Marcel de Almeida Freitas, antropólogo (UFMG), mestre em Psicologia
Social (UFMG), professor da Faculdade da Cidade de Santa Luzia
(disciplinas História da Arte, Psicologia e Antropologia), autor do
trabalho A influência Italiana na arquitetura de Belo Horizonte, conta como foi a disposição geográfica dos imigrantes italianos na capital de Minas Gerais, belo Horizonte entre 1910 e 1920.
“Italianos da classe média ligados ao varejo instalaram-se no Centro de Belo Horizonte, nas avenidas Santos Dumont e Paraná – já que a Rua Caetés era dominada
pelo comércio sírio-libanês, judeu e armênio – nas décadas de 1910-20.
Suas residências se localizavam em geral na Avenida Olegário Maciel e Rua
Guarani. Com isso, favoreceram a transformação arquitetônica da região com
novos estilos e tipos de moradia, introduzindo, por exemplo, o hábito das vilas
internas, onde viviam várias famílias".
"Tais vilas se distinguiam das construídas pelos portugueses no Rio de Janeiro e em São Paulo, porque, no estilo ibérico, o uso de fontes internas e o pátio mourisco eram a tônica. No entanto, muitos italianos, assim como imigrantes de outras procedências, viviam já em processo de enfavelamento. As duas zonas mais conhecidas, no período da construção de Belo Horizonte, que abrigavam a população miserável eram a Fazenda do Leitão (hoje Bairro Santo Antônio) e o Morro da Estação (Favela da Estação, hoje Bairro Floresta). Ali moravam em barracões de zinco ou em cafuas de
madeira, ao lado de negros ex-escravos e migrantes de outras partes do Brasil.
Eram 'dois bairros mescladíssimos e turbulentos, sobretudo à noite e nos dias
de descanso' (BARRETO, 1996, p. 369)".
"Nos bairros Santa Tereza e Santa Efigênia viviam italianos de origem
humilde, muitos empregados na construção civil, assim como nas indústrias
recém-instaladas: predominavam as tecelagens e as fábricas de massas. Uma
rua com o nome de Gennaro Masci, no bairro Horto, que liga as ruas Pouso
Alegre e Salinas, é emblemática da presença italiana em Belo Horizonte,
especialmente na zona leste. Outro exemplo é a travessa Romano Stocchiero
em Santa Efigênia, entre as ruas Padre Rolim e dos Otoni".
"Também a região
do Barreiro recebeu considerável contingente de italianos, destacandose
aí a família Gatti. Além de trazer formas associativas, como sindicatos e
associações de beneficência mútua, essa imigração também contribuiu para
a inserção do futebol no país, mais especificamente nas grandes cidades do
Sudeste (Cruzeiro, Palmeiras, entre outros)".
"No Bairro Lagoinha existiu um
importante exemplar da participação italiana na arquitetura de Belo Horizonte.
Conforme Noronha (2001), a Casa da Loba foi construída na década de 1920
por Octaviano Lapertosa para João Abramo, o proprietário. Hoje nada restou
Cadernos de Arquitetura e Urbanismo, Belo Horizonte, v.14 - n.15 - dezembro 2007
156
da belíssima residência em estilo neoclássico italiano, somente fotografias.
Outra ilustração é a bem preservada casa da família Falci, à Avenida Bias
Fortes, 197. Em estilo neoclássico com elementos renascentistas, o suntuoso
palacete é preservado porque a família é consciente da sua importância e dos
significados simbólicos em torno do seu patriarca".
