quinta-feira, 25 de março de 2010

Italiani: Os missionários scalabrinianos (4)

Na obra missionária do padre Giuseppe (José) Marchetti religiosas italianas da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo tiveram papel fundamental. O site da  Congregação conta como tudo começou.


"Em 1895, Pe. José Marchetti, missionário scalabriniano, sentindo a urgência do ramo feminino para atender os órfãos migrantes no Orfanato Cristóvão Colombo por ele fundado em São Paulo, Brasil, preparou, reuniu e apresentou a Scalabrini as quatro primeiras Irmãs: Carolina Marchetti, Assunta Marchetti, Ângela Larini e Maria Franceschini, que as admitiu aos votos religiosos e as enviou à missão. Durante a travessia as quatro pioneiras, migrantes com os migrantes, dedicaram as primícias de sua vocação, dando catequese a 86 crianças que, ao desembarcarem em terras brasileiras, receberam a primeira eucaristia das mãos de padre José Marchetti, co-fundador e capelão de bordo.

O Orfanato Cristóvão Colombo, SP, sediou a primeira comunidade de Irmãs MSCS e os órfãos ali acolhidos foram os primeiros destinatários de sua missão. Em diversas circunstâncias o Orfanato do Ipiranga mereceu de João Batista Scalabrini uma especial menção como a que consta em relatório enviado à Propaganda FIDE, datado de 10 de agosto de 1900: 'A bordo do navio em que viajava um Missionário, Pe. José Marchetti (ex-professor no Seminário de Lucca), morria uma jovem mãe, deixando um orfãozinho bebê e o esposo sozinho, desesperado.

O Missionário para acalmar aquele desolado que ameaçava jogar-se ao mar, prometeu-lhe cuidar da criança, e como prometeu fez. Chegou ao Rio de Janeiro, levando no colo aquela inocente criaturinha e apresentou-se com ela ao exímio conde Pio de Savoia, no momento cônsul geral daquela cidade. Ele não pôde dar ao jovem Missionário mais que palavras de encorajamento, mas tanto bastou para que este, batendo de porta em porta, chegasse por fim a deixar o pobre orfãozinho com o porteiro de uma casa religiosa. Daquele momento em diante a idéia de fundar em São Paulo (onde tinha chegado) um orfanato para os filhos dos italianos não lhe saía da cabeça e, com grandes sacrifícios, conseguiu fundá-lo de fato. Agora tem seis anos de vida, com 200 orfãozinhos e um mártir que reza por eles no céu, porque as grandes fadigas que suportou, custaram a vida ao piedoso e zeloso Missionário. Descanse em paz a sua alma, já pronta para o céu aos trinta anos!'

Com o desdobramento do Orfanato do Ipiranga, a sessão feminina do mesmo estabeleceu-se em Vila Prudente onde, em 1907, as Irmãs sob a liderança de Madre Assunta Marchetti puderam fixar a sede geral da Congregação e crescer na identidade MSCS. A partir de 1915 a família religiosa expandiu-se no Rio Grande do Sul, em áreas de colonização italiana. O início da Congregação foi acompanhado de sucessivas dificuldades, mas foi um período rico de frutos de santidade e de afirmação da identidade congregacional graças à fidelidade carismática da co-fundadora Madre Assunta Marchetti. O decreto de Pio XI, de 13 de janeiro de 1934, aprovando ad experimentum, por sete anos, as novas constituições, legitimou a Congregação como instituto religioso de direito pontifício. Seguiu-se uma época de florescimento de vocações e nova expansão das obras da Congregação.

Em 1936 ela atingiu o local de partida das quatro pioneiras, estabelecendo-se em Piacenza, Itália. Em 1941 alcançou os Estados Unidos. A re-interpretação do carisma feita por ocasião do Capítulo Especial, 1969-1971, sobretudo a opção pelo serviço pastoral junto a migrantes de todas as nacionalidades favoreceu maior internacionalização da Congregação MSCS nas Américas, na Europa, Ásia e África. Hoje a Congregação é constituída de seis províncias: Nossa Senhora Aparecida, Imaculada Conceição, São José, Nossa Senhora de Fátima, Cristo Rei e Maria, Mãe dos Migrantes.

