"Entretanto, os italianos não se detiveram em Belém ou mesmo
nas bordas da Amazônia. Não foram poucos aqueles que, no final do século XIX, penetraram ao longo dos rios atrás do comércio
da borracha e identificam as rotas comerciais. Testemunho
desta atividade é Gregorio Ronca, oficial da marinha militar italiana
que, em 1905, com um navio oceânico de guerra de 2.200
toneladas, depois de haver percorrido as Antilhas e as Guianas,
subiu o rio Amazonas até Iquitos e Santa Fé, no Perú, a 2.285 milhas,
ou 4.232 km do mar, encarregado pelo governo italiano de
procurar rotas comerciais e estreitar relações com imigrantes.
O capitão Ronca, no seu longo diário, descreve com pormenores
a comunidade italiana encontrada. E, subindo o rio, entre
Belém e Manaus, encontra as comunidades mais numerosas e florescentes
em Santarém e Óbidos, encruzilhadas comerciais importantes,
não só pela borracha, mas também graças ao cacau, à castanha-
do-pará, ao pirarucu".((Fonte: Vittorio Capelli,
professor-associado de História
Contemporânea na Universidade da Calábria, no ensaio “A
propósito de imigração e urbanização: correntes imigratórias da Itália
meridional às ‘outras Américas’" tradução da
Profa. Dra. Núncia Santoro de
Constantino,docente do Programa de Pós-Graduação em História da
PUCRS.-2006)
Um blog para difundir e aprofundar temas da presença italiana no Brasil, bem como valorizar o Made in Italy. Um espaço para troca de informações e conhecimento, compartilhando raízes comuns da italianidade que carregamos no sangue e na alma. A italianidade engloba a questão das nossas raízes italianas e também reserva um olhar para a linha do tempo, nela buscando e resgatando uma galeria de personagens famosos ou anônimos que, de alguma forma, inseriram seus nomes na História do Brasil.
sábado, 5 de junho de 2010
História (220) - "Far l'America"(129):Imigração no Pará e Amazonas nos séculos XIX e XX (2)
"Na virada para o século XIX, sabe-se que o aspecto peculiar
de Belém revelara uma apaixonada imitação da cultura européia,
sobretudo, da urbanística parisiense e dos códigos estéticos da
capital francesa, traduzida em pronunciada urbanização feita de
avenidas arborizadas, jardins e praças, assim como de bibliotecas,
museus, escolas e estabelecimentos bancários. No centro deste
processo, coloca-se emblematicamente o Teatro da Paz (1878) e,
mais tarde, numerosos edifícios ecléticos e art nouveau, como os
palacetes Pinho, Bologna, Bibi Costa, Facciola, Montenegro, entre
outros, além do Mercado de São Brás, da Basílica de Nossa Senhora
de Nazaré, etc.
Em resumo, um grande número de artefatos que
originaram o mito de uma “Paris na América”, como proclama o
nome de uma grande e suntuosa loja daquele tempo; isso para não
mencionar o mais conhecido café de Belém, não por acaso denominado
Moulin Rouge.
Em suma, tomava forma uma verdadeira e peculiar embriaguez
cultural, produzindo modalidades construtivas inadequadas
ao clima, como também modelos de comportamento por vezes
grotescos naquela latitude, utilizados pelos novos ricos da borracha;
41 La presenza italiana nella circoscrizione consolare di Recife.
Sobre este assunto, Marília Ferreira Emmi desenvolve uma pesquisa junto à Universidade
Federal do Pará, em Belém.
(www.ufpa.br/beiradorio/arquivo/beira29/noticias/noticia3.htm).
