No site da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) o trabalhoA imigração como fator para o desenvolvimento econômico e diversidade cultural: estudo de caso do município de Piracicaba – SP dá uma pincelada na italinidade em Piracicba, interior de São Paulo, focando brevemente as figuras de Mario e Armando Dedini, o pioneiro imigrante italiano que fundaria as bases de bem sucedido grupo agroindustrial.
A imigração como fator para o idesenvolvimento
econômico e diversidade cultural: estudo de caso
do município de Piracicaba – SP
I
" ITALIANOS
- Esses imigrantes se destacaram pela forte contribuição demográfica e cultural, desde o
inicio do séc. XX, em virtude do grande fluxo imigratório. Ao longo desse século chegaram
a obter grandes representatividades socioeconômicas, culturais e política. Há registros que
em 1905, pelo menos metade dos habitantes do município de Piracicaba era de origem
italiana. A cultura italiana foi de forte influência para a formação econômica e cultural do
município.
Somente durante a Segunda Guerra Mundial, os hinos italianos, comum nas
rádios piracicabanas, foram proibidos.
Os clubes beneficentes formados pelos italianos, como o Mutuo Soccorso e Circolo
Italiano Cristofaro Colombo, 'abrasileiraram' seus nomes para não serem perseguidos.
Nos detalhes arquitetônicos do município, encontramos diversas construções com
características da arquitetura italiana. Desde de 1887, após restauração no ano de 1997, o
Clube Ítalo Brasileiro – Sociedade Italiana de Mútuo Socorro, mantém atividades inerentes
à cultura italiana, como exemplo; ensino da língua, festas típicas, exposições, como formas
de manter as tradições.
A presença italiana no campo ainda é muito forte e mesmo com o êxodo rural, muitos
permaneceram fieis a terra.
Um caso típico de imigração e permanência no campo foi a
formação dos bairros rurais de Santana e Santa Olímpia, formada por um grupo de tiroleses,
provenientes da Província de Trento, então território sob domínio austríaco, que em
conseqüência da política européia, passava por miséria, sendo assolada pela fome e falta de
trabalho.
Os trentinos vieram para o Brasil no ano de 1877 e em Piracicaba, no ano de 1893, as
famílias Vitti e Forti e seus descendentes se juntaram na fazenda Sant Anna. A partir de
1910, como parte da cultura trentina começaram a dividir a fazenda entre os descendentes.
Os tiroleses de Piracicaba foram os únicos do estado de São Paulo que
permaneceram em comunidade, preservando toda uma cultura e tradição. Se o
compararmos com os de outros estados do Brasil, como os do Rio Grande do
Sul, do Espírito Santo, do Paraná e de Santa Catarina, percebemos que são eles
os que têm características mais originais preservadas até hoje, inclusive no
aspecto físico: loiros de olhos azuis. Isso se deve, em parte, ao fato de se
casarem com parentes. (Leme, 2001 p.74).
Um imigrante italiano que se destacou na formação econômica de Piracicaba foi Mário
Dedini. Chegou em Piracicaba em 1914 , acompanhado do irmão Armando e em 1920,
compraram uma pequena oficina de consertos de carroças e charretes para fabricação e
consertos de veículos e utensílios agrícolas.
Com a morte do irmão Armando, em 1926,
Mário assume os negócios da oficina, transformando seu pequeno negócio em grande
complexo industrial, formado por empresas que atuam em diversos setores da economia
nacional.
A década de 1930 favoreceu a modernização dos antigos engenhos, com a criação do
IAA – Instituto do Açúcar e do Álcool que determinou o aumento da produção de açúcar no
Estado de São Paulo. Hábil negociante, Dedini entrou como sócio em vários
empreendimentos e dez anos mais tarde já vendia usinas de fabricação própria e abria novas
empresas, estabelecendo o Grupo Dedini".
