terça-feira, 9 de março de 2010

História (104) - Especial: italianos na Imprensa anarquista brasileira (4)

O ativismo anárquico de Oreste Ristori à frente do semanário  Batatglia também rendeu estudos na Itália.Gli anarchici italiani di San Paolo e il problema dell'organizzazione operaia (1898-1917) é um trabalho de Isabelle Felici (In "La riscoperta delle Americhe – Lavoratori e sindacato nell'emigrazione italiana in America Latina 1870-1970", a cura di Vanni Blengino, Emilio Franzina, Adolfo Pepe – Teti Editore) disponível na internet.

“La Battaglia, fondata da Oreste Ristori nel 1904, conosce uno dei periodi più ricchi d'avvenimenti per il proletariato di San Paolo. Sul terreno dell'organizzazione operaia, la polemica continua sulle stesse basi, contro lo sciopero parziale e contro il principio di autorità che le organizzazioni di San Paolo non riescono a cancellare. La Battaglia si oppone a tutte le manifestazioni che tendono a rendere ufficiale l'organizzazione operaia, a farne una istituzione. Per questo si oppone alla Federazione operaia di San Paolo, di cui passa sotto silenzio la nascita, ma che non manca un'occasione di vituperare, come per esempio quando gli anarchici sindacalisti si propongono come tramite tra scioperanti e padrone a San Bernardo".

“Il primo Congresso operaio brasiliano che si svolge a Rio de Janeiro nell'aprile 1906 criticato per lo stesso motivo. E' accolto da La Battaglia con ironia e sarcasmo e viene denominato ‘congresso internazionale di batra’ . Si usa meno ironia a proposito del congresso anarchico di Amsterdam del 1907, ma la diffidenza è la stessa nei riguardi dell'utilità di un congresso internazionale. Pagare le spese di viaggio dei delegati, uno per ogni corrente anarchica rappresentata in Brasile, significherebbe perdere l'occasione di diffondere ‘centinaia di opuscoli di propaganda ad immensa tiratura’ . La propaganda sul terreno sembra più utile della partecipazione a un congresso internazionale”.

“Sempre nell'intento di dimostrare il legame degli anarchici italiani con la realtà brasiliana, è interessante vedere qual è l'atteggiamento della Battaglia sul terreno pratico delle lotte sociali. Quando si manifestano i primi movimenti sociali nel 1906, il giornale critica violentemente le azioni dei sindacalisti che portano gli operai al macello . Ciò nonostante pubblica liste di crumiri, annunci di riunioni, e tutte le informazioni relative allo sciopero, cercando di essere una tribuna aperta a tutte le tendenze, anche se gli anarchici sindacalisti hanno in quel momento un organo, A Terra Livre. Quando scoppia lo sciopero dei ferrovieri nel maggio 1906, il giornale entra pienamente nella lotta, decidendo di mettere momentaneamente da parte il problema teorico dello sciopero. Un articolo in prima pagina incita tutti i lavoratori a entrare in sciopero in segno di protesta contro la repressione di cui sono stati vittime i primi scioperanti:

‘Siamo teoricamente contrari alla tattica degli scioperi. Ma poiché il governo e le autorità – che avrebbero dovuto conservare un'attitudine neutrale in questa lotta tra oppressori ed oppressi – hanno messo le loro forze al servizio dei capitalisti, noi ci mettiamo completamente a disposizione della massa scioperante, minacciata di morte dalla bocca dei moschetti e dalle daghe assassine della polizia. La questione dello sciopero, su cui esprimeremo più tardi la nostra opinione, passa in seconda linea. Non si tratta più di sostenere una lotta platonica contro le tracotanze infami di due o tre funzionari superiori superlativamente vigliacchi, ma di difendersi con tutta l'energia possibile da una violenta e bestiale sopraffazione di classe provocata dall'alto commercio e dal clero, spalleggiata e sospinta dai briganti che stanno al Potere’ “.

“Quello che porta La Battaglia a scegliere questa posizione è il carattere assunto dalla resistenza operaia. Tutti gli ingredienti dello sciopero generale sono presenti: un'intera categoria, quella dei ferrovieri, è coinvolta, il peso di questo sciopero sull'economia dello Stato è grandissimo ; si è cominciato a rispondere alle violenze poliziesche distruggendo materiale e rotaie, il resto della popolazione operaia si è già mostrata insofferente alle misure impopolari delle autorità”.

