Ieri la La loro canzone
Oggi la nostra vita italobrasilana. Bravi
http://m.youtube.com/watch?v=HPAEJHW3phs
Um blog para difundir e aprofundar temas da presença italiana no Brasil, bem como valorizar o Made in Italy. Um espaço para troca de informações e conhecimento, compartilhando raízes comuns da italianidade que carregamos no sangue e na alma. A italianidade engloba a questão das nossas raízes italianas e também reserva um olhar para a linha do tempo, nela buscando e resgatando uma galeria de personagens famosos ou anônimos que, de alguma forma, inseriram seus nomes na História do Brasil.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
domingo, 9 de janeiro de 2011
Italiani: Rigoleto de Martino,o músico de Uberaba
O nome do italiano, Rigoleto Martino tem lugar na história da cidade de Uberaba, Minas Gerais, com destaque no campo da música, sido o compositor do hino do Uberaba Sport Club, além de marchas, dobradose valsas. E o que relata Arquivo Publico de Uberaba. .
"Filho de Antônio de Martino e Solamina De La Barba De Martino, nasceu em 29 de Junho de 1881, em Vila Arieli, na Itália. Descendente de família ligada à música, chegou ao Brasil em 1895 em companhia de sua mãe e dois irmãos. Vieram diretamente para Uberaba. Aqui já se encontrava o chefe da família sr. Antônio De Martino, que havia instalado uma indústria de pastíficio, na rua João Caetano, onde hoje existe o Hotel Modelo, sendo que mais tarde foi transferido para a rua Padre Zeferino.
Nesta cidade Rigoleto ingressou nas atividades industriais (pastífico) com seu pai e, posteriormente com uma bem montada destilaria. Na casa de Antônio de Martino, todos eram músicos. Ernani, era clarinetista e Giocondo Garibaldi, tocava piston. Rigoleto era compositor e tocava bombardino, e enquanto trabalhava na sua fábrica, estudava música. Foi aluno de música do professor Eloi Bernardes Ferreira.
Com o intuito de aperfeiçoar seus conhecimentos musicais adquiriu na Itália, através de amigos vários livros de harmonia e composição musical. Estudioso, dedicado e possuidor de fina sensibilidade artística, se tornou um grande musicista e inspirado compositor. Em 1910, Rigoleto De Martino fundou a "Corporação Musical Ítalo Brasileira", tornando-se seu maestro, regendo-a por cerca de 26 anos e compondo inúmeras peçasmusicais que foram por ela executadas.
Rigoleto exercitou-se tanto em música que adaptou para sua banda , às mais célebres óperas da época. Compôs de tudo. Desde música para aniversariantes, até obras mais complexas. Chegou mesmo a compor, uma missa completa. Foi o Hino do Uberaba Sport Club que o consagrou definitivamente e o perpetuou na memória do povo.
Para Rigoleto tudo era pretexto para compor: o aniversário de um parente, a morte de um irmão, a visita de um amigo, um jogador de futebol, uma visita a uma cidade, os familiares etc. Entre suas inúmeras obras musicais compôs: Marchas, valsas, dobrados, Hinos, Músicas para teatro, Habaneras, Xote, Polcas, Canções Sertanejas, Tango , Foxtrote, Mazurca, Tanguinho, Galope, Passo doble, Fantasia, Gavotte. Rigoleto de Martino foi por muitos anos tesoureiro da Societá de Mutuo Socorso Fratellanza Italiana, de Uberaba. Casou-se com Maria Jesuína da Costa, em 1909 nesta cidade, com quem teve os seguintes filhos: Fausto De Martino, Yolanda De Martino, Ítalo De Martino, Hilda deMartino, Ézio De Martino.
Faleceu em Uberaba, no dia 4 de julho de 1937, recebendo inúmeras homenagens póstumas. As mais recentes foram prestadas pela Banda do 4º Batalhão, que entregou á família uma medalha comemorativa, e um trofeu de música popular, entregue pelo Colégio Estadual, em cerimônia no Cine Teatro São Luis".