Um blog para difundir e aprofundar temas da presença italiana no Brasil, bem como valorizar o Made in Italy. Um espaço para troca de informações e conhecimento, compartilhando raízes comuns da italianidade que carregamos no sangue e na alma. A italianidade engloba a questão das nossas raízes italianas e também reserva um olhar para a linha do tempo, nela buscando e resgatando uma galeria de personagens famosos ou anônimos que, de alguma forma, inseriram seus nomes na História do Brasil.
domingo, 7 de março de 2010
Italianità: Caminhos de Pedra, roteiro das raízes italianas na serra gaúcha (3)
Os Caminhos de Pedra , rota da italianidade na serra gaúcha, indicam mais de 50 pontos de Observação Externa do patrimônio arquitetônico e da paisagem local. A seguir alguns desses locais.
Casa Gilmar Cantelli
"Totalmente construída em pedra irregular. Entre 1877 e 1883 foi propriedade de Giovanni Carlin. Desde 1920 é propriedade da família Cantelli. É um dos exemplares mais rústicos e que melhor conservam a arquitetura dos primeiros tempos da imigração. Devido à mudança de traçado da estrada ficou desabitada por mais de 40 anos. Por iniciativa da Associação Caminhos de Pedra teve seu restauro acompanhado pelo arquiteto Fernando Pasquali, a partir de 2001. De abril de 2003 até abril de 2009 foi moradia e atelier do escultor João Bez Batti".
Casarão Barp
"Construído por Tomaso Barp por volta de 1915. Está localizado bem no centro da vila.
É bem representativo do período do apogeu da arquitetura colonial italiana, um dos poucos exemplares que não teve "amputado" o seu andar superior.
O porão é de pedras regulares e a casa, de dois pisos, totalmente em madeira com tábuas inteiriças de 7 metros.
Observam-se ainda os vestígios da cozinha separada, característica da época, e o forno”.
Casa Gilmar Cantelli
"Totalmente construída em pedra irregular. Entre 1877 e 1883 foi propriedade de Giovanni Carlin. Desde 1920 é propriedade da família Cantelli. É um dos exemplares mais rústicos e que melhor conservam a arquitetura dos primeiros tempos da imigração. Devido à mudança de traçado da estrada ficou desabitada por mais de 40 anos. Por iniciativa da Associação Caminhos de Pedra teve seu restauro acompanhado pelo arquiteto Fernando Pasquali, a partir de 2001. De abril de 2003 até abril de 2009 foi moradia e atelier do escultor João Bez Batti".
Casarão Barp
"Construído por Tomaso Barp por volta de 1915. Está localizado bem no centro da vila.
É bem representativo do período do apogeu da arquitetura colonial italiana, um dos poucos exemplares que não teve "amputado" o seu andar superior.
O porão é de pedras regulares e a casa, de dois pisos, totalmente em madeira com tábuas inteiriças de 7 metros.
Observam-se ainda os vestígios da cozinha separada, característica da época, e o forno”.
Italianità: Caminhos de Pedra, roteiro das raízes italianas na serra gaúcha (2)
No Caminhos de Pedra, roteiro da italianidade na serra gaúcha, os chamados Pontos de Visitação (13 no total, mas em expansão) são propriedades particulares de descendentes dos imigrantes, com atendimento realizado geralmente pelos proprietários, onde há demonstração e/ou degustação e explicação local. Por esse motivo em alguns locais é cobrada uma taxa por visitante.
Abaixo alguns a descrição de alguns desses locais
Restaurante Nona Luidia - Casa Bertarello
“Casa construída por volta de 1880 pelo imigrante Giuseppe Dall'Acqua. Foi adquirida pela família Bertarello, por volta de 1925, e rebocada em 1930, ficando totalmente descaracteriza por mais de 60 anos. Em 1984 readquiriu a beleza original sendo a primeira casa restaurada pelo Projeto Cultural Caminhos de Pedra. Atualmente é propriedade de Hari Bertarello, e abriga restaurante típico colonial italiano dirigido pelas famílias Casagrande e Cantelli. Ao lado da casa destaca-se a enorme Maria Mole (ou Umbu) sob seu tronco e raízes forma uma pequena gruta que era utilizada como abrigo pelos primeiros imigrantes”.
