Um blog para difundir e aprofundar temas da presença italiana no Brasil, bem como valorizar o Made in Italy. Um espaço para troca de informações e conhecimento, compartilhando raízes comuns da italianidade que carregamos no sangue e na alma. A italianidade engloba a questão das nossas raízes italianas e também reserva um olhar para a linha do tempo, nela buscando e resgatando uma galeria de personagens famosos ou anônimos que, de alguma forma, inseriram seus nomes na História do Brasil.
quinta-feira, 4 de março de 2010
História (94 ) - "Far l'America (54)": A chegada dos italianos no Espírito Santo, relato de uma época
A história da imigração italiana no Espírito Santo encontra noRelato do Cavalheiro Carlo Nagar - Cônsul Real em Vitória (fevereiro de 1895) importante testemunho de época guardado no Arquivo Público do
Estado do Espírito Santo.
O fluxo imigratório em Vitória teve início em 1874 com a expedição
Tabacchi e a fundação da Colônia Nova trento, em Santa Cruz, ao norte
do Vitória. A seguir trechos do histórico documento.
Italianità: A rota dos moinhos em Ilópolis, Rio Grande do Sul (2)
Localizado a 10 Km do centro de Ilópolis, o Moinho Vicenzi nasceu das mãos dos data de dos irmão Miotto para moagem de trigo e milho. Em 1960, Isidoro Lamperti e Riccieri Mucelin adquirem o moinho e a as terras em seu entorno. Olivo Vicenzi incorpora-se à sociedade e, quatro anos mais tarde, adquire totalmente a propriedade, que passa a se chamar Moinho Vicenzi. Em 1970, com a crise do Trigo-Papel, encerra-se a moagem de trigo. O moinho passa a moer somente milho e a descascar e polir arroz.
Em 1991 as atividades de moagem são encerradas e o prédio cai em total abandono. No ano 2000. a professora h Cortesão com seus alunos do curso de mestrado em Educação Ambiental da FURG (Fundação Universidade Federal do Rio Grande) visitam o moinho e seu entorno. A professora o compara a uma paisagem japonesa. Com sua divulgação o moinho passa a ser incluído e procurado como ponto turístico de Anta Gorda e do Vale do Taquari. Em 2004 morre Olivo Vicenzi e seus filhos passam a administrar o patrimônio. O casal Isair e Adelaide Vicenzi decide recuperar o moinho. Em 21 de outubro, o moinho volta a funcionar na moagem de farinha de milho.A partir de 2008, o Moinho Vicenzi, já em pleno funcionamento, é incluído no Caminho dos Moinhos.
Em 1991 as atividades de moagem são encerradas e o prédio cai em total abandono. No ano 2000. a professora h Cortesão com seus alunos do curso de mestrado em Educação Ambiental da FURG (Fundação Universidade Federal do Rio Grande) visitam o moinho e seu entorno. A professora o compara a uma paisagem japonesa. Com sua divulgação o moinho passa a ser incluído e procurado como ponto turístico de Anta Gorda e do Vale do Taquari. Em 2004 morre Olivo Vicenzi e seus filhos passam a administrar o patrimônio. O casal Isair e Adelaide Vicenzi decide recuperar o moinho. Em 21 de outubro, o moinho volta a funcionar na moagem de farinha de milho.A partir de 2008, o Moinho Vicenzi, já em pleno funcionamento, é incluído no Caminho dos Moinhos.
Oriundi: Bruno Giorgi, precursor da escultura moderna no Brasil
Escultor, pintor, desenhista e gravador, Bruno Giorgi nasceu em São Paulo (bairro da Mooca), filho de imigrantes toscanos. É considerado um dos precursores da escultura moderna no Brasil;
Logo aos 11 anos, Bruno deixa o Brasil, poi seus pais decidem voltar para a Itália.
Estudou em Roma com Loss e em Paris, onde foi aluno do grande mestre Aristide Maillol um dos maiores representantes da escultura francesa do início do século XX, freqüentando as academias de Raçon e Grand-Chaumière. Em 1931, é preso por motivos políticos e condenado a sete anos de prisão. É extraditado para o Brasil em 1935, por intervenção do embaixador brasileiro na Itália.
