domingo, 28 de fevereiro de 2010

História (84) - Especial: Influência de socialistas e anarquistas italianos no movimento operário brasileiro (1)

A presença do trabalhador italiano nas cidades brasileiras, fruto das políticas oficias de incentivo à imigração, abriu um capítulo de grande importância na história do movimento operário no Brasil, trazendo à tona, inclusive, a primeira greve geral registrada no País, em 1917. Com o objetivo de resgatar na linha do tempo a participação de italianos e descendentes nas lutas trabalhistas em São Paulo e outras cidades, este Blog inicia um Especial dedicado a esse tema ainda é fonte de pesquisa no meio acadêmico.

Pesquisas na internet mostram que já no final do século XIX, São Paulo se deparava com a ação de anarquistas italianos reprimidos pela força coercitiva do governo. Em 1906 um total de 32 delegados na sua maioria do Rio e São Paulo, lançou as bases para a fundação da Confederação Operária Brasileira (C.O.B.).
Nesse Congresso participaram as duas tendências existentes na época: Anarco-Sindicalismo, que negava a importância da luta política privilegiando a luta dentro da fábrica através da ação direta. Negava também a necessidade de um partido político para a classe operária. Socialismo de caráter reformista, propunha a transformação gradativa da sociedade capitalista, defendia a Organização Partidária dos Trabalhadores e participava das lutas parlamentares. A ação anarquista começa a se desenvolver entre 1906 até 1924.

A crise de produção gerada pela Primeira Guerra Mundial e a queda vertiginosa dos salários dos operários, caracterizou-se por uma irresistível onda de greves - 1917 a 1920. Em 1917, em frente ao Cotonfiício Crespi tinha início o movimento grevista que recebeu a solidariedade e adesão inicial de todo o setor têxtil, seguindo as demais categorias.

Italianità - Especial: De Palestra Italia a Palmeiras(7)

Durante a Segunda Guerra Mundial, em 1942, por causa de decreto do governo Getúlio Vargas, que proibia em qualquer entidade o uso de nomes relacionados aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), o Palestra Itália foi obrigado a mudar de nome, passando a chamar-se Palestra de São Paulo, posto que "palestra" é uma expressão grega, o que não contrariaria a decisão governamental.

A mudança não aplacou as pressões políticas e até esportivas e, sob pena de perder seu patrimônio para outro clube e ser retirado do campeonato que liderava, o Palestra viu-se obrigado a mudar de nome novamente. Nas vésperas da partida final do campeonato paulista, que seria realizada em 20 de setembro de 1942, a diretoria palestrina, em reunião tensa, mudou o nome do clube.

Quando as discussões estavam no auge, o Dr. Mario Minervino pediu a palavra e solicitou ao secretário, Dr. Pascoal W. Byron Giuliano que anotasse na ata: - Não nos querem Palestra, pois seremos Palmeiras e nascemos para ser campeões. A partida final foi tensa, nosso adversário foi o São Paulo Futebol Clube, com quem os ânimos estavam acirrados no episódio da troca de nome, já que eles reivindicavam para si o patrimônio do então Palestra Itália. O Palmeiras entrou em campo conduzindo a bandeira brasileira sob o comando do capitão do Exército Adalberto Mendes.

O Palmeiras vencia o jogo por 3 a 1 quando teve um pênalti a seu favor. Foi então que o São Paulo Futebol Clube, que instruiu seus atletas a encararem os jogadores do Palmeiras como inimigos da Pátria, desistiu do jogo e deixou o campo sob vaias até da própria torcida. As comemorações começaram ali. No dia seguinte, os jornais esgotaram-se nas bancas. Todos queriam ver a foto do Palmeiras entrando em campo e a manchete: "Morreu líder, nasceu campeão".

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Italianità - Especial: De Palestra Italia a Palmeiras(6)

A história do atual estádio Palestra Itália, propriedade da Sociedade Esportiva Palmeiras, remonta à virada do século XIX para o século XX e envolve uma das mais tradicionais empresas brasileiras da época, a Companhia Antarctica Paulista. Pensando no lazer de seus funcionários, a empresa criou o Parque da Antarctica, um espaço de 300 mil metros quadrados que abrangia uma vasta área verde, com lago, parque infantil, restaurantes, choperia, local para bailes, reuniões e áreas para a prática esportiva (incluindo pistas de atletismo, quadra de tênis e um dos primeiros campos de futebol da cidade). Em pouco tempo, o parque passou a ser uma referência não só para a prática do futebol, mas também para diversas atividades ao ar livre, como corridas de automóveis, lutas de boxe, etc. Com a crescente paixão pelo futebol, esporte que já tinha adeptos em grande número não só em São Paulo, mas também no Brasil, o espaço passou a ser muito requisitado para esta prática esportiva.

A empresa, então, passou a alugar o campo de futebol lá existente para clubes nos primeiros anos do século 20. O Germânia, clube de origem alemã, passou então a ser o mandante do campo. Exatamente no dia 3 de maio de 1902, o Mackenzie College venceu o Germânia (atual Esporte Clube Pinheiros) no Parque Antarctica, por 2 a 1, dando início ao primeiro campeonato oficial de futebol do Brasil, o Paulista. Com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o Germânia diminui suas atividades sociais e repassou seu contrato de locação para o América F.C. (já extinto), clube este que foi fundado por Belfort Duarte. Por sua vez, com dificuldades econômicas, o América passou a sublocar o espaço para outras equipes.

Foi assim que, exatamente no ano de 1917, o Palestra Itália passou a mandar seus jogos no Parque Antarctica. O contrato de então previa que o América utilizasse a estrutura nas terças, quintas, sábados e domingos, enquanto o Palestra Itália usaria o local nos mesmos dias, porém na parte da tarde, para treinos e partidas oficiais. Em 1920, contanto com o apoio da Companhia Matarazzo, o Palestra Itália efetuou a compra do campo de futebol e de grande parte do terreno do Parque Antarctica pelo valor total de 500 contos de réis, uma verdadeira fortuna à época.

As condições de pagamento também não eram muito favoráveis: metade a vista, outra metade em duas prestações anuais de 125 contos de réis. Era uma aposta ousada, mas que foi aceita de pronto pelo presidente Menotti Falchi. Exatamente no dia 27 de abril de 1920, o contrato entre as partes foi firmado. Na escritura de compra as condições de favorecimento aos empregados e ao comércio dos produtos Antarctica eram explícitas. A exclusividade duraria 99 anos: desde a fundação do Parque, 1904, até 2003, só produtos daquela fábrica poderiam ser vendidos.

Na primeira partida como legítimo proprietário do estádio, no dia 16 de maio de 1920, o Palestra Itália aplicou uma sonora goleada sobre o Mackenzie, por 7 a 0, gols de Caetano (3), Heitor (2), Fabbi e Imparato. O Palestra Itália conseguiu, com dificuldades, pagar as duas primeiras parcelas do pagamento, porém não conseguiu arcar com a última delas. A solução foi vender uma parte do terreno para o conde Francisco Matarazzo, que pagou a soma de 187 contos de réis. Aos poucos, o clube passou a investir em grandes reformas no local, incluindo a construção da arquibancada geral, ainda de madeira, e da tribuna social (reservada aos associados do clube).

