sexta-feira, 30 de abril de 2010

Italianità: 'Miracolo di San Gennaro"

"São Januário (San Gennaro) nasceu em Nápoles, no ano 270 d.C. Nada se sabe ao certo sobre os primeiros anos de sua vida. Em 302 foi ordenado sacerdote, e por sua piedade e virtude foi escolhido, pouco depois, para Bispo de Benevento. Sua caridade, infatigável zelo e solicitude pastoral desterraram de sua diocese a indigência, tendo ele socorrido a todos os necessitados e aflitos.

Quando em 304, o imperador romano Diocleciano desencadeou em todo o Império cruel perseguição contra o Cristianismo, obrigando os fiéis a oferecer sacrifícios às divindades pagãs, Januário teve muitas ocasiões de manifestar o valor de seu zelo, socorrendo os cristãos, não só nos limites de sua diocese, mas em todas as cidades circunvizinhas. Penetrava nos cárceres, estimulando seus irmãos na fé e perseverança final, alcançando também, naquela ocasião, grande número de conversões. O êxito de seu apostolado não tardou a despertar atenção de Dracônio, governador da Campânia, que o mandou prender. Diante do tribunal, São Januário foi reprovado pelo pró-cônsul Timóteo, que lhe apresentou a seguinte alternativa: «Ou ofereces incenso aos deuses, ou renuncias à vida». «Não posso imolar aos demônios, pois tenho a honra de sacrificar todos os dias ao verdadeiro Deus»” – respondeu com vigor o santo, referindo-se à celebração eucarística. Irado, o pró-cônsul ordenou que o santo Bispo fosse lançado imediatamente numa fornalha ardente. Mas Deus quis renovar em favor de seu fiel servo o milagre dos três jovens israelitas, atirados também nas chamas, de que fala o Antigo Testamento. São Januário saiu desta prova do fogo ileso, para grande surpresa dos pagãos. O tirano, atribuindo o prodígio a artes mágicas, ordenou que São Januário e mais seis outros cristãos fossem conduzidos a Puzzoles, onde seriam lançados às feras na arena. No dia marcado para o suplicio, o povo lotou o anfiteatro da cidade.

No centro da arena. São Januário encorajava os companheiros: «Ânimo, irmãos, este é o dia do nosso triunfo, combatamos com valor nosso sangue por Aquele Senhor, a quem devemos a vida». Mal terminara de falar foram libertados leões, tigres e leopardos famintos, que correram em direção às vítimas. Mas, em lugar de despedaçá-las, prostraram-se diante do Bispo de Benevento e começaram a lamber-lhes os pés. Ouviu-se então um grande murmúrio no anfiteatro, que reconhecia não existir outro verdadeiro Deus senão o dos cristãos. Muitos pediram clemência. Mas o pró-cônsul, cego de ódio, mandou decapitar aqueles cristãos, sendo executada a ordem na praça Vulcânia.

Os corpos dos mártires foram conduzidos pelos fiéis às suas respectivas cidades. Segundo relataram as crônicas, uma piedosa mulher recolheu em duas ampolas o sangue que escorria do corpo de São Januário, quando este era transportado para Benavento. Os restos mortais do Bispo mártir foram transladados para sua cidade natal — Nápoles — em 432. No ano 820 voltaram para Benavento.

Em 1497 retornaram definitivamente para Nápoles, onde repousam até hoje, em majestosa Catedral gótica. Aí se realiza o perpétuo sangue, que se dá duas vezes por ano, no sábado que antecede o primeiro domingo de maio aniversário da primeira transladação, e a 19 de setembro, festa do martírio do santo (Igreja Latina) e no dia 16 de dezembro (dia em que Nápoles foi protegido da erupção do Vesúvio). As datas da liquefação do sangue de São Januário são celebradas com grande pompa e esplendor.

As relíquias são expostas ao público, e se a liquefação não se verifica imediatamente. Iniciam-se preces coletivas. Se o milagre tarda, os fiéis compenetram-se de que a demora se deve a seus pecados. Rezam então orações penitenciais, como o salmo «Miserere», composto pelo Santo Rei Davi. Quando o milagre ocorre, o Clero entoa solene «Te Deum», a multidão prorrompe em vivas. Os sinos repicam e toda a cidade se rejubila. Entretanto, sempre que nas datas costumeiras o sangue não se liquefaz, Isso significa o aviso de tristes acontecimentos vindouros, segundo uma antiga tradição nunca desmentida.

San Gennaro é padroerio de Nápoles e também do bairro da Mooca, em São Paulo, região que recebeu grande contingente de imigrantes napolitanos. (Fonte: Site Ecclesia


Italianità - Da Puglia para São Paulo: a devoção a San Vito Mártir

"Vito era filho de Illa, guerreiro e perseguidor de cristãos e foi criado por um casal de cristãos, servos do pai. Ao descobrir que o filho crescera cristão, Illa mandou prender e açoitar os três. Ajudado por um anjo, Vito conseguiu fugir, mas acabou preso pelo Imperador Dioclesiano, torturado e morto em 15 de junho de 303 d.C.

No ano 801 d.C., apareceu para a princesa Florência de Salerno, pedindo-lhe que enterrasse seus ossos na cidade Polignano a Mare, onde foi erguida a atual Igreja de São Vito. O milagre de suas aparições se espalhou e sua devoção ganhou o sul da Itália e a cidade de São Paulo. É considerado o protetor dos artistas, das doenças nervosas e dependentes de drogas.

A Associação Beneficente São Vito Mártir foi fundada por italianos e descendentes, em 1919. Ano que aconteceu a primeira festa, inaugurando uma nova e autêntica manifestação cultural italiana em São Paulo.

Desde então, a Associação realiza esta manifestação em homenagem a São Vito Mártir, o padroeiro da cidade de Polignano a Mare,  na Puglia  Foi desta região que veio a maioria dos imigrantes que se instalaram e formaram o Brás em 1889". (FonteAssociação Beneficente São Vito Mártir)"

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Italianità: A devoção à Madonna di Achiropita

“Em 580 D.C., o capitão Maurício, desviado pelos ventos, chegou a uma aldeia calabresa, na Itália. O monge Éfrem foi-lhe ao encontro e lhe disse:  '"Não foram os ventos que te conduziram para cá, mas Nossa Senhora, para que tu - uma vez Imperador - lhe construas um templo'.

Em 582, Maurício tornou-se de fato Imperador e, cedendo à insistência do monge, decretou a construção do Santuário, que bem depressa chegou ao término. Um fato estranho chamou a atenção da comunidade. A imagem de Nossa Senhora que era pintada durante o dia, de noite desaparecia da parede. Uma noite, de improviso, apareceu uma belíssima senhora que falou com o vigia e pediu para entrar no santuário. E como ela demorasse para sair, preocupado, ele entrou e não encontrou mais aquela senhora, mas viu que estava pintada no fundo da parede interna do templo, uma imagem lindíssima de Nossa Senhora. Ao saber disso, o povo acorreu àquele local e, entre lágrimas e cantos, aclamava: Achiropita! Achiropita!... O que significa: imagem não pintada pela mão do homem.

Seja lenda ou história, o fato é que desde o século doze, em Rossano Cálabro, esta devoção passou a ser oficialmente celebrada no dia 15 de agosto. Até hoje, no mundo inteiro, há somente duas igrejas dedicadas a Nossa Senhora Achiropita: uma na Itália, que atualmente é catedral; a outra é a Paróquia de Nossa Senhora Achiropita, no bairro Bela Vista (Bixiga), em São Paulo. As bochechas são cheinhas e levemente rosadas. Os dedos roliços seguram uma criança que em tudo se parece com a mãe. O rosto tem uma tonalidade escura, queimado pelo sol.

A devoção a Nossa Senhora deve despertar no coração dos fiéis o amor filial a Maria, mãe de Jesus, o filho de Deus. Os vários títulos que ela recebeu são devidos aos lugares onde apareceu, ou aos pedidos particulares que Ela fez. Deus escolheu Maria para ser mãe do seu filho Jesus. Por ela ser Cheia de Graça, nenhum artista jamais conseguirá retratar numa tela sua beleza interior”. (Fonte: Paróquia Nossa Senhora Achiropita )

Italianità: A devoção à Madonna di Casaluce

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“A História de Nossa Senhora de Casaluce vem do sul da Itália (século XlI).Casaluce significa "CASA DE LUZ". Na cidade de Aversa, em um dia de temporal muito forte, uma linda moça de cor negra bateu a porta de um seminário para pedir abrigo, porém, naquele tempo, não era permitida a entrada de mulheres nessas instituições. Então, os padres pediram que a moça fosse a um convento de freiras na cidade mais próxima, "CaslLuce". As freiras a acolheram e a instalaram num quarto.


No dia seguinte, as freiras não a encontraram e no seu lugar havia apenas um quadro - era a figura da moça, com uma criança nos braços. A partir daí, vários milagres foram atribuídos àquela santa. Por isso, os padres de Aversa reclamaram o quadro por ter sido lá que a santa havia estado primeiro. Para evitar discórdia, ficou resolvido que o quadro ficaria quatro meses em Aversa e oito em Casaluce. 'Todas as gerações me felicitarão porque o todo-poderoso realizou em mim grandes obras’ (Lc. I,48-49)'.

Devoção no Brasil

No final do século XIX os imigrantes italianos concentraram-se no bairro do Brás em São Paulo. Os napolitanos instalaram-se preferencialmente na Rua Caetano Pinto e ai revelaram a devoção a Casaluce. Eles trouxeram uma replica do quadro, cuja copia fiel da imagem se encontra na Itália. Fundaram então, a Igreja em 1900 e continuaram ligados assim, mais fortemente, a terra natal. Até hoje, no mundo inteiro, só existem duas igrejas dedicadas a Nossa.Senhora Casaluce, a de Nápoles e a de São Paulo. Através desse sentimento religioso, nasceu a primeira festa italiana de São Paulo, com comidas típicas, muita musica e alegria. Inúmeros são os milagres de Nsa. Sra. de Casaluce. O povo vem agradecer a intercessão da Mãe de Jesus pelas graças recebidas e pedir sempre. ‘Peça a Mãe de Deus que o filho atende’. O nome de Maria está unido aos lugares onde ela viveu ou onde é venerada; daí os nomes de Maria de Nazaré, Nsa. Sra. Aparecida, Nossa. Senhora. de Casaluce, etc. Festejamos Nossa. Senhora de Casaluce no mês de maio”. (Fonte: Região Episcopal Sé)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Italianità: Dança e raízes italianas em Carazinho, Rio Grande do Sul

A Associação Italiana Giuseppe Garibaldi foi fundada em 21 de maio de 1996 na cidade de Carazinho, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, com o objetivo de promover a interação entre as culturas italiana e a brasileira, mais especificamente a gaúcha, devido a sitação geográfica da imigração.
A entidade mantém o  Grupo Folclorístico de Danças Italiana Giuseppe Garibaldi que é composto atualmente por dois grupos: o juvenil de 9 a 11 anos que conta com 16 integrantes e o adulto com alunos acima de 11 anos e possui 20 dançarinos.

Formado por alunos das escolas municipais e criado em 2002, vem desenvolvendo desde a sua formação, atividades que ultrapassam os passos da dança. Alem de encantar a comunidade local e regional com coreografias de cada região da Itália, a essência desde projeto cultural encantou, também, cada um dos integrantes do grupo. O alunos estão envolvidos com a dança e com ampliação do conhecimento que o contato com a cultura italiana proporciona.  O resultado deste trabalho pode ser observado tanto no desempenho escolar dos integrantes do grupo como na convivência familiar. Os alunos possuem uma rotina de quatro horas de ensaio semanal e estão bem preparados não só na parte técnica, como no conhecimento da cultura italiana. 