"Filho de Antônio de Martino e Solamina De La Barba De Martino, nasceu em 29 de Junho de 1881, em Vila Arieli, na Itália. Descendente de família ligada à música, chegou ao Brasil em 1895 em companhia de sua mãe e dois irmãos. Vieram diretamente para Uberaba. Aqui já se encontrava o chefe da família sr. Antônio De Martino, que havia instalado uma indústria de pastíficio, na rua João Caetano, onde hoje existe o Hotel Modelo, sendo que mais tarde foi transferido para a rua Padre Zeferino.
Nesta cidade Rigoleto ingressou nas atividades industriais (pastífico) com seu pai e, posteriormente com uma bem montada destilaria. Na casa de Antônio de Martino, todos eram músicos. Ernani, era clarinetista e Giocondo Garibaldi, tocava piston. Rigoleto era compositor e tocava bombardino, e enquanto trabalhava na sua fábrica, estudava música. Foi aluno de música do professor Eloi Bernardes Ferreira.
Com o intuito de aperfeiçoar seus conhecimentos musicais adquiriu na Itália, através de amigos vários livros de harmonia e composição musical. Estudioso, dedicado e possuidor de fina sensibilidade artística, se tornou um grande musicista e inspirado compositor. Em 1910, Rigoleto De Martino fundou a "Corporação Musical Ítalo Brasileira", tornando-se seu maestro, regendo-a por cerca de 26 anos e compondo inúmeras peçasmusicais que foram por ela executadas.
Rigoleto exercitou-se tanto em música que adaptou para sua banda , às mais célebres óperas da época. Compôs de tudo. Desde música para aniversariantes, até obras mais complexas. Chegou mesmo a compor, uma missa completa. Foi o Hino do Uberaba Sport Club que o consagrou definitivamente e o perpetuou na memória do povo.
Para Rigoleto tudo era pretexto para compor: o aniversário de um parente, a morte de um irmão, a visita de um amigo, um jogador de futebol, uma visita a uma cidade, os familiares etc. Entre suas inúmeras obras musicais compôs: Marchas, valsas, dobrados, Hinos, Músicas para teatro, Habaneras, Xote, Polcas, Canções Sertanejas, Tango , Foxtrote, Mazurca, Tanguinho, Galope, Passo doble, Fantasia, Gavotte. Rigoleto de Martino foi por muitos anos tesoureiro da Societá de Mutuo Socorso Fratellanza Italiana, de Uberaba. Casou-se com Maria Jesuína da Costa, em 1909 nesta cidade, com quem teve os seguintes filhos: Fausto De Martino, Yolanda De Martino, Ítalo De Martino, Hilda deMartino, Ézio De Martino.
Faleceu em Uberaba, no dia 4 de julho de 1937, recebendo inúmeras homenagens póstumas. As mais recentes foram prestadas pela Banda do 4º Batalhão, que entregou á família uma medalha comemorativa, e um trofeu de música popular, entregue pelo Colégio Estadual, em cerimônia no Cine Teatro São Luis".
sábado, 8 de janeiro de 2011
História (235 ) “Far l’ América (138 ): A colonização de Barão do Triunfo, no Rio Grande do Sul (2)
O início da imigração italiana no município gaúcho de Barão do Triunfo,no Rio Grande do Sul, é assim descrito no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE)
“Depois de alojados em seus lotes e adaptados ao meio, iniciou-se efetivamente a colonização. Mesmo sem tecnologia para a agricultura, as colheitas eram fartas, devido à fertilidade das terras. Cada grupo de imigrantes, por nacionalidade, produzia o que conhecia de seu país de origem. Sendo assim, os italianos, de imediato, plantaram seus parreirais, árvores frutíferas, hortaliças, etc.
A produção gradativamente foi aumentando. O excedente da produção passou a ser comercializado nas cidades próximas, como Barra do Ribeiro, Guaíba, Arroio dos Ratos e São Jerônimo. Eram os carroceiros da Vila que realizavam este transporte, partindo daqui com seus carroções puxados por burros, levavam os produtos que trocavam por outros aqui não existentes. Nesta viagem demoravam-se por volta de quinze dias entre ida e volta. Entre os produtos comercializados, destacavam-se o vinho, a cachaça, o trigo, o milho e o feijão.Nos primeiros anos, houve um período de progresso na localidade. Aproveitaram as quedas d'agua do local para instalarem pequenas serrarias, moinhos de trigo e milho, descascadeiras de arroz e, também, para produzir energia elétrica.
