terça-feira, 28 de dezembro de 2010

História (229 ) – “Far l’America (134 )": Rivalidades regionais entre os imigrantes italianos na cidade de Campinas (2)

A pesquisadora Maria Lúcia de Souza RangelRicci, do Centro de Memória Unicamp, autora do artigo ”Conflitos D’Italianità e Ambigüidades das Diferentes Societàs em Campinas e seus Distritos de Sousas e Joaquim Egídio (SP)”, publicado no site da  Sociedade Brasileira de Pesquisa Histórica, assim descreve o associativismo regional dos imigrantes.


“(.... ) Os italianos que se fixaram em Campinas englobando dois de seus atuais Distritos - Sousas e Joaquim Egídio - procuraram se reunir por meio de associações que conservavam um cunho nitidamente regional, aliás, idéia corrente na Itália de fins do século XIX, quando o Estado há pouco formado, não havia ainda sobrepujado a noção de região (RIOS, l950). Predominaram as ligas e sociedades beneficentes, de mútuo socorro, com denominações patrióticas, onde os indivíduos cultivavam também as tradições e atavismos de sua terra natal; as festas que promoviam eram as que prevaleciam em suas regiões e não as do país que estavam habitando, as quais lhes eram indiferentes.
(...)Assim, onde estivessem algumas dezenas de peninsulares, logo surgiria uma associação que sempre manteve espírito individualista o que constituiu sério obstáculo para o florescimento e continuidade da maior parte das associações.
Com seus estandartes, bandeiras e com número variável de participantes, as associações italianas promoviam comemorações principalmente em suas datas nacionais (onde era indispensável a presença da banda musical).
Em Campinas, desde o final do século XIX várias sociedades foram formadas e, em 1883, foi fundada a XX de Setembre que além de bailes promovia piqueniques no Bosque das Caneleiras (hoje Jequitibás), além de festas típicas italianas.
Foi muito comentada pela imprensa campineira da época a festa promovida por esta Sociedade em julho de 1897, em homenagem à memória de Sadi Carnot, sendo que um grande baile teve lugar no Salão Vitória, o mais imponente da Campinas de então. Mas, a imprensa ainda deu vivo destaque à discussão havida durante a comemoração entre o presidente da XX de Setembre - Vito Zaccara - e Antônio Vignone, que conduzia a Famigliari Regina Margherita. O desentendimento, fruto da rivalidade existente entre ambas, foi decorrente de a Regina Margherita estar com saldo em sua conta menor que a XX de Setembre, além do número de sócios desta última associação ser maior.
Como se vê os motivos nem sempre eram relevantes e, com isto, as sociedades iam se enfraquecendo. Pouco tempo depois estas duas deixaram de existir, cedendo lugar a outras que se dedicaram principalmente à manutenção de escolas onde o prioritário era o ensino do italiano, mas sem deixar de lado a função assistencial”.

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