Um blog para difundir e aprofundar temas da presença italiana no Brasil, bem como valorizar o Made in Italy. Um espaço para troca de informações e conhecimento, compartilhando raízes comuns da italianidade que carregamos no sangue e na alma. A italianidade engloba a questão das nossas raízes italianas e também reserva um olhar para a linha do tempo, nela buscando e resgatando uma galeria de personagens famosos ou anônimos que, de alguma forma, inseriram seus nomes na História do Brasil.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Arquitetura – Italianos na construção da cidade planejada de Belo Horizonte (2)
Na cidade de Belo Horizonte ainda persistem marcas da influência de arquitetos italianos que participaram ativamente da urbanização local. É o que relata Marcel de Almeida Freitas, antropólogo (UFMG), mestre em Psicologia Social (UFMG), professor da Faculdade da Cidade de Santa Luzia (disciplinas História da Arte, Psicologia e Antropologia), autor do trabalho A influência Italiana na arquitetura de Belo Horizonte (Foto: Minas Tênis Clube) .
"Embora os modelos arquitetônicos fossem europeus, a arquitetura de Belo Horizonte teve a influência da mão-de-obra de imigrantes pobres que chegavam ao Brasil aos milhares, especialmente italianos, espanhóis e portugueses. Destarte, desde arquitetos e engenheiros até mestres-de-obras e 'pedreiros', a influência italiana na arquitetura de Belo Horizonte, entre 1900 e 1940, é indelével. Um dos estilos vindos com os estrangeiros é aqui abordado, o art déco". (Foto: Hospital Felicio Rocho)
"Em linhas gerais, o art déco caracteriza-se pela simétrica/axial com acesso centralizado ou valorizando a esquina (no plano horizontal), articulação de volumes geometrizados e simplificados (varandas semi-embutidas) ou sucessão de superfícies curvas (aerodinamismo), linguagem formal tendente à abstração (contenção expressiva dos ornamentos decorativos, quase sempre em alto e baixo relevo)"
"Em Belo Horizonte os edifícios mais significativos dessa fase são, entre outros, a Prefeitura Municipal, os colégios Marconi, Pio XII e Izabela Hendrix, o Minas Tênis Clube, os hospitais Felício Rocho (Felicio Rosso), Odilon Behrens, Santa Casa de Misericórdia e a Igreja São Francisco das Chagas. Entre os arquitetos e/ou engenheiros italianos mais atuantes nos primórdios de Belo Horizonte (1920- 1940) e responsáveis pela introdução do estilo, cabe sublinhar Luis Olivieri, Luis Signorelli, Raffaello Berti (projetou o Minas Tênis Clube - foto), Américo Gianetti e Romeo di Paoli. Esse último foi quem projetou o Hotel Imperial Palace"
"Embora os modelos arquitetônicos fossem europeus, a arquitetura de Belo Horizonte teve a influência da mão-de-obra de imigrantes pobres que chegavam ao Brasil aos milhares, especialmente italianos, espanhóis e portugueses. Destarte, desde arquitetos e engenheiros até mestres-de-obras e 'pedreiros', a influência italiana na arquitetura de Belo Horizonte, entre 1900 e 1940, é indelével. Um dos estilos vindos com os estrangeiros é aqui abordado, o art déco". (Foto: Hospital Felicio Rocho)
"Em linhas gerais, o art déco caracteriza-se pela simétrica/axial com acesso centralizado ou valorizando a esquina (no plano horizontal), articulação de volumes geometrizados e simplificados (varandas semi-embutidas) ou sucessão de superfícies curvas (aerodinamismo), linguagem formal tendente à abstração (contenção expressiva dos ornamentos decorativos, quase sempre em alto e baixo relevo)"
"Em Belo Horizonte os edifícios mais significativos dessa fase são, entre outros, a Prefeitura Municipal, os colégios Marconi, Pio XII e Izabela Hendrix, o Minas Tênis Clube, os hospitais Felício Rocho (Felicio Rosso), Odilon Behrens, Santa Casa de Misericórdia e a Igreja São Francisco das Chagas. Entre os arquitetos e/ou engenheiros italianos mais atuantes nos primórdios de Belo Horizonte (1920- 1940) e responsáveis pela introdução do estilo, cabe sublinhar Luis Olivieri, Luis Signorelli, Raffaello Berti (projetou o Minas Tênis Clube - foto), Américo Gianetti e Romeo di Paoli. Esse último foi quem projetou o Hotel Imperial Palace"
