Na Fazenda Gertudes "
O Colonato ao combinar distintas formas de produção, proporcionava ao colono um pagamento em dinheiro pelo trato e colheita e também a produção da sua subsistência. O dinheiro que ele recebia pelo trato e pela colheita geralmente não cobria as necessidades de sobrevivência da família.
Os salários pagos aos colonos variavam de região para região, de fazenda para fazenda, de ano para ano, dentro de uma própria fazenda. Seu valor estava diretamente ligado as condições oferecidas para a lavoura de subsistência e praticamente independia das condições de oferta e demanda de mão-de-obra.
Estes salários provinham de três fontes: Do trato, de um certo número de pés de café, pago por unidade de 1000 pés; o trato consistia em fazer a limpeza das ervas daninhas de três a cinco vezes ao ano; Da colheita paga pela quantidade de alqueires de café colhido (um alqueire de café equivalia a 50 litros); Das diárias, isto é, dias de trabalho avulso prestado ao fazendeiro conforme as necessidades da fazenda.
A documentação da fazenda Santa Gertrudes permite verificar o quanto cada uma das fontes de rendimento monetário representava no total do rendimento familiar, quer em relação ao tamanho da família, quer em relação à força de trabalho, quer ainda em relação aos anos de boa ou má safra.
O trato tanto em relação ao tamanho da família quanto ao número de trabalhadores chegava a representar quase a metade do rendimento monetário do colono, enquanto a colheita era responsável por cerca de 39% ficando o restante por conta da diária e outros serviços.
Embora estas proporções não variem muito quando se trata do tamanho da família, o trato quando é relacionado com um número de trabalhadores tem uma leve tendência a diminuir enquanto as outras fontes no geral tendiam a aumentar ligeiramente a sua participação no rendimento, à medida que aumentava também o número de trabalhadores no grupo familiar.
A documentação da fazenda Santa Gertrudes permitiu estimar o orçamento de uma família colona naquela propriedade, para o ano de 1913. Esta família, composta de marido, mulher, dois adolescente entre 12 e 16 anos e mais uma criança pequena aparece na documentação da fazenda como uma família de 5 pessoas e duas enxadas.
Em 1913 ela tratou de 5081 pés de café recebendo por isso a importância de R$ 406$480, colheu 903 alqueires de café no valor de R$ 415$500 (este foi um ano de excelente safra) e executou 33,25 diárias no total de R$ 74$625, além de receber R$ 90$300 de gratificação pela colheita paga pelo fazendeiro a todos os colonos que concluíram o ano agrícola em Santa Gertrudes.
Portanto, esta família recebeu da fazenda a importância de R$ 986$905. Isto posto, pode-se inferir que o sistema de colonato apresentava-se vantajoso para as famílias que se e encontravam no ápice de sua capacidade produtiva e soubessem se beneficiar ao máximo da mesma. As famílias empregadas nas fazendas mais próximas aos núcleos urbanos possuíam uma opção de vender o excedente da sua produção de subsistência e fazer aí as suas compras evitando os preços mais altos cobrados no armazém da fazenda, numa época em que os gêneros de primeira necessidade estavam bastante caros". ( (Fonte: Fazenda Santa Gertrudes )
Um blog para difundir e aprofundar temas da presença italiana no Brasil, bem como valorizar o Made in Italy. Um espaço para troca de informações e conhecimento, compartilhando raízes comuns da italianidade que carregamos no sangue e na alma. A italianidade engloba a questão das nossas raízes italianas e também reserva um olhar para a linha do tempo, nela buscando e resgatando uma galeria de personagens famosos ou anônimos que, de alguma forma, inseriram seus nomes na História do Brasil.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
História (183) - "Far l'America (102)": Imigração italiana na história da Fazenda Santa Gertrudes (3)
O site da Fazenda Gertrudes relata que "a própria hospedaria dos imigrantes, como agente de mão-de-obra vinculado, na época, aos interesses do café, além de classificar os indivíduos por sexo, distribuía-os em três grupos etários: de 0 a 12 anos, de 12 a 45 anos e mais de 45 anos, numa clara demonstração da importância de se conhecer o potencial da força de trabalho destas famílias. Aliás, entreas exigências para que a família conseguisse obter a passagem subsidiada era que ela fosse de agricultores e tivesse pelo menos um elemento masculino entre 12 e 45 anos. Dos italianos (55%) e dos cearenses (60%) possuíam 12 anos ou mais e, portanto, eram considerados aptos para o trabalho.