A sede geral esteve no Brasil até 1960, ano em que foi transferida de Vila Prudente para Itália, primeiro em Acilia, periferia de Roma e desde 1982 em Roma - centro, onde agora se encontra. A Congregação desenvolve sua missão através da catequese, educação cristã, pastoral da saúde, pastoral social e das migrações, atuando em escolas, hospitais, orfanatos, presídios, centros de menores, asilos de anciãos, casas de formação, comunidades étnico-culturais, paróquias, dioceses, conferências episcopais, organismos internacionais, organizações civis, centros de promoção e de serviços de escuta, acolhida e centros de estudos e de documentação.

Em resposta aos desafios da mobilidade humana e fiel à missão que a Igreja lhe confiou, a Congregação marca presença pelo testemunho de vida consagrada no serviço evangélico-missionário aos irmãos em mobilidade e, de preferência os pobres e necessitados. O espírito que a anima é aquele da comunhão universal porque deseja visibilizar a vocação dos membros de reconhecer e amar Cristo na pessoa do migrante.

Italiani: Os missionários scalabrinianos (3)

Na missão dos religiosos scalabrinianos em terras brasileiras destaca-se o trabalho do padre Giuseppe (José) Marchetti. Em 1895, em São Paulo, ele fundaria o Orfanto Cristóvão Colombo para acolher filhos e filhos órfãos de imigrantes. O site a ele dedicado relata a obra deste religioso italiano.

“Padre José Marchetti nasceu aos 3 de outubro de 1869, em Lombrici, distrito de Camaiore, na província de Lucca, Itália. Contam os familiares que às vésperas de partir para a Argentina um tio, o franciscano Padre Jerônimo Marchetti, abençoou o recém-nascido, pedindo a Deus que o fizesse um bom sacerdote missionário. No dia 3 de abril de 1892 foi ordenado sacerdote e celebrou sua primeira missa solene na cidade de Capezzano. Entre os convidados, achava-se o velho missionário franciscano. Durante o banquete aquele veterano das missões na América, polarizou a atenção de todos com seus contos missionários, mas especialmente a do jovem sacerdote.

Por fim, Padre José Marchetti não pôde mais manter secreto o seu propósito e revelou que também ele, há muito tempo, sentia-se chamado à mesma missão. De caráter reto e vontade férrea, depois de ter posto a mão no arado, não mais olhou para trás e se fez missionário e mártir para os irmãos mais pobres: órfãos e imigrantes italianos no Brasil.

No final do século passado, os problemas sociais eram muito graves na Itália. A realidade era dramática. A miséria atingia especialmente os camponeses. Por isso, milhões deles abandonaram a Itália em busca de melhores condições de vida. Padre Marchetti viu partir metade de seus paroquianos, decididos a emigrar para o Brasil. Ele mesmo os acompanhou até o Porto de Gênova para ajudá-los no momento da partida, impedindo-os de caírem nas mãos de agentes inescrupulosos, como acontecia freqüentemente. Esse primeiro contato com a dura realidade, somado a uma vocação missionária já revelada e a conferência sobre a emigração, proferida por Dom João Batista Scalabrini, em Lucca, em 1892, interpelaram fortemente o coração do Padre Marchetti, motivando-o a dar uma resposta generosa de doação total, em favor dos imigrantes italianos no Brasil.

Como missionário externo da Congregação dos Missionários de São Carlos, comprometeu-se a acompanhar os emigrantes durante a travessia, como capelão de bordo nos navios da emigração. Em outubro de 1894, realizou sua primeira viagem ao Brasil. O apostolado com os emigrantes italianos nos navios e o contato com a situação dos emigrantes alargou sua visão sobre o problema migratório e aumentou-lhe o desejo de encontrar soluções.

Um episódio ocorrido durante a segunda viagem ao Brasil, em janeiro de 1895, teve um papel importante nessa busca. Esta viagem definiu o futuro do Padre Marchetti. Tinha ele, então, 25 anos. Durante a viagem, morreu uma jovem senhora deixando o marido com uma criança de colo. O homem estava tão desesperado que ameaçava jogar-se ao mar. Para tranqüilizá-lo, Padre Marchetti prometeu cuidar da criança. Naquele lance de amor decidiu sua vida e sua morte. Tornou-se para sempre o missionário dos emigrantes e o pai de seus órfãos. No Rio de Janeiro, Padre Marchetti desceu do navio, levando no colo a criancinha. Bateu em diversas portas para encontrar uma pessoa disposta a acolher o órfão. Daquele momento em diante, Padre Marchetti teve uma só idéia: construir, em São Paulo, um orfanato para os filhos órfãos dos imigrantes italianos e dos antigos escravos, dispersos pelas cidades e fazendas. Esta idéia, nutrida pro sua grande na Providência Divina e no desejo de fazer o bem, em pouco tempo, tornou-se realidade. Surgiu, assim, o Orfanato Cristóvão Colombo, no alto da Colina do Ipiranga, na cidade de São Paulo.