Arquitetura – Italianos na construção da cidade planejada de Belo Horizonte (1)
Marcel de Almeida Freitas, antropólogo (UFMG), mestre em Psicologia Social (UFMG), professor da Faculdade da Cidade de Santa Luzia (disciplinas História da Arte, Psicologia e Antropologia), é autor do trabalho A influência Italiana na arquitetura de Belo Horizonte . O texto apresenta notas sobre a interferência da imigração italiana na urbanização de Belo Horizonte e a influência de trabalhadores italianos na construção da capital. Na foto, o postal do Palacete Dantas - obra de Luis (Luigi) Olivieri
“Sob o ponto de vista da arquitetura e do urbanismo, a história de Belo Horizonte é idiossincrática, já que foi planejada segundo os modelos de modernização que transformaram urbes como Paris, por exemplo, e fizeram surgir outras, planejadas, como La Plata e Canberra, respectivamente na Argentina e na Austrália. Assim nascia Belo Horizonte em 1897, embalada pelos valores de 'progresso e ordem', caros ao positivismo, paradigma filosófico-científico que ditava mentalidades e práticas sociais em diferentes campos. Sob a égide do ethos evolucionista, os republicanos de Minas Gerais queriam construir uma cidade diversa do passado barroco, colonial e escravocrata que até então marcara o Estado e o país”.
"Quando a cidade começou a ser efetivamente construída, os trabalhos requisitavam um batalhão. (....) Na construção de Belo Horizonte alguns engenheiros de origem italiana já se destacavam entre os muitos europeus, como o Dr. Burlamaqui, Gustavo Farnese e Adolfo Radice. Os empreiteiros Afonso Massini e Carlos Antonini destacaram-se na construção do ramal ferroviário que ligava as estações Minas e General Carneiro, o que facilitou a vinda de pessoas do Rio de Janeiro para Belo Horizonte".
"No ramo da exploração calcária, sobressaiu o descendente de italianos J. Orlandini, proprietário da pedreira Acaba Mundo a partir de 1895. Segundo informações colhidas por Barreto (1996), Carlos Antonini nasceu na Itália em 1839 e faleceu em Belo Horizonte em 1913. Antes de emigrar, foi oficial do exército italiano. Atuou nos ramos de engenharia, como arquiteto, projetista, industrial e construtor. Dentre suas obras destaca- se a parte posterior do Palácio da Liberdade. Projetou e construiu sua própria residência, localizada nas esquinas das ruas Bahia e Bernardo Guimarães, prédio que abrigou por muito tempo a Escola Ordem e Progresso, hoje tombado pelo Iepha".
"Outro italiano que despontou nas artes e arquitetura da nova capital foi Luis Olivieri. Formado em Florença, integrou a comissão construtora como desenhista e, em 1897, criou o primeiro escritório particular desse ofício na cidade. Em 1911 realizou a primeira exposição de arquitetura da capital (BARRETO, 1996). Projetou, dentre muitas obras, o Palacete Dantas (atual Secretaria de Cultura, de 1916) e o atual Psiu (antigo Bemge, na Praça Sete)".
"No suprimento de materiais para a construção civil, a todo vapor naquela época, foram importantes os Papini, que introduziram as telhas francesas, instalando cerâmicas na região do atual Bairro Saudade, e os Antonini, que produziam tijolos na estrada antiga entre Sabará e Belo Horizonte, hoje Bairro Cardoso. Nos primeiros anos de Belo Horizonte, o Sr. Alberto Bressane Lopes ergueu uma vila de casas para aluguel nas ruas Grão Mogol e Alfenas, com o intuito de atender à grande demanda de habitações da capital. Outra vila foi por ele construída na Rua Rio Grande do Norte, chamando-se Villa Bressane.