Em 13 de agosto de 1933, o Palestra Itália vencia o Bangu, por 6 a 0, pelo Torneio Rio-São Paulo, marcando a inauguração do “Stadium Palestra Itália”. Já com arquibancadas de concreto, tratava-se do maior, mais moderno e imponente estádio do país na época. Neste mesmo período, a sede social do clube foi transferida do centro da cidade para o entorno do estádio. No final da década de 1950, foi iniciada uma nova e profunda reforma, onde a arquibancada foi totalmente reconstruída e passou a ter mais do que o dobro da capacidade anterior.

O campo foi suspenso – daí surge o nome de “Jardim Suspenso” – e foram construídos vestiários no sub-solo. A reinauguração aconteceu no dia 7 de setembro de 1964, com o jogo Palmeiras x Guaratinguetá, pelo Campeonato Paulista. A partir da década de 1990, o Palmeiras fez diversas obras de melhorias, para aumentar o conforto dos torcedores e começar a formalizar, aos poucos, o grande sonho de gerações de palestrinos e palmeirenses: a construção de uma nova Arena, que será em breve um dos estádios mais modernos das Américas. (Fonte: Site Oficial do Palmeiras)

Oriundi - Padre Busato: igreja e política na história de Erechim, no Rio Grande do Sul

 Um personagem marcante da história da cidade gaúcha de Erechim foi o padre Benjamin Busato, filho de italianos, que mereceu a atenção da pesquisadora Sonia Mári Cima. Na dissertação de mestrado Padre Busato: um protagonista na história de Erechim (1926 - 1950) pela Universidade de Passo Fundo ela relata influência política do religioso no cotidiano daquela cidade entre 1926-1950.

"No período referido (1926-1950), observa-se um envolvimento muito grande de
padre Benjamin com a sociedade local e regional, expresso nas eleições municipais ou de
outras esferas, nas atividades da Ação Católica e Liga Eleitoral Católica, na formação do
Círculo Operário Erechinense, nas atividades como presidente da Associação Rural, na
tentativa de criação de cooperativas, nas iniciativas de construção do Hospital de Caridade,
do Colégio São José e da Igreja São José e noutras influências sociais, como a busca de
produtos – o sal e o querosene –, quando da escassez provocada pela Segunda Guerra
Mundial (1939-1945), e na defesa dos descendentes de italianos pelo nacionalismo do
Estado Novo (1937-1945)".
 
"O personagem deste estudo, padre Benjamin Busato, nasceu no dia 27 de junho de 1902 em Nova Palma,28 Rio Grande do Sul. Seus avós paternos foram Basílio e Julia Busato, e avós maternos, Antônio e Maria Ruaro. Sobre seu avô Antônio Ruaro encontramos este registro em Sponchiado

"O próprio padre Benjamin Busato, que utilizava o codinome “Chico Tasso” em seus escritos, destaca nas crônicas sobre seu avô: (...) 'Recordo uma história de meu avô. Meu avô vinha das montanhas dos Alpes, divisa entre Suíça e Itália, onde ao tempo êle vingava um perigoso contrabando de fumo, visto como tudo que fosse tabaco ou tabacaria era do Govêrno como o eram o fósforo, sal e selos de correio.' "

"Os ascendentes familiares do padre Benjamin eram italianos, desenvolviam atividades ligadas à agricultura e tinham o sonho de adquirir propriedades e obter autonomia. Ludibriados pela propaganda da América como uma terra de esperança e farturas, informações nem sempre condizentes com a realidade de preencher espaços demográficos ou mão-de-obra, eles vieram para o Brasil através da política oficial de imigração. Vale Vêneto e Nova Palma foram os espaços onde cresceu o padre Benjamin"

“Os vinte e quatro anos de liderança do padre Benjamin Busato na igreja São José, apesar dos cinqüenta anos que nos separam desde seu afastamento, são marcantes para os habitantes de Erechim, sobretudo para os que o conheceram pessoalmente. Para entender esta afirmação, destacamos, primeiramente, a participação política de padre Benjamin, com grande evidência à sua função de vereador, desempenhada de 1946 a 1947 e como presidente, na época denominado Conselho Administrativo, além de sua indicação, em 1945, como candidato à Assembléia Legislativa, pelo PSD".

"Ele assumiu a liderança como vigário de uma paróquia com a função de transmitir as bases espirituais para o povo, porém uma das suas principais preocupações foi o acompanhamento social e político do desenvolvimento de Erechim. Outra consideração, não menos importante, é a influência comprovada que o padre Busato exerceu nas eleições quer locais, quer estaduais ou nacionais, confrontando-se com autoridades locais, ou de partidos diferentes, como foi o caso criado com o prefeito Amintas Maciel em 1933 e por ter assumido o papel de cabo eleitoral de alguns candidatos, como do prefeito Attilano Machado, em 1928, e do deputado estadual Adroaldo Mesquita da Costa, em 1933, 1934 e 1946".

"A atuação de nosso biografado baseava-se em sua função como religioso, exercendo enorme controle sobre as comunidades rurais italianas, imbuído do espírito da Liga Eleitoral Católica ou da Ação Católica, ou na organização de associações trabalhistas. 116 No Rio Grande do Sul, sob a orientação de dom João Becker, arcebispo de Porto Alegre, o padre Benjamin orientou seu trabalho para a organização popular em torno da Igreja Católica, buscando a reestruturação da instituição no pós-30".

"Foi esse um período em que a sociedade brasileira passava por mudanças estruturais, sociais, políticas e econômicas e no qual a Igreja Católica passou a disputar espaço junto ao poder do Estado, quase sempre assumindo a organização de instituições como o Círculo Operário Erechinense, a Associação Rural, o Hospital de Caridade, o Colégio São José e a construção da igreja São José. A ação centralizadora do padre Benjamin refletiu-se na organização da sociedade erechinense em meio à disputa entre Estado e Igreja por espaço político, destacando-se sempre sua participação mais no plano político do que no religioso, o que nos leva a deduzir do respeito que tinha na comunidade, pois o encaminhamento de todas as questões referentes ao município se iniciava ou passava por sua orientação".

"Em meio à necessidade de organização social, à inexistência de elementos materiais e estruturais em Erechim, o padre Busato exercia o papel de autoridades legais, encaminhando as questões sociais e assumindo a função de mediador messiânico nos conflitos entre pessoas e grupos. O personagem padre Busato apresenta-se não como um padre burocrático, restrito às funções religiosas, a registros catequéticos, mas abrange um universo de aspectos, remetendo a uma figura que se impunha e angariava o respeito e a obediência da população erechinense. Era assim que via sua missão de padre. O religioso marcou seu apostolado com seus escritos e com sua palavra".

"Teve numerosos artigos publicados em jornais locais e seus sermões eram fluentes pela profundidade de suas idéias e de seus conhecimentos, denotando domínio da escrita e da palavra, que utilizava para participar social e politicamente nos assuntos de interesse dos erechinenses. Em todo o período do exercício de suas funções na paróquia São José, seu envolvimento social e político superou o religioso, até mesmo em seus escritos, nos quais destacou muito mais temas políticos e sociais do que religiosos".