Além dos ensaios eles estudam e pesquisam o folclore regional da Itália, bem como estão aprendendo o idioma no curso de língua italiana oferecido pelo Instituto. Todos os gastos com viagens e produção dos trajes são custeados pelo Instituto e empresas da comunidade.(Fonte: Associação Italiana Giuseppe Garibaldi)

Italiani - Giuseppe Miolo: uva e vinho na serra gaúcha

A história da Família Miolo no Brasil começa em 1897, quando Giuseppe Miolo chegou ao país vindo da Itália. Ao chegar, o imigrante foi para Bento Gonçalves e trocou suas economias por um pedaço de terra no Vale dos Vinhedos, especificamente chamado Lote 43. Naquele mesmo ano, começou a plantar uvas dando início à tradição vitícola da família no Brasil. Na década de 70, a Família Miolo Foi pioneira no plantio de uvas finas, fazendo com que os netos de Giuseppe Miolo, Darcy, Antônio e Paulo ficassem conhecidos na região pela qualidade de suas uvas. Em 1989, a família começa a produzir o seu próprio vinho para venda a granel, era o início da Vinícola Miolo.

Alguns anos depois, em 1994, a empresa evolui para mais uma fase, engarrafando o vinho com a marca da família". O crescimento foi muito rápido, tão rápido que em 1998 a empresa deu início ao Projeto Qualidade, com a intenção de obter um crescimento sustentável, com investimentos constantes na terra, em tecnologia, em recursos humanos e no consumidor".(Fonte Miolo Wine Group)

terça-feira, 27 de abril de 2010

Italianità - Vinicola Aurora e suas raízes italianas

"A história da Vinícoila Aurora tem início em 1875, com a chegada de imigrantes oriundos do norte da Itália. Estabelecidos na Serra Gaúcha, no Sul do Brasil, encontraram paisagens e clima similares aos de seu país de origem. Os hábitos e a cultura europeus não foram abandonados: a antiga arte da vitivinicultura logo teve sua retomada. .

 Estabelecidos na Serra Gaúcha, no Sul do Brasil, encontraram paisagens e clima similares aos de seu país de origem. Os hábitos e a cultura europeus não foram abandonados: a antiga arte da vitivinicultura logo teve sua retomada. No dia 14 de fevereiro de 1931, dezesseis famílias de produtores de uvas do município de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, reuniram-se para lançar a pedra fundamental do que viria a se transformar no maior empreendimento do gênero do Brasil: A COOPERATIVA VINÍCOLA AURORA .

Um ano mais tarde, contabilizava a produção coletiva de 317 mil quilos de uvas, fixando a base de um empreendimento destinado não só a ser o maior, mas também um dos mais qualificados tecnologicamente. Hoje, bem no coração de Bento Gonçalves, está a maior cooperativa vinícola do Brasil, com mais de 1.100 famílias associadas, responsáveis pela produção média de 50 milhões de Kg de uvas, que resultam em aproximadamente 38 milhões de litros de vinhos anuais. Conta com capacidade de estocagem superior a 70.000.000 de litros de vinhos e a área construída de 110.000 m2". (Fonte: Vinícola Aurora)

História (174) - A vitivinicultura dos pioneiros nas colônias do Rio Grande do Sul

"A uva era colhida em balaios feitos com cipó e esmagada com os pés. A fermentação se processava em pipas de madeira instaladas no porão da casa, onde todas as operações de vinificação eram feitas pela própria família. Logo após o esmagamento da uva, o mosto doce era bebido por todos. Na época também era muito habitual comer-se o pão molhado nesse mosto. Não eram raras as reuniões de famílias, especialmente no dia 6 de janeiro, para comemorar a festa do pão e do vinho, aproveitando o mosto obtido das uvas mais precoces. Fermentado, o mosto era transformado em vinho, quase todo ele tinto, de uva Isabel, e consumido já nos meses de abril e maio, devendo durar até a próxima colheita. O imigrante havia encontrado finalmente um fator importante e decisivo para sua fixação e adoção definitiva da nova Pátria. Uma vez mais a vitivinicultura evidenciava-se como elemento de fixação do homem a uma região, por ser ela um componente da civilização humana ligado à cultura e com características universais". (Fonte: Prefeitura de Bento Gonçalves - Historiadora Assunta De Paris – Arquivo Histórico Municipal)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Italiani: Família Salton e a vitinivicultura gaúcha

"Em 1878, a Família SALTON, vinda da Itália, foi uma das primeiras a chegar ao Rio Grande do Sul e instalou-se numa localidade fundada com o nome “Vila Izabel”, cidade conhecida atualmente como Bento Gonçalves. No dia 25 de agosto de 1910, unindo os esforços aos sentimentos que os laços fraternos já uniam, Paulo e seus irmãos, Ângelo, João, Cezar, Luiz e Antônio Salton fundaram uma sociedade, com o nome de “Paulo Salton – Armazéns Gerais” tendo como objetivo o ramo de comercialização de cereais, além de fiambreria e secos e molhados em geral.

Entretanto, com as mudas de vinhas, algumas trazidas da saudosa Itália pela própria família, tiveram uma adaptação muito boa ao nosso clima, pouco tempo depois mudavam de ramo, passando a dedicar-se à cultura de uvas e a elaboração de vinhos, espumantes e vermutes, com a denominação social de “Paulo Salton & Irmãos”. E nesse ritmo foi crescendo, acumulando patrimônio, vencendo concursos, levantando muitas vezes prêmios de honra pela qualidade de seus vinhos.

Sua fama foi crescendo e espalhou-se por todo o Rio Grande do Sul e por todo território nacional. Localizada no Extremo Sul do País, logo viu-se em situação de não poder atender aos constantes aumentos de pedidos vindos dos quatro cantos da Pátria. E foi por este motivo que em 10 de Outubro de 1948, a Salton fundou uma filial, estabelecida na cidade de São Paulo. Atualmente, a matriz está localizada em Tuiuty, distrito de Bento Gonçalves e a Filial continua em São Paulo". (Fonte: Site do Vinho Brasileiro)

História (173 ) - "Far l'America (95)": A casa de pedra do pioneiro GIuseppe Lucchese em Caxias do Sul

"Os imigrantes europeus no Rio Grande do Sul criaram uma arquitetura popular, aproveitando sempre a madeira e a pedra abundantes. Um exemplar que resistiu ao tempo para testemunhar esta história foi a casa erguida pelo imigrante italiano Giuseppe Lucchese, no final do século XIX, na então denominada 9ª Légua de Caxias ,(hoje bairros Santa Catarina, São José e Vila Cohab).

Em 1974, após servir a outros moradores: famílias Brunetta e Tomazzoni , e ter abrigado atividades comerciais tão diversas quanto armazém, ferraria e abatedouro de suínos, foi desapropriada para tornar-se museu. O Museu Casa de Pedra foi aberto ao público em 14 de fevereiro de 1975, tornando-se desde então, um espaço de referência para a comunidade e para visitantes. Popularmente conhecido como Casa de Pedra, edificação que merece cuidados constantes.

Uma completa restauração foi realizada em 2001, com apoio da iniciativa privada-Viação Santa Tereza, garantindo sua preservação. A denominação que passou a ser utilizada, Museu Ambiência Casa de Pedra, reflete o conceito aplicado ao bem cultural. À própria edificação- feita com pedras assentadas e rejuntadas com barro, aberturas em pinho falquejado e janelas afixadas em tijolos artesanais-, une-se o mobiliário interno que reconstitui o modo vida doméstico do final do século XIX. No piso inferior, sala, cozinha e forno para assar pão(externo) e no superior, quarto. É possível visitar este espaço e reconhecer as principais características da formação cultural de Caxias do Sul, centrada no trabalho familiar, na moradia e terreno como fonte de sobrevivência". (Fonte: Prefeitura de Caxias do Sul)

domingo, 25 de abril de 2010

História (172 ) - "Far l'America (94)": A religiosidade do pioneiro Giuseppe Giacomelli

Marcas da presença italiana em Caxias do Sul estão conservadas até hoje. Uma delas é a Capela dos Sagrados Corações de Jesus e Maria á localizada na comunidade de mesmo nome, no travessão Santa Rita da 3ª Légua.

"Foi inaugurada em 1892, depois de 11 anos de trabalho comunitário para a construção. A capela foi fruto de uma promessa realizada pelo imigrante italiano Giuseppe Giacomelli, que antes de migrar para o Brasil lutou na guerra do Império Austro - Hungárico durante sete anos. Giacomelli esteve três anos na Marinha e quatro no Exército como tenente de artilharia. Foi ferido oito vezes, perdendo meio calcanhar do pé esquerdo. Viu seus dois irmãos e suas irmãs freiras enfermeiras morrerem.

Como era devoto do Sagrado Coração de Jesus e Maria, fez uma promessa de que, acaso saísse vivo da guerra, construiria um santuário para os Sagrados Corações, cumprindo sua promessa. A Capela é uma das mais antigas de Caxias, totalmente construída em pedra, com imagens trazidas da Itália. O piso é original em cerâmica feita artesanalmente, com argila trazida em lombos de mulas do vale do Caí. Atrás da Capela está o cemitério dos imigrantes e da comunidade. É um dos pontos turísticos mais visitados do Roteiro Turístico Estrada do Imigrante e fica ao lado da Vinícola Grutinha". (Fonte: Prefeitura de Caxias do Sul)

História (171 ) - "Far l'America (93)": O Início da colonização de Caxias do Sul

"O município de Caxias do Sul (na Serra Gaúcha), como tantos outros da então Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, resultou do agrupamento de imigrantes oriundos da Itália. Em maio de 1875 chegavam a Porto Alegre os primeiros colonos saídos em fevereiro de Olmate, província de Milão.

Em pequenos grupos foram transportados até o porto de Guimarães (atual cidade de Caí, e seguindo o vale do rio Caí, chegaram em setembro, finalmente, ao Campo dos Bugres, paragem assim denominada porque tinha sido habitada pelos índios caáguas e onde hoje se ergue Caxias do Sul. O grupo étnico que compunha a primeira leva de colonizadores era o mais variado possível, constituído de tiroleses, vênetos, lombardos e trentinos, vindos das cidades italianas de Cremona, Beluno e Milão. As facilidades que se apresentavam aos que desejassem emigrar para o Brasil fez com que outros grupos, acrescidos de emigrantes russos. poloneses e suecos, fossem chegando até 1894, época em que terminou a concessão do transporte transoceânico gratuito por parte do governo. Um recenseamento efetuado em dezembro de 1876 acusou a existência de 2.000 colonos concentrados na região.

Ao chegarem eram recebidos por uma comissão governamental, que se incumbia da demarcação dos lotes e da abertura de estrada. Em geral, os colonos permaneciam poucas semanas em barracões. Enquanto aguardavam a demarcação dos lotes. que correspondiam a 63 ha de área para cada família, eram aproveitados nos trabalhos da Comissão. O Governo Imperial dava-lhes, além das terras para cultivar, as ferramentas e sementes necessárias. Em 1877 a sede da Colônia de Campo dos Bugres recebeu a denominação de "Colônia de Caxias". Nesse mesmo ano era rezada a primeira missa pelo padre Antônio Passagi. A 12 de abril de 1884. foi desligada da Comissão de Terras do Império e anexada ao Município de São Sebastião do Caí, do qual ficou constituindo o 5.° Distrito de Paz. Formação Administrativa A freguesia de Caxias do Sul foi criada pela Lei n.° 1.455, de 26 de abril do mesmo ano. A 20 de junho de 1890, pelo Ato n.° 257 foi criado o Município, seguindo-se a instalação, a 24 de agosto. Foi elevada a Paróquia em 20 de maio de 1884, sendo seu primeiro pároco o padre Augusto Finotti.