Em São Paulo, trava contato com Joaquim Figueira e Alfredo Volpi Em 1937, viaja para Paris e freqüenta as academias La Grand Chaumière e Ranson, onde estuda com Aristide Maillol. Em 1939, retorna a São Paulo e convive com Mário de Andrade, Lasar Segall Oswald de Andrade (1890 - 1954) e Sérgio Milliet entre outros. Em 1943, transfere-se para o Rio de Janeiro. A convite do ministro Gustavo Capanema (1900 - 1985) instala ateliê no antigo Hospício da Praia Vermelha, onde orienta jovens artistas. Possui obras em espaços públicos como Monumento à Juventude Brasileira, 1947, nos jardins do antigo Ministério da Educação e Saúde - MES, atual Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro; Candangos, 1960, na praça dos Três Poderes, e Meteoro, 1967, no lago do edifício do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília; e Integração, 1989, no Memorial da América Latina, em São Paulo.
Criador de formas abstratas, (seu trabalho "Prece" no Cemitério da Consolação é o único nesse estilo encontrado em necrópoles paulistanas), comprometido com uma linguagem mais contemporânea, Bruno Giorgi representou a simplificação dos elementos descritivos em proveito de volumes fortes, acentuando a matéria da escultura.
Contemplando-os vem-nos à mente o axioma de Leonardo Da Vinci "L' arte é cosa mentale". Sob a influência de Maillol sua carreira atravessou várias fases, desde as de maior predomínio naturalista até os volumes abstratos. Assinava BG e Bruno Giorgi. Embora preferisse para seus trabalhos abstracionistas o mármore de Carrara, a partir de 1975 Giorgi voltou à figura humana do início da sua carreira, esculpindo-as com os torsos mutilados, freqüentemente trabalhados no mármore rosa de Estremoz, norte de Portugal, em cujas cercanias instalou um ateliê.Faleceu no Rio de Janeiro em 1993.
Estudou em Roma com Loss e em Paris, onde foi aluno do grande mestre Aristide Maillol um dos maiores representantes da escultura francesa do início do século XX, freqüentando as academias de Raçon e Grand-Chaumière. Em 1931, é preso por motivos políticos e condenado a sete anos de prisão. É extraditado para o Brasil em 1935, por intervenção do embaixador brasileiro na Itália.
Em São Paulo, trava contato com Joaquim Figueira e Alfredo Volpi Em 1937, viaja para Paris e freqüenta as academias La Grand Chaumière e Ranson, onde estuda com Aristide Maillol. Em 1939, retorna a São Paulo e convive com Mário de Andrade, Lasar Segall Oswald de Andrade (1890 - 1954) e Sérgio Milliet entre outros. Em 1943, transfere-se para o Rio de Janeiro. A convite do ministro Gustavo Capanema (1900 - 1985) instala ateliê no antigo Hospício da Praia Vermelha, onde orienta jovens artistas. Possui obras em espaços públicos como Monumento à Juventude Brasileira, 1947, nos jardins do antigo Ministério da Educação e Saúde - MES, atual Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro; Candangos, 1960, na praça dos Três Poderes, e Meteoro, 1967, no lago do edifício do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília; e Integração, 1989, no Memorial da América Latina, em São Paulo.
Criador de formas abstratas, (seu trabalho "Prece" no Cemitério da Consolação é o único nesse estilo encontrado em necrópoles paulistanas), comprometido com uma linguagem mais contemporânea, Bruno Giorgi representou a simplificação dos elementos descritivos em proveito de volumes fortes, acentuando a matéria da escultura.
