sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

História (78 ) – ”Far l´America (46 )”: perfil dos imigrantes Piemonteses no Estado do Espírito Santo

Chiara Vangelista, autora do trabalho Gênero e estratégias migratórias: mulheres italianas imigrantes no Estado do Espírito Santo Brasil, 1894-1895 , analisa o perfil dos piemonteses que desembarcaram no Espírito Santo no final do século XIX. “Contrariamente ao que se passou em São Paulo, e de forma semelhante à situação dos Estados do Sul, a imigração das últimas décadas do século XIX consolidou, no Espírito Santo, o sistema introduzido pelas colônias imperiais.

O bom êxito das colônias agrícolas deveu-se ao fato de que estas não foram simples núcleos de povoamento, mas ligaram-se ao circuito comercial internacional, participando da produção do café, produzido, desta maneira, tanto pelas fazendas do sul do Estado, como pelas colônias agrícolas do Centro (Saletto, 1996; Reginato, Vangelista, 1997)”

“Os emigrantes piemonteses aqui analisados embarcaram para o Espírito Santo entre outubro e dezembro de 1894 e chegaram em Vitória entre novembro de 1894 e janeiro de 1895 São no total 467 pessoas que, tendo emigrado no final de 1894, formam parte das estatísticas da imigração dos dois anos – 1894 e 1895 – que representaram um dos picos da imigração italiana no Espírito Santo” “Nos três navios os emigrantes procedentes do Piemonte representam de 8 a 14,5% do total dos passageiros. No caso destes três navios, a emigração piemontesa é formada exclusivamente por unidades familiares (famílias nucleares, famílias com agregados, ou, mais raramente, grupos de famílias nu- cleares, indicadas como unidades pelo registro de embarque”

"Dos 467 emigrantes, com efeito, somente um viajava sozinho e os outros formavam 112 unidades familiares, com uma média de 4,2 pessoas cada uma). O índice de masculinidade médio dos pie- monteses para os três navios (122) é superior àquele do total dos passageiros (107.8)”. “No que se refere à procedência 44,6% das unidades familiares partiu da Província de Alessandria, 24% e 18% das Províncias de Cuneo e Vercelli, enquanto que Asti, Novara e Torino forneceram, juntas, somente 16% das famílias restantes”.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

História (77 ) - "Far l´America ( 45)": imigrantes italianos no Estado do Espírito Santo

A grande imigração italiana também ganhou o pequeno território do Estado do Espírito Santo, tema do trabalhoGênero e estratégias migratórias: mulheres italianas imigrantes no Estado do Espírito Santo Brasil, 1894-1895 , cuja autora é Chiara Vangelista (Università degli Studi di Torino).

“Marginalizado economicamente por motivos estratégicos no período colonial, a Província do Espírito Santo foi objeto de uma política de povoamento a partir da primeira metade do século XIX, principalmente através da formação de colônias imperiais. Os imigrantes europeus (sobretudo alemães e italianos) se inseriram desta maneira em um fluxo imigratório já alimentado, desde o início do século, por mineiros e cariocas, os quais, ocupando os territórios dos grupos indígenas da região, introduziram o cultivo da cana e, desde 1840, o do café”.
“No caso da imigração italiana, todos os estudos sobre o assunto concordam em indicar, além da primeira relevante imigração em 1877, dois momentos importantes: o biênio 1888-1889, logo depois da abolição da escravidão, e o triênio 1893-1895. No ano seguinte, houve um declínio na entrada de italianos, devido à proibição da emigração para o Espírito Santo, estabelecida pela lei italiana de 23 de julho de 1894”.

“Embora tenham chegado neste Estado espanhóis, portugueses, alemães, suíços, árabes, franceses (Nagar, 1895, p. 29) os italianos representaram, neste período, a parte mais numerosa da imigração. Segundo os dados levantados por Demoner a imigração italiana representou 91% da imigração total no ano de 1892, 77% em 1893, 81% em 1894, 99% em 1895 e 94% em 1896.