No dia 5 de dezembro de 1895 foi solenemente lançada a pedra fundamental da igreja Matriz e em meados de 1896 já estava a igreja coberta. A Lei estadual n.° 1.607, de 1.° de junho de 1910. concedeu foros de cidade a sede do município. Pelo Decreto n.° 2.822. de 23 de junho de 1921, foi anexado ao Município o núcleo colonial de São Marcos, que pertencia ao Município de São Francisco de Paula de Cima da Serra. Pelo Conselho Municipal, em 1924, foi autorizado o Governo do Estado a desanexar os territórios abrangidos pelos distrito de Nova Trento e Nova Pádua, bem como o povoado de Marcolina Moura, para com eles constituir o atual Município de Flores da Cunha. Já em 1934 o Município perdeu parte do território que foi anexada a distritos de outros Municípios para constituirem o Município de Farroupilha.

Em 8 de setembro de 1934, a Santa Sé criou a Diocese de Caxias, abrangendo o território de 10 Municípios, com 32 paróquias. Segundo o Departamento Estadual de Estatística, na divisão administrativa vigente em 1.° de janeiro de 1958, o Município aparece com os seguintes distritos: Caxias do Sul, Ana Rech, Criúva, Fazenda Sousa, Forqueta, Galópolis, Santa Lúcia do Piaí, São Marcos, Seca e Oliva" (Fonte IBGE)

sábado, 24 de abril de 2010

História (170 ) - "Far l'America (92): CyrilloZamboni, pioneiro na colônia Conde D'Eu

"Cada imigrante, em particular, trazia na suas origens, idéias para fazer na terra que o acolhia, na nova pátria, na terra prometida, “nella terra della cucagna”, uma pátria igual à sua, mas cheia de fartura como sempre viam em seus sonhos, desde criança, ao vivenciar as lutas e o trabalho porque passavam seus ancestrais. Não foi por acaso que os imigrantes italianos, nascidos no norte da Itália, perto de belas montanhas, de pastagens verdes, firmaram pé nas colinas de Conde D’Eu, onde, com os corações apertados tinham lembranças das grandes montanhas dos Alpes Trentinos, sempre com picos branquinhos, cobertos de neve, com um pôr-do-sol coroando os montes de rosa e violeta ao cair de tardes frescas e belíssimas. Mas eles estavam cansados...

Cansados de somente serem servos na terra onde deviam ser reis... Por isso optaram por imigrar.Céu e mar por trinta e seis dias, como diz a canção, talvez mais talvez menos, num vapor apinhado de pessoas a maioria desconhecida, onde poucos passos podiam ser dados, pouca comida, pouca água, e mal compreendiam a imensidão daquele mar de gosto salgado que tentavam superar.Por que tanta água não lhes servia para minimizar a sede?Muitas doenças, muitas mortes que não estavam em seus sonhos, nem nos olhos dos que partiram de qualquer porto. Se o mar e a nova pátria foi cemitério para muitos, era um cemitério onde a dor e a esperança viviam juntas porque o que os esperava era “il pane farto”, “il letto” macio e haveria “zoccoli” para todos. Naqueles navios os imigrantes morreram com um ideal e por amor, e, como diz o ditado “Piu vale um giorno di leone che cento di pegora”, eles tiveram seu dia de leão na hora de tomar a decisão de partir em busca do desconhecido.

Tiveram seu dia de leão no momento de pisar no navio, na imensidão do mar azul e também no momento de morrer e ter como tumba as profundezas do mar gelado. Os que venceram todas as etapas chegaram ao Rio de Janeiro, no sonhado Brasil, ficaram de quarentena no porto.Depois continuaram a vapor até Porto Alegre e pelo rio Caí e Maratá até a cidade de Montenegro

.De lá seguiram com suas famílias e pertences pelo meio da mata cerrada e repleta de animais ferozes, o que para muitos, depois de tantas façanhas, não mais podia intimidar.A paisagem deveria ser bela, verde de esperança.As águas naqueles dias eram límpidas, praticamente intocadas, cheia de peixes.Haveria pássaros cantando, e as borboletas coloridas como arco-íris esvoaçando, tocando-os, eram brilhantes. Na chegada à Colônia Conde D’Eu, hoje cidade de Garibaldi, tudo estava para começar.

A política, as leis, a diversidade de línguas eram empecilhos naturais trazidos nas suas bagagens de homem, mulher e criança e tinham que superar.Teriam que refazer tudo de acordo com sua razão e coração e num somatório de várias religiões, idiomas, políticas formar novos conceitos a contento de todos.E tudo foi feito, pouco a pouco, com muitas lágrimas, muita desunião, mas também muita união e certezas.

Nesta história da Colonização e da fundação de Garibaldi, encontramos um homem, Cirillo Zamboni, um pioneiro, um imigrante italiano, que se destaca não somente por fazer parte da história, mas por ser ele a própria história. Cirillo Zamboni nasceu em Mattarello, Trento, Itália, no dia 12 de abril de 1842.Chegou a Garibaldi, com 33 anos.Faleceu aqui no dia 4 de novembro de 1926, aos 84 anos de idade.Era filho de Emílio Zamboni e Thereza Anesini, registrado em Mattarello como Cirillo Vitale Zamboni.

Ele casou-se em Viena, na Áustria, com Marianna Masiovisk, nascida na Polônia, em 1843 e que faleceu em 30.05.1932, em Garibaldi.Cirillo conheceu Marianna quando trabalhava como capataz de estradas em Viena, na Áustria.Contavam que Marianna trabalhava como servente de pedreiro e tinha 18 anos quando se encontraram.Pouco se sabe de Marianna somente que era uma pessoa muito querida, mas muito séria, com um caráter muito justo e irredutível em seus propósitos. Já em 1874 Cirillo tirou passaporte para emigrar para a África ou América.Pensava em emigrar, mas esperava uma boa oportunidade para ir habitar numa boa terra que desse mesa farta para si e sua família.

Em 22 de setembro de 1875 tirou novo passaporte, pois já acreditava ser o Brasil o país tão esperado.Deixou a terra natal, como imigrante, vindo pela França, pois ao chegar ao Porto de Gênova, os navios de imigrantes já haviam partido.Esperar os próximos navios na Itália levaria mais tempo e dinheiro do que ir ao Porto de Havre e de lá partir.Então, de Gênova foram até Modena, e de trem até a região da Normandia, na França para embarcar no dia 1º de agosto de 1875, no navio “San Martin”.Vindo pela França não tiveram passagens de imigrantes, mas sim pagaram pelas passagens. Acompanhavam Cirillo no navio “San Martin” sua esposa Marianna, que estava grávida, a filha deles Anna Maria, de 1 ano e cinco meses, a avó Teresa, com 55 anos de idade, os primos Gia Batta Zamboni, a esposa Teresa e os filhos deste casal Guiglielmo e Adice.

Durante a longa viagem foram muitas as façanhas vividas por Cirillo, pois teve que enfrentar as epidemias de cólera e febre espanhola num espaço, tão pequeno, de mais ou menos 1 m² por pessoa.No navio em que viajava, devido a estas epidemias e aos muitos que morreram em conseqüência delas Cirillo serviu de enfermeiro, de padeiro e cozinheiro.Com isto conquistou a simpatia de Emile, o Comandante, este o transferiu para a 1ª classe, e fez Cirillo e sua esposa sentarem-se a mesa, ao seu lado, às refeições. Já em águas brasileiras, nasceu seu segundo filho, ao qual deu o nome de Emilio, em homenagem ao Comandante.O menino Emilio era chamado de “Emilio Senza Bandieira” porque nasceu em navio francês em águas brasileiras e tendo pais de origem italiana e polaca.

Na chegada ao Brasil, Cirillo e sua família, depois das façanhas da viagem, a última etapa foi feita a pé, enquanto seus filhos eram carregados no lombo de burros.Na colônia Conde D’Eu, estabeleceram-se, no dia 15 de novembro de 1875, no galpão com telhado de capim e parede de taquaras e barro que ficava mais ou menos em frente ao hoje Clube 31 de Outubro.

Não só o galpão, mas todas as casas construídas naqueles tempos eram iguais de taquara, barro, pedras cobertas de capim.No mato cerrado os bichos eram ferozes e à noite, as vozes dos animais eram assustadoras.As árvores em grande quantidade formavam uma floresta, principalmente de pinheiro araucária, que era em grande quantidade, dando aos imigrantes alimentos no inverno.Os alimentos prometidos vinham de Porto Alegre em pequena quantidade e demoravam a chegar.

Outras famílias italianas chegaram logo após em 24 de dezembro de 1875. Depois Cirillo construiu sua primeira casa mais ou menos no meio da primeira quadra da Rua Borges de Medeiros.Seu primo Gia Batta Zamboni e família instalaram-se em Forromeco. Contam que Cirillo teria recebido o lote 35, que seria mais ou menos o centro do hoje município de Carlos Barbosa, mas disso não temos comprovação e nem porque ele não teria aceitado, ficando neste ponto uma interrogação. Iniciando suas atividades na colônia, Cirillo teve moinho na Linha Vitória, bem em frente da Igreja e, ainda lá estão algumas pedras no local da construção.

Em 1899 comprou e foi morar em uma casa de madeira na Rua Buarque de Macedo e no mesmo local depois construiu em três lances uma casa de material com o número 1568, hoje, 3280, onde teve armazém de secos e molhados.Até o ano de 2005 neste local, habitavam seus descendentes. Contam que no armazém podia-se comprar papel de carta perfumado e frisado em ouro. Pessoa culta, Cirillo nas suas estadas em diversos países aprendeu a falar sete línguas fluentemente e nesse particular ajudou os imigrantes de outras nacionalidades, no navio em que viajava, e depois aqui como foi o caso das irmãs de São José que somente falavam o francês. Foi, também, fotógrafo.

No acervo Histórico-Cultural da cidade existem fotos feitas por Cirillo, e, também, sua linotipo que foi doada ao Acervo, onde foi impresso o primeiro jornal em Conde D’Eu. Cirillo e Marianna tiveram 16 filhos que casaram e espalharam-se por todo o Brasil. Dos 16 filhos 5 morreram criança, dois gêmeos, outras duas gêmeas Joana e Catarina e um primeiro menino chamado Luiz. Os outros onze formaram as famílias que segue na Árvore Genealógica Zamboni.

Através do projeto de Lei do Legislativo Municipal nº 067/92, de autoria do Prefeito Municipal Vandenir Antônio Miotti e da Lei nº 2213, foi colocada uma placa na Praça 31 de Outubro em homenagem a Cirillo Zamboni, reconhecendo-o e confirmando-o como o lº imigrante italiano de Garibaldi.Fato este, já há muito, estudado nas escolas. Cirillo Zamboni foi amigo particular do Pe. Bartolomeu Tiecher, outro pioneiro da imigração italiana, como primeiro sacerdote de Garibaldi, oriundo do Trento também em 1875.