Contemplando-os vem-nos à mente o axioma de Leonardo Da Vinci "L' arte é cosa mentale". Sob a influência de Maillol sua carreira atravessou várias fases, desde as de maior predomínio naturalista até os volumes abstratos. Assinava BG e Bruno Giorgi. Embora preferisse para seus trabalhos abstracionistas o mármore de Carrara, a partir de 1975 Giorgi voltou à figura humana do início da sua carreira, esculpindo-as com os torsos mutilados, freqüentemente trabalhados no mármore rosa de Estremoz, norte de Portugal, em cujas cercanias instalou um ateliê.Faleceu no Rio de Janeiro em 1993.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Italianità: A rota dos moinhos em Ilópolis, Rio Grande do Sul (1)
Distante 196 Km de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, a cidade de Ilópolis (cerca de 5 mil habitantes) guarda importante testemunho da imigração italiana em terras gaúchas. Em 1905 iniciou-se a colonização do atual município de Ilópolis, com a chegada de imigrantes. Em 1911, começavam a chegar os primeiros colonizadores italianos, filhos e netos de imigrantes italianos vindos de Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Veranópolis. Vinham atraídos pela grande concentração de pinhais, pois eram madeireiros de ofício. Em março de 1914, recebeu a denomiação de Figueira.
Um ano após, em março de 1915, passou a denominar-se Ilópolis, nome escolhido pelo Dr. Alfredo Mutzel, engenheiro chefe da então Comissão de Terras e Colonização que significa: Ilo - do latim - Erva e Polis - do grego - Cidade, "Cidade da Erva-Mate", em virtude da grande abundância dadivosa espécie florestal no seu território. A principal marca da italianidade de Ilópolis é a rota Caminho dos Moinhos, é uma verdadeira viagem nostálgica ao passado das colônias italianas no sul do país, em meio a uma privilegiada paisagem. Os moinhos do Vale do Taquari na Serra Gaúcha são admiráveis registros da imigração italiana no começo do século passado.
Engenhosas construções de madeira, cheias de poesia, sofisticação técnica, lições de arquitetura: testemunhos do trabalho humano. Para as famílias recém-chegadas, estes moinhos significavam a conquista de uma vida auto-sustentável, com o pão e a massa como base culinária e econômica. Novamente integrados ao dia-a-dia das comunidades, os moinhos ganham novo fôlego e assumem novos papéis. A professora e ambientalista Judith Cortesão, no ano 2000, foi quem primeiro apelou para a urgência da restauração, pesquisa e divulgação dos moinhos coloniais.
De lá para cá, já voltaram a funcionar alguns dos moinhos, como o Moinho Vicenzi, situado ao lado de uma magnífica cachoeira. No coração do Caminho, em Ilópolis, funciona desde Fevereiro de 2008 o conjunto do Museu do Pão, compreendo o Moinho Colognese, a Oficina de Panificação e o museu propriamente dito. O roteiro turístico e cultural dos moinhos leva o visitante a uma região de belíssimas paisagens: suaves vales e montanhas, rios e regatos, cachoeiras e lagos, densas matas de araucária, grutas, arquitetura rural dos imigrantes e um povo acolhedor.
Um ano após, em março de 1915, passou a denominar-se Ilópolis, nome escolhido pelo Dr. Alfredo Mutzel, engenheiro chefe da então Comissão de Terras e Colonização que significa: Ilo - do latim - Erva e Polis - do grego - Cidade, "Cidade da Erva-Mate", em virtude da grande abundância dadivosa espécie florestal no seu território. A principal marca da italianidade de Ilópolis é a rota Caminho dos Moinhos, é uma verdadeira viagem nostálgica ao passado das colônias italianas no sul do país, em meio a uma privilegiada paisagem. Os moinhos do Vale do Taquari na Serra Gaúcha são admiráveis registros da imigração italiana no começo do século passado.
Engenhosas construções de madeira, cheias de poesia, sofisticação técnica, lições de arquitetura: testemunhos do trabalho humano. Para as famílias recém-chegadas, estes moinhos significavam a conquista de uma vida auto-sustentável, com o pão e a massa como base culinária e econômica. Novamente integrados ao dia-a-dia das comunidades, os moinhos ganham novo fôlego e assumem novos papéis. A professora e ambientalista Judith Cortesão, no ano 2000, foi quem primeiro apelou para a urgência da restauração, pesquisa e divulgação dos moinhos coloniais.