Chegando em São Paulo, Padre Marchetti encontrou-se com o benemérito Conde José Vicente de Azevedo, do qual obteve, em doação, um vasto terreno na Colina do Ipiranga. Os trabalhos de construção do Orfanato foram iniciados em 15 de fevereiro de 1895, em ritmo acelerado. No prazo de 9 meses, aos 8 de dezembro do mesmo ano, o novo orfanato, denominado Cristóvão Colombo, abriu suas portas aos primeiros 80 órfãos. A fé, a esperança e a caridade, irremovíveis, guiaram o Padre Marchetti a uma vida religiosa-missinária-apostólica tão intensa que frutificou em grandes e inexplicáveis realizações no Brasil, no breve espaço de 22 meses. Padre José Marchetti morreu em conceito de santidade a 14 de dezembro de 1896. Selou sua obra com o martírio.

No mesmo dia, Padre Natal Pigato, informando a Dom João Batista Scalabrini sobre a Morte de Padre José Marchetti, escreveu: “Morreu um santo! Estava pronto para o céu. Deus o quis ao seu eterno repouso. Assim tão cansado, consumido pelas fadigas, devorado pelos contínuos sacrifícios por amor aos seus orfãozinhos, pelos quais não parou nunca, nem de dia, nem de noite, para encontrar par ele o pão de cada dia. Terminou a sua vida, deixando-nos nas mãos da Providência”. Padre Marchetti, além de gestos heróicos, realizou, sobretudo, os pequenos atos de cada dia com simplicidade, humildade e caridade. A vida dele foi como um mosaico: que se compunha de tantos pequenos fragmentos de cotidiano.

Ele acreditava nas verdades da fé e agia como acreditava, falava como sentia e se comportava como falava. Assim, ensinou aos cristãos o modo mais simples para se chegar a união com Deus e a todos indicou a coerência entre o pensamento e a ação. Padre José Marchetti viveu pouco mais de 27 anos. Sua vida foi como a passagem de uma estrela cadente, porém com um rastro e com um testemunho que nos ilumina ainda hoje".

quarta-feira, 24 de março de 2010

Italiani – Pietro Mari Bardi e as obras de artistas italianos no MASP (2)

No acervo construído por Pietro Maria Bardi, o Museu de Arte de São Paulo traz a obra A Virgem Amamentando o Menino e São João Batista Criança em Adoração do artista lombardo Gianpietrino (chamado Gian Pietro Rizzi). Trata-se de um óleo sobre tela, 86 X 88 cm.(1500-1520).

"A obra faz emergir com habilidade de um fundo escuro personagens saturadas de sfumato leonardiano. Detectam-se com não menor evidência na invenção cênica componentes típicos das Virgens de Leonardo. O Menino Jesus, por exemplo, está em posição invertida em relação ao Menino da assim chamada Madonna Litta, do Hermitage, datada em geral de c. 1490, enquanto a paisagem fantástica entrevista pela janela, com suas montanhas e atmosfera extraterrenas, é de um leonardismo ortodoxo.

De modo geral, Giampietrino vale-se de motivos bem estabelecidos na tradição quatrocentista: o piso ladrilhado que escande com metro preciso a sucessão em profundidade dos planos, a janela que introduz a paisagem em contraponto ao cubo espacial, e o cortinado, com sua simbologia cênica diversa. A coluna decorada com folhas de parreira é supostamente alusiva ao mistério da Eucaristia e, como a cruz abraçada por São João Batista, prenuncia misticamente o sacrifício.