Contrariando a opinião de muitos que afirmam serem os imigrantes fugitivos de penitenciárias da Itália, tem-se na vida e na história de Cirillo Zamboni, semelhante à de muitos outros, o exemplo de trabalho de muitos aventureiros cheios de esperança para construir a vida e a nova pátria à imagem e semelhança da outra. Fonte: Memória oral e escrita, pela Neta de Cirillo Zamboni, Srª. Rosa Maria Zamboni Gordini, qual me foi enviado via e-mail dia 20/08/2007, pela Bisneta de Cirillo Zamboni, Srtª. Graziela Zamboni Nicolao - Memória oral e escrita, pela Neta de Cirillo Zamboni, Srª. Rosa Maria Zamboni Gordini," (Fonte: .site Famíia Zamboni)

História (169 ) - "Far l'America (91)": Pioneiros da Colônia Conde D'EU

"As colônias de Conde d'Eu e Dona Isabel pertenciam ao território de São João de Montenegro, elevado à categoria de Municipio em 5 de maio de 1873. Nos começos de 1875, chegava a Conde d'Eu uma leva de imigrantes, cerca de 40 casais ou famílias suíço-francesas, que se instalaram nos lotes situados na Estrada Geral. Formou-se assim o primeiro núcleo colonizador, destacando-se as famílias de João Jurdissi, Francisco Bouvier, João Dachery, João Blange, Luís Antônio Menetrier, Déchamps, Chevalier, Srasin, Sussie, Calixte, José Grandeau, Buvê, Aleixo Girand, Francisco Gotteland, Chapa, Fragnon e diversas outras. Convém notar que, antes dos suíços, vários brasileiros haviam se fixado no local. Por não se adaptarem ao meio, emigraram para outras plagas, assim como os estrangeiros. O precursor dos moradores brasileiros de Conde d'Eu foi João Carlos Rodrigues da Cunha.

A primeira família italiana que teve acesso à colônia foi a de Cirilo Zamboni. Em 1876, chegaram 700 imigrantes italianos oriundos do Tirol austríaco, acompanhados pelo jovem e zeloso sacerdote Pé Bartolomeu Tiecher. A história guarda carinhosa lembrança de João Batista Tamanini, Batista Tomasi, Fortunato Amadeu Manica, Jorge Srott João Batista Nicolodi, Pedro Weber, Leopoldo Mafei, Carlos Miorando, Arcadio Consatti, Batista Camini Felipe Turatti e Osvaldo Consatti, dentre outros. Esses fixaram-se na linha Figueira de Mello, ao passo que foram instalar-se na linha Estrada-Geral: Manuel Peterlongo, Pedro Palaver, José Lora Francisco Rosa, Camilo Lorenzi, Luís Senter, Luís Casacurta, José Sciecere, Luís Fonin, Jacó Faraon, Arcàngelo Faraon, Luís Faraon, Antônio Segue e muitos outros. Para a colônia Dona Isabel foram Henrique Enriconi, David Manica, Valduga, Escer, Gasperetti, Fontana, Giacomoni e Decarli.

Ainda em 1876, chegaram algumas famílias polonesa s, que bem depressa se entrosaram com os elementos latinos, merecendo especial destaque os nomes de Paulo Ciarnowski, João Cabowiski e Sbeguen. Esse excelente potencial humano viria a ser um dos fatores preponderantes do enriquecimento e progresso do Município. Iniciada, em 1879, a construção da importante rodovia Buarque de Macedo, conbe ao Dr. Joaquím Rodrigues Antunes, chefe da Comissão de Terras, a honra de ultimar os trabalhos.

A estrada atravessava as colônias Conde d'Eu e Dona Isabel, ligando os campos de Lagoa Vermelha e Vacaria a São João de Montenegro. Ao tempo em que os imigrantes chegaram a Conde d'Eu, a região era domínio dos aborígenes que aos poncos se foram retirando para outras plagas ainda não devassadas. Contribuiu para isso a abertura da estrada que, de Maratá, no MUNICÍPlO de Montenegro, iria até os campos de Lagoa Vermelha. Tão logo foi concluída a rodovia, construiu-se espaçoso barracão na sede da colônia, destinado a pouso de tropeiros, em suas longas jornadas.

O local recebeu a denominação de Galpão. Em 24 de abril de 1884, a colônia de Conde d'Eu constituiu-se em freguesia, desmembrada da de Estrela, dois anos depois, a 1.° de setembro, era erigida a primeira capela. O progresso da colônia foi se fazendo sentir em todos os setores, o que determinaria sua emancipação em 1900. Recebeu o nome de Garibaldi, em homenagem ao célebre caudilho, herói de dois continentes, que tomou parte ativa na unificação italiana e foi ainda um dos mais vigorosos paladinos da Revolução Farroupilha". (Fonte: IBGE)

História (168 ) - "Far l'America (90)": Imigração italiana e o desenvolvimento em Bento Gonçalves

"Até 1870 Bento Gonçalves chamava-se Cruzinha. Neste ano o Governo daProvíncia, desejando ampliar a área de colonização, por ‘acto’ de 25/05/1870 assinado por João Sertório, então Presidente (hoje corresponde ao cargo de governador) do Estado do Rio Grande do Sul, criou a colônia de Dona Isabel, a qual contava com a abrangência de 32 léguas quadradas. Ao chegarem à colônia os imigrantes eram recebidos por uma Comissão de Terras que deixava muito a desejar.

Os imigrantes eram alojados em barracões e se alimentavam de caça, pesca, frutos silvestres e do pouco que era fornecido pelo governo até se instalarem em seus lotes rurais. Ao se instalarem, iniciavam uma agricultura de subsistência representada pelo cultivo de milho, trigo e videira. As primeiras indústrias artesanais, com características domésticas e utilização somente de mão-de-obra familiar, assim como o comércio de troca e venda de produtos, surgiram com a produção de excedentes agrícolas e com a criação de animais. A troca, compra e venda de produtos era feita na sede da colônia, após longas caminhadas por estreitas picadas (trilhas abertas na mata), demarcadas pelos próprios imigrantes. Os primeiros imigrantes oriundos do norte da Itália chegaram a Bento Gonçalves, então colônia Dona Isabel, no dia 24 de dezembro de 1875. Ocuparam uma esplanada onde hoje localiza-se a Igreja Cristo Rei (Bairro Cidade Alta), onde ficaram aguardando a distribuição das terras.

Em 1881 é iniciada a abertura da primeira estrada de rodagem, chamada Buarque de Macedo, ligando as colônias Dona Isabel, Conde D’ Eu, e Alfredo Chaves. É a atual RST 470, a mais antiga via do Rio Grande do Sul a ligar Montenegro até o Estado de Santa Catarina. A colônia Dona Isabel foi desmembrada da então colônia de São João de Montenegro através do Ato nº 474, de 11/10/1890 pelo Governador do Estado General Cândido Costa, com a denominação de Bento Gonçalves em homenagem ao General Bento Gonçalves da Silva, chefe da Revolução Farroupilha (que durou de 1835 a 1845) e Presidente da República do Piratini, hoje Estado do Rio Grande do Sul.

O primeiro prefeito, na época chamado de Intendente, foi o Coronel Antônio Joaquim Marques de Carvalho Júnior, que permaneceu no poder durante 32 anos. Em 1919 foi inaugurada a linha férrea ligando a capital Porto Alegre a Bento Gonçalves e trazendo impulso ao progresso da região. Em 1922 foi instalada a luz elétrica. Em 1927 foi inaugurado o primeiro hospital. A rua Marechal Deodoro foi a primeira via pública a ser calçada no ano de 1940. A rádio difusora ZYQ 5 foi a primeira emissora de rádio a ser fundada em 15 de novembro de 1947. Em 1925 foi comemorado o Cinquentenário da Imigração Italiana no Rio Grande do Sul.

Nesta época a principal economia do município era baseada em produtos suínos e o segundo produto mais representativo era o vinho. A população do município era atendida por 248 estabelecimentos comerciais. As ferrarias e selarias eram substituídas pela mão-de-obra e os famosos “fordecos” (carros da linha Ford) já transitavam pelas ruas. PROGRESSO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO Em 1940 a agricultura vai sendo substituída pela indústria, que aos poucos diversifica sua produção, gerando mais empregos.

A industrialização atrai novos contingentes de trabalhadores, migrantes de outros municípios da região. Aumenta a circulação de dinheiro e mudam os hábitos e costumes dos moradores, assim como o poder de consumo. São instaladas as primeiras casas bancárias: o Banco de Pelotas e o Banco Nacional do Comércio. No início da década de 1950 o município de Bento Gonçalves apresentava uma população de 23.340 habitantes, sendo que 6.280 pertenciam à zona urbana e 17.060 à zona rural e suburbana.

Na economia, destacava-se o setor agrícola - principalmente a produção vitivinícola - além da agricultura de subsistência. Em 1955 Bento Gonçalves iniciou a fabricação de móveis em estilo artesanal.

Nos anos 60 a Indústria de Acordeões Todeschini, a maior da América Latina, exportava acordeões e escaletas (instrumento musical) para o México. Em 1967 o vinho dá um impulso ao desenvolvimento econômico de Bento Gonçalves com o surgimento da Festa Nacional do Vinho - Fenavinho". (Fonte Prefeitura Municipal de Bento Gonçalves)

História (167 ) - "Far l'America (89)": De Conde D'Eu a Garibaldi

"Garibaldi (cidade localizada a 105 quilômetros de Porto Alegre a 640 metros de altitude) é um município com características peculiares. Colonizado por imigrantes italianos, teve forte influência da cultura francesa, transmitida pelas congregações religiosas de origem francesa, responsáveis pela educação dos habitantes, durante décadas. Além disso, veio a receber o aporte dos sírio-libaneses, no que diz respeito ao comércio. Esses são alguns dos fatores que contribuíram para o Garibaldi de hoje.

Um município com diversidade econômica e cultural, rico de história e memória. Breve histórico de Garibaldi O núcleo surge por ato de 24 de maio de 1870. Na data o presidente, Dr. João Sertório, cria as colônias Conde D'Eu e Dona Isabel, inaugurando um novo momento no processo de colonização e economia no estado do Rio Grande do Sul. Garibaldi intitula-se, inicialmente, Colônia Conde D'Eu, denominada assim em homenagem ao genro do imperador, casado com a Princesa Isabel. As duas colônias possuíam 32 léguas quadradas de terras devolutas. Era necessário proceder ao povoamento. A região não oferecia atrativos, pois suas terras eram acidentadas. Seria necessário investir na infra-estrutura para povoá-la. Mas como o governo não estava disposto a tanto, buscou outros recursos para torná-la habitável e cultivável. Estendeu seu foco para além do que o horizonte podia enxergar e encontrou a solução: povoar a região com europeus habituados ao mesmo clima do sul, ao frio e às dificuldades do terreno para o cultivo agrícola. A colonização da Colônia Conde D'Eu, aconteceu no final da fase imperial.

Os primeiros imigrantes chegaram em 9 de julho de 1870 e eram todos prussianos (alemães). Já naquela fase, encontravam-se aqui estabelecidas algumas famílias de nacionais, indígenas ou bugres, como comumente eram identificados. Durante esse período de colonização, os alemães somente desenvolveram uma agricultura de subsistência, devido à quase inexistência de estradas que pudessem servir para o escoamento de sua produção agrícola e manufatureira. Na época, a única estrada existente, e em péssimas condições, ligava Montenegro a Conde D'Eu, passando por Maratá. Foi por essa estrada que, a partir de 1874 e 1875, começaram a chegar novas levas de imigrantes suíços, italianos, franceses, austríacos e poloneses. O contato para a vinda desses povoadores foi feito por agentes que, através de uma campanha de aliciamento, promoveram a vinda de um contingente de europeus.

Também não havia necessidade de se pensar em estratagemas complexos, era apenas necessário compreender a situação do povo diante das guerras que aconteciam na Europa, para a Unificação da Alemanha, a agitação política para estabelecer a Unidade Italiana e as lutas na Áustria e Polônia, trazendo de roldão a falta de trabalho nos campos e o empobrecimento das regiões urbana e rural. No entanto, o maior número de imigrantes era proveniente da Itália. A Colônia Conde D'Eu foi o primeiro núcleo de colonização na região serrana do Rio Grande do Sul. A população da Colônia, que em 1875 era de 720 habitantes, atingiu o número de 870 pessoas em 1876. A oferta brasileira vinha ao encontro das expectativas dos imigrantes europeus, pois acreditando que o quadro de miséria vivido na Europa ficaria no porto, o imigrante "encheu sua bagagem de sonhos, fechou-a com esperança e coragem e partiu, como um peregrino, em busca de um caminho que re-significasse sua vida". (MARINA, 2004, inédito). Do embarque na Itália, até a chegada nas terras do Sul, as histórias relatadas pelos imigrantes falam, no entanto, de desamparo, de exploração, de muito sacrifício. Novos estudos apontam, que o maior sofrimento estava ligado à saudade da terra e à incerteza do novo. O fato é que foi necessário muito trabalho para que os imigrantes transformassem esta região em colônias e, conseqüentemente, em cidades.