"Em julho de 1896, Belo Horizonte recebia a visita do Sr. Alessandro D’Atri, figura importante na Itália. Em palestra aos que trabalhavam nas obras da cidade, elogiou a maneira como eram tratados seus conterrâneos e a operosidade da comissão. 'O que mais o admirou foi que (...) em cima dos altos andaimes, em torno das construções e embaixo de cobertas de zinco, cantavam e assobiavam alegremente os operários, italianos em sua maioria, assentando pedras, tijolos, amassando argamassas' (BARRETO, 1996, p. 643)".
A empreitada (“tarefa”) da nova Igreja Nossa Senhora do Rosário, situada na esquina da Rua Tamoios com Avenida Amazonas, ficou a cargo de um descendente de italianos, o Sr. Afonso Massini. A Secretaria das Finanças, atual Secretaria de Estado da Fazenda, foi edificada pelos tarefeiros José e Caetano Tricolli. João Morandi, por sua vez, foi um arquiteto e escultor bastante ativo na comissão construtora. Era nascido na parte italiana da Suíça, na cidade de Lugano. Antes de chegar a Belo Horizonte atuou na construção da cidade de La Plata, na Argentina, até 1896. Trabalhou na ornamentação interna de diversos logradouros: Palácio da Liberdade, antigo Museu de Mineralogia, Instituto de Educação, Igreja São José, Igreja Nossa Senhora do Rosário”.
“Sob o ponto de vista da arquitetura e do urbanismo, a história de Belo Horizonte é idiossincrática, já que foi planejada segundo os modelos de modernização que transformaram urbes como Paris, por exemplo, e fizeram surgir outras, planejadas, como La Plata e Canberra, respectivamente na Argentina e na Austrália. Assim nascia Belo Horizonte em 1897, embalada pelos valores de 'progresso e ordem', caros ao positivismo, paradigma filosófico-científico que ditava mentalidades e práticas sociais em diferentes campos. Sob a égide do ethos evolucionista, os republicanos de Minas Gerais queriam construir uma cidade diversa do passado barroco, colonial e escravocrata que até então marcara o Estado e o país”.
"Quando a cidade começou a ser efetivamente construída, os trabalhos requisitavam um batalhão. (....) Na construção de Belo Horizonte alguns engenheiros de origem italiana já se destacavam entre os muitos europeus, como o Dr. Burlamaqui, Gustavo Farnese e Adolfo Radice. Os empreiteiros Afonso Massini e Carlos Antonini destacaram-se na construção do ramal ferroviário que ligava as estações Minas e General Carneiro, o que facilitou a vinda de pessoas do Rio de Janeiro para Belo Horizonte".
"No ramo da exploração calcária, sobressaiu o descendente de italianos J. Orlandini, proprietário da pedreira Acaba Mundo a partir de 1895. Segundo informações colhidas por Barreto (1996), Carlos Antonini nasceu na Itália em 1839 e faleceu em Belo Horizonte em 1913. Antes de emigrar, foi oficial do exército italiano. Atuou nos ramos de engenharia, como arquiteto, projetista, industrial e construtor. Dentre suas obras destaca- se a parte posterior do Palácio da Liberdade. Projetou e construiu sua própria residência, localizada nas esquinas das ruas Bahia e Bernardo Guimarães, prédio que abrigou por muito tempo a Escola Ordem e Progresso, hoje tombado pelo Iepha".
"Outro italiano que despontou nas artes e arquitetura da nova capital foi Luis Olivieri. Formado em Florença, integrou a comissão construtora como desenhista e, em 1897, criou o primeiro escritório particular desse ofício na cidade. Em 1911 realizou a primeira exposição de arquitetura da capital (BARRETO, 1996). Projetou, dentre muitas obras, o Palacete Dantas (atual Secretaria de Cultura, de 1916) e o atual Psiu (antigo Bemge, na Praça Sete)".