O Artista 

Contemporâneo ou ligeiramente mais jovem que seus compatriotas Bergognone (ativo entre 1481 e 1523), Giovanni Boltraffio (1467-1516), Andrea Solario (1468/1470-1524), Marco d’Oggiono (c.1475-1530?), Cesare da Sesto (1477-1523) e Bernardino Luini (1480/1485-1532), Giampietrino pertence a toda uma geração de pintores lombardos profundamente influenciados pelas longas estadas de Leonardo da Vinci em Milão. A primeira menção ao artista é feita pelo próprio Leonardo que designa um certo Gian Pietro como seu discípulo, no manuscrito denominado Codice Atlantico (Richter 1883), a se datar, segundo Pedretti (1979), dos anos de 1497-1500.

Uma outra menção não surge antes do Tratatto dell’Arte della Pittura de Lomazzo (1584), que recorda um Pietro Rizzo Milanese. O primeiro núcleo de obras relacionáveis à atividade desse pouco conhecido discípulo direto de Leonardo remonta ao inventário da Galeria de Ambrogio Mazenta, do século XVII, no âmbito do qual apenas uma obra, o retábulo da igreja de San Marino, em Pavia, traz uma data segura: 1521.

Diversas obras de tema sacro- sobretudo representações da Sagrada Família, de Sacras Conversações, da Madalena e da Paixão de Cristo (Marani 1987, pp. 199-213)- distribuem-se em igrejas e museus lombardos, enquanto não menos recorrentes são certos temas de cunho mitológico e profano, tais como a Cleópatra do Louvre e a de Oberlin, inspiradas na Leda de Leonardo (Moro 1987, p. 727 ). A cópia da Última Ceia, conservada na Royal Academy de Londres, recentemente restituída a nosso pintor (Shell, Brown, Brambilla Barcillon 1988 ), situa-o entre os pintores lombardos de mais inspirada e estrita observância leonardiana". (Fonte: Catálogo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand).

Italiani: Os missionários scalabrinianos (2)

A dedicação de Giovanni Battista Scalabrini a uma obra voltada para os seus irmãos italianos que deixavam a terra natal rumo ao estrangeiro é assim descrita no site Scalabrini .
"L ´emozione creatrice per la sua opera in favore dei migranti egli scrive che l'ebbe (lo Spirito spira dove vuole!) passando un giorno per la stazione di Milano rigurgitante di emigranti, 'figli della miseria e del lavoro' . Ma già fin dalla sua prima visita pastorale egli aveva raccolto dati statistici sull'emigrazione dal suo Appennino che gli dicevano che quasi il 12% dei suoi fedeli emigrava, in Europa e in America, per cui il pastore sollecito si era posto l'interrogativo: "Che cosa fare?".

L'emigrazione allora era una necessità estrema (e non il tentativo di migliorare la propria posizione sociale), ed emigrare è sempre stato un dramma sotto ogni aspetto: umano, economico, culturale, e quindi (conclusione scalabriniana nel "Memoriale"!) religioso. Anche alla stazione di Milano egli si era chiesto: 'Quanti, pur trovando il pane del corpo, verranno a mancare di quello dell'anima, non meno del primo necessario, e smarriranno, in una vita tutta materiale, la fede dei loro padri?". E dalle lettere dei suoi fedeli emigrati sulle rive dell'Orinoco c'era la straziante invocazione: "Ci mandi un prete, perché qui si vive e si muore come le bestie'".

Prima di vedere che cosa ha operato, come risposta all'interrogativo categorico: "Che cosa fare?", resta ancora da dire che Scalabrini, come è proprio dei santi e dei geni, intuì in quel fenomeno sociale che coinvolgeva tutti i paesi cattolici d'Europa, e con così enorme portata (dal 1860 al 1970 oltre 25 milioni di Italiani emigrarono!), un "segno dei tempi", cioè qualcosa con cui la Provvidenza divina voleva scrivere la sua storia di salvezza.

L'ingiustizia umana produce l'emigrazione, ma il male dell'emigrazione ha anche una sua provvidenziale ragion d'essere nel piano di Dio: evangelizzare, mediante i cattolici europei, il "Nuovo Mondo", che diviene "la Terra Promessa alla Chiesa Cattolica" europea, cui si misurava lo spazio in Europa. E' interessante notare che in quest'ordine di idee non giunse subito, ma con lenta lettura delle piste di Dio. Infatti, nel suo primo Sinodo (1878) l'emigrazione viene sconsigliata e per così dire esorcizzata. E ancora: non dimentichiamo che l'emigrazione, anche quella che è un conto di numeri bassi per la fede, lui l'aveva in famiglia, con due fratelli 'persi' così in Argentina. Al "'cosa fare?'