Nos primeiros tempos foi na religião, na reza do terço, que o habitante renovou seu vigor e encontrou alento para enfrentar a saudade de sua pátria e buscar o convívio com outras famílias. Foi a partir de 1890, com a Colônia já estabelecida, que as casas, os prédios, que hoje compõem o Centro Histórico, foram construídos. Em 31 de outubro de 1900, o governo eleva Conde D'Eu à condição de município, que passa a chamar-se de Garibaldi, em homenagem ao italiano Giuseppe Garibaldi, que participou da Revolução Farroupilha e é considerado "herói dos dois mundos". Já no início de 1900, houve um novo fluxo de imigração, com a chegada de famílias sírio-libanesas, que desenvolveram o aspecto comercial do centro da Cidade.

O Tropeirismo também teve importância fundamental no desenvolvimento de Garibaldi, pois uma das principais rotas birivas do Rio Grande do Sul foi a Estrada Buarque de Macedo, que ligava Lagoa Vermelha a Montenegro. Grandes casas comerciais e hotéis se desenvolveram ao largo dessa estrada, com paradouro também para os animais, bem como a criação da Alfândega (que hoje denomina um bairro), onde eram fiscalizados as tropas ou os produtos comercializados. Muitos tropeiros já eram recebidos aqui como membros da família, e se habituaram ao modo de vida dos colonos, acabando por fazer de Garibaldi não só seu ponto de passagem, mas também sua moradia. Ainda hoje, a quase totalidade dos habitantes do município é descendente dessas levas de imigrantes, o que fez com que Garibaldi desenvolvesse alguns aspectos peculiares, em parte por essa mescla e pelos imigrantes com suas respectivas culturas".  (Fonte: Prefeitura Municipal de Garibaldi)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

História (166 ): Jornais italianos no Brasil - 1823-1914

"Influência dos Imigrantes italianos na Imprensa do Grande ABC" é um trabalho de Valdenizio Petrolli que, num determinado trecho de sua pesquisa elenca os jornais italianos editados no Brasil e que no país entre 1823 a 1914. A fonte citada por Petrolli é "o pesquisador Affonso A. de Freitas, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo relacionou no seu trabalho A Imprensa Periódica de São Paulo, relacionou de 1496 periódicos que circularam de 1823 até 1914, sendo que 135 eram redigidos em italianos ou bilíngües. Embora as suas redações situavam na Capital, muitos circulavam entre os colonos do Grande ABC".






Italiani - Cinema e TV na vida de Gianni Ratto



O portal da Funarte assim descreve a participação de Gianni Rato no cinema e na TV
 
"No cinema, atuou como ator, diretor de arte e cenógrafo em vários filmes. Os mais recentes foram o documentário A Mochila do Mascate – Gianni Ratto, de Gabriela Greeb, que dividiu o roteiro com Antonia Ratto, filha de Gianni, que foi o narrador do filme (2006); Por trás do Pano, de Luiz Villaça (1999); e Sábado, de Ugo Giorgetti (1995), no qual interpretou o cadáver de um velho nazista, encontrado no sótão de um prédio decadente de São Paulo.

Na televisão, foi o responsável pelos cenários da novela A Morta sem Espelho, de Nelson Rodrigues, dirigida por Sergio Britto e Fernando Torres, em 1963, na TV Rio. Fez a direção de arte, na TV Bandeirantes, da novela, Os Imigrantes, de Benedito Ruy Barbosa, direção de Henrique Martins, Atílio Riccó, Emilio di Biasi e Antônio Abujamra, em 1981.

Participou de bancas universitárias de defesa de tese, comissões de julgadores de dramaturgia, e de festivais de teatro. Foi colaborador da Revista da USP e do Corriere Del Sudamerica, semanário de língua italiana para a América do Sul e Itália. Trabalhou como Diretor de Criação de Fotografias na Bloch Editores. Muito ligado às experiências de ensino, logo que chegou ao Brasil criou um departamento de teatro no Museu de Arte de São Paulo. Entre 1955 e 1956, convidado por Alfredo Mesquita, deu aulas na Escola de Arte Dramática de São Paulo (EAD).

Em 1958, lecionou durante um ano na Universidade Federal da Bahia, época em que Martim Gonçalves organizou um curso de teatro exemplar. Em 1966, tornou-se professor do Conservatório Nacional de Teatro (hoje UNIRIO). Entre os anos 60 e 80 colaborou, entre outros, com os diretores Ruggero Jacobbi, Ziembinski, Ivan de Albuquerque, João das Neves, Paulo Afonso Grisolli; com os autores Gianfresco Guarnieri, Ariano Suassuna, Dias Gomes, Consuelo de Castro, João Bethencourt; com os atores Paulo José, Othon Bastos, Sérgio Mamberti, Renato Borghi, Beatriz Segall e Tônia Carrero, e com as companhias Teatro Nacional de Comédia e Teatro Cacilda Becker. Em 1993, dirigiu a peça Porca Miséria, de Marcus Caruso e Jandira Martini, considerada um fenômeno estrondoso de bilheteria.
Alguns de seus últimos trabalhos como iluminador e cenógrafo foram Selvagem como o Vento, de Tereza Freire, direção de Denise Stocklos, Casa de Cultura Laura Alvim, Rio de Janeiro (2002); Novas Diretrizes em Tempos de Paz, de Bosco Brasil, Espaço Ágora, São Paulo (2002); O Dia do Redentor, de Bosco Brasil, Teatro Sesc-Copacabana, Rio de Janeiro (2003) e Sábado, Domingo e Segunda, de Eduardo di Filipo, Teatro das Artes, São Paulo (2003).

Premiadíssimo e dono de um extenso currículo, recebeu o Prêmio Shell, em 2003, por sua contribuição ao Teatro Brasileiro. Integrante da primeira geração de encenadores no Brasil, colaborou para o surgimento de outra primeira geração de encenadores brasileiros. Reverenciado por seus talentos múltiplos, Gianni Ratto revelou também o seu lado de escritor ao publicar quatro livros: A Mochila do Mascate; Antitratado de Cenografia ; Crônicas Improváveis; Hipocritando. Faleceu em 30 de dezembro de 2005. No prefácio de A Mochila do Mascate, Sábato Magaldi soube como definir seu perfil: “De todos os encenadores estrangeiros que decidiram, a partir da Segunda Guerra, atuar entre nós, Gianni Ratto foi, sem dúvida, quem mais se identificou com o Brasil. [...] Ninguém como ele se associou de forma tão consciente e consequente à dramaturgia brasileira”.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Italiani - O legado do teatrólogo Gianni Ratto

No teatro brasileiro, Gianni Ratto foi outro italiano a deixar importante legado.

"Gianni Ratto nasceu em Milão em 27 de agosto de 1916, mas viveu até a juventude em Gênova, com a mãe, Maria Ratto, pianista e professora de canto lírico. Na escola primária era chamado de “bastardo” por não levar o nome do pai, de quem Maria se separou quando era muito pequeno e passou a sustentá-lo sozinha através de seu trabalho com a música. Foi assim que Ratto teve seu primeiro contato com a arte: não apenas com a música, como também com a cenografia, pois foi uma aluna de sua mãe (filha de Gordon Craig) que o levou, pela primeira vez, ao ateliê do cenógrafo - experiência que o marcaria por toda a vida. Começou a trabalhar no campo das artes e da cultura muito jovem.

Enquanto ainda estudava no Liceu Artístico, conseguiu um estágio com Mario Labò, renomado arquiteto genovês que tornou-se seu grande amigo e mestre. Inscreveu-se, também, em diversos concursos organizados pelo governo nas áreas de cenografia e cinema, obtendo êxito em vários deles e terminando por conseguir uma bolsa de estudos para cursar Direção no Centro Experimental de Cinema de Roma. Estudou também Arquitetura no Politécnico de Milão, mas foi obrigado a abandonar tudo em função do início da Segunda Guerra Mundial, que ocorreu enquanto prestava o Serviço Militar obrigatório. Não concordando com a posição de seu país, desertou do exército italiano e fugiu para a Grécia, onde viveu com camponeses por dois anos, passando todo tipo de necessidade, até o término da Guerra. Em 1946 mudou-se para Milão e começou, junto com o amigo da escola de oficiais Paolo Grassi, a fazer teatro como cenógrafo.

Trabalhando, a partir daí, em todas as vertentes do espetáculo (teatro dramático e lírico, musical, dança e revista), sua carreira teve uma rápida evolução que culminou com a fundação do Piccolo Teatro de Milão, ao lado de Grassi e Giorgio Strehler, e o trabalho como cenógrafo e vice-diretor artístico do Teatro Alla Scala de Milão. Tornou-se um dos cenógrafos mais respeitados da Europa, e colaborou ativamente para o pensamento artístico de seu tempo, escrevendo artigos para revistas especializadas e dando palestras. Foi figura-chave na reconstrução do teatro italiano no pós-Guerra, trabalhando ao lado de grandes artistas, como Maria Callas, Herbert Von Karajan, Mitropoulos e Igor Stravinski.

Após alguns anos de trabalho ininterrupto, começou a sentir uma estagnação e ao mesmo tempo uma vontade de explorar novas possibilidades dentro do teatro, como a direção. Em 1954, Maria Della Costa e Sandro Polloni, que estavam prestes a inaugurar seu teatro em São Paulo, foram à Itália convidar Ratto para cenografar - e dirigir - o espetáculo de inauguração do Teatro Maria Della Costa - 'O Canto da Cotovia', de Jean Anouilh. Ratto aceitou o convite, e acabou apaixonando-se pelo Brasil e mudando-se para cá. Chegou aqui quando o teatro verdadeiramente brasileiro estava começando a surgir, e foi esta possibilidade de construção de algo novo que o encantou.

Foi grande incentivador da dramaturgia nacional, pesquisando autores e montando textos não valorizados à época, como “ A Moratória”, de Jorge Andrade e “O Mambembe”, de Artur Azevedo, que obtiveram grande êxito. Trabalhou brevemente no TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) e organizou um departamento de teatro para o MASP. Fundou e dirigiu companhias teatrais estáveis, como o Teatro dos Sete, em 1958 (com Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Sergio Britto e Ítalo Rossi), que teve um trabalho altamente premiado, e o Teatro Novo, nos anos 1970, um teatro/escola que abrigava um elenco permanente, um corpo de baile e uma orquestra de câmara - iniciativa fechada pela ditadura militar. Através de seu trabalho e dos conhecimentos que trouxe, participou como formador de pelo menos três gerações de artistas e técnicos teatrais brasileiros. Atuou também, formalmente, como professor, em vários cursos ministrados em diversas escolas e centros culturais (EAD-USP, Conservatório Nacional de Teatro, Universidade da Bahia, entre outros).

Realizou inúmeras montagens teatrais e operísticas, exercendo diversas funções na construção da cena: direção, iluminação, cenário e figurino, o que fez dele um verdadeiro 'homem de teatro'. Trabalhou também, como tradutor de textos teatrais, articulista para jornais e revistas, e autor de prefácios e textos para livros. Foi, ocasionalmente, ator, como no filme 'Sábado', de Ugo Giorgetti, e na série de TV “Anarquistas Graças a Deus”. Aos oitenta anos tornou-se escritor na língua portuguesa, publicando seu primeiro livro, uma autobiografia, 'A Mochila do Mascate'.