Porém, houve um fator que contribuiu decisivamente para o atraso do desenvolvimento do distrito de Barão do Triunfo, que foi o desastre ecológico ocorrido no dia 15 de janeiro de 1941, quando uma tromba d?agua, caracterizado como "enchente de 41" destruiu, em poucos minutos, residências, moinhos, serrarias, plantações, cantinas, criações, 33 pontes, pontilhões e até mesmo modificando a geografia nas proximidades do Arroio Baicuru, sendo que o próprio leito do arroio, em certos trechos, foi desviado pela violência das águas. Somente a ponte de Faxinal ficou em pé.
Durante 2 anos o Distrito ficou isolado do resto do município. Passou a faltar tudo. A agricultura foi destruída, e de fora nada podia chegar, pois não havia estradas, nem pontes, só a pé ou, raramente, a cavalo se podia ainda chegar ali. Muitos foram embora, para tentar a sorte em outro lugar.
Os que aqui permaneceram tiveram que recomeçar como seus antepassados. Após muita luta e perseveranças surgiram dias melhores.Um fator que contribuiu para minimizar o impacto da enchente foi a criação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais em Barão do Triunfo. Por iniciativa do vigário local, Padre José Wiest, oferecendo assistência social e assistência técnica aos trabalhadores rurais em geral. Em 23 de outubro de 1892 foi fundada na sede da Vila Barão do Triunfo uma sociedade denominada 'Società Fratellanza Italia', organizada pelos imigrantes de origem italiana, com o objetivo de congregar sócios para fins assistenciais e culturais. No ano de 1938, esta sociedade passa a se chamar: "Sociedade Beneficente e Recreativa Cruzeiro", devido ao Decreto Lei nº 383, de 18 de abril de 1938, baixada pelo governo da República, que exigia a nacionalização de todas as sociedades culturais e estrangeiras. Em 1980, o nome da sociedade é novamente alterado, passando a se chamar "Sociedade Cultural e Recreativa Cruzeiro”.
“Depois de alojados em seus lotes e adaptados ao meio, iniciou-se efetivamente a colonização. Mesmo sem tecnologia para a agricultura, as colheitas eram fartas, devido à fertilidade das terras. Cada grupo de imigrantes, por nacionalidade, produzia o que conhecia de seu país de origem. Sendo assim, os italianos, de imediato, plantaram seus parreirais, árvores frutíferas, hortaliças, etc.
A produção gradativamente foi aumentando. O excedente da produção passou a ser comercializado nas cidades próximas, como Barra do Ribeiro, Guaíba, Arroio dos Ratos e São Jerônimo. Eram os carroceiros da Vila que realizavam este transporte, partindo daqui com seus carroções puxados por burros, levavam os produtos que trocavam por outros aqui não existentes. Nesta viagem demoravam-se por volta de quinze dias entre ida e volta. Entre os produtos comercializados, destacavam-se o vinho, a cachaça, o trigo, o milho e o feijão.Nos primeiros anos, houve um período de progresso na localidade. Aproveitaram as quedas d'agua do local para instalarem pequenas serrarias, moinhos de trigo e milho, descascadeiras de arroz e, também, para produzir energia elétrica.
Porém, houve um fator que contribuiu decisivamente para o atraso do desenvolvimento do distrito de Barão do Triunfo, que foi o desastre ecológico ocorrido no dia 15 de janeiro de 1941, quando uma tromba d?agua, caracterizado como "enchente de 41" destruiu, em poucos minutos, residências, moinhos, serrarias, plantações, cantinas, criações, 33 pontes, pontilhões e até mesmo modificando a geografia nas proximidades do Arroio Baicuru, sendo que o próprio leito do arroio, em certos trechos, foi desviado pela violência das águas. Somente a ponte de Faxinal ficou em pé.
Durante 2 anos o Distrito ficou isolado do resto do município. Passou a faltar tudo. A agricultura foi destruída, e de fora nada podia chegar, pois não havia estradas, nem pontes, só a pé ou, raramente, a cavalo se podia ainda chegar ali. Muitos foram embora, para tentar a sorte em outro lugar.