Uma amostra significativa destas mesmas famílias, localizada na documentação da fazenda Santa Gertrudes, no momento de sua chegada na fazenda aponta que 49% dos italianos e também dos cearenses eram "pessoas de trabalho". Esta amostra compõe-se de 26 famílias italianas com 126 pessoas, sendo 62 "de trabalho" e 101 famílias cearenses com 498 pessoas sendo 246 "de trabalho". Partindo-se então do pressuposto de que todos os homens maiores de 12 anos fossem trabalhadores efetivos, poder-se-ia deduzir que a diferença entre as porcentagens apresentadas acima (55% - 49% = 6% para os italianos e 60% - 49% = 11% para os cearenses) ficasse por conta das mulheres com mais de 12 anos que não participavam do trabalho produtivo.
Aplicando-se estas porcentagens as 26 destas famílias identificadas na documentação da fazenda Santa Gertrudes obtém-se que 70 das 126 pessoas deveriam possuir 12 anos ou mais (36 eram homens e 34 mulheres). Se todos os homens com 12 anos ou mais fossem considerados trabalhadores e se o total de trabalhadores era 62, concluí-se que das 34 mulheres, 26 apenas estavam incluídas na força de trabalho. O retrato das famílias imigrantes para o café, no momento de sua introdução a São Paulo, deixa entrever que independente de sua origem e ao contrário do que pretendia os fazendeiros, famílias numerosas e com muitos braços, essas famílias não eram grandes. Possuíam tamanhos médios de cinco elementos e relativamente jovens".( (Fonte: Fazenda Santa Gertrudes )
Uma amostra significativa destas mesmas famílias, localizada na documentação da fazenda Santa Gertrudes, no momento de sua chegada na fazenda aponta que 49% dos italianos e também dos cearenses eram "pessoas de trabalho". Esta amostra compõe-se de 26 famílias italianas com 126 pessoas, sendo 62 "de trabalho" e 101 famílias cearenses com 498 pessoas sendo 246 "de trabalho". Partindo-se então do pressuposto de que todos os homens maiores de 12 anos fossem trabalhadores efetivos, poder-se-ia deduzir que a diferença entre as porcentagens apresentadas acima (55% - 49% = 6% para os italianos e 60% - 49% = 11% para os cearenses) ficasse por conta das mulheres com mais de 12 anos que não participavam do trabalho produtivo.
Aplicando-se estas porcentagens as 26 destas famílias identificadas na documentação da fazenda Santa Gertrudes obtém-se que 70 das 126 pessoas deveriam possuir 12 anos ou mais (36 eram homens e 34 mulheres). Se todos os homens com 12 anos ou mais fossem considerados trabalhadores e se o total de trabalhadores era 62, concluí-se que das 34 mulheres, 26 apenas estavam incluídas na força de trabalho. O retrato das famílias imigrantes para o café, no momento de sua introdução a São Paulo, deixa entrever que independente de sua origem e ao contrário do que pretendia os fazendeiros, famílias numerosas e com muitos braços, essas famílias não eram grandes. Possuíam tamanhos médios de cinco elementos e relativamente jovens".( (Fonte: Fazenda Santa Gertrudes )
quinta-feira, 6 de maio de 2010
História (182) - "Far l'America (101)": Imigração italiana na história da Fazenda Santa Gertrudes (2)
"Entre 1895 a 1930, os trabalhadores de origem italiana representavam em média, cerca de 65% da mão-de-obra empregada sobre o regime de Colonato( na Fazenda Santa Gertrudes). Esta porcentagem foi maior nos anos próximos aos 1900, uma vez que a entrada de italianos no Brasil foi, na virada do século, também mais volumosa.
No período de 1909 - 1918, quando a imigração italiana para o café já havia declinado bastante, os colonos de origem italiana, perfaziam em média, 64% do total dos colonos da fazenda.