Publicou também 'Antitratado de Cenografia', 'Crônicas Improváveis', “Noturnos' e 'Hipocritando'. Recebeu inúmeros prêmios ao longo dos anos, e em 2003 recebeu o Prêmio Shell por sua contribuição para o teatro brasileiro. Faleceu em 30 de dezembro de 2005 em São Paulo, aos 89 anos de idade". (Fonte

Italiani - O processo de beatificação de padre josefino João (Giovanni) Schiavo

A Congregação de São José- Josefinos de Murialdo luta pele beatificação e posterior canonização do padre João (Giovanni) Schiavo, cujo perfil é resumido no site da ordem.   
 
"Padre João Schiavo nasceu na Itália, em Sant’Urbano de Montecchio Maggiore(VI), no dia 8 de julho de 1903, filho de Luigi Schiavo e Rosa Faturelli. Da família recebeu uma educação profundamente cristã; e, ainda pequeno, experimentou as agruras da pobreza. Embora de saúde muito frágil percorria 6km a pé, todos os dias, para ir à escola em Montecchio Maggiore. Desde criança desejava ser Padre. Entrou na Congregação dos Josefinos de Murialdo e, em 1919, fez sua primeira Profissão Religiosa. No dia 10 de julho de l927, apenas completados 24 anos, foi ordenado Sacerdote. Pe. João era muito fervoroso. Nos primeiros anos de sacerdócio escrevia os sermões e os meditava diante do Santíssimo Sacramento.

 Tinha o grande desejo de ser missionário e mártir; e, depois de quatro anos de Sacerdote, seguindo a ordem da obediência, partiu para o Brasil, chegando em Jaguarão (RS), no dia 05 de setembro de 1931. Logo conheceu todas as obras dos Josefinos. Em Ana Rech, foi professor, iniciador e diretor da Escola Normal Rural Murialdo. Em Galópolis, foi Diretor da Escola e Pároco.

Em 1941, fundou o Seminário Josefino de Fazenda Souza (Caxias do Sul – RS), sendo o primeiro Diretor dessa obra que marcaria sucessivas gerações de jovens. Desde que chegou no Brasil, Padre João desenvolveu uma intensa atividade vocacional e foi o primeiro mestre de noviços da missão Josefina brasileira. Fundou diversas obras em favor das crianças e jovens pobres; Abrigo de Menores S.José (Caxias do Sul) hoje, Centro Técnico Social Obra Social Educacional, em Porto Alegre, Partenon e no Morro da Cruz. Abrigo de Menores em Pelotas e Rio Grande (RS), Colégio Nossa Senhora Mãe dos Homens, em Araranguá (SC).

Foi o primeiro Superior Provincial dos Josefinos no Brasil, de 1947 a 1956 e a ele se deve o desenvolvimento das Obras Josefinas, o reconhecimento oficial das escolas e a formação religiosa dos primeiros confrades brasileiros. Após um período de discernimento, em consonância com o Fundador Padre Luigi Casaril, no dia 09 de maio de 1954, iniciou o grupo brasileiro das Irmãs Murialdinas de S.José. Em 1957 fundou a Escola Santa Maria Goretti das Irmãs Murialdinas, onde atuou como diretor e professor.

Em fevereiro de 1956 deixou o cargo de Superior Provincial, mas continuou prestando serviço à sua Congregação e dedicando-se mais às Irmãs Murialdinas. Ao findar de 1966, Padre João Schiavo, cuja saúde há tempo estava debilitada, adoeceu gravemente. Apesar de todas as tentativas da equipe médica e de tanta oração pedindo a Deus sua cura, a doença prosseguiu de modo fulminante e, em dois meses, terminou com a caminhada terrena do Padre João. No último dia de sua vida, repetia: 'Meu Jesus, Misericórdia'! Suas últimas palavras foram o compêndio de uma vida: 'Pai, sou teu filho; sempre quis fazer tua vontade'.

Padre João Schiavo faleceu às 9h30 do dia 27 de janeiro de 1967, assistido pelos dois Bispos de Caxias do Sul: D. Benedito Zorzi e D. Cândido Bampi, pelas Irmãs Murialdinas, Confrades e amigos. Padre João Schiavo foi velado na capela do então Abrigo de Menores S.José (hoje CTS) e no dia seguinte, foi levado para a catedral, onde o Bispo presidiu a Missa de corpo presente, prosseguindo, em seguida para Fazenda Souza.
 
Após a Missa o povo, que afluiu numerosíssimo, como numa grande festa, acompanhou o féretro até o terreno das Irmãs Murialdinas, onde foi sepultado. Desde então sua sepultura é meta de orações e peregrinações. À sua intercessão são atribuídas muitas graças".

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Italiani - A chegada dos religiosos josefinos ao Brasil

A Congregação de São José -  Josefinos de Murialdo  foi  fundada por São Leonardo Murialdo no dia 19 de março de 1873, em Turim na Itália. Chamam-se “Josefinos’, porque a Família de Nazaré, em especial São José, é o modelo onde a congregação foi buscar suas inspirações originais. Josefinos de Murialdo porque o fundador foi São Leonardo Murialdo.

Seu empenho apostólico se endereça preferencialmente à educação e promoção de crianças, adolescentes e jovens pobres, órfãos e abandonados, diremos hoje, em situação de risco pessoal e social, sendo para eles amigos, irmãos e pais. Sua atuação se faz em obras sociais, paróquias, centros educativos, centros de formação profissional, casas-famílias (abrigos), oratórios, escolas. Voltam-se, sobretudo, para os bairros populares, periferias de centros urbanos, fazendo de suas obras e paróquias centros de irradiação e animação da promoção humana, social e cristã.

Atualmente a congregação está presente: na Europa (Itália, Espanha, Albânia, Romênia); na Ásia (Índia); na África (Guiné Bissau, Serra Leoa, Gana); na América (Estados Unidos, México, Equador, Colômbia, Argentina, Chile e Brasil).

Josefinos no Brasil No Brasil os Josefinos de Murialdo chegaram em 05 de janeiro de 1915, procedente da Itália, aportando na Estação de Quinta, Rio Grande, RS; depois Jaguarão, RS, mais tarde em Pelotas e por fim, em Ana Rech, Caxias do Sul. Os sacerdotes Pe.. Oreste Trombem e Pe.. Giuseppe Longo foram os dois primeiros josefinos que apostaram em terras brasileiras em 1915.

Em março do mesmo ano chegaram também o Pe. Umberto Pagliari e o Irmão. Ermenegildo Guerrini. Antes de ser tornar província, a Congregação no Brasil viveu diversas etapas: Primeira: a presença dos Josefinos no Brasil foi institucionalizada inicialmente como Missão, de 1915 até 1935, com sede em Jaguarão; Segunda: de 1935 a 1937, vice-província do Brasil, com sede no Brasil, abrangendo também a Argentina; Terceira: de 1938 a 1946, a província da América Latina, com sede em Buenos Aires. A instituição da Província Brasileira do Imaculado Coração de Maria ocorreu no dia 26 de outubro de 1946, com sede em Caxias do Sul, RS.

Opção pelos pobres

" São Leonardo Murialdo nasceu em Turim no dia 26 de outubro de 1828. Ali viveu praticamente toda sua vida e ai morreu em 1900. O pai, Leonardo Franchino Murialdo, um rico agente de câmbio morre em 1833. A mãe, Tereza Tho, uma senhora muito piedosa, envia o pequeno “Nadino” para o colégio de Savona, dirigido pelos Padres Escolópios.Desde jovem, foi tocado pelo abandono em que viviam as crianças pobres para os quais dedicou todo sua vida.

Três são os setores principais nos quais Murialdo desenvolveu sua atividade: os oratórios, a acolhida aos jovens mais pobres e abandonados e o movimento católico.

No início de seu apostolado, Murialdo orientou sua atividade para o atendimento dos adolescentes da periferia de Turim; aqueles que passavam todo o dia na rua, sem ir para a escola, ou aqueles já empenhados no trabalho junto aos negócios e oficinas da cidade.

De 1866 em diante empenhou toda sua vida aos meninos mais pobres e sem família, ou aqueles que foram abandonados pelas famílias: entra no mundo do Colégio dos Artigianelli e das obras que dependiam desta instituição. Um terceiro âmbito de trabalho que o envolveu foi aquele do movimento católico. Ele colaborou com a União Operária Católica de Turim, interessando-se pela organização em apoio aos operários e pela formação cristã dos mesmos; na Obra dos Congressos, trabalhou, sobretudo, no campo da imprensa popular com orientação cristã. 

Sua existência terrena termina em 30 de março de 1900, mas nós, ainda que há uma centena de anos longe no tempo, podemos haurir de sua preciosa herança espiritual, confirmada pela proclamação de sua santidade em 1970. A festa de São Leonardo Murialdo é celebrada no dia 18 de maio". (Fonte: Josefinos Murialdo)

Oriundi - Padre João Dall´Alba e o Museu ao Ar Livre, na cidade de Orleans, Santa Catarina

O Museu ao Ar Livre, iniciado em 1974 pelo padre oriundo João Leonir Dall’Alba após a devastação das enchentes, resgata todas as fases da colonização da região de Orleans (Santa Catarina). Entre outras curiosidades, são mostrados engenhos e serrarias movidos por roda d’água ou pela força de bois. O museu foi inaugurado em 30 de agosto de 1980.
 


"Nascido em em Caxias do Sul (Rio São Marcos), no dia 2 de fevereiro de 1938. e falecido em Ana Rech, Caxias do Sul, dia 12 de junho de 2006, padre João Leonir era filho de Carino Dall' Alba e de Lúcia Ballardin. Conheceu os religioso josefinos (ordem de San Giuseppe) através do padre. Honorino, também falecido e entrou no seminário em 1949, em Fazenda Souza. Fez o noviciado em 1955 em Conceição da Linha Feijó. Profissão Perpétua em 1961. Realizou seu estágio em Orleans, onde foi um dos pioneiros na construção do Seminário São José. Fez os estudos filosóficos e teológicos na Itália onde também foi ordenado sacerdote em 1966.De regresso ao Brasil, foi enviado novamente a Orleans em 1967 onde ficou até 1980. Neste período em Orleans, além de dedicar-se à formação dos seminaristas, demonstrou grande habilidade na área do ensino, não apenas dentro do Seminário, mas dedicou suas capacidades para levar o Ensino Médio para Orleans no Colégio Tonezza Cascais no qual foi diretor por diversos anos.


Numa sua autobiografia falando de Orleans escreve: “Em Orleans incentivei muito a cultura que muito favoreceu a transformação da cidade. Consegui fundar diversos museus entre eles, o Conde D’Eu e o Museu ao Ar Livre único no gênero na América Latina”. Foi participante na fundação da Febave (Fundação Educacional Barriga Verde), hoje entidade de ensino superior, sem dizer de outras inúmeras atividades em prol do município de Orleans.
Em todas estas iniciativas soube trabalhar sem descanso. Doou-se totalmente, embora no começo poucos acreditassem em seus sonhos e em suas tarefas. Após tantos anos dedicados a formação dos seminaristas e à cultura de Orelans, esteve por alguns anos em Araranguá, onde como professor iniciou as famosas semanas culturais. Uma novidade na vida dele aconteceu em 1987, quando se dispôs a participar num projeto missionário no Equador. Partiu para novas terras, nova língua, novos costumes na missão do Napo. Foi ali que apareceram novas qualidades no padre João.