A propósito de imigração e urbanização 23
23
é o caso de vestir camisas engomadas, pretensiosos ternos de lã, ou
ainda de submeter-se à tortura do fraque e da cartola em ocasiões
festivas, para exibir o status econômico alcançado.Não sabemos até que ponto e de que maneira os italianos
imigrantes participaram deste tipo de delírio cultural. Porém é
certo que o “francesismo” reinante em Belém, na maior parte das
vezes, não chega da França, mas da Itália. A começar pelo lugarsímbolo
da cidade moderna: o Teatro da Paz, cujo modelo arquitetônico
neoclássico é na realidade aquele do Teatro La Scala de Milão.
A decoração do teatro esteve a cargo dos pintores italianos
Domenico De Angelis e Giovanni Capranesi (1887); o mesmo De
Angelis foi contratado para pintar também a Catedral de Belém.
Mas, sobretudo nos anos sucessivos, a mais interessante arquitetura
eclética e art nouveau são obra de italianos: o Palacete Bolonha
(1905), o Palacete Bibi Costa (1905) e o “Café do Parque” do engenheiro
de origem italiana Francisco Bologna; as múltiplas obras de
Filinto Santoro, calabrês de Fuscaldo: o Palacete do governador de
Pará, Augusto Montenegro (1904), o Mercado de São Brás (1911-
16), o Colégio Gentil Bittencourt (1895); enfim, a Basílica de Nazaré,
projetada por Gino Coppedé, tendo como modelo a Basílica de
São Paulo, em Roma. Mas, enquanto o projeto de Coppedé, protagonista
de primeira ordem do ecletismo italiano, é uma obra totalmente
extrínseca, concebida na Itália e enviada de Gênova em
1909, o arquiteto Filinto Santoro, ao invés, mergulha fundo durante
quinze anos no ambiente de Belém e da Amazônia em geral.
Todavia, pretende e consegue utilizar materiais, operários, técnicos
e artistas italianos na realização dos seus projetos".
(Fonte: Vittorio Capelli, professor-associado de História
Contemporânea na Universidade da Calábria, no ensaio “A
propósito de imigração e urbanização: correntes imigratórias da Itália
meridional às ‘outras Américas’" tradução da Profa. Dra. Núncia Santoro de
Constantino,docente do Programa de Pós-Graduação em História da PUCRS.-2006)
sexta-feira, 4 de junho de 2010
História (219) - "Far l'America"(128):Imigração no Pará e Amazonas nos séculos XIX e XX (1)
"Posteriores elementos de interesse apresenta a surpreendente
imigração italiana nos estados do norte, principalmente em Belém,
Santarém e Óbidos, no Pará, e em Manaus, no Amazonas. Também
desta vez trata-se de uma imigração proveniente do mesmo território
no Apenino meridional, atraída pelo mítico boom da “borracha”,
cujo ciclo se estendeu entre 1870 e 1920, e no qual esses italianos
procuram inserir-se de qualquer maneira.
É conhecido o vibrante desenvolvimento urbano de Belém que, em 1904, tem 125.000 habitantes, o triplo de trinta anos antes, graças ao boom do comércio internacional da borracha. No final do século XIX, na cidade também se iniciava um processo de industrialização, com o surgimento de oficinas mecânicas e pequenas fábricas de sabão, cera, biscoitos, licores, etc. Seja no comércio citadino, seja na pequena indústria, encontramos uma centena de italianos também em Belém. Muitos são sapateiros, operários, vendedores de fruta. Por iniciativa dos italianos Conte e Libonati, surgem as primeiras fábricas de sapatos. Mais uma vez, esses sobrenomes remetem à mesma zona do Apenino lucano, entre a Calábria e a Campania. No final do século XIX, quando vivem em Belém cerca de quinhentos italianos, é movimentada a linha de navegação Genova-Manaus, empreendimento da Società di Navigazione Ligure-Brasiliana. A colônia cria raízes rapidamente; tanto é que, em 1912, constitui-se uma Associazione Culturale Italo-Brasiliana, contando com algumas centenas de sócios fundadores.