Para cuidar de aproximadamente 1.000.000 de pés de café, esta propriedade necessitava manter por volta de 150 famílias para não ter que se utilizar trabalhadores avulsos assalariados. O emprego destes, os camaradas, aumentava em muito o custo da produção. Assim sendo, para evitar os prejuízos que a instabilidade do colono provocava, o recrutamento constante de novas famílias, era sempre a grande preocupação do fazendeiro. Cálculos efetuados mostram que na Santa Gertrudes deveriam ser contratadas, em média, 35 novas famílias todo ano. Estas famílias proviam ou diretamente das hospedarias dos imigrantes em São Paulo, ou eram arregimentadas nas fazendas da redondeza e ou nos municípios da região. Famílias para o Café: italianos e cearenses. Os dados levantados na hospedaria dos imigrantes, sobre as famílias com destino a Santa Gertrudes, referem-se principalmente as famílias italianas que se dirigiram à fazenda entre 1897 - 1902 e as famílias cearenses.
Que adentraram nesta propriedade em 1920. O tamanho e composição das famílias têm a ver com a própria estrutura familiar do grupo no país de origem, no caso da Itália, por exemplo, as famílias de pequenos proprietários, arrendatários e meeiros de Veneto, que predominaram na imigração para o Brasil no período anterior a 1885 eram famílias ampliadas, formadas por dois ou três homens, respectivas mulheres e filhos. Já, as famílias de Braccianti também de Veneto, que formaram a grande maioria de braços para o café, após 1885, segundo depoimentos da época, possuíam cinco pessoas no máximo, normalmente casal com filhos e algumas vezes integravam-na o pai ou a mãe do chefe. Para o período de 1903 - 1914 os registros das hospedarias anotam 30 famílias de origem européia para Santa Gertrudes.
Destas 63% eram italianas e austríacas e as restantes portuguesas e espanholas. Em 1920 foram introduzidos na fazenda, os cearenses num total de 132 famílias, e cujo tamanho era, em média de 4,8 pessoas. Diferentemente das italianas, as famílias cearenses incluíram com muita freqüência além de pais e irmãos do chefe, agregados, cunhados, tios, primos, sobrinhos, avós e netos, numa clara demonstração de que se afrouxaram as exigências quanto à composição da família que deveria receber a passagem para a cafeicultura paulista. Constata-se por outro lado, que mulheres chefes de família apareciam com certa regularidade o que era bastante raro entre as famílias italianas e européias de modo geral. No caso dos cearenses predominava como chefe às viúvas, mas ocorriam também caso de mulheres solteiras com filhos e mulheres casadas, sem marido, com filhos e outros parentes" (Fonte:.Fazenda Santa Gertrudes).
Para cuidar de aproximadamente 1.000.000 de pés de café, esta propriedade necessitava manter por volta de 150 famílias para não ter que se utilizar trabalhadores avulsos assalariados. O emprego destes, os camaradas, aumentava em muito o custo da produção. Assim sendo, para evitar os prejuízos que a instabilidade do colono provocava, o recrutamento constante de novas famílias, era sempre a grande preocupação do fazendeiro. Cálculos efetuados mostram que na Santa Gertrudes deveriam ser contratadas, em média, 35 novas famílias todo ano. Estas famílias proviam ou diretamente das hospedarias dos imigrantes em São Paulo, ou eram arregimentadas nas fazendas da redondeza e ou nos municípios da região. Famílias para o Café: italianos e cearenses. Os dados levantados na hospedaria dos imigrantes, sobre as famílias com destino a Santa Gertrudes, referem-se principalmente as famílias italianas que se dirigiram à fazenda entre 1897 - 1902 e as famílias cearenses.
Que adentraram nesta propriedade em 1920. O tamanho e composição das famílias têm a ver com a própria estrutura familiar do grupo no país de origem, no caso da Itália, por exemplo, as famílias de pequenos proprietários, arrendatários e meeiros de Veneto, que predominaram na imigração para o Brasil no período anterior a 1885 eram famílias ampliadas, formadas por dois ou três homens, respectivas mulheres e filhos. Já, as famílias de Braccianti também de Veneto, que formaram a grande maioria de braços para o café, após 1885, segundo depoimentos da época, possuíam cinco pessoas no máximo, normalmente casal com filhos e algumas vezes integravam-na o pai ou a mãe do chefe. Para o período de 1903 - 1914 os registros das hospedarias anotam 30 famílias de origem européia para Santa Gertrudes.