"Assim, também ficou marcado na sociedade erechinense como um padre político, que se manifestava, que assumia posições e era muito influente no meio rural, especialmente entre os descendentes de imigrantes italianos. Apesar de já se terem passados cinqüenta anos e se vivenciado inúmeras transformações radicais, tanto política quanto religiosamente, comentar sobre um afastamento ou licenciamento ainda causa certo receio às pessoas, as quais preferem, por 117 isso, conduzir o assunto pelo viés político, evitando o religioso".

"Isso foi observado muitas vezes no decorrer dos relatos, dando-nos a impressão de que se criou um “pacto de silêncio” em torno do fato da saída de padre Busato em 1950, apesar de se observar uma lacuna documental desde 1948 no Livro-Tombo da paróquia São José, ou seja, não há registros a partir desta data, só retomados com a posse do padre Gregório Comassetto em 1950. Esse comportamento parece fazer sentido por se tratar de um religioso e, sobretudo, uma autoridade local; portanto, misticismo, medo e controle pressionam a sociedade a não expressar seu julgamento sobre o caso".

Italianità: Raízes tocam a fundo a juventude de Erechim, no Rio Grande Do Sul

A marca da etnia italiana é muito forte na cidade de Erechim, no Rio Grande do Sul,. Essas raízes são ainda hoje cultivadas inclusive pelos jovens.

Exemplo disso é o trabalho da Associazione della Gioventù Veneta di Erechim, entidade que congrega os jovens de origem vêneta da cidade Erechim e das regiões norte e nordeste do Rio Grande do Sul, Brasil. A  entidade tem um  BLOG que é uma antena para a italianidade no Rio Grande do Sul. 


Nos anos 20 a cidade de Erechim  tinha 1.500 habitantes. Destes, 90% eram descendentes de italianos, tanto na cidade como no interior. Muitos vieram diretamente da Itália, especialmente da Região Veneto. As Terras Velhas, hoje municípios de Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Antônio Prado contribuíram grandemente na imigração italiana em Erechim e Região.
 As primeiras famílias chegaram em nossa cidade por volta de 1910 através da Ferrovia. Entre os pioneiros, encontramos nomes como Antenor Pedrollo, Paulo e Elisa Vacchi, Eugênio Isoton, PedroLongo, José Bonaldo, Bortolo Balvedi, João Massignan, Júlio Trombini, João Carlone e Attilio Assoni - que instalou o primeiro engenho de serra e a primeira casa de alvenaria.

Os imigrantes italianos, ao longo de várias décadas foram modificando a fisionomia social da região com seus valores espirituais, culturais e materiais. É importante ressaltar que a maioria dos imigrantes vinham em busca de uma vida melhor para si e para seus filhos.



Arquitetura – Italianos na construção da cidade planejada de Belo Horizonte (3)

Marcel de Almeida Freitas, antropólogo (UFMG), mestre em Psicologia Social (UFMG), professor da Faculdade da Cidade de Santa Luzia (disciplinas História da Arte, Psicologia e Antropologia), autor do trabalho A influência Italiana na arquitetura de Belo Horizonte,  conta como foi a disposição geográfica dos imigrantes italianos na capital de Minas Gerais, belo Horizonte entre 1910 e 1920.


“Italianos da classe média ligados ao varejo instalaram-se no Centro de Belo Horizonte, nas avenidas Santos Dumont e Paraná – já que a Rua Caetés era dominada pelo comércio sírio-libanês, judeu e armênio – nas décadas de 1910-20. Suas residências se localizavam em geral na Avenida Olegário Maciel e Rua Guarani. Com isso, favoreceram a transformação arquitetônica da região com novos estilos e tipos de moradia, introduzindo, por exemplo, o hábito das vilas internas, onde viviam várias famílias".

"Tais vilas se distinguiam das construídas pelos portugueses no Rio de Janeiro e em São Paulo, porque, no estilo ibérico, o uso de fontes internas e o pátio mourisco eram a tônica. No entanto, muitos italianos, assim como imigrantes de outras procedências, viviam já em processo de enfavelamento. As duas zonas mais conhecidas, no período da construção de Belo Horizonte, que abrigavam a população miserável eram a Fazenda do Leitão (hoje Bairro Santo Antônio) e o Morro da Estação (Favela da Estação, hoje Bairro Floresta). Ali moravam em barracões de zinco ou em cafuas de madeira, ao lado de negros ex-escravos e migrantes de outras partes do Brasil. Eram 'dois bairros mescladíssimos e turbulentos, sobretudo à noite e nos dias de descanso' (BARRETO, 1996, p. 369)".

"Nos bairros Santa Tereza e Santa Efigênia viviam italianos de origem humilde, muitos empregados na construção civil, assim como nas indústrias recém-instaladas: predominavam as tecelagens e as fábricas de massas. Uma rua com o nome de Gennaro Masci, no bairro Horto, que liga as ruas Pouso Alegre e Salinas, é emblemática da presença italiana em Belo Horizonte, especialmente na zona leste. Outro exemplo é a travessa Romano Stocchiero em Santa Efigênia, entre as ruas Padre Rolim e dos Otoni".

"Também a região do Barreiro recebeu considerável contingente de italianos, destacandose aí a família Gatti. Além de trazer formas associativas, como sindicatos e associações de beneficência mútua, essa imigração também contribuiu para a inserção do futebol no país, mais especificamente nas grandes cidades do Sudeste (Cruzeiro, Palmeiras, entre outros)".

"No Bairro Lagoinha existiu um importante exemplar da participação italiana na arquitetura de Belo Horizonte. Conforme Noronha (2001), a Casa da Loba foi construída na década de 1920 por Octaviano Lapertosa para João Abramo, o proprietário. Hoje nada restou Cadernos de Arquitetura e Urbanismo, Belo Horizonte, v.14 - n.15 - dezembro 2007 156 da belíssima residência em estilo neoclássico italiano, somente fotografias. Outra ilustração é a bem preservada casa da família Falci, à Avenida Bias Fortes, 197. Em estilo neoclássico com elementos renascentistas, o suntuoso palacete é preservado porque a família é consciente da sua importância e dos significados simbólicos em torno do seu patriarca".

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Arquitetura – Italianos na construção da cidade planejada de Belo Horizonte (2)


Na cidade de Belo Horizonte ainda persistem marcas da influência de arquitetos italianos que participaram ativamente da urbanização local. É o que relata Marcel de Almeida Freitas, antropólogo (UFMG), mestre em Psicologia Social (UFMG), professor da Faculdade da Cidade de Santa Luzia (disciplinas História da Arte, Psicologia e Antropologia), autor do trabalho A influência Italiana na arquitetura de Belo Horizonte (Foto: Minas Tênis Clube) .