De lá para cá, já voltaram a funcionar alguns dos moinhos, como o Moinho Vicenzi, situado ao lado de uma magnífica cachoeira. No coração do Caminho, em Ilópolis, funciona desde Fevereiro de 2008 o conjunto do Museu do Pão, compreendo o Moinho Colognese, a Oficina de Panificação e o museu propriamente dito. O roteiro turístico e cultural dos moinhos leva o visitante a uma região de belíssimas paisagens: suaves vales e montanhas, rios e regatos, cachoeiras e lagos, densas matas de araucária, grutas, arquitetura rural dos imigrantes e um povo acolhedor.
História (93 ) - "Far l'America (53)": Colonização italiana no Vale do Itajaí, em Santa Catatina
O Vale do Itajaí, em Santa Catarina, é outro local, no sul do Brasil, que aparece como pólo receptor de imigrantes italianos, foco do trabalho.A imigração italiana e a vocação religiosa no Vale do Itajaí
de Marilda Checcucci Gonçalves da Silva (FURB / UNICAMP)
“A região denominada por Vale do Itajaí, na qual foram assentados como colonos os imigrantes italianos que deram origem à população em estudo, é formada pela bacia deste rio. Ela se encontra localizada a nordeste do Estado, situada entre o litoral e o planalto.
Antes de ser colonizada por imigrantes italianos, a região do Vale do Itajaí havia sido inicialmente povoada por grupos indígenas principalmente por tribos Kaingang, além de se registrar a presença de tribos Xokleng e Guarani. Um segundo momento do povoamento se dá com a presença de caboclos ou sertanejos, que ocuparam a terra”.
“Diferente da imigração que acontece em São Paulo, onde a houve a importação de mão-de-obra para substituir o braço escravo, a imigração que se destina ao sul do Brasil tomou a forma de colonização através da formação de núcleos de colonização, baseados na pequena propriedade”. “As razões que orientaram a colonização com agricultores europeus em Santa Catarina foram, em parte, diversas daquelas que orientaram o Brasil em procurar a imigração européia".
"Naturalmente não se tratava de fornecer mão-de-obra para fazendas a fim de substituir os escravos, como também não foi tão imperativa a necessidade de ‘branquear’ a população. A razão era simples, não existia na Província de Santa Catarina o latifúndio. Havia grandes propriedades de terra na zona de Lages mas eram utilizadas para a criação de gado e não necessitavam de muita mão-de-obra”.
“Havia uma razão mais importante para concentrar grandes contingentes migratórios. A colonização ocorreu pela necessidade principalmente de valorização de terras desocupadas, cobertas de florestas, bem acidentadas e de abertura de vias de comunicação que ligassem o litoral ao planalto. (Petrone, 1982:32) Nessas condições, torna-se compreensível que as terras que os imigrantes receberam tenham sido, sem exceção, as mais montanhosas, isoladas e de difícil acesso não sendo, de modo algum, cobiçadas pela grande propriedade”. “Um outro fator que irá concorrer para o estímulo da ocupação do território com a colonização baseada na pequena propriedade camponesa, está na necessidade de defesa das fronteiras do território”.
de Marilda Checcucci Gonçalves da Silva (FURB / UNICAMP)
“A região denominada por Vale do Itajaí, na qual foram assentados como colonos os imigrantes italianos que deram origem à população em estudo, é formada pela bacia deste rio. Ela se encontra localizada a nordeste do Estado, situada entre o litoral e o planalto.
Antes de ser colonizada por imigrantes italianos, a região do Vale do Itajaí havia sido inicialmente povoada por grupos indígenas principalmente por tribos Kaingang, além de se registrar a presença de tribos Xokleng e Guarani. Um segundo momento do povoamento se dá com a presença de caboclos ou sertanejos, que ocuparam a terra”.
“Diferente da imigração que acontece em São Paulo, onde a houve a importação de mão-de-obra para substituir o braço escravo, a imigração que se destina ao sul do Brasil tomou a forma de colonização através da formação de núcleos de colonização, baseados na pequena propriedade”. “As razões que orientaram a colonização com agricultores europeus em Santa Catarina foram, em parte, diversas daquelas que orientaram o Brasil em procurar a imigração européia".