Destas 63% eram italianas e austríacas e as restantes portuguesas e espanholas. Em 1920 foram introduzidos na fazenda, os cearenses num total de 132 famílias, e cujo tamanho era, em média de 4,8 pessoas. Diferentemente das italianas, as famílias cearenses incluíram com muita freqüência além de pais e irmãos do chefe, agregados, cunhados, tios, primos, sobrinhos, avós e netos, numa clara demonstração de que se afrouxaram as exigências quanto à composição da família que deveria receber a passagem para a cafeicultura paulista. Constata-se por outro lado, que mulheres chefes de família apareciam com certa regularidade o que era bastante raro entre as famílias italianas e européias de modo geral. No caso dos cearenses predominava como chefe às viúvas, mas ocorriam também caso de mulheres solteiras com filhos e mulheres casadas, sem marido, com filhos e outros parentes" (Fonte:.Fazenda Santa Gertrudes).
História (181) - "Far l'America (100)": Imigração italiana na história da Fazenda Santa Gertrudes (1)
"Marco na história agrária de São Paulo, a Fazenda Santa Gertrudes originou-se de uma sesmaria, a do Morro Azul (a sesmaria do Morro Azul foi concedida, em 1817, a Joaquim Galvão de França, José Galvão de França, moradores de Itu, e Manoel de Barros Ferraz da Freguesia de Piracicaba) a semelhança de outras importantes fazendas de cana e café como Ibicaba, Morro Azul e Paraguaçu.
Como Ibicaba, que pertenceu a Nicolau de Campos Vergueiro, Santa Gertrudes também teve como ponto de partida as terras de um engenho. Sua origem prendeu-se ao Sítio Laranja Azeda que Amador de Lacerda Rodrigues Jordão (era filho do Brigadeiro Manoel Rodrigues Jordão, um dos homens mais notáveis de seu tempo pela sua riqueza e prestígio, e de Dona Gertrudes Galvão de Moura Lacerda, dama honorária do passo imperial, figura representativa da sociedade paulista do século XIX e proprietária de várias fazendas. Amador de Lacerda Rodrigues Jordão casou-se em 1852 com Maria Hypólita dos Santos Silva, filha do Barão de Itapetininga; foi agraciado em 1858 com o título de Barão de São João do Rio Claro; foi deputado provincial por diversas legislaturas e deputado geral), futuro Barão de São João do Rio Claro, recebeu na partilha dos bens de sua mãe Gertrudes, realizada em 1848.
O Sítio denominado Laranja Azeda, conta à tradição que Amador de Lacerda Rodrigues Jordão teria mudado para Santa Gertrudes em homenagem a sua mãe. Mas esta designação passou a predominar na documentação, a partir de 1856. Inicialmente voltada para o cultivo de cana, com vistas à produção do açúcar e da aguardente, a fazenda Santa Gertrudes pouco a pouco foi deixando de cultivar este produto e paralelamente introduzindo o café. Em 1857 a fazenda é relacionada como fazenda de açúcar e café, ocupando uma área aproximada de 585 alqueires.
No ano de 1861 que marcou o aparecimento do café com a principal atividade agrícola do município de Rio Claro, a propriedade produzia 6000 arrobas de café, 2000 de açúcar e 30 pipas de aguardente. Entretanto, por volta de 1870, apenas 20 anos a sua formação, a fazenda Santa Gertrudes vinha a ser uma das maiores de São Paulo e seu proprietário um dos maiores fazendeiros de seu tempo com lavouras de riquíssima produção. Quando do falecimento do Barão São João do Rio Claro, em 1873, a Fazenda Santa Gertrudes passou para sua esposa, Maria Hipólita dos Santos Silva.
A Baronesa de São João do Rio Claro, em 1876, contraiu segundas núpcias com o Barão e posteriormente Marques de Três Rios que passou então a dirigir os destinos da fazenda até 1893. Pouco mais de 40 anos após a sua formação, em 1893, a Fazenda Santa Gertrudes cobria uma área de aproximadamente 700 alqueires, portanto sua expansão já se fizera por mais de uma centena de alqueires; produzia 30000 arrobas de café, quintuplicara sua produção em 1861 quando o número de arrobas chegava apenas a 6000, colocando-se como o maior produtor de café do município de Rio Claro.