No censo de 1920, registram-se cerca de mil italianos que, nos anos sucessivos, fundam mais duas associações, uma de caráter elitista, outra de caráter mais popular, ambas em permanente competição. Neste momento, quando encerrava o ciclo da borracha, os italianos eram numerosos no comércio de gêneros alimentícios, tecidos, ferragens e no comércio de produtos regionais, mas também desempenhavam atividades bancárias e ocupavam- se de tipografias" .(Fonte: Vittorio Capelli, professor-associado de História Contemporânea na Universidade da Calábria, no ensaio “A propósito de imigração e urbanização: correntes imigratórias da Itália meridional às ‘outras Américas’ tradução da Profa. Dra. Núncia Santoro de Constantino,docente do Programa de Pós-Graduação em História da PUCRS.-2006)
É conhecido o vibrante desenvolvimento urbano de Belém que, em 1904, tem 125.000 habitantes, o triplo de trinta anos antes, graças ao boom do comércio internacional da borracha. No final do século XIX, na cidade também se iniciava um processo de industrialização, com o surgimento de oficinas mecânicas e pequenas fábricas de sabão, cera, biscoitos, licores, etc. Seja no comércio citadino, seja na pequena indústria, encontramos uma centena de italianos também em Belém. Muitos são sapateiros, operários, vendedores de fruta. Por iniciativa dos italianos Conte e Libonati, surgem as primeiras fábricas de sapatos. Mais uma vez, esses sobrenomes remetem à mesma zona do Apenino lucano, entre a Calábria e a Campania. No final do século XIX, quando vivem em Belém cerca de quinhentos italianos, é movimentada a linha de navegação Genova-Manaus, empreendimento da Società di Navigazione Ligure-Brasiliana. A colônia cria raízes rapidamente; tanto é que, em 1912, constitui-se uma Associazione Culturale Italo-Brasiliana, contando com algumas centenas de sócios fundadores.
No censo de 1920, registram-se cerca de mil italianos que, nos anos sucessivos, fundam mais duas associações, uma de caráter elitista, outra de caráter mais popular, ambas em permanente competição. Neste momento, quando encerrava o ciclo da borracha, os italianos eram numerosos no comércio de gêneros alimentícios, tecidos, ferragens e no comércio de produtos regionais, mas também desempenhavam atividades bancárias e ocupavam- se de tipografias" .(Fonte: Vittorio Capelli, professor-associado de História Contemporânea na Universidade da Calábria, no ensaio “A propósito de imigração e urbanização: correntes imigratórias da Itália meridional às ‘outras Américas’ tradução da Profa. Dra. Núncia Santoro de Constantino,docente do Programa de Pós-Graduação em História da PUCRS.-2006)
História (218) - "Far l'America" ( 127): Imigração italiana em Pernambuco nos séculos XIX e XX
O professor-associado de História Contemporânea na Universidade
da Calábria, Vittorio
Capelli, no ensaio “A propósito de imigração e urbanização: correntes
imigratórias da Itália meridional às ‘outras Américas’ ”(tradução
da Profa. Dra. Núncia Santoro de
Constantino,docente do Programa de Pós-Graduação em História da
PUCRS.-2006) aborda a italiana em Recife (séculos
XIX e
XX).
“Os imigrantes de Recife têm a mesma origem geográfica dos italianos de Salvador e de Aracaju. Muitos desses imigrantes chegam da pequena Trecchina e de outros 'paesi' da Basilicata. Também a composição social e os percursos de integração são semelhantes: 20 trata-se de artesãos e de pequenos comerciantes que, com freqüência, começaram como empregados em oficinas e pequenas lojas, ou como mascates na zona rural. Foram inicialmente financiados pelos conterrâneos que lhes precederam e que os convidaram a emigrar.
Numerosos eram os artesãos especializados no trabalho com metais, como caldeireiros, funileiros, fundidores, chamados a partir da multiplicação das usinas de açúcar; muitos também eram alfaiates e sapateiros; e não poucos foram aqueles que se tornaram industriais: no início da década de 1930 encontra-se uma fábrica di licores e de gasosas, uma indústria de tecidos, a fundição ‘Vesúvio’, outras indústrias metalúrgicas e de calçados.