Scalabrini rispose col fondare una Congregazione religiosa di Missionari (1887) e Missionarie (1895), che seguissero i migranti italiani nelle Americhe, e impiantassero nel Nuovo Mondo la Chiesa degli emigrati italiani, e analogamente quella degli emigrati polacchi, tedeschi, ecc.: perché, ed ecco l'intuizione geniale scalabriniana, fatta propria dalla Chiesa: senza cultura propria (lingua, storia, sacerdoti, santi, religiosità popolare, feste, ecc.) a lungo andare non vive più neanche la fede. In questo contesto va inteso il motto scalabriniano di ' Religione e Patria ' "

terça-feira, 23 de março de 2010

Italiani: Os missionários scalabrinianos (1)

O fenômeno da imigração italiana no século XIX despertou a atenção de Giovanni Battista Scalabrini (1839-1905), bispo de Piacenza e hoje beato da Igreja Católica. Em 1887, ele fundaria a “Congregazione dei Missionari di San Carlo” destinada a amparar o imigrante tanto na partida quanto na viagem e, sobretudo no país escolhido como terra para recomeçar a vida. O site Scalabrini relata como foi fundada a Congregazione dei Missionari di San Carlo” e quantos foram os religiosos que partiram para o Brasil .

“Il 28 novembre 1887 rappresenta la data di fondazione della Congregazione dei Missionari di San Carlo. Appena ricevuto il Breve Libenter Agnovimus con cui il papa Leone XIII approvava il progetto presentato dal Vescovo di Piacenza, Mons. Scalabrini diede inizio alla Congregazione, e volle che "gettasse le sue prime radici presso la tomba dell'inclito Martire S. Antonino, Patrono della Città e Diocesi di Piacenza' (P. Giuseppe Molinari, 'Cronaca dell'Istituto Apostolico dei Missionari per le Colonie italiane all'estero specialmente in America"). A mezzogiorno, nella Basilica di S. Antonino, a porte chiuse, i primi missionari D. Giuseppe Molinari e D. Domenico Mantese insieme al canonico Mons. Domenico Costa, si presentano a Mons . Scalabrini e pronunciano l'impegno solenne di dedicarsi alla nuova missione e di osservare il 'regolamento provvisorio'.

La prima professione religiosa propriamente detta fu pronunciata dai primi missionari il 12 luglio 1888 nella basilica di S. Antonino, secondo il regolamento consegnato da Mons. Scalabrini, e partirono per gli Stati Uniti e per il Brasile. Ai primi due missionari, P. Giuseppe Molinari (nella foto: a sinistra, in piedi) e P. Domenico Mantese, si unirono presto altri sacerdoti, animati dallo spirito missionario e disponibili per la missione tra gli emigranti: P. Marcellino Moroni, P. Giuseppe Venditti, P. Remigio Pezzotti, P. Amos Vincenzo Astorri,P. Felice Morelli. Dopo alcuni mesi di formazione trascorsi a Piacenza sotto la guida del P. Bartolomeo Rolleri, ricevettero il crocifisso dalle mani di Mons. G.B. Scalabrini il 12 luglio 1888, nella basilica di S. Antonino.
Nel famoso pronao della basilica, detto 'il Paradiso' , il fondatore abbracciò i dieci missionari, che salirono sulle carrozze prestate a gara dalle nobili famiglie piacentine e si diressero subito alla stazione ferroviaria dalla quale partirono per Genova i sette destinati al Brasile e per Le Havre i tre diretti a New York"

História (127 ) - Fascismo e Legislação Trabalhista no Brasil (5)

A questão da influência da Carta Del Lavoro do regime fascista de Benito Musollini sobre a legislação trabalhista brasileira gera polêmica, como mostra o trabalho de
Camile Balbinot, especialista em Direito do Trabalho pela PUC/RS, servidora do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região. O texto CLT. Fundamentos ideológico-políticos: fascista ou liberal-democrática? diz que:
"(..) é o eminente jurista Arnaldo Sussekind, membro da comissão que elaborou a CLT, ex-Ministro de Estado do Trabalho e ex-Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, quem nos fornece uma das leituras mais lúcidas quanto às origens da CLT. [19] Sussekind revela que as principais fontes materiais da CLT foram os pareceres de Oliveira Vianna e de Oscar Saraiva, o 1º Congresso Brasileiro de Direito Social, as Convenções e Recomendações da OIT e a Encíclica Papal Rerum Novarum. Diz que na elaboração da CLT teriam participado, ainda, juristas como Evaristo de Moraes, Oliveira Vianna e Oscar Saraiva. Durante o Primeiro Congresso de Direito Social, em comemoração aos 50 anos da Rerum Novarum, em maio de 1941, Sussekind conta que apresentou uma tese, aprovada – 'A Fraude à Lei no Contrato de Trabalho', – e que inspirou, na comissão de elaboração da CLT, a redação do artigo 9º, o qual combate a fraude e a simulação e configura a consagração do princípio da primazia da realidade.