Casa da Tecelagem
"O velho casarão construído pelo imigrante Ângelo Giacomin em 1915 no município de Flores da Cunha - Travessão Hortência - Lote N° 50, foi desmontado e transferido para São Pedro em 2004. Manteve todas as características originais, sendo-lhe acrescentado o porão em pedras irregulares. No velho casarão relocado passou a instalar-se em dezembro de 2008 a Casa da Tecelagem, propriedade da família de Justina Foresti Cavalet, mantendo a produção manual de tecidos, (mantas, tapetes, etc.) em históricos teares artesanais. Além de presenciar o processo de produção o visitante poderá adquirir artigos confeccionados na casa".
Abaixo alguns a descrição de alguns desses locais
Restaurante Nona Luidia - Casa Bertarello
“Casa construída por volta de 1880 pelo imigrante Giuseppe Dall'Acqua. Foi adquirida pela família Bertarello, por volta de 1925, e rebocada em 1930, ficando totalmente descaracteriza por mais de 60 anos. Em 1984 readquiriu a beleza original sendo a primeira casa restaurada pelo Projeto Cultural Caminhos de Pedra. Atualmente é propriedade de Hari Bertarello, e abriga restaurante típico colonial italiano dirigido pelas famílias Casagrande e Cantelli. Ao lado da casa destaca-se a enorme Maria Mole (ou Umbu) sob seu tronco e raízes forma uma pequena gruta que era utilizada como abrigo pelos primeiros imigrantes”.
Casa da Tecelagem
"O velho casarão construído pelo imigrante Ângelo Giacomin em 1915 no município de Flores da Cunha - Travessão Hortência - Lote N° 50, foi desmontado e transferido para São Pedro em 2004. Manteve todas as características originais, sendo-lhe acrescentado o porão em pedras irregulares. No velho casarão relocado passou a instalar-se em dezembro de 2008 a Casa da Tecelagem, propriedade da família de Justina Foresti Cavalet, mantendo a produção manual de tecidos, (mantas, tapetes, etc.) em históricos teares artesanais. Além de presenciar o processo de produção o visitante poderá adquirir artigos confeccionados na casa".
sábado, 6 de março de 2010
Italianità: Caminhos de Pedra, roteiro das raízes italianas na serra gaúcha (1)
Idealizado pelo engenheiro Tarcísio Vasco Michelon e arquiteto Júlio Posenato o roteiro Caminhos de Pedra visa a resgatar a cultura que os imigrantes italianos trouxeram à serra gaúcha desde 1875. O site Caminhos de Pedra conta as origens desse projeto
“O projeto surgiu a partir de um levantamento do acervo arquitetônico de todo o interior do município de Bento Gonçalves, realizado no ano de 1987. Constatou-se então que o Distrito de São Pedro, composto por 7 comunidades, (São Pedro, São Miguel, Barracão, São José da Busa, Cruzeiro, Santo Antonio e Santo Antoninho) possuía o maior número de casas antigas, conservava sua cultura e história, tinha acesso fácil e, conseqüentemente, um grande potencial turístico, apesar da decadência e abandono por que passou na década de 1960-70 com a mudança de traçado da rodovia que ligava Porto Alegre ao norte do Estado”.
“Esse precioso acervo material, parcialmente abandonado e esquecido, exigia uma ação rápida para não ter a mesma sorte de tantas e tantas casas de pedra, madeira e alvenaria que acabaram ruindo ou sendo demolidas. Com recursos do Hotel Dall’Onder algumas casas foram restauradas e passaram a receber visitação. O primeiro grupo de turistas proveniente de São Paulo, pertencentes à Agência CVC foi recebido na Cantina Strapazzon em 30 de maio de 1992”.