”O porto de Vitória, que em 1892-1894 deu abrigo a 111 navios ingleses e 226 italianos, em 1902 recebeu um só navio italiano, e nenhum em 1903”

“No final do século, o período da grande imigração estran- geira havia terminado para o Espírito Santo. No entanto, as transfor- mações que a imigração propiciou manifestaram-se também a médio e longo prazo, mesmo depois do fim do movimento”.

“As transformações geradas pela imigração – interna e internacional – são evidentes seja no acréscimo populacional, seja na ocupação do território. De 1872 até 1920, a população do Espírito Santo apresentou uma taxa de cresci- mento superior à do Brasil, passando de 82.137 habitantes em 1872 a 209.783 em 1900, e a 457.328 em 1920 (IBGE, 1995). Ao mesmo tempo, a população italiana ou de origem italiana no Estado continuava crescendo, passando de 20.000-35.000 indivíduos em 1894, a 40.000-75.000 em 1900 e a 50.000 em 1910”

Italianità - Projeto "Caminhos de Pedra" em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul

As representações de italianidade no Rio Grande do Sul foram analisadas por Luís Fernando Beneduzi, Doutor em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Professor da Università degli Studi di Bologna. No trabalho Caminhos de memória: uma análise de percursos de italianidade no Rio Grande do Sul, Beneduzi aborda questões como o projeto “Caminhos de Pedra”, um roteiro de sete quilômetros em Bento Gonçalves passando por 28 construções em pedra e madeira, formando um cenário que remete à região Norte da Itália.

“Nesse sentido, tanto o projeto relativo aos ‘Caminho de Pedra’ quanto àquele que promove o passeio na Maria Fumaça trazem a magia de sonhar um tempo que não se viveu, mas que pertence a um período onde tudo era melhor. Efetivamente produz a idéia de um tempo que não flui mais, permanecendo imutável em um eterno presente. As experiências do hoje são a continuidade desta eternização do passado, fruto de um processo de recordação do que se pensou ser o real passado”.

“A estruturação dos “Caminhos de Pedra” – no interior do município de Bento Gonçalves – encaixa-se nessa busca contemporânea de trazer a vida o passado, como se o tempo não tivesse exercido sua misteriosa ação sobre a trajetória daqueles homens. Com clara intenção turística – o projeto foi idealizado e implementado pelo Hotel Dall’Onder, a partir de diversas parcerias – inclusive da região do Vêneto. O roteiro propõe – de acordo com fôlderes divulgativos – trazer à luz o vêneto rural do século XIX. Para esse intento, a rota – antiga ligação entre Bento Gonçalves e Farroupilha – sofreu um processo de restauração em diversas habitações que se encontravam em seu percurso. Procurava-se destacar o autêntico, mostrando como eram as edificações quando da chegada dos imigrantes e como esse Vêneto rural tinha permanecido intacto na região serrana”.

“A nostalgia de um tempo melhor que existiu no passado marca a sua positividade e segurança, pois se contrapõe a realidade do presente – sempre negativa – e a insegurança do futuro, o qual se apresenta etéreo. Essa realidade produz um mercado turístico que se propõe a vender emoções ao nostálgico, promovendo o reconhecimento deste lugar estranho que é o passado: 'Projeto Cultura' – como é denominado pelo Hotel Dall’Onder – visa instituir-se enquanto um museu vivo da imigração italiana”.

"Entende construir uma presentificação do passado – ou melhor – o seu renascimento, os ‘Caminhos de Pedra’ produzem um efeito de real e constituem-se em uma representação, em uma memória da imigração, engendrando em si uma dimensão criativa. O chamado 'Caminhos de Pedra', o qual buscava resgatar a história dos primeiros imigrantes italianos no Rio Grande do Sul, no intuito de “mostrar como era”, compõem-se de construções – muitas em pedra – que remontam ao período inicial do fluxo imigratório na região serrana, entre 1880 e 1900".


"Destacam-se algumas habitações do roteiro, como a casa Bertarello, a ferraria dos Ferri, a casa das massas e a cantina Strapazzon”.

“A casa Bertarello é um sobrado em pedra, com balcão frontal – com cantina – o qual reproduz a arquitetura da região montanhosa do norte italiano".