"Naturalmente não se tratava de fornecer mão-de-obra para fazendas a fim de substituir os escravos, como também não foi tão imperativa a necessidade de ‘branquear’ a população. A razão era simples, não existia na Província de Santa Catarina o latifúndio. Havia grandes propriedades de terra na zona de Lages mas eram utilizadas para a criação de gado e não necessitavam de muita mão-de-obra”.
“Havia uma razão mais importante para concentrar grandes contingentes migratórios. A colonização ocorreu pela necessidade principalmente de valorização de terras desocupadas, cobertas de florestas, bem acidentadas e de abertura de vias de comunicação que ligassem o litoral ao planalto. (Petrone, 1982:32) Nessas condições, torna-se compreensível que as terras que os imigrantes receberam tenham sido, sem exceção, as mais montanhosas, isoladas e de difícil acesso não sendo, de modo algum, cobiçadas pela grande propriedade”. “Um outro fator que irá concorrer para o estímulo da ocupação do território com a colonização baseada na pequena propriedade camponesa, está na necessidade de defesa das fronteiras do território”.
História (92) - Especial: Influência de socialistas e anarquistas italianos no movimento operário brasileiro (8)
A rica história da participação de anarquistas e socialistas italianos nas lutas do movimento operário brasileiro renderam livros e mais livros editados no Brasil e na Itália, além de inúmeras teses d mestrado e doutorado. Uma busca na internet revela, por exemplo, a obra "Anarquismo, Estado, e pastoral do imigrante das disputas ideológicas pelo imigrante aos limites da ordem: o caso Idalina", livro de autoria de Wlaumir de Souza e editado pela Editora Unesp.
O autor debate a influência da Igreja na determinação do perfil do trabalhador que deveria ser aceito como imigrante. A interferência da Igreja nos rumos da imigração é analisada especialmente com base no caso dos Missionários de São Carlos), ordem criada em 1887 para dar assistência aos italianos que aqui vieram "fazer a América". O livro analisa a passagem da mão-de-obra escrava para a livre, baseada fundamentalmente na imigração italiana, subsidiada pelo Estado como parte de um projeto político-ideológico com a Igreja. O imigrante é representado e instrumentalizado como agente de uma mentalidade conservadora, em detrimento da modernização cultural. No lado oposto a essa estratégia encontram-se os anarquistas em luta contra a superstição, denunciando a corrupção da Igreja. O embate entre essas forças - anarquistas, Estado e Igreja -, na cooptação do imigrante, eclodiria na acusação de estupro e assassinato da menor órfã Idalina pelo maior símbolo católico da pastoral do imigrante, Padre Faustino, no orfanato Católico Cristóvão Colombo, na capital de São Paulo.
"A Editora assim apresenta o livro de Wlaumir de Souza, dando uma idéia da influência dos “Anaquismo, Estado e pastoral do imigrante. Das disputas ideológicas pelo imigrante aos limites da ordem: O Caso Idalina - texto originalmente apresentado como dissertação de mestrado ao Departamento de História da UNESP de Franca (SP), com o título Fazer a América. Da estabilidade do ideal à instabilidade do real - amplia e aprofunda análises anteriores sobre a imigração italiana e o papel desempenhado, nesse processo, pelo Estado, pela Igreja, pela classe dominante e por anarquistas, seja da Itália, seja do Brasil, com destaque para a Congregação dos Missionários de São Carlos Barromeu, fundada por Dom João Batista Scalabrini (1839-1905), Bispo de Piacenza. Os principais agentes desse complexo empreendimento: por exemplo, o fundador da Congregação Carlista, responsável pela pastoral do imigrante, bem como os principais missionários dessa instituição no Brasil: os padres José Marchetti, Marcos Simone e Faustino Consoni, além de Assunta Marchetti, irmã do Padre Marchetti e fundadora da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Barromeu (scalabriniana) receberam o devido tratamento analítico. Uma parte das publicações anteriores a este livro ressalta, em termos apologéticos, os méritos da vida e obra dessas pessoas.
Outros escritos, sem dúvida, avançaram apresentando uma abordagem mais analítica e objetiva, sem, entretanto, considerar devidamente toda a problemática da imigração e do anarquismo. O trabalho de Wlaumir Doniseti de Souza, sem desmerecer as qualidades dos agentes envolvidos, analisa a obra scalabriniana numa abordagem científica, colocando-a no contexto estrutural e conjuntural do fim do século XIX e inícios do XX.