Outro ponto importante esclarecido por Sussekind é o fato de que, quando Getúlio Vargas, após o movimento conhecido como Intentona Comunista, em 1935, passou a combater os comunistas, estes passaram a criticar aquilo que era o principal feito de Getúlio - a legislação do trabalho -, afirmando que a CLT seria cópia da Carta del Lavoro, de inspiração fascista. As críticas, então, começaram a partir de todos os lados, por questões unicamente políticas. Contudo, atualmente, seriam os liberais mais conservadores os principais críticos da CLT ao alegarem que a magistratura do trabalho no Brasil tem poder normativo tal como a 'magistratura del lavoro', prevista na Carta del Lavoro. Nesse ponto, Sussekind esclarece que o Poder Normativo não foi criação do fascismo italiano.

O instituto, na verdade, nasceu em 1904, na Nova Zelândia; depois, foi implantado na Austrália, Turquia, e no México, em 1917. De resto, diz o jurista, que a CLT não fala em Poder Normativo, mas em "possibilidade de criar normas e condições de trabalho, tal como um poder arbitral". O poder normativo nada mais é do que uma forma de arbitragem, como refere Américo Plá Rodrigues, lembra. Sussekind refere ainda que o outro foco de crítica dos neoliberais é a compulsoriedade da unicidade sindical, a qual está prevista também na Carta del Lavoro. O jurista rebate a crítica lembrando novamente que este instituto não é criação italiana, sendo que, já em 1917, Lenin havia instituído a unicidade sindical na extinta União Soviética. E, muito antes dele, havia sido defendida por vários juristas, como Max Leroix, em 1913 e Georges Scelle. Desta forma, entende que é falacioso afirmar que a CLT é uma cópia da Carta del Lavoro, tendo em vista que a CLT tem 922 artigos e a Carta possui apenas 11 princípios trabalhistas, a maioria deles de pouca aplicabilidade imediata.

No que pertine ao imposto sindical, é Ângela de Castro Gomes quem explica suas origens. Segundo a historiadora, este visava adotar os sindicatos de recursos capazes de fazê-los arcar com suas responsabilidades entre as massas trabalhadoras.

Ou seja, transformar o sindicato em um real dispensador de benefícios e, com isso, torná-lo um pólo de atração para os trabalhadores. [20] Nesse sentido, o aumento do número de associados, o qual era o principal objetivo, acabou tendo um efeito inverso: Uma vez que os sindicatos recebiam verbas independentemente da quantidade de filiados que reunissem, tornava-se desnecessário e até pouco interessante aumentar esse número. Esse efeito perverso foi-se afirmando e crescendo com o passar do tempo, tanto por implicações econômicas stricto sensu, quanto políticas, pois se tratava de reduzir as margens de competição pelo controle da vida sindical.

Mas nos anos 40 estes desdobramentos ainda não eram tão óbvios, embora já se anunciasse com certa clareza. Gomes explica que o Ministério do Trabalho, já na década de 40, queria sindicatos e líderes convencidos das qualidades do sistema corporativista, o que não significava necessariamente submissão total. A vivificação do sindicalismo corporativista deveria passar por um esforço eminentemente pedagógico e não fundamentalmente repressivo.