“O sucesso do novo roteiro animou tanto os idealizadores quanto a comunidade. Em 10 de julho de 1997, com assessoria do SEBRAE foi fundada a Associação Caminhos de Pedra, congregando empreendedores e simpatizantes. Montou-se então um projeto abrangente que contemplava o resgate de todo o patrimônio cultural, não só o arquitetônico, envolvendo língua, folclore, arte, habilidades manuais, etc. Este ambicioso projeto foi aprovado pelo Conselho Estadual de Cultura no ano 1998 passando a partir de então a captar recursos das empresas locais através do Sistema LIC (Lei de Incentivo à Cultura do Estado do RS)”.
“Considerado pioneiro no seu segmento o roteiro Caminhos de Pedra é referência nacional e internacional tendo sido tema de muitos estudos e teses em termos de turismo cultural e rural, arquitetura, patrimônio histórico, empreendedorismo e administração entre outros”.
“Atualmente a Associação Caminhos de Pedra conta com cerca de 60 associados e o projeto, considerado pioneiro no Brasil em termos de turismo rural e cultural, está recebendo uma visitação média anual de 50.000 turistas. O roteiro está em expansão e possui 13 pontos de Visitação e 53 pontos de Observação Externa (assinalados no mapa com letra verde). Considera-se como área de abrangência do Projeto a Linha Palmeiro, por enquanto a parte que pertence ao município de Bento Gonçalves, mas a idéia é expandir o projeto até à cidade de Caxias do Sul, passando por Caravaggio”.
“O projeto surgiu a partir de um levantamento do acervo arquitetônico de todo o interior do município de Bento Gonçalves, realizado no ano de 1987. Constatou-se então que o Distrito de São Pedro, composto por 7 comunidades, (São Pedro, São Miguel, Barracão, São José da Busa, Cruzeiro, Santo Antonio e Santo Antoninho) possuía o maior número de casas antigas, conservava sua cultura e história, tinha acesso fácil e, conseqüentemente, um grande potencial turístico, apesar da decadência e abandono por que passou na década de 1960-70 com a mudança de traçado da rodovia que ligava Porto Alegre ao norte do Estado”.
“Esse precioso acervo material, parcialmente abandonado e esquecido, exigia uma ação rápida para não ter a mesma sorte de tantas e tantas casas de pedra, madeira e alvenaria que acabaram ruindo ou sendo demolidas. Com recursos do Hotel Dall’Onder algumas casas foram restauradas e passaram a receber visitação. O primeiro grupo de turistas proveniente de São Paulo, pertencentes à Agência CVC foi recebido na Cantina Strapazzon em 30 de maio de 1992”.
“O sucesso do novo roteiro animou tanto os idealizadores quanto a comunidade. Em 10 de julho de 1997, com assessoria do SEBRAE foi fundada a Associação Caminhos de Pedra, congregando empreendedores e simpatizantes. Montou-se então um projeto abrangente que contemplava o resgate de todo o patrimônio cultural, não só o arquitetônico, envolvendo língua, folclore, arte, habilidades manuais, etc. Este ambicioso projeto foi aprovado pelo Conselho Estadual de Cultura no ano 1998 passando a partir de então a captar recursos das empresas locais através do Sistema LIC (Lei de Incentivo à Cultura do Estado do RS)”.
“Considerado pioneiro no seu segmento o roteiro Caminhos de Pedra é referência nacional e internacional tendo sido tema de muitos estudos e teses em termos de turismo cultural e rural, arquitetura, patrimônio histórico, empreendedorismo e administração entre outros”.
“Atualmente a Associação Caminhos de Pedra conta com cerca de 60 associados e o projeto, considerado pioneiro no Brasil em termos de turismo rural e cultural, está recebendo uma visitação média anual de 50.000 turistas. O roteiro está em expansão e possui 13 pontos de Visitação e 53 pontos de Observação Externa (assinalados no mapa com letra verde). Considera-se como área de abrangência do Projeto a Linha Palmeiro, por enquanto a parte que pertence ao município de Bento Gonçalves, mas a idéia é expandir o projeto até à cidade de Caxias do Sul, passando por Caravaggio”.