“La polizia reagisce a quest'appello sequestrando il giornale. Quando riprende le pubblicazioni, dopo tre settimane di silenzio, La Battaglia fa il bilancio dello sciopero. Tutti, compresa la Federazione Operaia, a cui il giornale apre le sue colonne, concordano nel dire che lo sciopero è fallito. Ma La Battaglia insiste sul risveglio delle masse operaie e sull'enorme movimento di solidarietà che è stato rilevante data la mancanza totale di esperienza politica della maggior parte degli operai. Il giornale vede nell'azione delle leghe un'influenza piuttosto riduttrice che produttrice. Infatti, se il movimento non è potuto giungere a niente di concreto, è a causa dei capi dello sciopero. Essi si sono circondati di un'aura quasi divina e hanno ingannato gli operai portandoli a credere nell'efficacia della loro forza d'inerzia invece di spingerli all'azione. L'esperienza dunque non fa che rinforzare la diffidenza dei redattori della Battaglia nei confronti della resistenza legale” .

História (103): Namorar e casar na zona de imigração italiana gaúcha

O casamento era um dos momentos coletivos mais importante na zona colonial do Rio Grande do Sul. Através dele se mantiveram os valores da terra de origem e se conservaram os usos, os costumes e as tradições familiares trazidas do Vêneto pelo pioneiros. Foi ele o fator principal que permitiu aos imigrantes, principalmente os homens, de se fixarem à terra e criarem aqui uma nova sociedade estável, sempre tendo por exemplo aquela da qual vieram. Casar e constituir uma família era o desejo comum encontrato em toda a zona rural vêneta.

O namoro, período ritual de preparativos graduais para o recíproco conhecimento dos jovens e também das duas famílias envolvidas, era o primeiro passo necessário que, depois de um período variável, chegava ao noivado, fase que antecedia o casamento, que devia então durar por toda a vida.

O filò nas estrebarias, os trabalhos em comum na colheita das plantações, importantes costumes coletivos trazidos das terras de origem, e depois mais tarde nas missas, foram as formas encontradas para continuar, aqui no Rio Grande do Sul, propiciando momentos de encontro entre os jovens de diversas famílias vizinhas e início dos namoros. Os jovens eram considerados noivos somente depois da aprovação dos pais e o rapaz podia então frequentar a casa da noiva, com visitas aos domingos a tarde”. (Fonte: Arquivos da La Piave FAINORS Federação Veneta )Fonte: Arquivos da La Piave FAINORS Federação Veneta)

História (102): A mulher imigrante na zona de colonização gaúcha

"No Rio Grande do Sul, como também já no Vêneto, as famílias de imigrantes eram quase sempre muito numerosas, contanto muitas vezes mais de dez filhos em um casal. Assim, praticamente a cada dois anos uma mulher tinha um filho e com eles um aumento da sua já pesada carga de trabalho.

As atividades que uma mulher desenvolvia no seio de uma família de imigrantes eram variados e pesados: além do trabalho de acompanhamento do crescimento e educação dos filhos, cabia também à mulher todas as atividades da casa como cozinhar, lavar, costurar e remendar as roupas de todos, cuidar da horta e dos animais doméstico, ordenhar as vacas, cuidar dos doentes e pessoas idosas da família e se estendia com o trabalho no campo ajudando o marido no trabalho nas roças e em serviços artesanais.

A jornada de uma mulher começava muito antes do alvorecer, sendo a primeira a levantar, para só terminar à noite, após preparar o jantar e finalizar os trabalhos de costura. Foi este trabalho duro e esta dedicação exclusiva à família da mulher vêneta fatores decisivos para que aquela emigração desordenada tivesse êxito aqui no nosso estado. Foram elas que tornaram possível a fixação do homem à terra além de manterem sempre vivas as tradições da língua, religiosidade, cultura e gastronomia dos Vênetos.