Os que aqui permaneceram tiveram que recomeçar como seus antepassados. Após muita luta e perseveranças surgiram dias melhores.Um fator que contribuiu para minimizar o impacto da enchente foi a criação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais em Barão do Triunfo. Por iniciativa do vigário local, Padre José Wiest, oferecendo assistência social e assistência técnica aos trabalhadores rurais em geral. Em 23 de outubro de 1892 foi fundada na sede da Vila Barão do Triunfo uma sociedade denominada 'Società Fratellanza Italia', organizada pelos imigrantes de origem italiana, com o objetivo de congregar sócios para fins assistenciais e culturais. No ano de 1938, esta sociedade passa a se chamar: "Sociedade Beneficente e Recreativa Cruzeiro", devido ao Decreto Lei nº 383, de 18 de abril de 1938, baixada pelo governo da República, que exigia a nacionalização de todas as sociedades culturais e estrangeiras. Em 1980, o nome da sociedade é novamente alterado, passando a se chamar "Sociedade Cultural e Recreativa Cruzeiro”.
História (234 ) “Far l’ América (137 ): A colonização de Barão do Triunfo, no Rio Grande do Sul (1)
O município gaúcho de Barão do Triunfo, tem seu
desenvolvimento intimamente ligado á imigração européia, em particular a
italiana, conforme relato do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística
(IBGE)
”Em 1888, o governo da Província do Rio grande do Sul, resolveu demarcar as terras localizadas na Serra do Herval, sendo criada a sede do 1º distrito de São Jerônimo chamada de colônia de Barão do Triunfo.
No dia 16 de abril de 1889, a embarcação que trazia o restante dos imigrantes ancorou no porto da capital Gaúcha, Porto Alegre. Ao desembarcarem do navio Solferino, as famílias foram distribuídas em grupos de vinte pessoas e colocadas em pequenos barcos para seguirem viagem pelo Rio Jacuí em direção ao Município de são Jerônimo. Chegando à localidade conhecida como Charqueadas (hoje um Município da região Carbonífera).
Dias depois, os
imigrantes foram trazidos para um local conhecido como Faxinal. De Charqueadas
até o Faxinal, os imigrantes trouxeram os seus pertences em carretas puxadas a
bois.
O distrito de Barão do Triunfo pertencia ao município de São Jerônimo, com uma área de aproximadamente 16.000 hectares, estando distante da sede do município 63 quilômetros. “Sua situação geográfica é 8º36’30” a oeste do Rio de Janeiro, latitude sul, e está situada a 260 metros acima do nível do mar.
O início do município
ocorreu em 1889, quando imigrantes europeus ali chegaram. Desembarcaram em
Charqueadas, porto do Rio Jacuí. Daí rumaram em carroças puxadas por bois até o
local chamado Faxinal, onde foram alojados em barracões construídos pelo
Governo, até se instalarem definitivamente nos lotes de imigração.
Partindo de Faxinal, com suas famílias e todos os seus
pertences (ferramentas rudimentares, tais como: foice, machados, picão,
enxadas, facões, fornecidas pelo Governo da Província), iam abrindo seu próprio
caminho e traçando seu próprio destino. A caminhada foi penosa. Em todo o
caminho foram encontradas dificuldades que retardavam o avanço, tais como
animais selvagens, matas de difícil penetração, terreno acidentado, etc.
Chegando ao local de destino, os lotes já estavam demarcados e os imigrantes foram distribuídos por linhas demarcadas. Sendo assim os italianos foram assentados na Linha Dona Francisca, Dona Amália, Estrada Geral e no local que havia sido destinado para sede da Colônia de Barão do Triunfo, nome este escolhido em homenagem ao grande General José Joaquim de Andrade Neves, que se destacou na guerra dos farrapos, entre 1835 e 1845”
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Italianità – O jeito de ser italiano na literatura de Alcântara Machado (4)
Assim começa a obra Brás, Bexiga e Barra Funda, livro que eternizou o nome de Antonio de Alcântara Machado na história da literatura brasileira.