Arquitetura e Construção: legado dos italianos no Rio Grande do Sul (2)
Carlos Alberto Avila Santos autor do trabalho Construtores italianos no ecletismo arquitetônico do Sul do Rio Grande do Sul traça perfis dos arquitetos e construtores italianos que ajudaram a urbanizar cidades gaúchas, no final do século XIX.
"O italiano José Isella contribuiu para a introdução da estética eclética nas fachadas edificadas no espaço urbano de Pelotas. Aos vinte e um anos veio para a América do Sul com o pai e um irmão, no ano de 1864, como fizeram vários imigrantes que se dirigiram ao Novo Mundo em busca de trabalho. Depois de um período em Buenos Aires, o construtor italiano chegou a Pelotas juntamente com o irmão Bartolomeo, provavelmente em 1867. Os dois irmãos se engajaram nas obras de edifícios ecléticos erguidos na cidade. José executava os projetos e Bartolomeo trabalhava como construtor. Uma das primeiras obras realizadas foi a residência do charqueador Felisberto Gonçalves Braga, em 1871, mais tarde adquirida pelo Clube Comercial e transformada em sede social".
"O italiano Guilherme Marcucci nasceu em San Geminiano, na região da Toscana, no ano de 1838. Estabelecido em Pelotas, colaborou em reformas e acréscimos nos Hospitais da Santa Casa e da Beneficência Portuguesa.14 Na Santa Casa de Misericórdia, como já foi assinalado, entre os anos de 1877 e 1884, trabalhou juntamente com José Isella na edificação da capela de São João Batista, que apresenta cúpulas de características da Renascença e frontão ornamentado com o brasão imperial e esculturas alegóricas da Fé e da Caridade. Guilherme Marcucci faleceu em Pelotas em maio de 1901".
"Os irmãos Davi e Carlos Zanotta migraram da Itália para o Brasil em 1870, aportaram em Montevidéu e dirigiram-se em seguida para Pelotas, onde firmaram contrato com a Intendência Municipal no mês de maio de 1871. O mais velho, Davi, era engenheiro hidráulico. Carlos era especialista em cantaria. Logo em seguida se somou aos primeiros o irmão caçula, Luis. Os Zanotta participaram da implantação de parte das canalizações das redes de água da Hidráulica Pelotense, das colocações de penas nas casas e da instalação dos chafarizes no espaço urbano da cidade".
"O italiano José Isella contribuiu para a introdução da estética eclética nas fachadas edificadas no espaço urbano de Pelotas. Aos vinte e um anos veio para a América do Sul com o pai e um irmão, no ano de 1864, como fizeram vários imigrantes que se dirigiram ao Novo Mundo em busca de trabalho. Depois de um período em Buenos Aires, o construtor italiano chegou a Pelotas juntamente com o irmão Bartolomeo, provavelmente em 1867. Os dois irmãos se engajaram nas obras de edifícios ecléticos erguidos na cidade. José executava os projetos e Bartolomeo trabalhava como construtor. Uma das primeiras obras realizadas foi a residência do charqueador Felisberto Gonçalves Braga, em 1871, mais tarde adquirida pelo Clube Comercial e transformada em sede social".
"O italiano Guilherme Marcucci nasceu em San Geminiano, na região da Toscana, no ano de 1838. Estabelecido em Pelotas, colaborou em reformas e acréscimos nos Hospitais da Santa Casa e da Beneficência Portuguesa.14 Na Santa Casa de Misericórdia, como já foi assinalado, entre os anos de 1877 e 1884, trabalhou juntamente com José Isella na edificação da capela de São João Batista, que apresenta cúpulas de características da Renascença e frontão ornamentado com o brasão imperial e esculturas alegóricas da Fé e da Caridade. Guilherme Marcucci faleceu em Pelotas em maio de 1901".