Mais do que em outras cidades, parece que no Recife houve uma relação estreita entre ofícios artesanais e atividades industriais, sendo freqüente a passagem de uns às outras. Em suma, a capital pernambucana confirma as características fundamentais da presença italiana em todo o nordeste. Entretanto, talvez fosse mais acentuada a presença em indústrias e menor a participação na expansão e nas reformas urbanas, a exemplo de Aracaju; exceções foram o mausoléu a Joaquim Nabuco, executado por Giovanni Nicolini (1910), e o Palácio de Justiça, em estilo renascentista, de Giacomo Palumbo (1930). No plano artístico, também é preciso destacar a presença do pintor Murillo La Greca, nascido em 1899, caçula dos doze filhos do casal de imigrantes Vincenzo La Greca e Teresa Carlomagno, provenientes de diferentes lugares dos confins calabro-lucanos.
Tendo herdado juntamente com os irmãos a usina açucareira de Palmares, perto de Recife, o jovem La Greca realizará sua formação artística baseada nos indiscutíveis cânones clássicos, inicialmente no Rio de Janeiro e depois em Roma, onde aprendeu a técnica do afresco. Retornando para sempre ao Brasil às vésperas da Segunda Guerra Mundial, é contratado para pintar os afrescos da Basílica de Nossa Senhora da Penha, em Recife, construída em 1870 nos moldes arquitetônicos de Palladio. Enfim, do ponto de vista quantitativo, a presença italiana em Recife é a mais consistente de todo o nordeste. Tanto é que, ainda hoje, ali residem cerca de dois mil cidadãos italianos, além de dezenas de milhares de descendentes. Ao contrário, no estado limítrofe da Paraíba, encontram-se arquitetos e construtores italianos que permitem imaginar uma situação semelhante àquela encontrada em Aracaju, onde se destaca o aspecto qualitativo.
“Os imigrantes de Recife têm a mesma origem geográfica dos italianos de Salvador e de Aracaju. Muitos desses imigrantes chegam da pequena Trecchina e de outros 'paesi' da Basilicata. Também a composição social e os percursos de integração são semelhantes: 20 trata-se de artesãos e de pequenos comerciantes que, com freqüência, começaram como empregados em oficinas e pequenas lojas, ou como mascates na zona rural. Foram inicialmente financiados pelos conterrâneos que lhes precederam e que os convidaram a emigrar.
Numerosos eram os artesãos especializados no trabalho com metais, como caldeireiros, funileiros, fundidores, chamados a partir da multiplicação das usinas de açúcar; muitos também eram alfaiates e sapateiros; e não poucos foram aqueles que se tornaram industriais: no início da década de 1930 encontra-se uma fábrica di licores e de gasosas, uma indústria de tecidos, a fundição ‘Vesúvio’, outras indústrias metalúrgicas e de calçados.
Mais do que em outras cidades, parece que no Recife houve uma relação estreita entre ofícios artesanais e atividades industriais, sendo freqüente a passagem de uns às outras. Em suma, a capital pernambucana confirma as características fundamentais da presença italiana em todo o nordeste. Entretanto, talvez fosse mais acentuada a presença em indústrias e menor a participação na expansão e nas reformas urbanas, a exemplo de Aracaju; exceções foram o mausoléu a Joaquim Nabuco, executado por Giovanni Nicolini (1910), e o Palácio de Justiça, em estilo renascentista, de Giacomo Palumbo (1930). No plano artístico, também é preciso destacar a presença do pintor Murillo La Greca, nascido em 1899, caçula dos doze filhos do casal de imigrantes Vincenzo La Greca e Teresa Carlomagno, provenientes de diferentes lugares dos confins calabro-lucanos.