Nesse período, o governo estava se empenhando em difundir a idéia da sindicalização, sendo que, só no final do Estado Novo, ou seja, passado o período de autoritarismo, começou a se desenvolver a idéia do corporativismo brasileiro. A Justiça do Trabalho, o imposto sindical e a CLT já haviam sido criados, não havendo falar que tais institutos teriam sido idealizados sob a inspiração totalitária do Estado Novo. Conforme Gomes, o chamado sindicalismo corporativista não foi implementado durante os anos de autoritarismo do Estado Novo, mas sim no período de transição do pós-1942, quando a questão da mobilização de apoios sociais tornou-se uma necessidade inadiável ante a própria transformação do regime. A autora conclui que o aspecto político da implementação do corporativismo no Brasil buscou, na verdade, uma saída do autoritarismo. O objetivo do governo, nos anos pós-1942, era mobilizar e preparar lideranças e não mais exercer a repressão. Nessa época já se falava na necessidade de desvincular o sindicalismo corporativista de outros regimes totalitários: Nosso regime diferenciava-se dos demais corporativismos (alemão, italiano, austríaco e até português e espanhol), já que adotava uma estrutura organizativa eminentemente representativa.

O corporativismo brasileiro consagrava o direito de a própria produção organizar-se através de sindicatos, definidos como órgãos coordenados pelo Estado, no exercício de funções delegadas pelo poder público. Esta dimensão oficial era imprescidível a todo o corporativismo moderno, já que por ela se garantiam as próprias tarefas de representação das corporações profissionais.  Concluímos, mais uma vez, que não é correto associar o corporativismo italiano com o corporativismo brasileiro. Tratam-se de ideologias surgidas em realidades históricas específicas, cada uma ambicionando chegar a um resultado político e econômico diferente".

Italiani – Pietro Mari Bardi e as obras de artistas italianos no MASP (1)

O acervo do Museu de Arte de São Paulo (Masp) garimpado pelas mãos de Pietro Maria Bardi está repleto de obras de artistas italianos. Do pintor veneziano Jacopo Tintoretto, ( 1518-1594 ), o MASP conserva duas obras: Lamentação sobre o Cristo Morto (ou Pietà) e Ecce Homo ou Pilatos Apresenta Cristo à Multidão. Pietà é óleo sobre tela (95cm x 140 cm) doada por Gladstone Jafet. Cristo à Multidão é também óleo sobre tela (109 x 136 cm).

O Grupo Fiat editou o livro Arte Italiana no Masp Arte Italiana no Masp que assim comenta a tela Pietà: “A obra relaciona-se ao mesmo tema pintado por Tintoretto para a decoração de uma luneta, obra conservada hoje na Pinacoteca Brera de Milão, e pode ser datada entre 1560 e 1565. A cena representa o momento do pesar diante do Cristo deposto da cruz, já morto – uma iconografia gerada somente a partir do século XII. Amparando o corpo de Jesus estão a Madona e São João Evangelista, o discípulo mais jovem do Mestre. Aos pés do corpo, Maria Madalena estende seus braços, em um gesto teatral de acolhimento, expandindo-se no espaço, e com isso se contrapondo ao outro grupo, fechado e concentrado no lamento. A paisagem crepuscular integra-se ao clima narrativo, evocando a morte e a melancolia serena do final do dia, ao mesmo tempo em que nos dá um belo exemplo das harmonias cromáticas de Tintoretto, em estreito diálogo com as graduações da luz".

Em relação ao quadro Pilatos Apresenta Cristo à Multidão, o livro ressalta que   "a fonte para a cena encontra-se nos Evangelhos de Mateus, Lucas e sobretudo em João (19, 4). Após ser flagelado e humilhado, Jesus recebe uma coroa de espinhos – representada por Tintoretto em destaque, graças à auréola luminosa que emana da cabeça do salvador – e é entregue a Pilatos, governador romano da Judéia, que o apresenta ao povo dizendo “Eis o Homem” (Ecce Homo).

A multidão enfurecida pede para crucificá-lo, apesar das tentativas de Pilatos para convencê-la do contrário. Tintoretto faz o público se calar: não há turbulência entre as pessoas, que assistem à cena com admiração. No alto da escadaria, o corpo nu de Jesus ensaia um movimento, serpenteando no espaço, como nas formas de Michelangelo. Note-se a alta qualidade das cores, que sugerem texturas variadas aos tecidos, como o amarelo do manto do personagem à direita. O teatro é o grande modelo para a representação de Tintoretto, mantendo assim uma forte relação com os efeitos dramáticos, que o episódio narrado pode gerar nos observadores. A presença do cão, exatamente na metade da escada, citação típica da pintura veneziana, alivia a tensão da cena e preenche o vazio daquele espaço como uma mancha negra circunscrita pelos brancos e cinzas. Obra de juventude do artista pode ser situada entre 1546 e 1547".