A Mulher Vêneta no início da imigração Na família, até muito pouco tempo atrás, o pai ou o marido detinham a autoridade total da casa. Distribuiam tarefas e determinavam eles todas as atividades a serem cumpridas em uma propriedade. Considerada menos importante que o homem, a mulher era muitas vezes privada do direito ao estudo em vantagem dos homens e sempre deixada de fora da herança familiar da terra. À mulher trabalhava incessantemente, mergulhada nas pesadas ocupações agrícolas e domésticas tarefas e deveres precisos dos quais não podia refutar.

O dia de trabalho da mulher camponesa iniciava ainda antes do alvorecer com a ordenha das vacas, fazia todo o trabalho da casa, desde as refeições, a feitura do queijo até a costura, o remendo das roupas para toda a família, a confecção da lã e dos chapéus de palha usados como proteção ao sol nas lidas do campo. Terminava a sua dura faina diária somente a noite, depois de servir o jantar para a família. A primeira levantar e a última a deitar.

O analfabetismo femenino era muito elevado e segundo dados apurados chegava até perto de 80% entre as primeira mulheres imigrantes que chegaram ao Rio Grande do Sul. Nas palavras da autora do livro "Brasile per sempre" Francesca M. Raouik: "depositária e guardiã dos principais conteúdos do patrimônio étnico dos emigrantes, a mulher preservou da extinção modelos de vida e valores camponeses do fim do século XIX, com costumes, linguagem e usos típicos desta cultura que, graças a maternidade, puderam ser conservados e transmitidos às novas gerações".(Fonte: Arquivos da La Piave FAINORS Federação Veneta ).

segunda-feira, 8 de março de 2010

História (101) - Especial: italianos na Imprensa anarquista brasileira (3)

Um dos mais significativos semanários libertários de cunho anarquista editado no Brasil foi o La Battaglia, fundado pelo ativista toscano Oreste Ristori, em junho de 1904. Duarnte nove anos, o La Battaglia ganhou as ruas semanlamente, tendo mudado de nome em 1912 para La Barricata. Segundo o pesquisador Luigi Biondi no trabalho "La stampa anarchica italiana in Brasile. 1904-1915" (Tesi di Laurea, Università degli studi di Roma "La Sapienza)", o La Battaglia era editado em quatro páginas com uma tiragem de 5 mil exemplares.

"Foi favorecido por ser um jornal anarquista que funcionava também como espaço de discussão entre todas as tendências libertárias presentes em São Paulo, e com os grupos socialistas e de sindicalistas italianos” “A estratégia de propaganda do jornal concentrou-se sobretudo nas críticas às duras condições de vida e de trabalho das classes populares italianas no estado de São Paulo, seja no campo seja na cidade.

Em particular, concentrou-se numa extenuante campanha contra a imigração para o Brasil, alertando os camponeses que a vinda às fazendas de café só teria aumentado o número da mão-de-obra e, por conseguinte, teria causado a queda do poder de barganha na contratação de todos os trabalhadores, tanto nas fazendas como na cidade para onde acabavam se dirigindo os colonos que fugiam da lavoura.

Em torno desse grupo editor havia, na cidade de São Paulo, vários outros grupos anarquistas de apoio ao à publicação ; ademais, as inúmeras viagens de propaganda de Ristori para o interior do estado fizeram com que uma parte relevante dos que apoiavam o jornal pertencesse às camadas de artesãos e operários italianos, presentes em todos os centros urbanos paulistas de médias dimensões”.

História (100)- Especial: italianos na Imprensa anarquista brasileira (2)

A imprensa anarquista (de origem italiana) no Brasil teve em Oreste Ristori, um um de seus mais expressivos nomes ligado ao jornal La Battaglia: Nascido na Toscana, em 1874, desembarcou em Buenos Aires e em seguida veio ao Brasil, onde chegou em 1904. Mas que era esse jovem toscano? Carlo Romani (pesquisador Unicamp) descreve um rápido perfil de Oreste Ristori no trabalho Individualismo à italiana  .

“Segundo os relatórios policiais, este libertário não era dos mais comportados. Das práticas de investigação resulta que Ristori é um anarquista exaltado, de alma má, avesso ao trabalho, capaz de qualquer ação delituosa. Possuía uma brochura anarquista com métodos de fabricação de explosivos, porém não encontrada na perseguição que lhe foi feita. ...Desde 1894 era considerado das autoridades de P.S. como anarquista, exaltado, prepotente e temível..." Alma má, vagabundo, exaltado, violento. Oreste, filho de uma família de camponeses sem terra e sem emprego fixo habitantes, nascido na Toscana em 1874, não era propriamente o tipo de homem que a polícia, a burguesia e os padres gostariam de ter em sua paróquia.