"Embora os modelos arquitetônicos fossem europeus, a arquitetura de Belo Horizonte teve a influência da mão-de-obra de imigrantes pobres que chegavam ao Brasil aos milhares, especialmente italianos, espanhóis e portugueses. Destarte, desde arquitetos e engenheiros até mestres-de-obras e 'pedreiros', a influência italiana na arquitetura de Belo Horizonte, entre 1900 e 1940, é indelével. Um dos estilos vindos com os estrangeiros é aqui abordado, o art déco". (Foto: Hospital Felicio Rocho)

"Em linhas gerais, o art déco caracteriza-se pela simétrica/axial com acesso centralizado ou valorizando a esquina (no plano horizontal), articulação de volumes geometrizados e simplificados (varandas semi-embutidas) ou sucessão de superfícies curvas (aerodinamismo), linguagem formal tendente à abstração (contenção expressiva dos ornamentos decorativos, quase sempre em alto e baixo relevo)"


"Em Belo Horizonte os edifícios mais significativos dessa fase são, entre outros, a Prefeitura Municipal, os colégios Marconi, Pio XII e Izabela Hendrix, o Minas Tênis Clube, os hospitais Felício Rocho (Felicio Rosso), Odilon Behrens, Santa Casa de Misericórdia e a Igreja São Francisco das Chagas. Entre os arquitetos e/ou engenheiros italianos mais atuantes nos primórdios de Belo Horizonte (1920- 1940) e responsáveis pela introdução do estilo, cabe sublinhar Luis Olivieri, Luis Signorelli, Raffaello Berti (projetou o Minas Tênis Clube - foto), Américo Gianetti e Romeo di Paoli. Esse último foi quem projetou o Hotel Imperial Palace"

Arquitetura – Italianos na construção da cidade planejada de Belo Horizonte (1)

Marcel de Almeida Freitas, antropólogo (UFMG), mestre em Psicologia Social (UFMG), professor da Faculdade da Cidade de Santa Luzia (disciplinas História da Arte, Psicologia e Antropologia), é autor do trabalho  A influência Italiana na arquitetura de Belo Horizonte . O texto apresenta notas sobre a interferência da imigração italiana na urbanização de Belo Horizonte e a influência de trabalhadores italianos na construção da capital.  Na foto, o postal do Palacete Dantas - obra de Luis (Luigi) Olivieri

“Sob o ponto de vista da arquitetura e do urbanismo, a história de Belo Horizonte é idiossincrática, já que foi planejada segundo os modelos de modernização que transformaram urbes como Paris, por exemplo, e fizeram surgir outras, planejadas, como La Plata e Canberra, respectivamente na Argentina e na Austrália. Assim nascia Belo Horizonte em 1897, embalada pelos valores de 'progresso e ordem', caros ao positivismo, paradigma filosófico-científico que ditava mentalidades e práticas sociais em diferentes campos. Sob a égide do ethos evolucionista, os republicanos de Minas Gerais queriam construir uma cidade diversa do passado barroco, colonial e escravocrata que até então marcara o Estado e o país”.

"Quando a cidade começou a ser efetivamente construída, os trabalhos requisitavam um batalhão. (....) Na construção de Belo Horizonte alguns engenheiros de origem italiana já se destacavam entre os muitos europeus, como o Dr. Burlamaqui, Gustavo Farnese e Adolfo Radice. Os empreiteiros Afonso Massini e Carlos Antonini destacaram-se na construção do ramal ferroviário que ligava as estações Minas e General Carneiro, o que facilitou a vinda de pessoas do Rio de Janeiro para Belo Horizonte".

"No ramo da exploração calcária, sobressaiu o descendente de italianos J. Orlandini, proprietário da pedreira Acaba Mundo a partir de 1895. Segundo informações colhidas por Barreto (1996), Carlos Antonini nasceu na Itália em 1839 e faleceu em Belo Horizonte em 1913. Antes de emigrar, foi oficial do exército italiano. Atuou nos ramos de engenharia, como arquiteto, projetista, industrial e construtor. Dentre suas obras destaca- se a parte posterior do Palácio da Liberdade. Projetou e construiu sua própria residência, localizada nas esquinas das ruas Bahia e Bernardo Guimarães, prédio que abrigou por muito tempo a Escola Ordem e Progresso, hoje tombado pelo Iepha".

"Outro italiano que despontou nas artes e arquitetura da nova capital foi Luis Olivieri. Formado em Florença, integrou a comissão construtora como desenhista e, em 1897, criou o primeiro escritório particular desse ofício na cidade. Em 1911 realizou a primeira exposição de arquitetura da capital (BARRETO, 1996). Projetou, dentre muitas obras, o Palacete Dantas (atual Secretaria de Cultura, de 1916) e o atual Psiu (antigo Bemge, na Praça Sete)".

"No suprimento de materiais para a construção civil, a todo vapor naquela época, foram importantes os Papini, que introduziram as telhas francesas, instalando cerâmicas na região do atual Bairro Saudade, e os Antonini, que produziam tijolos na estrada antiga entre Sabará e Belo Horizonte, hoje Bairro Cardoso. Nos primeiros anos de Belo Horizonte, o Sr. Alberto Bressane Lopes ergueu uma vila de casas para aluguel nas ruas Grão Mogol e Alfenas, com o intuito de atender à grande demanda de habitações da capital. Outra vila foi por ele construída na Rua Rio Grande do Norte, chamando-se Villa Bressane.

"Em julho de 1896, Belo Horizonte recebia a visita do Sr. Alessandro D’Atri, figura importante na Itália. Em palestra aos que trabalhavam nas obras da cidade, elogiou a maneira como eram tratados seus conterrâneos e a operosidade da comissão. 'O que mais o admirou foi que (...) em cima dos altos andaimes, em torno das construções e embaixo de cobertas de zinco, cantavam e assobiavam alegremente os operários, italianos em sua maioria, assentando pedras, tijolos, amassando argamassas' (BARRETO, 1996, p. 643)".

A empreitada (“tarefa”) da nova Igreja Nossa Senhora do Rosário, situada na esquina da Rua Tamoios com Avenida Amazonas, ficou a cargo de um descendente de italianos, o Sr. Afonso Massini. A Secretaria das Finanças, atual Secretaria de Estado da Fazenda, foi edificada pelos tarefeiros José e Caetano Tricolli. João Morandi, por sua vez, foi um arquiteto e escultor bastante ativo na comissão construtora. Era nascido na parte italiana da Suíça, na cidade de Lugano. Antes de chegar a Belo Horizonte atuou na construção da cidade de La Plata, na Argentina, até 1896. Trabalhou na ornamentação interna de diversos logradouros: Palácio da Liberdade, antigo Museu de Mineralogia, Instituto de Educação, Igreja São José, Igreja Nossa Senhora do Rosário”.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

História (83 ) – “Far l´America (51)": Imigração e laços de família


A pesquisadora Maria Silvia Beozzo Bassanezi (UNICAMP) mostra o impacto do componente família no percurso da grande imigração, colocando em destaque o significado do núcleo familiar no contexto da chegada e enraizamento dos italianos no Brasil.