Não apenas escritor, não apenas artista, escultor, não apenas exímio poeta, mas agora também missionário. Missionário junto à tribos de índios apenas chegados as noções da civilização ocidental. Ali organizou comunidades igrejas, usando métodos de envolvimento das pessoas, formando lideranças. Ficou no Equador até 1999. De volta ao Brasil, colaborou em Belém do Pará e depois em Ana Rech onde veio a falecer". (Fonte: Congregazione di San Giuseppe )

Italianità– Genealogia preserva raízes em Orleans, Santa Catarina


A cidade de Nova Orleans foi uma das tantas localidades do Estado de Santa Catarina a receber imigrantes italianos, cuja presença na região gerou importantes legados. O trabalho do Instituto Cultural Padre Pozzo, fundado em 2001, ajuda a preservar essas raízes italianas em santa Catarina:

O projeto Genealogia Italiana , com base em informações da etnia italiana vinda para a região das Colônias Azambuja (130 anos) e Colônia Imperial Grão Pará (125 anos) propõe a levantar a genealogia de famílias oriundas, completando a árvore genealógica com os dados dos descendentes dos imigrantes. Esse trabalho quer estabelecer “Um Banco de dados dos Descendentes de Famílias Italianas que pretende resgatar informações sobre as famílias de descendentes dos imigrantes italianos que vieram diretamente para Orleans. Basicamente serão pesquisados elementos para se estabelecer a árvore genealógica de cada família, obtendo-se informações desde o mais velho imigrante, até o mais jovem descendente. Cada família organiza o seu ramo de descendentes e deposita no banco de dados para posteriormente retirar informações maiores de todo o conjunto para a Árvore genealógica.

Os dados serão computados pelo Instituto a quem caberá orientar os interessados, bem como fornecer todas informações e instruções para facilitar a pesquisa. Com este trabalho, que possivelmente demandará num grande esforço das famílias interessadas, haveremos de despertar na comunidade um maior interesse pela cultura italiana, notadamente pela origem de cada um..  Os associados ajudarão na divulgação de nosso projeto para conhecimento das famílias descendentes e recrutarão pessoas interessadas, em cada grupo ou ramo de família, para assumir o encargo da pesquisa”. (Fonte: Instituto Cultural Padre Pozzo).

Italiani - Devoção ao padre Vittorio Pozzo

Na cidade de Orleans, em Santa Catarina, existe uma devoção que venera um religioso piemontês que viveu no Brasil entre 1900 e 1902: padre Vittorio Pozzo. "Pozzo era italiano, nascido em Butigliera D’Asti, Piemonte. Chegou ao Brasil em 22 de dezembro de 1900. Logo, foi designado para instalar-se na localidade de Rio Pinheiros Alto, interior de Orleans, como coadjutor da Paróquia de São Ludgero. A idéia era a de que o padre de São Ludgero atendesse as comunidades de descendência alemã, enquanto o padre Vittorio Pozzo desse atenção necessária aos imigrantes e descendentes italianos. Em pouco tempo, o padre Vittorio Pozzo já havia conquistado a confiança, respeito e a amizade dos fiéis. Menos de dois anos depois de sua chegada o padre faleceu tragicamente. Conforme relatos de historiadores, o padre Pozzo se dirigia para rezar um terço na capela de São João Batista, em Grão-Pará. Devido ao calor excessivo, o padre parou às margens do Rio Pequeno. Ele buscou um lugar mais reservado e despiu-se para banhar-se nas águas do rio. Naquele momento, um menino polonês, que muito admirava o padre, atirou-lhe uma pedra, como uma brincadeira, para, quem sabe, assustar o religioso. Por uma infelicidade, a pedra acertou o padre na nuca. O religioso caiu e bateu a testa em uma pedra do rio, o que o fez desmaiar e sinistramente morrer afogado. Era dia 6 de fevereiro de 1902. Logo em seguida, o corpo do religioso foi descoberto pelos fiéis que o aguardavam para o terço. A notícia abalou a comunidade, que passou a tomar todas as providências. Cavaleiros saíram em disparada para avisar todas as capelas e comunidades que o padre atendia em seu sacerdócio. Os mensageiros saíram para as regiões de Tubarão, Urussanga e Criciúma. Numa espécie de maca improvisada, alguns fiéis de Grão-Pará se anteciparam e se dirigiram para Rio Pinheiros Alto, trasladando o corpo. Ao chegarem no encruzo da estrada que vai para as localidades de Vila Nova e Barracão, uma comitiva da capela já o aguardava com seus trajes de sacerdote e naquele mesmo local o vestiram para os atos fúnebres. Enquanto o corpo do padre era levado por entre as matas, grupos de pessoas das cidades da região também se deslocavam para aquela localidade para prestar homenagens ao falecido padre. A total inexistência de qualquer tipo de comunicação não impediu a afluência de católicos de toda a região. Seis padres da região dirigiram os atos de fé. Uma multidão, até então jamais vista na região, aglomerou-se para acompanhar o sepultamento no Cemitério de Rio Pinheiros Alto, onde se conserva o túmulo até hoje. Já existe na região, de maneira muito discreta, um movimento em favor de sua beatificação, que é justificada por alegadas graças alcançadas por devotos" (Fonte: Folha do Vale).

terça-feira, 20 de abril de 2010

Italiani - A presença da Itália no TBC de Franco Zampari

"No livro especialmente escrito para a Coleção Aplauso, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, a atriz Nydia Licia afirma que foi no TBC, como ficou conhecido o Teatro Brasileiro de Comédia, que ganhou disciplina, respeito pelo trabalho, honestidade em cena e coleguismo; lições que lhe serviram de guia para o resto da vida.

Em uma época em que os palcos fervilham em São Paulo, é importante lembrar que a cidade deve a Franco Zampari, um engenheiro italiano que chegou ao Brasil em 1922, grande parte desta efervescência teatral. Foi este admirador da arte dramática quem fundou, em 1948, o Teatro Brasileiro de Comédia, o TBC, do qual também seria o diretor administrativo. No livro Eu Vivi o TBC, da Coleção Aplauso, editada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, a atriz Nydia Licia rememora a época em que a cidade só contava com três grupos amadores e o público só estava acostumado a dramalhões ou comédias leves. A inauguração do TBC trouxe para o palco textos clássicos e modernos, diferentes, de autores como Luigi Pirandello, Tennessee Williams, Oscar Wilde e Anton Tchekov, relata a atriz. Para ela, trabalhar no Teatro Brasileiro de Comédia era um privilégio; além do salário mensal Franco Zampari fornecia todo o guarda-roupa, algo incomum nas companhias da época. Com a experiência de quem viveu o TBC de corpo e alma, Nydia Licia traça a história da companhia desde que ela foi fundada até ser extinta, no início dos anos 1960.

A atriz refaz o percurso do cenógrafo italiano Aldo Calvo, que viria a se tornar diretor técnico do TBC, e dos diretores teatrais, também italianos, que trabalharam na companhia: Luciano Salce, Flaminio Bollini Cerri, Ruggero Jacobbi e o exigente Adolfo Celi, que imprimiu um ritmo intenso de trabalho e entusiasmou os atores. Em 1950, a companhia já se tornara 100% profissional. Escrito em primeira pessoa, Eu vivi o TBC é um tributo aos atores que se forjaram na grande escola que foi o Teatro Brasileiro de Comédia, como Rubens de Falco, Paulo Autran, Cacilda Becker, Sérgio Cardoso, Walmor Chagas, Cleyde Yaconis e a própria Nydia Licia, entre tantos outros".(Fonte: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo)

Italiani - A dramarturgia de Adolfo Celi

“Adolfo Celi (Messina Itália 1922 - Roma Itália 1986). Diretor. Encenador italiano que chega ao Brasil nos anos 50 para tornar-se o primeiro e mais bem-sucedido diretor artístico do Teatro Brasileiro de Comédia. Permanece no Brasil até 1961, sendo um dos fundadores e mentores da Companhia Tônia-Celi-Autran. Volta para seu país de origem, desenvolvendo profícua carreira como ator de cinema.

Forma-se em 1945 na Academia Nacional de Arte Dramática de Silvio D'Amico, onde é colega de futuras celebridades como Luigi Squarzina e Vittorio Gassman, e de Luciano Salce, que mais tarde será um de seus parceiros de trabalho no TBC. Inicia sua carreira profissional como diretor, assistente de direção (de Luchino Visconti, entre outros), ator de teatro e de cinema. É participando de um filme com Aldo Fabrizzi, que viaja em 1948 para Buenos Aires e lá permanece após as filmagens, encenando uma versão de Antígone, de Sófocles, para o Teatro Experimental de Buenos Aires. Sendo indicado pelo cenógrafo Aldo Calvo a Franco Zampari, empresário que começa a implementar o TBC, é convidado a tornar-se diretor artístico da companhia, ainda em vias de profissionalização.

Aos 27 anos, em janeiro de 1949, Celi desembarca em São Paulo para assumir a responsabilidade pesada de gerir artisticamente aquela que se tornará a companhia estável de maior importância na década de 50 no teatro brasileiro. Sua primeira realização paulista, também a primeira do elenco profissional que Zampari acaba de contratar, estréia em junho de 1949: Nick Bar...Álcool, Brinquedos, Ambições, de William Saroyan, já encenada por Celi na Itália, projeto piloto de um padrão que o TBC seguirá nos próximos anos: um texto interessante, capaz de fornecer interpretações marcantes, reunindo num ambiente levemente exótico um punhado de figuras humanas marcadas por alguma característica diferenciada.

Nesse trabalho, dirige sua futura mulher, Cacilda Becker, primeira atriz profissional a ser contratada pela companhia. A repercussão serve de cartão de visitas ao evidente preparo técnico do jovem diretor, além de revelar sua tendência a um tratamento expansivo, teatral aos espetáculos que abraça. O grande trunfo da encenação, todavia, é a homogeneidade do elenco, hábil e correto nos desempenhos. Seguem-se, ainda em 1949, as direções de Arsênico e Alfazema, comédia americana de Joseph Kesselring, e Luz de Gás, um policial de Patrick Hamilton, última incursão da atriz Madalena Nicol no conjunto, cuja liderança fora abalada pela chegada de Celi. Outro diretor italiano é contratado por indicação de Celi, Ruggero Jacobbi, e todos os espetáculos da temporada de 1949 são bem recebidos pelo público, resultando em um sucesso de bilheteria para o empreendimento.

O início de 1950 traz a primeira realização mais ambiciosa de Celi, Entre Quatro Paredes, de Jean-Paul Sartre, que alcança grande repercussão e polêmica, provocando reações adversas do Partido Comunista e da Cúria Metropolitana. Acompanha a montagem a comédia curta de Anton Tchekhov, Um Pedido de Casamento. Intensamente envolvido na instalação da companhia cinematográfica Vera Cruz, em que dirige seu primeiro filme, Caiçara, roteiro de Alberto Cavalcanti, seu e de Ruggero Jacobbi, 1950 - só em 1951 Celi volta para o TBC, assinando um dos maiores êxitos da casa, Seis Personagens à Procura de Um Autor, de Pirandello, encenação de uma frenética teatralidade. A crítica enaltece o espetáculo, apesar de fazer restrições, novamente, à liberdade do diretor em relação ao texto, modificando o final, em que Cacilda Becker encontra-se às gargalhadas num balanço, rompendo uma tela de papel. Em 1955, despede-se do TBC, salvando-o num momento de grave crise econômica, através do seu maior sucesso de bilheteria até então, Santa Marta Fabril S. A., o mais polêmico texto de Abílio Pereira de Almeida.

Ao lado de Franco Zampari e Cacilda Becker, Celi é uma das pessoas que mais contribuíram para fazer do TBC o que ele foi. Durante toda a primeira fase, é o principal responsável pela definição dos seus rumos artísticos, do seu repertório e estilo, pela formação dos seus atores e pelo aprimoramento do acabamento técnico das suas realizações.