Oitenta e cinco casas para colonos formavam o núcleo habitacional dos trabalhadores. Os bens móveis e imóveis da fazenda foram avaliados em 1893 e as transformações operadas pelo café de 1848 a 1893 aumentaram aproximadamente em 90 vezes o valor da propriedade nesses 45 anos de atividade cafeeira. Em 1893, com o falecimento do Marques de Três Rios e da Marquesa nos anos seguinte, a fazenda foi herdada por Eduardo Prates casado com a irmã da Marquesa de Três Rios, pois aquela não deixará descendentes diretos. Apesar das alterações resultantes da mudança de proprietário em 1895 não houve quebra no ritmo ascendente da fazenda. Eduardo Prates acelerou ainda mais.
Tornou-se proprietário da fazenda num período excepcionalmente favorável à expansão do café. Eduardo Prates conde pela Santa Sé, de acordo com o título agraciado pelo Papa Leão XIII, era ativo homem de negócios, o capitalista de São Paulo, em 1895 se viu fazendeiro de café, proprietário da Fazenda Santa Gertrudes, considerada uma das mais importantes cafeeiras. Em 1898 a sede já era iluminada a gás acetileno e quatro anos mais tarde 1902, um contrato com a central elétrica de Rio Claro trouxe este novo tipo de energia e iluminação para a fazenda. Em 1904 o telefone colocava a propriedade em contato com vários núcleos urbanos.
Uma maior necessidade de energia para movimentar suas máquinas e as constantes quedas de energia elétrica prejudicavam a produção, o que levou Eduardo Prates a romper com a central elétrica de Rio Claro e acentou um motor Wolf, instalando assim uma usina elétrica própria. Esta fazenda possuía a maior concentração de trabalhadores estrangeiros e seus descendentes, dentre as fazendas da região. Foi possível localizar para o período de 1897 - 1902 famílias italianas que se destinaram a fazendas de Santa Gertrudes, assim como famílias nacionais, cearenses, que em 1920 também se encaminhavam para aquela propriedade.
Para o período de 1903 - 1914 os registros das hospedarias anotam algumas poucas famílias italianas, austríacas, portuguesas e espanholas que se dirigiram àquela fazenda, já para 1915 - 1920 os livros não apresentam nenhuma família para Santa Gertrudes. Porém os documentos da fazenda mostram a chegada de várias famílias italianas e espanholas, procedentes da Argentina, e para 1918 - 1919 a entrada de japoneses nesta propriedade". (Fonte: Fazenda Santa Gertrudes )
Como Ibicaba, que pertenceu a Nicolau de Campos Vergueiro, Santa Gertrudes também teve como ponto de partida as terras de um engenho. Sua origem prendeu-se ao Sítio Laranja Azeda que Amador de Lacerda Rodrigues Jordão (era filho do Brigadeiro Manoel Rodrigues Jordão, um dos homens mais notáveis de seu tempo pela sua riqueza e prestígio, e de Dona Gertrudes Galvão de Moura Lacerda, dama honorária do passo imperial, figura representativa da sociedade paulista do século XIX e proprietária de várias fazendas. Amador de Lacerda Rodrigues Jordão casou-se em 1852 com Maria Hypólita dos Santos Silva, filha do Barão de Itapetininga; foi agraciado em 1858 com o título de Barão de São João do Rio Claro; foi deputado provincial por diversas legislaturas e deputado geral), futuro Barão de São João do Rio Claro, recebeu na partilha dos bens de sua mãe Gertrudes, realizada em 1848.
O Sítio denominado Laranja Azeda, conta à tradição que Amador de Lacerda Rodrigues Jordão teria mudado para Santa Gertrudes em homenagem a sua mãe. Mas esta designação passou a predominar na documentação, a partir de 1856. Inicialmente voltada para o cultivo de cana, com vistas à produção do açúcar e da aguardente, a fazenda Santa Gertrudes pouco a pouco foi deixando de cultivar este produto e paralelamente introduzindo o café. Em 1857 a fazenda é relacionada como fazenda de açúcar e café, ocupando uma área aproximada de 585 alqueires.