"ARTIGO
DE FUNDO
Assim
como quem nasce homem de bem deve ter a fronte altiva, quem nasce jornal deve
ter artigo de fundo. A fachada explica o resto.
Este
livro não nasceu livro: nasceu jornal. Estes contos não nasceram contos:
nasceram
notícias.
E este prefácio portanto também não nasceu prefácio: nasceu artigo de fundo.
Brás,
Bexiga e Barra Funda é o órgão dos ítalo-brasileiros de São Paulo.
Durante
muito tempo a nacionalidade viveu da mescla de três raças que os poetas
xingaram de tristes: as três raças tristes. A primeira, as caravelas
descobridoras encontraram aqui comendo gente e desdenhosa de "mostrar suas
vergonhas". A segunda veio nas caravelas. Logo os machos sacudidos desta
se enamoraram das moças "bem gentis" daquela, que tinham cabelos
"mui pretos, compridos pelas espadoas". E nasceram os primeiros
mamalucos. A terceira veio nos porões dos navios negreiros trabalhar o solo e
servir a gente. Trazendo outras moças gentis, mucamas, mucambas, munibandas,
macumas. E nasceram os segundos mamalucos.
E os
mamalucos das duas fornadas deram o empurrão inicial no Brasil. O colosso
começou a rolar. Então os transatlânticos trouxeram da Europa outras raças
aventureiras. Entre elas uma alegre que pisou na terra paulista cantando e na
terra brotou e se alastrou como aquela planta também imigrante que há duzentos
anos veio fundar a riqueza brasileira.
Do
consórcio da gente imigrante com o ambiente, do consórcio da gente imigrante
com a
indígena
nasceram os novos mamalucos. Nasceram os intalianinhos. O Gaetaninho. A
Carmela.
Brasileiros
e paulistas. Até bandeirantes.
E o
colosso continuou rolando. No começo a arrogância indígena perguntou meio
zangada:
Carcamano
pé-de-chumbo
Calcanhar
de frigideira
Quem
te deu a confiança
De
casar com brasileira?
O
pé-de-chumbo poderia responder tirando o cachimbo da boca e cuspindo de lado: A
brasileira, per Bacco!
Mas
não disse nada. Adaptou-se. Trabalhou. Integrou-se. Prosperou.
E o
negro violeiro cantou assim:
Italiano
grita
Brasileiro
fala
Viva
o Brasil
E
a bandeira da Itália!
Brás,
Bexiga e Barra Funda, como membro da livre imprensa que é,
tenta fixar tão somente alguns aspectos da vida trabalhadeira, íntima e
quotidiana desses novos mestiços nacionais e nacionalistas. É um jornal. Mais
nada. Notícia. Só. Não tem partido nem ideal. Não comenta. Não discute. Não
aprofunda.
Principalmente
não aprofunda. Em suas colunas não se encontra uma única linha de doutrina.
Tudo
são fatos diversos. Acontecimentos de crônica urbana. Episódios de rua. O
aspecto étnicosocial dessa novísima raça de gigantes encontrará amanhã o seu
historiador. E será então analisado e pesado num livro.
Brás,
Bexiga e Barra Funda não é um livro. Inscrevendo em sua coluna de
honra os nomes de alguns ítalo-brasileiros ilustres este jornal rende uma
homenagem à força e às virtudes da nova fornada mamaluca. São nomes de literatos,
jornalistas, cientistas, políticos, esportistas, artistas e industriais. Todos
eles figuram entre os que impulsionam e nobilitam neste momento a vida
espiritual e material de São Paulo.
Brás,
Bexiga e Barra Funda não é uma sátira.
A REDAÇÃO"
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Historia ( 233) - "Far l'Amercia (136 )": Ecos da imigração italiana no Espírito Santo ( 2)
No texto "O
discurso da italianidade no Espírito Santo: realidade ou mito construído?", Maria Cristina Dadalto,
doutora em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e
professora do Centro Universitário Vila Velha (ES), analisa a imigração italiana
a partir de obras lierárias como o livro La vita de Vittorio: diário de um
imigrante, de autoria de Douglas Puppin, com base no diário do imigrante
Vittorio De Monti repleto de registros cotidianos, fotos , cartas entre outros
documentos.