Foi o processo de modernização da Itália e do Brasil, nos parâmetros do sistema liberal e capitalista, que se apresentou como fator propulsor da industrialização da Itália e das modificações na sua estrutura agrária, forçando muitos italianos a abandonar sua pátria e procurar a sorte nas Américas. O mesmo processo levou os países periféricos do sistema a substituir a mão-de- obra escrava pela livre. A força de trabalho do imigrante se tornou insubstituível e sempre mais necessária, para o caso do Brasil, na lavoura cafeeira de São Paulo.
Nesse contexto coube à Igreja Católica um papel decisivo e complexo. Também a Igreja, analogamente ao sistema econômico e à sociedade civil, passou, na Itália e no Brasil, por um processo de desestruturação, em estreita conexão com as modificações socioeconômicas. Desestruturava-se a Igreja tradicional e clericalista, mas nem por isso teve fim a colaboração entre Igreja, Estado e classes dominantes. Ela apenas se rearranjou. Wlaumir Doniseti apresenta nesta obra uma análise consciente, no que se refere à teoria, e empiricamente fundamentada, na qual os diferentes elementos e forças desse sistema aparecem numa recíproca interação e num ajustamento contínuo, em detrimento de seus opositores, dentre os quais os anarquistas, representados aqui por Edgard Leuenroth". (Augustin Wernet)
O autor debate a influência da Igreja na determinação do perfil do trabalhador que deveria ser aceito como imigrante. A interferência da Igreja nos rumos da imigração é analisada especialmente com base no caso dos Missionários de São Carlos), ordem criada em 1887 para dar assistência aos italianos que aqui vieram "fazer a América". O livro analisa a passagem da mão-de-obra escrava para a livre, baseada fundamentalmente na imigração italiana, subsidiada pelo Estado como parte de um projeto político-ideológico com a Igreja. O imigrante é representado e instrumentalizado como agente de uma mentalidade conservadora, em detrimento da modernização cultural. No lado oposto a essa estratégia encontram-se os anarquistas em luta contra a superstição, denunciando a corrupção da Igreja. O embate entre essas forças - anarquistas, Estado e Igreja -, na cooptação do imigrante, eclodiria na acusação de estupro e assassinato da menor órfã Idalina pelo maior símbolo católico da pastoral do imigrante, Padre Faustino, no orfanato Católico Cristóvão Colombo, na capital de São Paulo.
"A Editora assim apresenta o livro de Wlaumir de Souza, dando uma idéia da influência dos “Anaquismo, Estado e pastoral do imigrante. Das disputas ideológicas pelo imigrante aos limites da ordem: O Caso Idalina - texto originalmente apresentado como dissertação de mestrado ao Departamento de História da UNESP de Franca (SP), com o título Fazer a América. Da estabilidade do ideal à instabilidade do real - amplia e aprofunda análises anteriores sobre a imigração italiana e o papel desempenhado, nesse processo, pelo Estado, pela Igreja, pela classe dominante e por anarquistas, seja da Itália, seja do Brasil, com destaque para a Congregação dos Missionários de São Carlos Barromeu, fundada por Dom João Batista Scalabrini (1839-1905), Bispo de Piacenza. Os principais agentes desse complexo empreendimento: por exemplo, o fundador da Congregação Carlista, responsável pela pastoral do imigrante, bem como os principais missionários dessa instituição no Brasil: os padres José Marchetti, Marcos Simone e Faustino Consoni, além de Assunta Marchetti, irmã do Padre Marchetti e fundadora da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Barromeu (scalabriniana) receberam o devido tratamento analítico. Uma parte das publicações anteriores a este livro ressalta, em termos apologéticos, os méritos da vida e obra dessas pessoas.
Outros escritos, sem dúvida, avançaram apresentando uma abordagem mais analítica e objetiva, sem, entretanto, considerar devidamente toda a problemática da imigração e do anarquismo. O trabalho de Wlaumir Doniseti de Souza, sem desmerecer as qualidades dos agentes envolvidos, analisa a obra scalabriniana numa abordagem científica, colocando-a no contexto estrutural e conjuntural do fim do século XIX e inícios do XX.