Tendo herdado juntamente com os irmãos a usina açucareira de Palmares, perto de Recife, o jovem La Greca realizará sua formação artística baseada nos indiscutíveis cânones clássicos, inicialmente no Rio de Janeiro e depois em Roma, onde aprendeu a técnica do afresco. Retornando para sempre ao Brasil às vésperas da Segunda Guerra Mundial, é contratado para pintar os afrescos da Basílica de Nossa Senhora da Penha, em Recife, construída em 1870 nos moldes arquitetônicos de Palladio. Enfim, do ponto de vista quantitativo, a presença italiana em Recife é a mais consistente de todo o nordeste. Tanto é que, ainda hoje, ali residem cerca de dois mil cidadãos italianos, além de dezenas de milhares de descendentes. Ao contrário, no estado limítrofe da Paraíba, encontram-se arquitetos e construtores italianos que permitem imaginar uma situação semelhante àquela encontrada em Aracaju, onde se destaca o aspecto qualitativo.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
História (217) - "Far l'America" ( 126): Imigração meridional em Sergipe
Vittorio
Capelli, professor-associado de História Contemporânea na Universidade
da Calábria no ensaio “A propósito de imigração e urbanização: correntes
imigratórias da Itália meridional às ‘outras Américas’ ”(tradução da Profa. Dra. Núncia Santoro de
Constantino,docente do Programa de Pós-Graduação em História da
PUCRS.-2006) discorre sobre a da presença italiana em Sergipe no séculos XIX e
XX.
"Transferimo-nos agora da Bahia para o vizinho estado de Sergipe, na pequena Aracaju, onde o número de italianos é muito menor. Entretanto, nesta modesta presença, encontram-se múltiplos e justificados motivos de interesse. A proveniência geográfica é sempre a mesma: o território compreendido entre as províncias de Salerno e de Cosenza. A tipologia migratória é a mesmíssima, mas com traços sociais mais elevados: os italianos de Aracaju são comerciantes, empreendedores e artistas, que deram uma contribuição decisiva à renovação urbana da pequena capital de Sergipe na primeira metade do século XIX.
O mais conhecido pioneiro da pequena colônia italiana é o comerciante Nicolau Pungitori (1845-1909),31 que construiu o teatro “Carlos Gomes”, em 1903. Os expoentes mais lembrados da geração sucessiva italiana são Nicola Mandarino (1883), de Vibonati- Campania, e Federico Gentile (1888-1970), calabrês de Paola: o primeiro, proprietário de uma grande marcenaria, em Aracaju, de uma fábrica de sabão e de um depósito de tecidos; o segundo, ativo construtor civil, junto com o irmão Attilio. Mandarino conquista um posto de primeiro plano na elite sergipana e, por isso, será alvo fácil das manifestações antiitalianas no verão de 1942, depois do afundamento de um navio mercantil brasileiro por submarino alemão, no largo de Aracaju, provocando mais de duzentas mortes.
Gentile faz parte da dita “Missão artística italiana” que, a partir de 1918, renova visivelmente o equipamento urbano da cidade. Trabalham Bellando Bellandi (arquiteto), Oreste Gatti (pintor), Bruno Cercelli (escultor e decorador), Raffaele Alfano (cinzelador), Hugo Bozzi (construtor). Em particular, destaca-se o arquiteto Bellandi, restaurador da fachada do palácio do governo em estilo eclético, que se torna modelo imprescindível para as residências dos ricos de Aracaju; Gentile, que é o construtor mais importante da cidade, constrói muitas vilas para a oligarquia local e para os italianos enriquecidos, prédios em que insere elementos modernos, ecléticos e art nouveau, transformando a arquitetura local, segundo a moda européia. Pertencer à maçonaria torna-se comum e caracteriza a pequena comunidade italiana de Aracaju".