"No suprimento de materiais para a construção civil, a todo vapor naquela época, foram importantes os Papini, que introduziram as telhas francesas, instalando cerâmicas na região do atual Bairro Saudade, e os Antonini, que produziam tijolos na estrada antiga entre Sabará e Belo Horizonte, hoje Bairro Cardoso. Nos primeiros anos de Belo Horizonte, o Sr. Alberto Bressane Lopes ergueu uma vila de casas para aluguel nas ruas Grão Mogol e Alfenas, com o intuito de atender à grande demanda de habitações da capital. Outra vila foi por ele construída na Rua Rio Grande do Norte, chamando-se Villa Bressane.
"Em julho de 1896, Belo Horizonte recebia a visita do Sr. Alessandro D’Atri, figura importante na Itália. Em palestra aos que trabalhavam nas obras da cidade, elogiou a maneira como eram tratados seus conterrâneos e a operosidade da comissão. 'O que mais o admirou foi que (...) em cima dos altos andaimes, em torno das construções e embaixo de cobertas de zinco, cantavam e assobiavam alegremente os operários, italianos em sua maioria, assentando pedras, tijolos, amassando argamassas' (BARRETO, 1996, p. 643)".
A empreitada (“tarefa”) da nova Igreja Nossa Senhora do Rosário, situada na esquina da Rua Tamoios com Avenida Amazonas, ficou a cargo de um descendente de italianos, o Sr. Afonso Massini. A Secretaria das Finanças, atual Secretaria de Estado da Fazenda, foi edificada pelos tarefeiros José e Caetano Tricolli. João Morandi, por sua vez, foi um arquiteto e escultor bastante ativo na comissão construtora. Era nascido na parte italiana da Suíça, na cidade de Lugano. Antes de chegar a Belo Horizonte atuou na construção da cidade de La Plata, na Argentina, até 1896. Trabalhou na ornamentação interna de diversos logradouros: Palácio da Liberdade, antigo Museu de Mineralogia, Instituto de Educação, Igreja São José, Igreja Nossa Senhora do Rosário”.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
História (83 ) – “Far l´America (51)": Imigração e laços de família

A pesquisadora Maria Silvia Beozzo Bassanezi (UNICAMP) mostra o impacto do componente família no percurso da grande imigração, colocando em destaque o significado do núcleo familiar no contexto da chegada e enraizamento dos italianos no Brasil.
A seguir, trechos do trabalho Família e Imigração Internacional no Brasil do Passado (foto: familia Cillos, imigrantes em Santa Bárabara - SP - 1910 - Fonte Prefeitura Municipal)
História ( 82) – “Far l´America ( 50)": Navios e famílias que cruzaram o Atlântico
Um interessante trabalho de pesquisa sobre imigração italiana pode ser encontrado no site Arquivo Histórico de Além Paraíba Estado de Minas Gerais. Os pesquisador Fernando Julio Korndörfer, por exemplo, é autor do trabalho projeto Chegada de Navios, que conta atualmente com mais de 4000 movimentações de embarcações pesquisadas, saindo e entrando em portos brasileiros entre 1800 e 1900.
Seu objetivo é colocar ao alcance dos pesquisadores, de forma confiável, tanto as informações sobre as chegadas de navios quanto as de seus passageiros, quando existentes. Korndörfer também elaborou uma lista indicando nome e local dos núcleos coloniais criados no Brasil Imperial bem como aqueles criados após o fim da monarquia.
Seu objetivo é colocar ao alcance dos pesquisadores, de forma confiável, tanto as informações sobre as chegadas de navios quanto as de seus passageiros, quando existentes. Korndörfer também elaborou uma lista indicando nome e local dos núcleos coloniais criados no Brasil Imperial bem como aqueles criados após o fim da monarquia.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Italianità-Especial: De Palestra Italia a Palmeiras(5)
O Palestra Itália foi convidado a participar do Campeonato Paulista somente em 1916. A primeira partida oficial da equipe foi contra o Mackenzie, jogo que terminou empatado: 1 a 1. O gol palestrino foi marcado por feito por Vescovin.