A seguir, trechos do trabalho Família e Imigração Internacional no Brasil do Passado (foto: familia Cillos, imigrantes em Santa Bárabara - SP - 1910 - Fonte Prefeitura Municipal)


 
 

História ( 82) – “Far l´America ( 50)": Navios e famílias que cruzaram o Atlântico

Um interessante trabalho de pesquisa sobre imigração italiana pode ser encontrado no site   Arquivo Histórico de Além Paraíba Estado de Minas Gerais. Os pesquisador Fernando Julio Korndörfer, por exemplo, é autor do trabalho projeto Chegada de Navios, que conta atualmente com mais de 4000 movimentações de embarcações pesquisadas, saindo e entrando em portos brasileiros entre 1800 e 1900.

Seu objetivo é colocar ao alcance dos pesquisadores, de forma confiável, tanto as informações sobre as chegadas de navios quanto as de seus passageiros, quando existentes. Korndörfer também elaborou uma lista indicando nome e local dos núcleos coloniais criados no Brasil Imperial bem como aqueles criados após o fim da monarquia.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Italianità-Especial: De Palestra Italia a Palmeiras(5)

O Palestra Itália foi convidado a participar do Campeonato Paulista somente em 1916. A primeira partida oficial da equipe foi contra o Mackenzie, jogo que terminou empatado: 1 a 1. O gol palestrino foi marcado por feito por Vescovin.

No ano seguinte tornou-se vice-campeão paulista. O primeiro título viria em 1920: Campeão Paulista, ao vencer no jogo decisivo o tradicional Paulistano: 2 a 1 O site Palestrinos relata assim esse dia histórico na vida do palestra Itália:

"Terminado o segundo turno, Palestra Itália e Paulistano viram-se incrivelmente empatados em tudo: 26 pontos, 12 vitórias, dois empates e duas derrotas. E se o ataque paulistano havia sido melhor (61 contra 53 gols) sua defesa fora bem pior (19 gols contra 7 dos verdes). O Corinthians? Bem, o Corinthians ficou apenas em terceiro lugar, um ponto atrás. Mandava o regulamento que em caso de duas equipes terminarem empatadas o título seria decidido em um jogo-extra. E ele foi marcado para 19 de dezembro, no neutro campo da Floresta.

Todas as atenções do Palestra estavam voltadas para Artur Friedenreich, um mestiço filho de alemão e negra que era o melhor jogador de futebol do mundo naquele época. Mas o Paulistano era muito forte, lutava pelo pentacampeonato e mesmo contra um adversário com os brios feridos era considerado favorito. Do outro lado, todavia, estavam aqueles italianos, contra os quais tanto se tentara e tanto se fizera para que não estivessem ali, disputando a condição de melhor time de São Paulo.

Depois de um primeiro tempo bastante equilibrado, na etapa final o jogo começou quente: logo aos 5 minutos, Martinelli acertou um forte chute no gol defendido por Arnaldo e colocou o Palestra Itália na frente. A alegria verde, porém, durou pouco: apenas um minuto depois, quando a defesa palestrina se preocupava com o mulato genial, Mário aproveitou para, livre, deixar tudo igual.

Daí em diante, chances perdidas pelos dois times mas, também, respeito mútuo prevalecendo em campo. Até que aos 32 minutos da etapa final, Forte se livra da marcação e toca para o fundo das redes paulistanas. Os 13 minutos restante foram de intensa pressão do Paulistano, mas o goleiro Primo - ora com talento, ora com sorte - conseguiu evitar mais um empate. Ao apito final de Hermann Friese, São Paulo explodiu de alegria.

O sonho, enfim, se realizara: Palestra Itália, campeão paulista de 1920! Na São Paulo as vésperas do Natal, faltou vinho tinto para tanta festa”.

Italiani – Sangue toscano no Modernismo brasileiro: a pintura de Fulvio Pennacchi



Grupo Santa Helena foi o nome atribuídoaos pintores que, a partir de meados da década de 30, se reuniam nos ateliês de Francisco Rebolo e Mario Zanini. Os ateliês estavam situados em um edifício da na Praça da Sé, São Paulo, denominado "Palacete Santa Helena". Este prédio foi demolido em 1971 para a construção da estação do Metrô Sé.

No site do Museu de Arte Contemporânea (MAC), a professora Daisy Peccinini traça um breve perfil de um dos membros desse grupo: Fulvio Pennacchi, nascido em Villa Collemandina, província de Lucca, na Região Toscana, em 1905. Ela define Pennacchi como  “o mais clássico dos Santelenistas foi, junto a Portinari, Volpi e Graciano, muralista de estilo depurado e evocação românica”.



"Fúlvio Pennacchi chegou no Brasil em 1929, fugindo de uma intensa instabilidade econômica, que assolava o Mundo Ocidental, pós Primeira Guerra Mundial, recém saído da Academia de Belas Artes de Lucca, onde recebera grandes influências do Professor Pio Semeghini, impressionista, além dos Macchiaioli. As dificuldades financeiras enfrentadas por Pennacchi, logo de sua chegada a São Paulo, coloca a pintura em segundo plano, levando-o a exercer atividades em diversas áreas, como professor de desenho do Colégio Dante Alighieri e até dono de um açougue".

"Pennacchi é redescoberto em 1933 pelo escultor Galileo Emendabili que fica fascinado pelos afrescos que decoram o estabelecimento comercial do artista e o convida a trabalhar como colaborador no seu atelier, e logo de inicio auxilia no projeto do' 'Monumento em Homenagem aos Mortos na Revolução Constitucionalista de 1932'. Em 1935, Pennacchi passa a freqüentar o ateliê de Rebolo Gosales, localizado no Palacete Santa Helena, onde os pintores Mário Zanini e Clovis Graciano montam seus ateliers, e concomitantemente era freqüentado por Alfredo Volpi, Manuel Martins, Alfredo Rizzoti e Aldo Bonadei, formando aquilo que o Professor, Historiador e Crítico de Arte Walter Zanini denominou de 'Confraria', e que passou-se a chamar 'Grupo Santa Helena'.

Os trabalhos de Pennacchi, configuram uma intensa permuta do universo paulista e do cotidiano das vilas italianas, além da preferência pelos temas religiosos. Nesta área, o artista teve fundamental importância na concepção de vários afrescos, que decoram Igrejas e residências. As primeiras exposições do artista foram coletivas, com destaques as exposições da 'Família Artística Paulista', em 1937.

Entre 1965 e 1972, o artista distancia-se do grande público, fazendo apenas alguns trabalhos por encomenda, mas não deixando de ser um período de intensa criação Em 1967, algumas de sua obras são mostradas na exposição 'O Grupo Santa Helena 30 anos depois'. Em 1973 a exposição 'Pennacchi - quarenta anos de pintura organizada pelo Museu de Arte de São Paulo, sobre a supervisão de Pietro Maria Bardi, foi o reencontro com o grande público. Fúlvio Pennacchi, foi o último sobrevivente dos Santelenistas, vivendo até 1992”.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Italianità – O trabalho do Gruppo Folklorístico Italiano Giuseppe Garibaldi

"O Brasil é um país formado por inúmeras etnias, as quais influenciaram a nossa história, cultura, economia, em todos os âmbitos da sociedade.

Os costumes, a alimentação, o vestuário e a própria língua foram enriquecidos pela miscigenação dessas culturas. Sabemos pela história que muitos imigrantes italianos fugindo das guerras que ocorreram no século passado na Itália, vieram para o Brasil e aqui trabalharam muitas vezes em regime semi-escravo.