"Transferimo-nos agora da Bahia para o vizinho estado de Sergipe, na pequena Aracaju, onde o número de italianos é muito menor. Entretanto, nesta modesta presença, encontram-se múltiplos e justificados motivos de interesse. A proveniência geográfica é sempre a mesma: o território compreendido entre as províncias de Salerno e de Cosenza. A tipologia migratória é a mesmíssima, mas com traços sociais mais elevados: os italianos de Aracaju são comerciantes, empreendedores e artistas, que deram uma contribuição decisiva à renovação urbana da pequena capital de Sergipe na primeira metade do século XIX.
O mais conhecido pioneiro da pequena colônia italiana é o comerciante Nicolau Pungitori (1845-1909),31 que construiu o teatro “Carlos Gomes”, em 1903. Os expoentes mais lembrados da geração sucessiva italiana são Nicola Mandarino (1883), de Vibonati- Campania, e Federico Gentile (1888-1970), calabrês de Paola: o primeiro, proprietário de uma grande marcenaria, em Aracaju, de uma fábrica de sabão e de um depósito de tecidos; o segundo, ativo construtor civil, junto com o irmão Attilio. Mandarino conquista um posto de primeiro plano na elite sergipana e, por isso, será alvo fácil das manifestações antiitalianas no verão de 1942, depois do afundamento de um navio mercantil brasileiro por submarino alemão, no largo de Aracaju, provocando mais de duzentas mortes.
Gentile faz parte da dita “Missão artística italiana” que, a partir de 1918, renova visivelmente o equipamento urbano da cidade. Trabalham Bellando Bellandi (arquiteto), Oreste Gatti (pintor), Bruno Cercelli (escultor e decorador), Raffaele Alfano (cinzelador), Hugo Bozzi (construtor). Em particular, destaca-se o arquiteto Bellandi, restaurador da fachada do palácio do governo em estilo eclético, que se torna modelo imprescindível para as residências dos ricos de Aracaju; Gentile, que é o construtor mais importante da cidade, constrói muitas vilas para a oligarquia local e para os italianos enriquecidos, prédios em que insere elementos modernos, ecléticos e art nouveau, transformando a arquitetura local, segundo a moda européia. Pertencer à maçonaria torna-se comum e caracteriza a pequena comunidade italiana de Aracaju".
História (216)- "Far l'America" ( 125): Imigração meridional na Bahia
No ensaio “A propósito de imigração e urbanização: correntes imigratórias da Itália meridional às ‘outras Américas’ ”Vittorio Capelli, professor-associado de História Contemporânea na Universidade da Calábria (tradução da Profa. Dra. Núncia Santoro de Constantino,docente do Programa de Pós-Graduação em História da PUCRS.-2006) revela traços da presença italiana na Bahia no séculos XIX e XX.
"Poderá surpreender que se fale de imigração italiana na cidade mais africana do Brasil, habitada por larga maioria de negros e mulatos, uma ex-capital em declínio nos anos sessenta do século XIX.
Contudo, Thales de Azevedo, há muito tempo já assinalava 16 uma presença dos italianos bem mais significativa do que se pensa comumente. Ele recorda que, em 1861, existia em Salvador uma “Sociedade Italiana de Recreio e Beneficência”. E pouquíssimos anos depois, teriam chegado de Trecchina, um pequeno paese da Basilicata no limite com a Calábria, os primeiros imigrantes espontâneos que deram vida, a partir de 1878, à uma ativa e interessante colônia italiana em Jequié, promovendo com originalidade o comércio e a agricultura.23 Tanto que, dos 200.000 habitantes atuais de Jequié, pelo menos 2.000 são de origem italiana.
Essa corrente migratória de Trecchina encontra ampla repercussão no vizinho município calabrês de Laino Borgo, a julgar pela informação do cônsul italiano L. S. Rocca. Segundo ele, deste pequeno paese provêm quase todos os 500 italianos presentes na Bahia no início do século XX século.24 Muitos eram sapateiros e concentraram- se, na virada para o século XX, na Baixa dos Sapateiros, no Maciel e nas ruas vizinhas de Salvador, onde são numerosas as lojas de calçados e de tecidos, os empórios e as oficinas mecânicas dirigidas por italianos, que têm todos a mesma proveniência geográfica e que trabalham há muito tempo ao lado de comerciantes árabes e judeus".