No ano de 1861 que marcou o aparecimento do café com a principal atividade agrícola do município de Rio Claro, a propriedade produzia 6000 arrobas de café, 2000 de açúcar e 30 pipas de aguardente. Entretanto, por volta de 1870, apenas 20 anos a sua formação, a fazenda Santa Gertrudes vinha a ser uma das maiores de São Paulo e seu proprietário um dos maiores fazendeiros de seu tempo com lavouras de riquíssima produção. Quando do falecimento do Barão São João do Rio Claro, em 1873, a Fazenda Santa Gertrudes passou para sua esposa, Maria Hipólita dos Santos Silva.
A Baronesa de São João do Rio Claro, em 1876, contraiu segundas núpcias com o Barão e posteriormente Marques de Três Rios que passou então a dirigir os destinos da fazenda até 1893. Pouco mais de 40 anos após a sua formação, em 1893, a Fazenda Santa Gertrudes cobria uma área de aproximadamente 700 alqueires, portanto sua expansão já se fizera por mais de uma centena de alqueires; produzia 30000 arrobas de café, quintuplicara sua produção em 1861 quando o número de arrobas chegava apenas a 6000, colocando-se como o maior produtor de café do município de Rio Claro.
Oitenta e cinco casas para colonos formavam o núcleo habitacional dos trabalhadores. Os bens móveis e imóveis da fazenda foram avaliados em 1893 e as transformações operadas pelo café de 1848 a 1893 aumentaram aproximadamente em 90 vezes o valor da propriedade nesses 45 anos de atividade cafeeira. Em 1893, com o falecimento do Marques de Três Rios e da Marquesa nos anos seguinte, a fazenda foi herdada por Eduardo Prates casado com a irmã da Marquesa de Três Rios, pois aquela não deixará descendentes diretos. Apesar das alterações resultantes da mudança de proprietário em 1895 não houve quebra no ritmo ascendente da fazenda. Eduardo Prates acelerou ainda mais.
Tornou-se proprietário da fazenda num período excepcionalmente favorável à expansão do café. Eduardo Prates conde pela Santa Sé, de acordo com o título agraciado pelo Papa Leão XIII, era ativo homem de negócios, o capitalista de São Paulo, em 1895 se viu fazendeiro de café, proprietário da Fazenda Santa Gertrudes, considerada uma das mais importantes cafeeiras. Em 1898 a sede já era iluminada a gás acetileno e quatro anos mais tarde 1902, um contrato com a central elétrica de Rio Claro trouxe este novo tipo de energia e iluminação para a fazenda. Em 1904 o telefone colocava a propriedade em contato com vários núcleos urbanos.
Uma maior necessidade de energia para movimentar suas máquinas e as constantes quedas de energia elétrica prejudicavam a produção, o que levou Eduardo Prates a romper com a central elétrica de Rio Claro e acentou um motor Wolf, instalando assim uma usina elétrica própria. Esta fazenda possuía a maior concentração de trabalhadores estrangeiros e seus descendentes, dentre as fazendas da região. Foi possível localizar para o período de 1897 - 1902 famílias italianas que se destinaram a fazendas de Santa Gertrudes, assim como famílias nacionais, cearenses, que em 1920 também se encaminhavam para aquela propriedade.
Para o período de 1903 - 1914 os registros das hospedarias anotam algumas poucas famílias italianas, austríacas, portuguesas e espanholas que se dirigiram àquela fazenda, já para 1915 - 1920 os livros não apresentam nenhuma família para Santa Gertrudes. Porém os documentos da fazenda mostram a chegada de várias famílias italianas e espanholas, procedentes da Argentina, e para 1918 - 1919 a entrada de japoneses nesta propriedade". (Fonte: Fazenda Santa Gertrudes )
quarta-feira, 5 de maio de 2010
História (180): Titta Ruffo na inauguração do Teatro Municipal de São Paulo
“O Theatro Municipal foi finalmente inaugurado no dia 12 de setembro de 1911, com toda a aristocracia paulistana presente, além de uma multidão que somava vinte mil pessoas abarrotadas em suas portas e jardins no entorno. Foi registrado pela prefeitura da época o primeiro congestionamento da história de São Paulo nesse dia: um terço dos automóveis da cidade (aproximadamente cem) estavam na região, além de muitos carros puxados a cavalo.