Foi o processo de modernização da Itália e do Brasil, nos parâmetros do sistema liberal e capitalista, que se apresentou como fator propulsor da industrialização da Itália e das modificações na sua estrutura agrária, forçando muitos italianos a abandonar sua pátria e procurar a sorte nas Américas. O mesmo processo levou os países periféricos do sistema a substituir a mão-de- obra escrava pela livre. A força de trabalho do imigrante se tornou insubstituível e sempre mais necessária, para o caso do Brasil, na lavoura cafeeira de São Paulo.
Nesse contexto coube à Igreja Católica um papel decisivo e complexo. Também a Igreja, analogamente ao sistema econômico e à sociedade civil, passou, na Itália e no Brasil, por um processo de desestruturação, em estreita conexão com as modificações socioeconômicas. Desestruturava-se a Igreja tradicional e clericalista, mas nem por isso teve fim a colaboração entre Igreja, Estado e classes dominantes. Ela apenas se rearranjou. Wlaumir Doniseti apresenta nesta obra uma análise consciente, no que se refere à teoria, e empiricamente fundamentada, na qual os diferentes elementos e forças desse sistema aparecem numa recíproca interação e num ajustamento contínuo, em detrimento de seus opositores, dentre os quais os anarquistas, representados aqui por Edgard Leuenroth". (Augustin Wernet)
História (91) - Especial: Influência de socialistas e anarquistas italianos no movimento operário brasileiro (7)
Uma ótima análise do papel dos anarquistas italianos no movimento operário brasileiro vem de AdonileA. Guimarães autora do trabalho Moral anarquista e a conquista da questão social no Brasil l.
"(...) Os imigrantes europeus em sua maioria, italianos chegaram ao Brasil trazendo um sonho de uma vida melhor e mais justa. O que encontraram aqui, porém, foram as mesmas dificuldades das quais fugiram, a opressão do trabalhador em benefício do patrão. Entretanto, os imigrantes não traziam em sua bagagem apenas sonhos, traziam também experiências de lutas e métodos de ação políticas muito claras para alcançar seus objetivos. Os operários italianos diante das condições adversas que aqui encontraram, construíram um vínculo muito forte entre eles, essa união, embora fosse incentivada pela nacionalidade em comum e, conseqüentemente, facilitada pela língua materna, era construída, mais em função das condições materiais e ideológicas de existência".
"Essas experiências em comum, o convívio com as dificuldades que atingiam, sobretudo, os operários, encontraram nas idéias anarquistas e no método da ação direta um espaço de luta política que conseguia abrigar os anseios dos trabalhadores até então excluídos do cenário político oligárquico. No Brasil haverá núcleos anarquistas, de diversa orientação, a partir de pelo menos 1890, compostos em sua maioria de imigrantes e seus descendentes. Assim, contra os preceitos burgueses que se queria passar à população brasileira como universais foi erigida uma moral anarquista que se opunha a toda e qualquer tipo de conduta liberal".
"Se de um lado os valores nacionalistas, patrióticos, militaristas eram exaltados para a construção da nação brasileira, de outro, o universalismo trabalhista, antimilitarismo e a oposição às manifestações culturais burguesas como ao baile, ao futebol eram duramente criticadas pelos militantes anarquistas. Em prol de uma sociedade mais justa e igualitária os militantes organizavam piqueniques e confraternizações entre os trabalhadores, promovendo atividades culturais, como o teatro comunitário utilizado como órgão conscientizador e informativo de classe que tinha dupla função, o de reunir a classe operária em um ambiente cultural e, ao mesmo tempo, vincular as políticas sociais da classe de uma maneira informal que não fosse maçante e que, tivesse maior alcance entre os trabalhadores de diversas nacionalidades; pois muitos não sabiam ler e, portanto, inviabilizava a propaganda escrita".