No ano seguinte tornou-se vice-campeão paulista. O primeiro título viria em 1920: Campeão Paulista, ao vencer no jogo decisivo o tradicional Paulistano: 2 a 1 O site Palestrinos relata assim esse dia histórico na vida do palestra Itália:
"Terminado o segundo turno, Palestra Itália e Paulistano viram-se incrivelmente empatados em tudo: 26 pontos, 12 vitórias, dois empates e duas derrotas. E se o ataque paulistano havia sido melhor (61 contra 53 gols) sua defesa fora bem pior (19 gols contra 7 dos verdes). O Corinthians? Bem, o Corinthians ficou apenas em terceiro lugar, um ponto atrás. Mandava o regulamento que em caso de duas equipes terminarem empatadas o título seria decidido em um jogo-extra. E ele foi marcado para 19 de dezembro, no neutro campo da Floresta.
Todas as atenções do Palestra estavam voltadas para Artur Friedenreich, um mestiço filho de alemão e negra que era o melhor jogador de futebol do mundo naquele época. Mas o Paulistano era muito forte, lutava pelo pentacampeonato e mesmo contra um adversário com os brios feridos era considerado favorito. Do outro lado, todavia, estavam aqueles italianos, contra os quais tanto se tentara e tanto se fizera para que não estivessem ali, disputando a condição de melhor time de São Paulo.
Depois de um primeiro tempo bastante equilibrado, na etapa final o jogo começou quente: logo aos 5 minutos, Martinelli acertou um forte chute no gol defendido por Arnaldo e colocou o Palestra Itália na frente. A alegria verde, porém, durou pouco: apenas um minuto depois, quando a defesa palestrina se preocupava com o mulato genial, Mário aproveitou para, livre, deixar tudo igual.
Daí em diante, chances perdidas pelos dois times mas, também, respeito mútuo prevalecendo em campo. Até que aos 32 minutos da etapa final, Forte se livra da marcação e toca para o fundo das redes paulistanas. Os 13 minutos restante foram de intensa pressão do Paulistano, mas o goleiro Primo - ora com talento, ora com sorte - conseguiu evitar mais um empate. Ao apito final de Hermann Friese, São Paulo explodiu de alegria.
O sonho, enfim, se realizara: Palestra Itália, campeão paulista de 1920! Na São Paulo as vésperas do Natal, faltou vinho tinto para tanta festa”.
No ano seguinte tornou-se vice-campeão paulista. O primeiro título viria em 1920: Campeão Paulista, ao vencer no jogo decisivo o tradicional Paulistano: 2 a 1 O site Palestrinos relata assim esse dia histórico na vida do palestra Itália:
"Terminado o segundo turno, Palestra Itália e Paulistano viram-se incrivelmente empatados em tudo: 26 pontos, 12 vitórias, dois empates e duas derrotas. E se o ataque paulistano havia sido melhor (61 contra 53 gols) sua defesa fora bem pior (19 gols contra 7 dos verdes). O Corinthians? Bem, o Corinthians ficou apenas em terceiro lugar, um ponto atrás. Mandava o regulamento que em caso de duas equipes terminarem empatadas o título seria decidido em um jogo-extra. E ele foi marcado para 19 de dezembro, no neutro campo da Floresta.
Todas as atenções do Palestra estavam voltadas para Artur Friedenreich, um mestiço filho de alemão e negra que era o melhor jogador de futebol do mundo naquele época. Mas o Paulistano era muito forte, lutava pelo pentacampeonato e mesmo contra um adversário com os brios feridos era considerado favorito. Do outro lado, todavia, estavam aqueles italianos, contra os quais tanto se tentara e tanto se fizera para que não estivessem ali, disputando a condição de melhor time de São Paulo.
Depois de um primeiro tempo bastante equilibrado, na etapa final o jogo começou quente: logo aos 5 minutos, Martinelli acertou um forte chute no gol defendido por Arnaldo e colocou o Palestra Itália na frente. A alegria verde, porém, durou pouco: apenas um minuto depois, quando a defesa palestrina se preocupava com o mulato genial, Mário aproveitou para, livre, deixar tudo igual.