“Já assentado no
território capixaba (Vittorio De Monti), explicita as expectativas e ansiedades
dos membros da colônia italiana, a ação presente no cotidiano por meio dos
mecanismos prescritivos e normativos em sua ordem social e os lastros que
mantinham com a terra de origem:
‘ Era a primeira reunião de professores que
ensinavam o italiano no Estado e nela estavam presentes (...). O homem falava
bem, estava bem vestido e foi logo entrando no assunto: primeiro agradecia em
nome do governo italiano o trabalho que vinha sendo feito por nós professores,
que precisamos ensinar bem os nossos alunos; fornecer para eles os cadernos e
livros; ensinar tudo sobre a Itália nossa querida terra natal; mostrar a eles
que a Itália tinha que estar no coração de cada um (...) (PUPPIN, 1994, p. 47)’.
“
“Na narrativa de
Vittorio, se apresenta também a dificuldade da população de se manter nas
colônias, isoladas da capital, sem amparo de serviços de saúde e comerciais, e
as estratégias criadas para superá-las:
‘ (...) há necessidade de fundar-se uma sociedade em
benefício dos italianos e foi assim que se fundou a: Fratellanza Agrícola di
Beneficenza Societá di Alfredo Chaves – Carita – Pátria – Instruzione – Lavoro.
“Uno per Tutti – Tutti per Uno’ (PUPPIN, 1994, p. 143)’.
Contando a história
de Vittorio, Puppin oferece a possibilidade de se conhecer a realidade
experimentada pelos imigrantes e os meios que buscaram para solucionar
coletivamente suas dificuldades. Assim, fundaram associações culturais,
agrícolas, entre outras, tecidas no inventário de suas memórias e
representações da experiência vivida por eles próprios ou por seus pais e avós
na Itália”.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Italianità: O jeito de ser italiano na literatura de Alcântara Machado (3)
Brás Bexiga e Barra Funda, obra de Antonio de Alcântara Machado, deve ser
lido, levando-se em conta alerta do próprio autor. ‘Este livro não nasceu
livro: nasceu jornal. Estes contos não nasceram contos: nasceram notícias. E este
prefácio portanto também não nasceu prefácio: nasceu artigo de fundo’..
“O processo narrativo em Brás, Bexiga e
Barra Funda está apoiado no diálogo, ou seja, no discurso direto, em que a fala
das personagens é revelada ao leitor com o máximo de naturalidade, afastando a
presença do narrador e aproximando-a dos personagens na busca de melhor
caracterizá-los e também ao seu contexto, expondo a carga emotiva e os valores
que permeiam as suas ações. Brás, Bexiga e Barra Funda busca, através da
linguagem, marcar os registros de fala coloquial e mestiça que predominavam no início
do século, principalmente nos bairros que dão nome à obra, além de romper com
as formas expressivas e as estruturas já cristalizadas pelo uso generalizado.
Há uma fusão de gêneros literário,
jornalístico e publicitário, que causa estranhamento ao leitor quando se
depara, por exemplo, com um anúncio em letras maiúsculas, sem nenhum texto
introdutório em “Amor e sangue”: Há uma crítica não-velada à discriminação
social e de grupos estrangeiros que perpassa toda a obra, como se pode observar
em ‘Lisetta’, no orgulho da mãe da menina rica e na provocação desta à
italianinha pobre; no apontar para a falta de ética que vai se delineando no
percurso da narrativa de “Nacionalidade e ‘Armazém’; no mapeamento da busca do status econômico
a qualquer preço quando a esposa do Conselheiro José Bonifácio, que não
permitia o casamento de sua filha com o filho do carcamano, já não vê mais
obstáculos após vislumbrar grande futuro em uma sociedade comercial entre o
marido e o Cav.Uff.Salvatore Melli; na denúncia explícita em relação aos que
têm poder em “O Monstro de Rodas”, com a afirmação: “Filho de rico manda nesta
terra que nem a Light”, e no olhar poético para a infância interrompida de
Gaetaninho, cujo sonho era andar de carro e morre atropelado por um bonde
quando na partida e bola “o jogo na calçada parecia de vida e morte”. (Fonte: CPV EDUCACIONAL)
Assinar:
Postagens (Atom)