Em 1955, o declínio econômico da companhia, os conflitos internos de ordem pessoal e a natural ambição de estar à frente de um conjunto próprio o levaram a dar por encerrado o seu ciclo na casa, mudar-se para o Rio de Janeiro e fundar, junto com dois dos seus mais íntimos colaboradores, a Companhia Tônia-Celi-Autran, CTCA. Em 1960, Dois na Gangorra, de William Gibson, se mantém em cartaz, resultando num sucesso razoável de público. Já em 1961, a companhia instaura um segundo concurso, cujo vencedor, Lisbela e o Prisioneiro, de Osman Lins, é dirigido por Celi e Carlos Kroeber. Efetiva uma remontagem de Arsênico e Alfazema, de Joseph Kesselring, e a sua despedida da companhia, que se desfará poucos meses depois, com Um Castelo na Suécia, de Françoise Sagan, na qual Celi está também em cena como ator.

A essa altura, porém, a sua participação na CTCA já é menos intensa, e ele exerce paralelamente as funções de diretor do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. A partir do ano seguinte, a CTCA começa a se dissolver, enfraquecida por dissidências internas, pelas remontagens que tentam preencher as lacunas de seu planejamento e pelo descompasso de seu projeto em relação ao gosto do novo público e dos ares que sopram no Brasil da década de 60.

Desiludido, em 1961 Celi dá por encerrado o seu trabalho no Brasil e volta à Itália, onde construirá uma próspera carreira como ator de cinema. Retornará ao Rio em 1978, a convite de Paulo Autran, para dirigir a comédia Pato com Laranja, inaugurando o Teatro Villa-Lobos, e ainda, para Tônia Carrero uma outra comédia, Teu Nome é Mulher, seu último trabalho no Brasil. Na Itália, retoma seu ofício de ator e diretor de teatro e inicia carreira cinematográfica, com participação em filmes nacionais e estrangeiros". (Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Italiani: Franco Zampari e as primeiras temporadas do TBC

"A estréia do TBC dá-se em 1948, com as apresentações de La Voix Humaine, de Jean Cocteau, por Henriette Morineau, em francês, e A Mulher do Próximo, de Abílio Pereira de Almeida, pelo Grupo de Teatro Experimental - GTE, dirigido por Alfredo Mesquita Seguem-se outras produções de amadores até que, em 1949, o conjunto se profissionaliza, lançando Nick Bar...Álcool, Brinquedos, Ambições, de William Saroyan, sob a direção de Adolfo Celi.

A contratação do encenador italiano, formado pela Academia Nacional de Arte Dramática de Silvio D'Amico, é decisiva para o futuro da companhia. Com Celi, o elenco permanente inicia um longo aprendizado técnico e artístico, submetendo-se às exigências de uma montagem moderna, esteticamente sofisticada. Aldo Calvo, o primeiro cenógrafo contratado, ratifica essa opção. Cacilda Becker é a primeira atriz profissionalizada e à sua contratação seguem-se as de: Paulo Autran, Madalena Nicoll, Marina Freire, Ruy Affonso, Elizabeth Henreid, Nydia Licia, Sergio Cardoso, Cleyde Yáconis, entre outros.

Os textos são escolhidos em função das dificuldades técnicas oferecidas mas, igualmente, de olho na bilheteria, no gosto do público. Na temporada de 1949, são apresentados Arsênico e Alfazema, de Joseph Kesselring, e Luz de Gás, de Patrick Hamilton, ambos dirigidos por Celi, exercícios que antecedem as montagens de Ele, de Alfred Savoir; e O Mentiroso, de Carlo Goldoni, primeiras direções de Ruggero Jacobbi na casa. Os tecidos dos figurinos são especialmente confeccionados na tecelagem Matarazzo; armas e adereços são forjados em metalúrgicas, contribuindo para o brilho e o sucesso, sem precedentes, até então". (Fonte:Enciclopédia Itaú Cultural)

Italiani: Franco Zampari e o Teatro Brasileiro de Comédia

Na história do Teatro no Brasil, o nome do napolitano Franco Zampari está associado à criação de uma importante companhia paulistana: o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) fundado em 1948.

“O Teatro Brasileiro de Comédia é o grande modernizador do teatro no país. No comando do TBC está Franco Zampari, italiano radicado no Brasil desde 1922. Em 1945, Franco Zampari escreve uma peça de teatro chamada 'A Mulher de Braços Alçados'.

Napolitano, engenheiro das Indústrias Matarazzo e amante das artes, Zampari apresenta sua peça numa festa da alta sociedade de São Paulo. Essa brincadeira entre amigos é a semente que brota e acaba motivando Zampari para uma dedicação mais profunda ao teatro.

Nas décadas de 30 e 40 predominavam, no teatro brasileiro, espetáculos humorísticos centrados em um ator principal, valorizado por sua capacidade de comunicação direta com o público e suas habilidades de improvisador. O ator era, em geral, o dono da companhia e sua principal atração. Procópio Ferreira, Jaime Costa e Dulcina de Morais são exemplos.

Nos anos 40, uma vontade geral de transformar esse modo de fazer teatro se propaga por grupos amadores, formados por universitários, intelectuais e profissionais liberais. Décio de Almeida Prado funda o Grupo Universitário de Teatro. Alfredo Mesquita dirige o Grupo de Teatro Experimental e funda a primeira escola de atores do Brasil, a EAD - Escola de Arte Dramática, em São Paulo. Esta febre de mudanças tem dois alvos prioritários: o repertório dos textos encenados e a técnica. Movidos pela força da paixão, os amadores brasileiros viabilizam parte desse projeto.

Em 1948, Franco Zampari, associado a um grupo de empresários de São Paulo, cria o TBC - Teatro Brasileiro de Comédia. Transforma um velho casarão em teatro aparelhado com 18 camarins, duas salas de ensaio, uma sala de leitura, oficina de carpintaria e marcenaria, almoxarifados para cenografia e figurinos, além de modernos equipamentos de luz e som. Um luxo para a época. Na noite de 11 de outubro , o TBC estréia com espetáculo duplo. "A Voz Humana", monólogo de Jean Cocteau, interpretado em francês pela atriz Henriette Morineau. Completa a apresentação a peça "A Mulher do Próximo", escrita e dirigida por Abílio Pereira de Almeida. No elenco está a jovem atriz Cacilda Becker, que mais tarde se torna um dos maiores mitos do teatro brasileiro. A estréia é um sucesso.

O TBC renova a sistemática do trabalho teatral. Monta uma equipe fixa, com encenadores estrangeiros como Adolfo Celi, Ziembinski, Ruggero Jacobi, Luciano Salce e Flamínio Bollini Cerri. Além de cenógrafos, iluminadores e cenotécnicos, contrata um corpo de atores que inclui Cacilda Becker, Sérgio Cardoso, Nydia Lícia, Cleyde Yáconis, Paulo Autran, Tônia Carrero e muitos outros nomes importantes para o teatro brasileiro.

A partir de 1949, Zampari expande suas atividades nas artes e inicia a Companhia Cinematográfica Vera Cruz. As histórias da Vera Cruz e do TBC se misturam. Diversos artistas e técnicos trabalham para as duas companhias. Ao longo de sua existência, o TBC alterna grandes sucessos com fracassos de público. As constantes crises econômicas da companhia levam-na ao fechamento em 1964. O TBC é um marco na história do teatro brasileiro.

Formou toda uma geração de atores, diretores e dramaturgos. Suas encenações estão documentadas nestas fotos de Fredi Kleemann, ator do TBC e fotógrafo de teatro. Diversas companhias teatrais têm origem no TBC, como as de Nydia Lícia e Sérgio Cardoso; de Tônia Carrero, Adolfo Celi e Paulo Autran; e de Cacilda Becker. Também o Teatro de Arena e o Teatro Oficina, que apesar de terem propostas diferentes, partem do TBC como referência. O TBC fez uma das mais importantes revoluções no teatro brasileiro ao estabelecer um novo conceito de profissionalismo. Encenou textos de qualidade, com montagens bem cuidadas e renovou o ambiente cultural brasileiro". (Fonte: Tv Cultura)

domingo, 18 de abril de 2010

Oriundi - A poesia de Décio Pignatari

A poesia moderna brasileira tem em Décio Pignatari um de seus grandes nomes. 

"Poeta, ensaísta, ficcionista, tradutor e publicitário, nasceu na cidade paulista de Jundiaí, em 1927 e formou-se pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

Estréia como poeta em fevereiro de 1949 nas páginas da Revista de Novíssimos, juntamente com os irmãos Haroldo e Augusto de Campos, com os quais também colaborou na Revista Brasileira de Poesia, porta-voz da geração de 45.

Em 1950 publicou seu primeiro livro, O carrossel. Em 1952, ainda com os irmãos Haroldo Campos, fundou o Grupo Noigandres, entrando em contato com os músicos e pintores do grupo Ruptura, ligado ao concretismo. Em janeiro de 1954 leciona em Teresópolis o curso "Raízes da Poesia Moderna", enfatizando as contribuições da literatura européia e americana (Rimbaud, Laforgue, Corbière, Mallarmé, Joyce, entre outros) e colocando criticamente a situação da poesia brasileira.

Entra em contato com músico francês Pierre Boulez e parte para Europa, onde vive até 1956, tendo conhecido vários músicos e intelectuais de vanguarda, dentre eles, Tomás Maldonado e o poeta suiço-boliviano Eugen Gombringer. Quando retorna ao Brasil, propõe a Gombringer adotar o nome "poesia concreta" para a designação dos novos trabalhos que estavam sendo feitos no país pelos poetas concretos como Ferreira Gullar e os participantes do Grupo Noigandres, proposta que foi aceita pôr Gombringaer. Com o Grupo Noigandres, participa da Exposição Nacional de Poesia Concreta nos museus de Arte Moderna (Mam-SP) e de Arte Contemporânea de São Paulo (Mac-Usp). Faz conferência, juntamente com Oliveira Bastos, no Mam-SP, sobre a nova poesia, e, em fevereiro de 1957, a propósito da edição carioca da exposição, fala na sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), em palestra que acirra o debate sobre a arte concreta.

Ainda neste mesmo ano publica artigos teóricos no "Suplemento Dominical" do Jornal do Brasil, trabalha como redator publicitário e planejador de lay-outs. Em 1958 assina o Plano-Piloto para poesia concreta. Em 1960 publica Organismo e colabora com a composição da página "Invenção", do Correio Paulistano. Em 1961, apresenta a tese "Situação Atual da Poesia no Brasil" no II Congresso Brasileiro de Crítica e História Literária de Assis, em São Paulo, na qual anunciou o "salto participante" da poesia Noigandres.

Torna-se professor da Escola Superior de Desenho Industrial Esdi) no Rio, e posteriormente da Universidade de Brasília (UnB), que deixou em 1964. Em Brasília organiza a Escola de Publicidade da Faculdade de Comunicação da Unb. Na década de 1960 exerce várias atividades de comunicação: foi cronista de futebol da Folha de S. Paulo; fez crítica política e de costumes num happening no João Sebastião Bar; e fundou o Marda (Movimento de Arregimentação Radical em Defesa da Arte). Em 1967, escreve "Teoria da Guerrilha Artística".

Torna-se professor de Teoria Literária no curso de pós-graduação da PUC-SP; doutora-se, em 1973, sob orientação de Antonio Candido. Escreveu obras teóricas como Semiótica e literatura e reuniu seus poemas em Poesia, pois é, poesia. Publicou ainda o romance Panteros. Sua biografia foi publicada em O Rosto da Memória, de 1986". (Fonte: CPDOC - FGV)