contou Miguel Reale no artigo Variações a Partir de Si Mesmo, de 2005

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Italiani - A missão religiosa de Pio Giannotti, o Frei Damião (2)

O site da Fundação Joaquim Nabuco continua, assim, a relatar a vida de Frei Damião no Brasil.

"De 1939-1945, período em que ocorreu a Segunda Guerra Mundial, Frei Damião, foi proibido de realizar missões, devido a sua origem italiana, permanecendo recluso em um convento em Maceió até 1945. À medida que os anos foram passando Frei Damião tornou-se mais conhecido no Nordeste. Em suas missões e romarias pelos lugarejos mais distantes da Região, reunia milhares de fiéis das localidades visitadas e romeiros das regiões vizinhas, que caminhavam quilômetros a pé ou viajavam em caminhões para assistir ao grande ato de fé. Durante as caminhadas ele fazia casamentos coletivos, batismos e sermões, dava comunhão, ouvia confissões.

Iniciava seus trabalhos de peregrinação às quatro da madrugada. Saía em procissão por ruas e estradas, em busca das comunidades mais distantes e necessitadas, acordando todos com o badalar de um sino, cânticos e orações. Devido as suas intensas peregrinações pelo interior do Norte e Nordeste do Brasil, pregando o evangelho à grande número de pessoas, ficou conhecido como o andarilho de Deus. Foi o único pregador que visitou o Nordeste em missão Franciscana, recebeu centenas de medalhas e condecorações, inclusive títulos de cidadão honorário em 27 cidades. Na literatura de Cordel, Frei Damião foi motivo de inspiração para muitos poetas e escritores cordelistas, que escreveram centenas de folhetos relatando a sua vida missionária, seus milagres, testemunhos e sobre seu prestígio popular. Com o passar dos anos, a intensa vida missionária produziu-lhe uma progressiva deformação causada por problemas de cifose (corcunda) e escoliose, que lhe causou dificuldades na fala e na respiração.

Os últimos anos de vida do Frei Damião de Bozzano foram muito sofridos. Segundo os médicos que o assistiam, desde jovem ele sofria de insuficiência cardiovascular periférica e erisipela, doenças que se agravaram com o tempo, devido as longas peregrinações por cidades empoeiradas. Em virtude do cansaço e da idade avançada, seu estado de saúde foi se agravando a ponto de tornar-se irreversível. Após 19 dias de coma profundo, veio a falecer aos 98 anos de idade, no dia 31 de maio de 1997, às 19 horas, no Hospital Real Português, no Recife".

Italiani - A missão religiosa de Pio Giannotti, o Frei Damião (1)

Dentre os religiosos italianos que vieram ao Brasil em missão evangelizadora, a história reserva um lugar de destaque para Pio Giannotti, conhecido entre nós como Frei Damião, cujo perfil é assim retratado pela Fundação Joaquim Nabuco .

"Pio Giannotti, nasceu a 5 de novembro de 1898, em Bozzano, vilarejo da cidade de Massarosa, a 460 quilômetros de Roma. Filho de Félix Giannotti e Maria Giannotti, camponeses humildes e devotos. Desde cedo, Pio demonstrava inclinação para o sacerdócio. Iniciou seus estudos religiosos na Escola Seráfica de Camigliano em 1910. Aos 12 anos de idade seguiu a inclinação natural que o levaria quatro anos depois, já com 16 anos, ingressar na Ordem dos Capuchinhos, no Convento de Vila Basílica. E ao receber o hábito escolheu o nome de Damião.

Em 1917, aos dezenove anos, Pio Giannotti foi convocado juntamente com seus irmãos capuchinhos, pela Força Militar do Exército, para servir na frente de batalha da Primeira Guerra Mundial. Após o término da guerra ele ainda permaneceu por 3 anos acampado na região de Zarra, fronteira da Itália disputada com a antiga Iugoslávia. Este foi um período da sua vida que lhe deixou profundas e amargas recordações, por ter presenciado enorme carnificina. Em 1923, quando retornou ao Seminário, foi ordenado sacerdote, na Igreja de São João Latrão em Roma. Neste período ingressou no Colégio Internacional, onde cursou Teologia, Filosofia e Direito Canônico. Concluídos estes estudos, matriculou-se na Universidade Gregoriana e doutourou-se em Teologia Dogmática.

Voltou para o convento de Vila Basílica, para assumir o cargo de vice-mestre de noviços, onde passou a lecionar até 1931. Neste mesmo ano, foi convidado pelos seus superiores a fazer uma escolha entre duas opções: permanecer na profissão de professor ou ser missionário no Brasil. Frei Damião seguiu a voz do coração e decidiu pela missão de evangelizar. Dias depois embarcou no navio Cante Rosso, rumo ao Brasil. Desembarcou no Rio de Janeiro e no dia seguinte seguiu para o Recife, Pernambuco.

Hospedou-se na Basílica de Nossa Senhora da Penha e adotou o nome de Frei Damião, com o designativo de sua terra natal Bozzano. Celebrou sua primeira missa no Brasil, em 05 de abril de 1931, na cidade de Gravatá, agreste pernambucano, no mesmo ano em que chegou ao País. No mês seguinte passou três dias consecutivos ouvindo os fiéis, em confissão. Esta atitude do Frei, deu-lhe grande prestígio, conquistando a admiração da população católica daquela região".

domingo, 23 de maio de 2010

História ( 207) - "Far l'America (118)": O papel da Sociedade Promotora da Imigração numa análise italiana

No site Storicamente, Elena Bignami explica o papel da Sociedade Promotora da Imigração.

“La Sociedade Promotora, dunque, incoraggiava l’immigrazione di nuclei familiari piuttosto che di singoli per ottenere il miglior sistema produttivo disponibile sul mercato del lavoro immigrato. Così facendo, infatti, essa si garantiva una manodopera stanziale, a scanso della dispersiva immigrazione temporanea (come quella diretta invece in Argentina), erena rispetto alle ansie provocate dalla lontananza dai familiari, perché come scrisse il deputato dell’Assembléia Provincial de São Paulo Marthino Prado Júnior nel 1888 «è innegabile quanto influisca sul morale dell’immigrante il fatto di poter portare con se coloro che gli appartengono con il sangue e con il cuore», e per questo supposta anche più mansueta rispetto a velleità politiche, ma soprattutto una manodopera già perfettamente organizzata al suo interno grazie a quella preziosa suddivisione operata sulla base dell’appartenenza di genere che faceva della famiglia patriarcale una straordinaria macchina da lavoro, ricca com’era di braccia a buon mercato (quelle di donne e bambini) per fazendeiros e imprenditori, premurose e gratuite (quelle femminili) per le cure dello spazio domestico; proprio quello che si voleva trasferire e impiantare in Brasile.

L’operazione sortì gli effetti sperati, e così «dei 219.785 individui introdotti a San Paolo dalla Sociedade Promotora de Imigraçao, il 46% erano donne», l’esatta metà del cielo. Ma non si tratta soltanto di testare una presenza, quanto di rileggere un fenomeno “migrazione e lavoro” nella sua giusta complessità, dunque portando alla luce anche il ruolo sommerso e scontato di una parte dei suoi protagonisti, le donne”.