Mas um povo corajoso e com mesma determinação e consciência que aqui chegaram venceram dificuldades quase sobre-humanas, doenças, miséria, fome e se superaram ao ponto de colaborarem na construção de uma nova pátria, chamada Brasil. Foi com esta consciência que um grupo de amigos de Cutitiba-PR reuniu-se com o objetivo de criar um grupo folclórico autêntico, que fosse fidedigno às tradições e à cultura italiana, e dispostos a trabalharem para divulgação desta cultura no Brasil. Então, em outubro de 1991, foi fundado o Gruppo Folklorístico Italiano Giuseppe Garibaldi, que começou a divulgar a tradição e a cultura italiana através de danças típicas de várias regiões da Itália.

Com muito sucesso, nestes 18 anos de existência, o grupo participou de diversos eventos no estado do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Desde festas populares a espetáculos em grandiosos teatros, o grupo leva a alegria contagiante e séculos de história de um povo cuja cultura nos enriquece até hoje nos mais variados aspectos.

AS APRESENTAÇÕES 

Em suas apresentações o grupo tem como objetivo mostrar o lado divertido e curioso desta descendência, que são estudados e pesquisados seriamente através de contatos com grupos folclóricos e entidades italianas, onde são mostrados com fidelidade cada costume, cada passo e cada coreografia do espetáculo. Através das músicas e das encenações teatrais das danças o grupo enriquece os conhecimentos não só dos descendentes de italianos, mas da população em geral, dessa cultura que está inserida no dia-a-dia de cada um, nos gestos, palavras e no sangue quente, demonstrado através das emoções.

As danças retratam, entre outras coisas, o cotidiano italiano em meados de 1800 a 1950. Nas cenas familiares da vida doméstica, são mostrados os casamentos e os hábitos. No trabalho, o cultivo da uva, do café e bem como alguns trabalhos manuais desenvolvidos pelos camponeses. Na fé, os costumes religiosos. O período da imigração também é apresentado, bem como a viagem, as esperanças e sentimentos do povo em relação a uma terra desconhecida, alegrando e emocionando pessoas de todas as idades.

Italianità-Especial: De Palestra Italia a Palmeiras(4)

Fundado em 1914, o Palestra Itália realizaria sua primeira partida somente em 1915. No dia 24 de janeiro daquele ano, a recém-formada equipe se deslocou de trem até Sorocaba para seguir adiante até a cidade de Votorantin, local do jogo contra uma equipe local, o Savoia que já contava com 15 anos de vida e colecionava várias vitórias. O time escalado para o primeiro desafio palestrino era formado por: Silitiano. Bonato e Fúlvio. Police. Bianco e Vale,Cavinato. Fiaschi. Alegretti. Amílcar e Ferré.

Vicenzo Ragognetti, assim descreveria a histórica partida (Fonte site Palestrinos):

“Às 14:15 exatamente o árbitro Sr. Sílvio Lagreca apita o início do jogo. O primeiro tempo se inicia com um ataque à vala do Palestra. Mas a audaz tentativa dos vermelhos é desfeita por Valle que devolve a pelota ao campo contrário. Ataques e contra-ataques se sucedem vivamente e bem conduzidos. O público ferme continuamente incitando os jogadores. Bianco desenvolve um jogo maravilhoso. Após tirar habilmente a bola de Cardoso, tenta uma descida para o gol de Curbert, mas a poucos metros erra, mandando muito alto. Não foi apenas este o perigo passado pelo Savoia no primeiro tempo. Por várias vezes a sorte o protegeu no exato momento em que o ponto parecia assegurado. Termina o primeiro tempo sem que houvesse abertura de contagem.


Na fase final os elementos do Savoia redobram de energia. Desenvolvem um jogo veloz, sem trégua, disciplinado. Mas logo se mostram exaustos pela ação defensiva dos “tricolores” que atuam de modo surpreendente. De um momentâneo cansaço dos vermelhos se aproveitam os avantes adversários, que se põem a alvejar o arco de Culbert. Um gol ia sendo marcado, mas a defesa adversária prefere salvar como pode... cometendo pena máxima. Bianco atira a bola como um bólido para as redes. É o primeiro ponto da partida. Os aplausos e a conquista do ponto animam os onze de Gambini que se esforçam por manter e aumentar a vantagem obtida Um minuto depois é marcado um segundo gol. Ferreira, na área penal, comete uma falta, e o árbitro, atento é imparcial, pune inexoravelmente. Já os palestrinos não se preocupam com a ofensiva, mantendo-se em calma e prudente defesa. Observamos aqui que foi a primeira vez que o S. C. Savoia caiu vencido sem assinalar um ponto”.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Italianità-Especial: De Palestra Italia a Palmeiras(3)

Vários textos disponíveis na internet narram a cronologia e as glórias dessa trajetória responsável por importantes páginas há história do futebol brasileiro. Um deles é Iimigracao e futebol: O caso Palestra Italia.pdf de autoria de José Renato de Campos Araújo, (doutor em Ciências Sociais pelo IFCH/UNICAMP, pesquisador do IDESP (Instituto de Estudos Econômicos, Sociais e Políticos de São Paulo), pesquisador e membro do CEMI (Centro de Estudos de Migrações Internacionais). Abaixo, trechos desse trabalho.

"Após a publicação de uma carta, em 14 de agosto, seguida de uma convocação no dia 19, no Fanfulla (jornal de maior circulação em São Paulo na década de 1920, em língua italiana, dirigido aos imigrantes italianos), o Palestra Itália foi fundado em 26 de agosto de 1914. Todos os integrantes da comunidade italiana da cidade de São Paulo interessados na fundação de um quadro ítalo de futebol foram convocados a participarem de um evento a fim de decidirem pela fundação, definirem seu nome e marcarem a data da sua oficialização".

"Em 26 de agosto, o Palestra Itália é fundado na presença de 46 pessoas, reunidas com o objetivo de estruturar um time de futebol representativo da comunidade italiana fixada na cidade" "Estas pessoas têm por objetivo a reunião de simpatizantes e jogadores de origem italiana, espalhados nos inúmeros clubes e times de futebol de São Paulo".

"Luigi Cervo, Vicenzo Ragognetti, Luigi Emanuele Marzo e Ezequiel Simone, formuladores e difusores da idéia, avaliavam ser possível a formação de um time de futebol constituído por imigrantes italianos, representativo de todo o grupo da cidade de São Paulo".

"Isto se faria aproveitando o estado de espírito do grupo após uma excursão vitoriosa de dois clubes italianos de futebol pelos gramados paulistanos, o Pro-Vercelli e o Torino, nos anos de 1913 e 1914. A preocupação dos fundadores do Palestra Itália era perfeitamente justificável; o esporte bretão permitia a estruturação de um time em bases étnicas2, ainda mais se levarmos em conta a maioritariedade de imigrantes3 em São Paulo, aliada à popularização do futebol nos centros urbanos do país nesse período (MAZZONI, 1950)".