A ópera de estréia do Theatro foi “Hamlet”, do francês Ambroise Thomas, que foi trazida à cidade pela prestigiada companhia do cantor italiano Titta Ruffo. No entanto, alguns paulistanos queriam que o espetáculo da estréia fosse de um compositor brasileiro, e na hora foi decidido que seria tocada a introdução da ópera “O Guarani”, de Carlos Gomes, antes de “Hamlet” começar. Esse “imprevisto” acabou por atrasar toda a apresentação, que só foi terminar na madrugada do dia seguinte, sem a encenação do último ato de “Hamlet”. Uma revista da época, a Gazeta Artística, descreveu a noite de inauguração da seguinte maneira: Esteve deslumbrante a inauguração do Theatro Municipal pela companhia do barítono Titta Ruffo. Desde que anoiteceu o teatro ficou interior e exteriormente iluminado.
Nas vizinhanças via-se numeroso público, carros e automóveis, com pessoas da melhor sociedade, que admiravam o belíssimo panorama. O Viaduto estava repleto. Pouco depois das 20 horas começaram a chegar os espectadores, todos em traje de rigor. A apresentação terminou às 12 horas e 25 minutos da noite, no meio ao grande entusiasmo do público. No interior do teatro foram distribuídas riquíssimas “plaquettes”, contendo a descrição e o histórico do teatro até sua inauguração. Durante o espetáculo foram tiradas muitas fotografias a magnésio. No jardim permaneceram numerosas famílias até tarde da noite”. (Fonte: Mariana Cuencas Santos - Unisantos)
A ópera de estréia do Theatro foi “Hamlet”, do francês Ambroise Thomas, que foi trazida à cidade pela prestigiada companhia do cantor italiano Titta Ruffo. No entanto, alguns paulistanos queriam que o espetáculo da estréia fosse de um compositor brasileiro, e na hora foi decidido que seria tocada a introdução da ópera “O Guarani”, de Carlos Gomes, antes de “Hamlet” começar. Esse “imprevisto” acabou por atrasar toda a apresentação, que só foi terminar na madrugada do dia seguinte, sem a encenação do último ato de “Hamlet”. Uma revista da época, a Gazeta Artística, descreveu a noite de inauguração da seguinte maneira: Esteve deslumbrante a inauguração do Theatro Municipal pela companhia do barítono Titta Ruffo. Desde que anoiteceu o teatro ficou interior e exteriormente iluminado.
Nas vizinhanças via-se numeroso público, carros e automóveis, com pessoas da melhor sociedade, que admiravam o belíssimo panorama. O Viaduto estava repleto. Pouco depois das 20 horas começaram a chegar os espectadores, todos em traje de rigor. A apresentação terminou às 12 horas e 25 minutos da noite, no meio ao grande entusiasmo do público. No interior do teatro foram distribuídas riquíssimas “plaquettes”, contendo a descrição e o histórico do teatro até sua inauguração. Durante o espetáculo foram tiradas muitas fotografias a magnésio. No jardim permaneceram numerosas famílias até tarde da noite”. (Fonte: Mariana Cuencas Santos - Unisantos)
História (179): Mãos italianas no Teatro Municipal de São Paulo
O Teatro Municipal de São Paulo nasceu embalando os sonhos de uma cidade que crescia com a indústria e o café e que nada queria dever aos grandes centros culturais do mundo naquele início de século.
São Paulo se fortalecia com o fim do ciclo da borracha e com a ascensão de seus barões, mas acabara de perder para um incêndio, em 1898, o Teatro São José (Praça João Mendes), palco das suas principais manifestações artísticas.
Tornava-se imperativo construir um espaço à altura das grandes companhias estrangeiras.