"A ferraria dos Ferri constitui-se de um pavilhão de madeira, com um moinho acoplado, o qual mantém instrumentos de trabalho que identificam as funções de ferreiro, na virada dos séculos XIX e XX” .




“Seguindo a rota, ainda na comunidade de São Pedro, tem-se a casa das massas, um sobrado em madeira – sem balcão e com cantina – que disponibiliza a venda de biscoitos e massas, apresentando instrumentos de produção caseira da pasta. No piso da cantina, tem-se uma pequena tecelagem, com produtos em lã e linha para venda. Por fim, a casa Strapazzon, uma habitação com um primeiro andar e um mezanino, toda em pedra, que é utilizada hoje como lugar de armazenamento de uma produção caseira de vinho e de derivados da uva, sendo lugar também de degustação”.


“Destaca-se que – particularmente nessas duas últimas casas mencionadas – faz parte da narrativa a vinculação com o passado. Na casa das massas entende-se essa ação forte da busca do autêntico, pois na fala do administrador e de outros membros da comunidade, a casa que existia antes do restauro foi refeita – aos moldes da original. Dessa forma, conta-se que a habitação originalmente possuía dois pisos além da cantina; porém, com o empobrecimento e diminuição da família, destruiu-se o piso superior, pois era oneroso mantê-lo”.

“Para o projeto, refez-se o segundo piso, praticamente destruindo o primeiro, pois as madeiras, como no original, deveriam ser inteiras. Cumpriu-se a meta – o tempo não passou e a habitação renasceu mais bem estruturada que quando foi construída pela primeira vez. Como em um efeito mimetizador, a estrutura arquitetônica passada surge como um duplo no presente – igual como havia sido em sua primeira edificação: o tempo parou!”

“Na cantina, antigamente último ponto do roteiro, menciona-se sempre – como ponto valorativo da construção – o fato de cenas do filme O Quatrilho terem sido rodadas em seu interior, pois ela refletia esse momento histórico. Como parte da construção imagética, a fala do demonstrador significa a habitação, informando que ela foi a moradia dos ‘nonos’ recém-chegados, permanecendo sempre com a família. Como em um roteiro museológico, haja vista que a proposta da estrada é um ‘museu vivo da imigração’, faz-se referência ao contexto, remarcando sempre o caráter de fidelidade às tradições italianas do vêneto rural do século XIX. Inclusive, são utilizados esses 'restos' dialetais como forma de produzir uma sensação de viagem temporal, possibilitando esse renascimento do passado”.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Oriundi - Sangue italiano nas veias do Modernismo brasileiro: as telas de Candido Portinari (2)

Em 1941, Portinari executa quatro grandes murais na Fundação Hispânica da Biblioteca do Congresso em Washington, com temas referentes à história latino-americana. De volta ao Brasil, realiza em 1943 oito painéis conhecidos como SÉRIE BÍBLICA, fortemente influenciado pela visão picassiana de Guernica e sob o impacto da 2ª Guerra Mundial. A convite do arquiteto Oscaar Niemeyer (1944), inicia as obras de decoração do conjunto arquitetônicoda Pampulha, em Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, destacando-se o mural SÃO FRANCISCO e a VIA SACRA, na Igreja da Pampulha. A escalada do nazi-fascismo e os horrores da guerra reforçam o caráter social e trágico de sua obra, levando-o à produção das séries RETIRANTES e MENINOS DE BRODOSWKI, entre 1944 e 1946, e à militância política, filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro e candidatando-se a deputado, em 1945, e a senador, 1947.

Ainda em 1946, Portinari volta a Paris para realizar sua primeira exposição em solo europeu , na Galerie Charpentier. A exposição teve grande repercussão, tendo sido Portinari agraciado, pelo governo francês, com a Légion d!Honneur.


Em 1947 expõe no salão Peuser, de Buenos Aires e nos salões da Comissão nacional de Belas Artes, de Montevidéu, recebendo grandes homenagens por parte de artistas, intelectuais e autoridades dos dois países. O final da década de quarenta assinala o início da exploração dos temas históricos através da afirmação do muralismo. Em 1948, Portinari exila-se no Uruguai, por motivos políticos, onde pinta o painel A PRIMEIRA MISSA NO BRASIL, encomendado pelo banco Boavista do Brasil.