"Com isso, pretendiam criar uma associação desportiva que enfrentaria os tradicionais “teams” paulistanos” “O objetivo dos fundadores do Palestra Itália era a participação no campeonato oficial e de maior prestígio dentro da meio futebolístico paulistano e, portanto, o convívio e o confronto direto com times representativos da elite paulistana. Para isto, o pedido de filiação nos quadros da APSA ocorreu logo no primeiro semestre de funcionamento da entidade".

"No início de 1915, em 6 de janeiro, é noticiado a filiação e o pedido de inscrição para o campeonato daquele ano. O pedido de filiação foi aceito com ressalvas pela APSA, junto com a intenção de participação no campeonato da cidade. O Palestra Itália só se tornou membro efetivo da entidade um ano mais tarde, em 1916, quando disputou pela primeira vez o campeonato".

"Um bom indício dessas ressalvas aparece num artigo publicado em 27/2/16 no OESP (jornal O Estado de S.Paulo), criticando a maneira como o Palestra Itália foi aceito no campeonato. Texto publicado uma semana após a aceitação e a filiação da associação no quadro efetivo da APSA, que excluía o Wenderers - por não ter condições financeiras e estruturais para a disputa do campeonato - e optava pelo Palestra Itália para substituilo, levantando dúvidas se seria o clube mais indicado".

"Esta recusa à filiação e participação imediata no campeonato levanta uma hipótese: o Palestra Itália não seria um participante natural de uma associação que organizava um esporte praticado pelos filhos da elite paulistana; por ser formado por imigrantes e seus descendentes, era encarado com ressalvas por dirigentes e clubes filiados”

“Não nos esqueçamos que neste período os nomes encontrados nas equipes do futebol “oficial” estavam ligados à elite paulistana ou eram de origem inglesa e alemã (ARAÚJO, 1996), portanto, um time composto de italianos e seus descendentes não freqüentaria os jogos do Velódromo; com certeza, encontraríamos dezenas comeste perfil espalhados pela Paulicéia, mas disputavam partidas nos finais de semana nos bairros da cidade, no já citado futebol varzeano. Assim, o Palestra Itália não representava somente uma invasão de imigrantes italianos, na sua maioria originários das classes menos abastadas, mas, também, uma invasão nas arquibancadas de ‘torcedores italianos’, estes se deslocariam de bairros periféricos e operários, como a Moóca, o Brás, a Barra Funda e o Bexiga para acompanharem os feitos de ‘italianos’ como eles contra a elite local”.

Arquitetura – Villa Matarazzo, memória desaparecida e ainda polêmica (2)

Para o pesquisador Marcos Tognon  não há dúvidas: quem projetou a Villa Matrazzoo, célebre casarão que por décadas reinou na Avenida Paulista, em São Paulo, foi mesmo Marcello Piacentini, arquiteto preferido do ditador italiano Benito Mussolini que governou a Itália de 1922 até o período final da Segunda Guerra Mundial. A polêmica autoria da obra rendeu dissertação de mestrado na Unicamp, apresentada por Tognon em 1993. A seguir, alguns trechos desse  trabalho( Uma obra brasileira do circolo de Marcello Piacentini: Villa Matarazzo)

 

  

 


domingo, 21 de fevereiro de 2010

Arquitetura – Villa Matarazzo, memória desaparecida e ainda polêmica (1)

O processo de tombamento da Mansão Matarazzo, na Avenida Paulista, ganhou as páginas dos jornais na década de 90  raças à disputa entre a família Matarazzo, contrária ao tombamento, e a prefeitura de São Paulo (gestão Luiza Erundina - 1989-1992).

O Conde Francisco Matarazzo era conhecido e respeitado como o homem mais rico do país, e ergueu o maior complexo industrial da América Latina na época, as Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo (IRFM).
O Conde Francisco Matarazzo Júnior, seu 12° filho; herdou as fábricas e a mansão que o pai havia mandado construir num dos endereços mais elegantes da cidade, a Avenida Paulista. Viajado e culto, adquiriu a maior parte das obras de arte que a mansão abrigava, e delegou em testamento o controle das ações e a posse da casa a sua filha caçula, Maria Pia Matarazzo, personagem das disputas envolvendo o imóvel. A construção teve início em 1896 e foi concluída em 1941. Ao longo dos anos, o projeto inicial do arquiteto Julio Saltini sofreu reformas e ampliações com supervisão de outros arquitetos, entre eles o Escritório Técnico Ramos de Azevedo, Severo e Villares.

Chegou-se a afirmar que Marcello Piacentini, o arquiteto favorito de Mussolini, teria participado das reformas da mansão (fato que ainda gera controvérsias) Os Matarazzo não desejavam o tombamento da mansão, o que pode parecer estranho, pois representaria uma distinção, qualificando o objeto tombado como único. Ao contrário, estavam interessados na venda do terreno, com o metro quadrado mais caro da cidade.

Na época houve uma tentativa de implodir a mansão durante a noite, mesmo sem a autorização da prefeitura; sua sólida estrutura, porém, suportou o ataque, sofrendo dano apenas no subsolo. Após esse episódio, a polícia foi acionada para averiguar os estragos. Havia uma disputa aberta pelo destino do imóvel. O processo de tombamento foi demorado. A prefeitura saiu na frente, e em 16.03.1990 o CONPRESP (Conselho municipal de preservação do patrimônio histórico cultural e ambiental da cidade de São Paulo) tombou o imóvel por unanimidade de votos.

Tratava-se de um bem de interesse cultural e ambiental, com valor simbólico e de referência urbana. Os advogados da prefeitura alegavam, ainda, tratar-se de "documento arquitetônico que permite recuperar a atmosfera mental em que viviam nossas classes privilegiadas em determinado momento histórico" (...) "faceta disciplinadora para nossas elites que agem tão brutal e ilegalmente quando saem em defesa de seus interesses pecuniários". Tombada a mansão, aventou-se a possibilidade de se instalar no local o "Museu do Trabalhador", ou a "Casa de Cultura do Trabalhador".

O debate, porém, continuou, e os argumentos utilizados pela prefeitura eram discutidos na mídia. Para muitos especialistas, a mansão não tinha valor arquitetônico. Projetada por vários arquitetos, tornara-se híbrida, sem estilo próprio. Não acompanhara as mudanças do tempo, convertendo-se num corpo estranho na Avenida, já caracterizada por arranha-céus.

Outros imóveis seriam mais representativos da vida e obra da família como a atual sede da prefeitura, o Edifício Matarazzo na Praça do Patriarca, este sim projetado por Piacentini. Os jardins da mansão, fruto de projeto paisagístico, não eram remanescentes da mata original da região, caaguaçu. Pietro Maria Bardi, então diretor da MASP (Museu de Arte de São Paulo), criticou o projeto do Museu do Trabalhador, reivindicando investimentos nos museus já existentes. Na gestão Paulo Maluf (1993-1996), uma medida judicial suspendeu os efeitos do tombamento, e a mansão foi derrubada, conservando-se apenas a portaria. O espaço que abrigava a mansão, tombada pelo poder público e depois derrubada, é hoje um, sem arquitetura e sem função social.(Fonte: Prefeitura de São Paulo)

Italiani - Sangue toscano nas veias do Modernismo brasileiro: as telas de Alfredo Volpi

Na segunda geração do Modernismo brasileiro, Alfredo Volpi, italiano natural de Lucca ( 1896) foi, sem dúvida, um dos grandes nomes.