"Os irmãos Davi e Carlos Zanotta migraram da Itália para o Brasil em 1870, aportaram em Montevidéu e dirigiram-se em seguida para Pelotas, onde firmaram contrato com a Intendência Municipal no mês de maio de 1871. O mais velho, Davi, era engenheiro hidráulico. Carlos era especialista em cantaria. Logo em seguida se somou aos primeiros o irmão caçula, Luis. Os Zanotta participaram da implantação de parte das canalizações das redes de água da Hidráulica Pelotense, das colocações de penas nas casas e da instalação dos chafarizes no espaço urbano da cidade".
Arquitetura e Construção: legado dos italianos no Rio Grande do Sul (1)
Na pesquisa sobre o legado da imigração italiana na história do Brasil, há quem se ocupe do campo da arquitetura. É o caso de Carlos Alberto Avila Santos autor do trabalho Construtores italianos no ecletismo arquitetônico do Sul Do Rio Grande do Sul .
“Em Rio Grande, Pelotas e Bagé, o estilo de origem européia foi introduzido por construtores italianos. Nas três últimas décadas do século XIX, os projetos arquitetônicos realizados se caracterizaram por edificações assobradadas com composições tripartidas, de influência italiana. No sentido vertical são compostas pelo porão alto, pela fachada propriamente dita e pelo coroamento feito pelas platibandas e frontões, enriquecidas com elementos funcionais e ornamentais de estuque, de ferro fundido ou forjado e de estátuas de louça. No sentido horizontal são divididas em três módulos, onde o central é destacado dos laterais através de reentrâncias ou saliências, destaque reforçado pelas pilastras e pelos frontões que o arrematam.
"Nas três primeiras décadas do século XX, se somaram às características italianas as influências francesa, germânica e inglesa, introduzidas por novos construtores. Entre os imigrantes atuantes nas obras de engenharia e arquitetura, destacamos nas cidades de Rio Grande, Pelotas e Bagé os italianos Bartolomeu Isella, José Isella, Guilherme Marcucci, Davi Zanotta, Carlos Zanotta, Luis Zanotta, Jerônimo Casaretto, José Obino, Pedro Obino, Sebastião Obino5 e Domingos Rocco” foto: (Biblioteca Pública em Pelotas - projeto de José Isella - fonte Prefeitura Municipal)
“Em Rio Grande, Pelotas e Bagé, o estilo de origem européia foi introduzido por construtores italianos. Nas três últimas décadas do século XIX, os projetos arquitetônicos realizados se caracterizaram por edificações assobradadas com composições tripartidas, de influência italiana. No sentido vertical são compostas pelo porão alto, pela fachada propriamente dita e pelo coroamento feito pelas platibandas e frontões, enriquecidas com elementos funcionais e ornamentais de estuque, de ferro fundido ou forjado e de estátuas de louça. No sentido horizontal são divididas em três módulos, onde o central é destacado dos laterais através de reentrâncias ou saliências, destaque reforçado pelas pilastras e pelos frontões que o arrematam.
"Nas três primeiras décadas do século XX, se somaram às características italianas as influências francesa, germânica e inglesa, introduzidas por novos construtores. Entre os imigrantes atuantes nas obras de engenharia e arquitetura, destacamos nas cidades de Rio Grande, Pelotas e Bagé os italianos Bartolomeu Isella, José Isella, Guilherme Marcucci, Davi Zanotta, Carlos Zanotta, Luis Zanotta, Jerônimo Casaretto, José Obino, Pedro Obino, Sebastião Obino5 e Domingos Rocco” foto: (Biblioteca Pública em Pelotas - projeto de José Isella - fonte Prefeitura Municipal)
História (98 ) - "Far l´America (57)" : Igreja e a inserção do imigrante italiano na colonização de Limeira, interior de São Paulo
No trabalho desenvolvido por Marcel Camargo Silveira na Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp), Imigração Italiana em Limeira-SP: Terra, Política e Instrução Escolar (1880-1900) fica evidente a importância do clero na organização social do núcleo colonial de Cascalho.
"A descrição do local se descortina por meio das descrições feitas por sacerdotes que prestavam o serviço religioso na localidade, como, por exemplo, o padre Pedro Dotto, que descreve o lugarejo em relatório de 1 de março de 1904125, registrando que '(...) esta população não é grande, nem rica, mas de muito bom coração. Na maioria, são italianos vênetos'."