Em 1949 executa o grande painel TIRADENTES, narrando episódios do julgamento e excecução do herói brasileiro que lutou contra o domínio colonial português. Por este trabalho Portinari recebeu, em 1950, a medalha de ouro concedida pelo Juri do Prêmio Internacional das Paz, reunido em Varsóvia.

Oriundi - Sangue italiano nas veias do Modernismo brasileiro: as telas de Candido Portinari (1)

Candido Portinari nasceu no dia 30 de dezembro de 1903, numa fazenda de café em Brodoswki, no Estado de ão Paulo. Filho de imigrantes italianos (Domenica Torquato e Baptista Portinari – ambos imigrantes oriundos da Região Veneto) -, de origem humilde, recebeu apenas a instrução primária de desde criança manifestou sua vocação artística. Aos quinze anos de idade foi para o Rio de Janeiro em busca de um aprendizado mais sistemático em pintura, matriculando-se na Escola Nacional de Belas Artes. Em 1928 conquista o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro da Exposição Geral de Belas-Artes, de tradição acadêmica. Vai para Paris, onde permanece durante todo o ano de 1930.

Longe de sua pátria, saudoso de sua gente, Portinari decide, ao voltar para o Brasil em 1931, retratar nas suas telas o povo brasileiro , superando aos poucos sua formação acadêmica e fundindo a ciência antiga da pintura a uma personalidade experimentalista a anti-acadêmica moderna.













Em 1935 obtém seu primeiro reconhecimento no exterior, a Segunda menção honrosa na exposição internacional do Carnegie Institute de Pittsburgh, Estados Unidos, com uma tela de grandes proporções intitulada CAFÉ, retratando uma cena de colheita típica de sua região de origem. A inclinação muralista de Portinari revela-se com vigor nos painéis executados no Monumento Rodoviário na estrada Rio de Janeiro-São Paulo, em 1936, e nos afrescos do novo edifício do Ministério da Educação e Saúde, realizados entre 1936 e 1944. Estes trabalhos, como conjunto e como concepção artística, representam um marco na evolução da arte de Portinari, afirmando a opção pela temática social, que será o fio condutor de toda a sua obra a partir de então.

Companheiro de poetas, escritores, jornalistas, diplomatas, Portinari participa da elite intelectual brasileira numa época em que se verificava uma notável mudança da atitude estética e na cultura do país. No final da década de trinta consolida-se a projeção de Portinari nos Estados Unidos. Em 1939 executa três grandes painéis para o pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York.

Neste mesmo ano o Museu de Arte Moderna de Nova York adquire sua tela O MORRO. Em 1940, participa de uma mostra de arte latino-americana no Riverside Museum de Nova York e expõe individualmente no Instituto do Artes de Detroit e no Museu de Arte Moderna de Nova York, com grande sucesso de crítica, venda e público.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Italianità: o legado da imigração em Varre-Sai, município do Rio de Janeiro

A Microbacia Ribeirão do Varre-Sai está localizada no município de Varre-Sai, Noroeste do Estado do Rio de Janeiro (foto/www.skyscrapercity.com) O lugar se desenvolveu tendo como base o plantio de café. No fim do século XIX com a abolição da escravatura, as fazendas ficaram carentes de mão de obra. Em 1897 chegaram os imigrantes italianos, principalmente nas fazendas do Cigarro e Bela Vista.

Tais fazendas absorveram a mão de obra italiana e as famílias trabalharam muitos anos como colonos, até adquirir recursos para comprar suas próprias terras.

Muitos italianos adquiriram suas terras em Varre-Sai atraídos pelo clima de baixas temperaturas semelhante à Itália. Eles man­tinham o hábito de produzir suas próprias massas, pães e bolos. Porém, poucos eram os que conseguiam plantar uva para a fabricação do vinho. Diversas frutas foram testadas para substituir a uva, na fabricação do vinho, até chegarem na jabuticaba, uma fruta nativa. Vários experimentos foram feitos e aperfeiçoados, até conseguirem fabricar o tão famoso e prestigiado vinho de jabuticaba. 