Daí em diante, chances perdidas pelos dois times mas, também, respeito mútuo prevalecendo em campo. Até que aos 32 minutos da etapa final, Forte se livra da marcação e toca para o fundo das redes paulistanas. Os 13 minutos restante foram de intensa pressão do Paulistano, mas o goleiro Primo - ora com talento, ora com sorte - conseguiu evitar mais um empate. Ao apito final de Hermann Friese, São Paulo explodiu de alegria.
O sonho, enfim, se realizara: Palestra Itália, campeão paulista de 1920! Na São Paulo as vésperas do Natal, faltou vinho tinto para tanta festa”.
Italiani – Sangue toscano no Modernismo brasileiro: a pintura de Fulvio Pennacchi
Grupo Santa Helena foi o nome atribuídoaos pintores que, a partir de meados da década de 30, se reuniam nos ateliês de Francisco Rebolo e Mario Zanini. Os ateliês estavam situados em um edifício da na Praça da Sé, São Paulo, denominado "Palacete Santa Helena". Este prédio foi demolido em 1971 para a construção da estação do Metrô Sé.
No site do Museu de Arte Contemporânea (MAC), a professora Daisy Peccinini traça um breve perfil de um dos membros desse grupo: Fulvio Pennacchi, nascido em Villa Collemandina, província de Lucca, na Região Toscana, em 1905. Ela define Pennacchi como “o mais clássico dos Santelenistas foi, junto a Portinari, Volpi e Graciano, muralista de estilo depurado e evocação românica”.
"Fúlvio Pennacchi chegou no Brasil em 1929, fugindo de uma intensa instabilidade econômica, que assolava o Mundo Ocidental, pós Primeira Guerra Mundial, recém saído da Academia de Belas Artes de Lucca, onde recebera grandes influências do Professor Pio Semeghini, impressionista, além dos Macchiaioli. As dificuldades financeiras enfrentadas por Pennacchi, logo de sua chegada a São Paulo, coloca a pintura em segundo plano, levando-o a exercer atividades em diversas áreas, como professor de desenho do Colégio Dante Alighieri e até dono de um açougue".
"Pennacchi é redescoberto em 1933 pelo escultor Galileo Emendabili que fica fascinado pelos afrescos que decoram o estabelecimento comercial do artista e o convida a trabalhar como colaborador no seu atelier, e logo de inicio auxilia no projeto do' 'Monumento em Homenagem aos Mortos na Revolução Constitucionalista de 1932'. Em 1935, Pennacchi passa a freqüentar o ateliê de Rebolo Gosales, localizado no Palacete Santa Helena, onde os pintores Mário Zanini e Clovis Graciano montam seus ateliers, e concomitantemente era freqüentado por Alfredo Volpi, Manuel Martins, Alfredo Rizzoti e Aldo Bonadei, formando aquilo que o Professor, Historiador e Crítico de Arte Walter Zanini denominou de 'Confraria', e que passou-se a chamar 'Grupo Santa Helena'.
Os trabalhos de Pennacchi, configuram uma intensa permuta do universo paulista e do cotidiano das vilas italianas, além da preferência pelos temas religiosos. Nesta área, o artista teve fundamental importância na concepção de vários afrescos, que decoram Igrejas e residências. As primeiras exposições do artista foram coletivas, com destaques as exposições da 'Família Artística Paulista', em 1937.
Entre 1965 e 1972, o artista distancia-se do grande público, fazendo apenas alguns trabalhos por encomenda, mas não deixando de ser um período de intensa criação Em 1967, algumas de sua obras são mostradas na exposição 'O Grupo Santa Helena 30 anos depois'. Em 1973 a exposição 'Pennacchi - quarenta anos de pintura organizada pelo Museu de Arte de São Paulo, sobre a supervisão de Pietro Maria Bardi, foi o reencontro com o grande público. Fúlvio Pennacchi, foi o último sobrevivente dos Santelenistas, vivendo até 1992”.
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