Após aprovação na Câmara dos Vereadores, o projeto do secretário da Casa, Gomes Cardim, começou a tornar-se realidade. O arquiteto Ramos de Azevedo e os italianos Cláudio Rossi (Capri) e Domiziano Rossi (Gênova) iniciaram a construção em 1903 e, após oito anos de trabalho, o Teatro Municipal foi batizado pela ópera Hamlet, de Ambroise Thomas, diante de uma multidão de 20 mil pessoas, que se acotovelava às suas portas. São Paulo se integrava, então, ao roteiro internacional dos grandes espetáculos.(Fonte: Prefeitura Municipal de São Paulo)
Após aprovação na Câmara dos Vereadores, o projeto do secretário da Casa, Gomes Cardim, começou a tornar-se realidade. O arquiteto Ramos de Azevedo e os italianos Cláudio Rossi (Capri) e Domiziano Rossi (Gênova) iniciaram a construção em 1903 e, após oito anos de trabalho, o Teatro Municipal foi batizado pela ópera Hamlet, de Ambroise Thomas, diante de uma multidão de 20 mil pessoas, que se acotovelava às suas portas. São Paulo se integrava, então, ao roteiro internacional dos grandes espetáculos.(Fonte: Prefeitura Municipal de São Paulo)
terça-feira, 4 de maio de 2010
História (178 ) -" Far l´América" (99 ): Imigrantes italianos em São Caetano (2)
O relato dos primeiros tempos da colonização italiana em São Caetano (São Paulo), trabalho das pesquisadoras Eliane Mimesse e Elaine
Maschio (Universidade Tuiuti do
Paraná, e Faculdade Internacional de Curitiba), mostra claramente as dificuldades enfrentadas pelos pioneiros.
“A extensão de terras da antiga fazenda dos beneditinos foi o local ideal para abrigar os recém-chegados italianos no núcleo colonial de São Caetano, por estar próxima da Capital, ser local de passagem dos trens, além de contar com rios e terras férteis para o plantio e, ainda, pastagens para a criação de animais (...) Mas as condições de vida dos colonos foram extremamente precárias quando de sua chegada, em 28 de julho de 1877. As 28 famílias encontraram em ruínas as construções da antiga fazenda composta pela casa-grande, a capela e as 12 casas das antigas senzalas.
Além disso, moravam no local quatro famílias de brasileiros, três formadas por ex-escravos dos beneditinos e uma família de alemães. Tudo estava por fazer: as casas, as plantações, as divisões dos lotes, as picadas para identificar o local. (...)Nesse período muitos faleceram, principalmente crianças, devido à febre tifóide, o que gerou outros problemas, como falta de um cemitério na colônia e de um padre para encomendar os mortos. A solução foi o comparecimento quinzenalmente de um padre na localidade para celebrar missas, batizar crianças e rezar pelos falecidos.
Mas os mortos ainda não tinham um cemitério. Eram enterrados no de São Bernardo, até que o pároco local não os aceitou mais. Eram então encaminhados ao cemitério da Consolação, na cidade de São Paulo entre 1878 e 1893. A partir desse ano passaram a serem sepultados no recém-inaugurado Cemitério Municipal do Brás, também na cidade de São Paulo, até a construção do cemitério local, no ano de 1911”.
“A extensão de terras da antiga fazenda dos beneditinos foi o local ideal para abrigar os recém-chegados italianos no núcleo colonial de São Caetano, por estar próxima da Capital, ser local de passagem dos trens, além de contar com rios e terras férteis para o plantio e, ainda, pastagens para a criação de animais (...) Mas as condições de vida dos colonos foram extremamente precárias quando de sua chegada, em 28 de julho de 1877. As 28 famílias encontraram em ruínas as construções da antiga fazenda composta pela casa-grande, a capela e as 12 casas das antigas senzalas.
Além disso, moravam no local quatro famílias de brasileiros, três formadas por ex-escravos dos beneditinos e uma família de alemães. Tudo estava por fazer: as casas, as plantações, as divisões dos lotes, as picadas para identificar o local. (...)Nesse período muitos faleceram, principalmente crianças, devido à febre tifóide, o que gerou outros problemas, como falta de um cemitério na colônia e de um padre para encomendar os mortos. A solução foi o comparecimento quinzenalmente de um padre na localidade para celebrar missas, batizar crianças e rezar pelos falecidos.
Mas os mortos ainda não tinham um cemitério. Eram enterrados no de São Bernardo, até que o pároco local não os aceitou mais. Eram então encaminhados ao cemitério da Consolação, na cidade de São Paulo entre 1878 e 1893. A partir desse ano passaram a serem sepultados no recém-inaugurado Cemitério Municipal do Brás, também na cidade de São Paulo, até a construção do cemitério local, no ano de 1911”.
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