O município tem em seus registros uma predominância de descendentes italianos, em menor número de portugueses, seguido de afro-descendentes, alguns poucos sírio-libaneses e os descendentes de puri (índios). Apesar de outras influências, a identidade local é totalmente italiana.

Os italianos chegaram juntos e criaram grupos com valores em comum e vieram por vontade própria. Sempre se preocupavam em manter as tradições e a união, os festejos e até a documentação de sua história. Na Casa de Cultura da cidade há um pouco da história destes imigran­tes, que em sua maioria veio da região central da Itália - Toscana, Lazio e Úmbria e de lá embarcaram nos navios Andes, Colombo e Attivitá. As famílias que vieram no vapor Attivitá embarcaram em Gênova, e desembarcaram no porto do Rio de Janeiro em 14/11/1897.

Um grande contingente de italianos que chegou no Estado se fixou no noroeste fluminense na fazenda Bela Vista, no município de Natividade, e posteriormente transferiram-se para Varre-Sai. A fabricação de vinho de jabuticaba atingiu um alto grau de aceitação que deu origem ao tradicional Festival do Vinho, que ocorre todos os anos no mês de julho, para comemorar a chegada das famílias italianas.

Nesta festa ocor­rem desfiles em carros abertos, pertencentes aos descendentes que homenageiam as suas respectivas famílias, com comidas típicas, ves­timentas e danças tradicionais. Quanto à alimentação não deixam a desejar na fabricação de pães, panetones, macarrão italiano e diversas massas, hábitos estes não apenas dos descendentes, mas generalizado entre os varresaenses.

É fundamental destacar como aspecto cultural a religio­sidade existente entre os imigrantes italianos e seus descendentes. Entre as muitas igrejas no município, é possível perceber que elas se localizam em lugares altos, ostentando sua soberania. Varre-Sai é um município que preserva sua cultura. A história, a memória, a cultura e a tradição local são contadas por adultos e por crianças em todas as esferas da sociedade. As crianças aprendem na escola (livros didáticos) a sua história e tradição, desde a administração local, à chegada de cada imigrante, e tudo isso é comemorado.

História (76 ): 'Far l'America (44): lavoura de subsitência e laços afetivos no colonato na região Noroeste do Rio de Janeiro

No sistema de colonato  da Fazenda na Região Noroeste do Estado Rio de Janeiro, os imigrantes italianos plantavam para sua subssitência e procuravam manter-se próximos a seus conterrâneos. É o que mostra o trabalho  Imigrante italiano na nova fronteira do café 1897-1930 , Rosane Aparecida Bartholazzi , da Faculdade Federal Fluminense,

"Ao colono, era permitido plantar lavoura de subsistência: uma outra fonte de renda importante. Paralela à produção de café, esses colonos cultivavam o milho e o feijão. A produção paralela era permitida sem que fosse necessário dividir a metade com os proprietários. Por ser uma área de expansão do café, o plantio entre os cafezais novos permitiu aos italianos vantagens, pois ao mesmo tempo em que cuidava do café, poderia cultivar outros produtos sem perda de tempo"

"Os colonos procuravam fixar-se junto a seus conterrâneos de modo a se sentirem psicologicamente confiantes. A união e a ajuda mútua se fizeram presentes; dessa forma, sentiam mais segurança para seguir em frente. Podemos concluir que esta também foi uma das estratégias utilizadas na luta pela sobrevivência para aumentar os seus rendimentos. A necessidade do estreitamento dos laços familiares contribuía para aumentar os ganhos.

A família unida trabalhava com um único objetivo: comprar um lote de terra, por isso os membros não se dispersavam. Ter terra significava ter liberdade, significava a realização de um sonho que na Itália foi interrompido com o avanço do capitalismo no campo e conseqüentemente a desagregação da unidade familiar. Portanto, era aqui que os italianos sentiram a possibilidade de se transformarem em proprietários rurais. Para isso, não pouparam esforços no sentido de acumular certo capital que lhes favorecessem o acesso à terra"