Ristori foi um desses adolescentes, que muito cedo aprendeu a "se virar na vida", fazendo pequenos rolos para conseguir sobreviver. Sem instrução, sem grandes perspectivas de vida, foi aproximando-se desses anarquistas que se constituíram nos mercados e bares ao redor das praças. A partir dos dezessete anos de idade foi elaborando, de modo intuitivo, um discurso teórico que ouviu nos bares que freqüentou, pondo-o em prática naquelas ações transgressivas que denominamos de individualismo à italiana.

Com o passar dos anos, Ristori foi modificando suas práticas aproximando-se do comunismo anárquico. Já no Brasil, Oreste Ristori tornou-se o diretor responsável pela publicação do principal periódico anárquico do país, que funcionou em São Paulo, entre 1904 e 1913, com o nome de La Battaglia. Moveu intensa campanha contra a imigração ao Brasil, combatendo a exploração de colonos nas fazendas de café”

História (99)- Especial: italianos na Imprensa anarquista brasileira (1)

Quem pesquisar sobre imprensa anarquista no Brasil irá se deparar, na Internet, com vários textos: resumos históricos, teses de mestrado e doutorado, artigos acadêmicos, matérias jornalística, entre outros documentos. No site do Arquivo Público do Estado de São Paulo, por exemplo, surge o seguinte verbete sobre imprensa anarquista:

“Os imigrantes anarquistas que vieram para o Brasil em fins do século XIX e começo do XX tiveram um importante papel na imprensa de esquerda daquela época. Eram figuras como Oreste Ristori (editor de L’Alba Rossa), Luigi Damiani (La Battaglia e A Plebe), ou o espanhol Primitivo Raymundo Soares, fundador de Germinal. Para enganar a repressão, Soares se apresentava com o pseudônimo de Florentino de Carvalho. Esses homens já atravessavam o oceano comprometidos com um ideal de luta contra o capitalismo e a exploração do povo".

"Chegando ao Brasil, se improvisaram em jornalistas, editores, distribuidores e gráficos de fundo de quintal. O objetivo era sempre o mesmo: viabilizar seus jornais, chamar à luta contra os patrões, e levar à classe operária da época uma visão de mundo alternativa à da grande imprensa dos patrões. Germinal (1902–1913) é um exemplo curioso desses periódicos. A partir de 1913, juntou–se ao jornal La Barricata (1912–1913), publicado em italiano por Luigi Damiani, formando assim um veículo duplo que defendia os ideais libertários em duas línguas. O jornal durou vinte números".

"A saga dos anarquistas estrangeiros teve um final melancólico: aos poucos, o governo brasileiro foi forjando leis de expulsão de estrangeiros, cujo o objetivo era combater os "subversivos alienígenas". Assim, muitos deles tiveram que abandonar o país”.

Italaini: o pioneirismo de Mario Dedini

Mario Dedini nasceu na cidade de Lendinara, província de Rovigo (Rigião Veneto) em 23 de setembro de 1893. Filho de camponeses, Leopoldo Dedini e Amália. Em 1914 deixava sua terra natal e com o irmão Armando embarcavam rumo ao Brasil. Os Dedini foram parar no interior de São Paulo.

Segundo a pesquisadora Zóia Vilar Campos Mário acabou sendo contratado numa usina de cana em Santa Bárbara, enquanto Armando seguiu para Pirajupi onde trabalhou como ferreiro.
Anos mais tarde, em 1920, os dois irmãos compraram, na cidade de Piracicaba, , uma pequena oficina de carpintaria e ferramentaria, (consertos de carroças, arados). Em pouco tempo os néocio cresceu se transformou em uma fábrica de peças para o processamento de cana-de-açúcar. Segundo xxx Mário “ Em 1936/37, integralizou as seis cotas que possuía na Usina Costa Pinto, com a implementação de modernos equipamentos. Sua parceria com as empresas Ometto, inaugurou uma nova era na vida das empresas”.