"A 31 de julho de 1904, a colônia seria visitada pelo próprio fundador do Instituto dos Missionários de São Carlos, o Monsenhor Scalabrini, bispo de Placência, que ficou deveras impressionado com a vida da colônia e com a notável adaptação de seus patrícios ao Brasil.126 A descrição do local se descortina por meio das descrições feitas por sacerdotes que prestavam o serviço religioso na localidade, como, por exemplo, o padre Pedro Dotto, que descreve o lugarejo em relatório de 1 de março de 1904125, registrando que '(...) esta população não é grande, nem rica, mas de muito bom coração. Na maioria, são italianos vênetos'.
"A vida das famílias no núcleo de Cascalho seria também marcada por várias adversidades. Muitos problemas se apresentavam, tais como: a inadaptação, os relacionamentos com os grandes proprietários de terra, as doenças tropicais e a pequena propriedade, que muitas vezes era insuficiente para o sustento dos filhos e que se tornou um dos principais motivos da saída de pessoas de Cascalho para buscar outras oportunidades de trabalho nas fazendas, ou em cidades da região onde a industrialização tivesse começado. (FERNANDES, 2001, p. 48)
"A vida religiosa dessa comunidade, segundo o autor, teria sido, desde o início, continuamente cultivada. Com a chegada do padre Luis Stefanello ao núcleo de Cascalho, em 1 de outubro de 1911, e com a criação da paróquia, em 1914, o trabalho junto às famílias seria intensificado. O pároco conduziria efetiva rotina religiosa junto aos colonos, de maneira que a religião e a comunidade se identificassem em aparente harmonia contínua, uma tornando-se a própria extensão da outra. Para tanto, estaria disposto a sempre manter ativos o coral, a banda de música e a escola".
"A descrição do local se descortina por meio das descrições feitas por sacerdotes que prestavam o serviço religioso na localidade, como, por exemplo, o padre Pedro Dotto, que descreve o lugarejo em relatório de 1 de março de 1904125, registrando que '(...) esta população não é grande, nem rica, mas de muito bom coração. Na maioria, são italianos vênetos'."
"A 31 de julho de 1904, a colônia seria visitada pelo próprio fundador do Instituto dos Missionários de São Carlos, o Monsenhor Scalabrini, bispo de Placência, que ficou deveras impressionado com a vida da colônia e com a notável adaptação de seus patrícios ao Brasil.126 A descrição do local se descortina por meio das descrições feitas por sacerdotes que prestavam o serviço religioso na localidade, como, por exemplo, o padre Pedro Dotto, que descreve o lugarejo em relatório de 1 de março de 1904125, registrando que '(...) esta população não é grande, nem rica, mas de muito bom coração. Na maioria, são italianos vênetos'.
"A vida das famílias no núcleo de Cascalho seria também marcada por várias adversidades. Muitos problemas se apresentavam, tais como: a inadaptação, os relacionamentos com os grandes proprietários de terra, as doenças tropicais e a pequena propriedade, que muitas vezes era insuficiente para o sustento dos filhos e que se tornou um dos principais motivos da saída de pessoas de Cascalho para buscar outras oportunidades de trabalho nas fazendas, ou em cidades da região onde a industrialização tivesse começado. (FERNANDES, 2001, p. 48)
"A vida religiosa dessa comunidade, segundo o autor, teria sido, desde o início, continuamente cultivada. Com a chegada do padre Luis Stefanello ao núcleo de Cascalho, em 1 de outubro de 1911, e com a criação da paróquia, em 1914, o trabalho junto às famílias seria intensificado. O pároco conduziria efetiva rotina religiosa junto aos colonos, de maneira que a religião e a comunidade se identificassem em aparente harmonia contínua, uma tornando-se a própria extensão da outra. Para tanto, estaria disposto a sempre manter ativos o coral, a banda de música e a escola".
Assinar:
Postagens (Atom)