"Poderá surpreender que se fale de imigração italiana na cidade mais africana do Brasil, habitada por larga maioria de negros e mulatos, uma ex-capital em declínio nos anos sessenta do século XIX.
Contudo, Thales de Azevedo, há muito tempo já assinalava 16 uma presença dos italianos bem mais significativa do que se pensa comumente. Ele recorda que, em 1861, existia em Salvador uma “Sociedade Italiana de Recreio e Beneficência”. E pouquíssimos anos depois, teriam chegado de Trecchina, um pequeno paese da Basilicata no limite com a Calábria, os primeiros imigrantes espontâneos que deram vida, a partir de 1878, à uma ativa e interessante colônia italiana em Jequié, promovendo com originalidade o comércio e a agricultura.23 Tanto que, dos 200.000 habitantes atuais de Jequié, pelo menos 2.000 são de origem italiana.
Essa corrente migratória de Trecchina encontra ampla repercussão no vizinho município calabrês de Laino Borgo, a julgar pela informação do cônsul italiano L. S. Rocca. Segundo ele, deste pequeno paese provêm quase todos os 500 italianos presentes na Bahia no início do século XX século.24 Muitos eram sapateiros e concentraram- se, na virada para o século XX, na Baixa dos Sapateiros, no Maciel e nas ruas vizinhas de Salvador, onde são numerosas as lojas de calçados e de tecidos, os empórios e as oficinas mecânicas dirigidas por italianos, que têm todos a mesma proveniência geográfica e que trabalham há muito tempo ao lado de comerciantes árabes e judeus".
quarta-feira, 2 de junho de 2010
História (215) - Imigração Italiana após a Segunda Guerra (6)
Na dissertação de mestrado (Unicamp 2003) “A Imigração italiana no Segundo Pós Guerra e a
indústria brasileira nos anos 50”,
Luciana Facchinetti revela a origem dos imigrantes italianos que chegaram ao Brasil após a Segunda Mundial ter chegado ao fim. "
A busca pela mão-de-obra qualificada, foi tônica constante nos discursos de muitos Constituintes, e, principalmente, dos Conselheiros do C.I.C(2). Apesar do interesse pelos técnicos especializados da região norte, a maior parte dos imigrantes do segundo pós-guerra foi proveniente da região sul da Itália. Como pudemos apurar pelas fichas que se encontram arquivadas no Memorial do Imigrante de São Paulo, das 24.000 fichas pesquisadas, cerca de 60% delas apontam como proveniência as regiões da Campania, Calabria, Basilicata, Molise , Puglia e Sicilia. Os outros 40% são das demais regiões e da Colônia Italiana no Egito. A urgência de trabalhadores qualificados esteve atrelada as políticas econômicas dos governos Dutra, Vargas e Kubistchek"
A busca pela mão-de-obra qualificada, foi tônica constante nos discursos de muitos Constituintes, e, principalmente, dos Conselheiros do C.I.C(2). Apesar do interesse pelos técnicos especializados da região norte, a maior parte dos imigrantes do segundo pós-guerra foi proveniente da região sul da Itália. Como pudemos apurar pelas fichas que se encontram arquivadas no Memorial do Imigrante de São Paulo, das 24.000 fichas pesquisadas, cerca de 60% delas apontam como proveniência as regiões da Campania, Calabria, Basilicata, Molise , Puglia e Sicilia. Os outros 40% são das demais regiões e da Colônia Italiana no Egito. A urgência de trabalhadores qualificados esteve atrelada as políticas econômicas dos governos Dutra, Vargas e Kubistchek"
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