"É bom lembrar que nesse momento a maioria da população brasileira era analfabeta, como só era válido o voto dos alfabetizados, o grosso dos brasileiros eram excluídos do processo eleitoral. Daí tem-se a grande adesão à ética anarquista que recusava a via institucional. Tendo em vista esses fatos, faz-se necessário, diferentemente, da historiografia clássica, reconhecer a prática política como uma forma ampla de expressão dos anseios e projetos dos seres humanos".
"Desse modo, a ascensão do anarquismo não se deve apenas ao baixo progresso técnico industrial e a uma incipiente classe operária, é fruto também de uma ação política mais eficaz de seus membros que, vivenciando as mesmas condições adversas, conseguiram construir através da ação direta, uma experiência política que abrangia todos os espaços comuns de coexistência dessa classe. Erigiram-se assim, não só um programa político que ia ao encontro dos anseios da classe trabalhadora, mas também uma moral que se opunha radicalmente, em todos os níveis, seja ele ideológico, econômico e até mesmo religioso à ideologia burguesa".
"(...) Os imigrantes europeus em sua maioria, italianos chegaram ao Brasil trazendo um sonho de uma vida melhor e mais justa. O que encontraram aqui, porém, foram as mesmas dificuldades das quais fugiram, a opressão do trabalhador em benefício do patrão. Entretanto, os imigrantes não traziam em sua bagagem apenas sonhos, traziam também experiências de lutas e métodos de ação políticas muito claras para alcançar seus objetivos. Os operários italianos diante das condições adversas que aqui encontraram, construíram um vínculo muito forte entre eles, essa união, embora fosse incentivada pela nacionalidade em comum e, conseqüentemente, facilitada pela língua materna, era construída, mais em função das condições materiais e ideológicas de existência".
"Essas experiências em comum, o convívio com as dificuldades que atingiam, sobretudo, os operários, encontraram nas idéias anarquistas e no método da ação direta um espaço de luta política que conseguia abrigar os anseios dos trabalhadores até então excluídos do cenário político oligárquico. No Brasil haverá núcleos anarquistas, de diversa orientação, a partir de pelo menos 1890, compostos em sua maioria de imigrantes e seus descendentes. Assim, contra os preceitos burgueses que se queria passar à população brasileira como universais foi erigida uma moral anarquista que se opunha a toda e qualquer tipo de conduta liberal".
"Se de um lado os valores nacionalistas, patrióticos, militaristas eram exaltados para a construção da nação brasileira, de outro, o universalismo trabalhista, antimilitarismo e a oposição às manifestações culturais burguesas como ao baile, ao futebol eram duramente criticadas pelos militantes anarquistas. Em prol de uma sociedade mais justa e igualitária os militantes organizavam piqueniques e confraternizações entre os trabalhadores, promovendo atividades culturais, como o teatro comunitário utilizado como órgão conscientizador e informativo de classe que tinha dupla função, o de reunir a classe operária em um ambiente cultural e, ao mesmo tempo, vincular as políticas sociais da classe de uma maneira informal que não fosse maçante e que, tivesse maior alcance entre os trabalhadores de diversas nacionalidades; pois muitos não sabiam ler e, portanto, inviabilizava a propaganda escrita".
"É bom lembrar que nesse momento a maioria da população brasileira era analfabeta, como só era válido o voto dos alfabetizados, o grosso dos brasileiros eram excluídos do processo eleitoral. Daí tem-se a grande adesão à ética anarquista que recusava a via institucional. Tendo em vista esses fatos, faz-se necessário, diferentemente, da historiografia clássica, reconhecer a prática política como uma forma ampla de expressão dos anseios e projetos dos seres humanos".
"Desse modo, a ascensão do anarquismo não se deve apenas ao baixo progresso técnico industrial e a uma incipiente classe operária, é fruto também de uma ação política mais eficaz de seus membros que, vivenciando as mesmas condições adversas, conseguiram construir através da ação direta, uma experiência política que abrangia todos os espaços comuns de coexistência dessa classe. Erigiram-se assim, não só um programa político que ia ao encontro dos anseios da classe trabalhadora, mas também uma moral que se opunha radicalmente, em todos os níveis, seja ele ideológico, econômico e até mesmo religioso à ideologia burguesa".
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