O site doMuseu de Artte Conteporânea, USP), assim descreve Volpi,  falecido em São Paulo em 1988.

"De origem italiana humilde, Alfredo Volpi chega ao Brasil com dois anos de idade e na adolescência começa a trabalhar como pintor-decorador de paredes. Desde então, manifesta uma pintura dotada de um procedimento artesanal cuidadoso, que irá se manter ao longo de toda sua trajetória artística.

Autodidata e à margem da movimentação modernista decorrente da Semana de 1922, Volpi elabora sua pintura a partir da observação atenta de cenas de gênero (família, trabalho, cotidiano simples dos arredores de São Paulo) e de paisagens, resultando em uma poética intuitiva e de linguagem simplificada, decorrente de seu autodidatismo.

É a partir de sua proximidade com os artistas do Palacete Santa Helena1, e da formação da Família Artística Paulista em 1937, que Volpi entra em contato com a arte moderna italiana influenciada pelas pesquisas de Paul Cézanne e pela metafísica, e com a obra de Ernesto De Fiori que irão influenciá-lo. Passa a compreender que a qualidade da pintura está, como afirmava, em 'resolver o quadro'.

Sua primeira exposição individual, em 1944, evidencia o percurso traçado pelo pintor em busca do domínio das cores para atingir a harmonia entre as formas que compõem suas imagens e o modo inteligente como soube traduzir as influências recebidas. 'O plasticismo italiano concorre com a cor matissiana para criar um novo universo estilístico, que será um ponto de chegada para a pesquisa de Volpi. É significativo, porém, que a cristalização desse universo se dê num campo delimitado pela pintura popular' afirma o teórico Lorenzo Mammì em sua análise da obra do artista.

A crítica daquele momento o compreende como um artista promissor. Como um artesão imerso em seu ofício, Volpi produz suas próprias têmperas e faz surgir, na superfície das telas, casarios e fachadas marcados pelo gesto cuidadoso das pinceladas que preenchem as formas sensivelmente geometrizadas. Gradativamente sua pintura deixa de sugerir a ilusão de profundidade e toda a composição passa a se realizar num primeiro plano.

Em 1950, tem a oportunidade de ver na Itália mestres pré-renascentistas como Giotto e Margarito d'Arezzo. Nas imagens frontais realizadas a têmpera e nos antigos painéis italianos, Volpi confirma as possibilidades poéticas que com maestria saberá interpretar nas séries de imagens sacras das décadas de 1950 e 1960.

O reconhecimento de sua obra inicia-se com o Prêmio de Pintura Nacional que divide com DI CAVALCANTI na II Bienal do MAM de São Paulo, em 1954, por influência do crítico inglês Herbert Read. A agitação cultural provocada pelas bienais, com a decorrente assimilação das vanguardas européias, como a abstração geométrica e a arte concreta, iriam transformar o gosto do público e a arte brasileira.

Esta transformação também se percebe na produção de Volpi. ' […] Mar e céu desaparecem em simples faixas coloridas, telhados viram simples triângulos, ladeiras e ruas são lisas formas retangulares em diagonal, portas e janelas se reduzem a retângulos e quadrados […]', verifica Mário Pedrosa no final dos anos 1950.4

A síntese de elementos alcançada por Volpi em suas composições a partir de formas como casarios, fachadas, bandeirinhas, mastros e barcos à vela, proporcionam à arte moderna brasileira uma dimensão de estilo inconfundível".

Italianità-Especial: De Palestra Italia a Palmeiras(2)

O site Palestrinos  ao contar a história dos primeros tempos do Palestra Italia, hoje Palmeiras, transcreve a ata de fundação do clube que resume os acontecimentos da histórica noite de 26 de agosto de 1914. 

“Presentes 37 sócios; conforme lista subscrita, o Sr. Ezequiel Simone foi, por unanimidade dos presentes, nomeado presidente provisório para, dirigir os trabalhos da presente assembléia. O Sr. Simone agradece e tomando posse do cargo; abre a seção às 9 horas, lendo a seguinte Ordem do Dia, para discutir: 1.° ‑ Leitura, da ata da seção preparatória. 2.° ‑ Discussão e aprovação do estatuto e de diversos regulamentos internos. 3.° ‑ Eleição do conselho deliberativo. 4.° ‑ Várias".

"Aprovada por unanimidade, fala em primeiro lugar o Sr. Armando Rebucci, que indaga de que modo e com quais meios se deve constituir a biblioteca para a instrução intelectual. O Sr. presidente explica que a biblioteca será oportunamente organizada, com a colaboração de sócios que desejem oferecer livros a sociedade, com fundos sociais ou com subscrição".

"Lido o capitulo 2.°, o presidente cede o posto ao secretario e propõe a anulação do artigo que fala dos sócios perpétuos, alegando que tal qualidade de sócios e mais para as sociedades, de mutuo socorro, do que para a nossa. O Sr. Ragognetti, entretanto, opta pela admissão dos sócios perpétuos, sendo do mesmo parecer o Sr. Rebucci. O Sr. Simoni insiste em sua proposta. O Sr. Luigi Medici associa-se à proposta Ragognetti, tendo o presidente posto em discussão as duas propostas; resultando aprovada por maioria a proposta Ragognetti. O Sr. Oberdan Zamboni, pede explicações sobre o parágrafo "F" do art. 4, relativo aos sócios correspondentes, sendo feita nova leitura, com a qual Zamboni se confessa satisfeito, sendo depois disto aprovada a proposta".

"É lida a proposta 3a. Revisto § 6° do art. 7° ‑ Deveres dos sócios ‑ O Sr. Ragognetti propõe que a quota mensal para os sócios, efetivos seja de 5$000, quando no estatuto mencionava 3$000. O Sr. Rebucci associa-se ao Sr. Ragognetti, enquanto que alguns presentes optam pelos 3$000. Então o presidente põe em discussão o parecer, tendo a maioria aprovado a quota de 3$000. Discutiu-se depois a taxa de admissão de que trata o capitulo 6. Cervo propõe 5$000 como taxa de admissão, o que foi aprovado por 21 votos. Lidos os capítulos. 4, 5, 6, 7 e 8, foram todos aprovados por unanimidade".

"Finalmente, o presidente submete ainda uma vez à aprovação o estatuto, com as modificações feitas, sendo o mesmo aprovado por unanimidade. O Sr. Rebucci pede a palavra e propõe um voto de aplauso aos que compilaram o estatuto. O presidente não concede a discussão por tratar-se de assunto concernente as várias, e, de acordo com os presentes, pede a aprovação do regulamento a juízo do futuro conselho. Procede-se então à eleição do conselho deliberativo, por escrutínio secreto. Votaram 34 presentes. É eleita a seguinte diretoria : Presidente, Ezequiel Simone (28 v.); vice-presidente, Luigi E. Marzo (unan.); secretário, Luigi Cervo. (unan.); vice-secretário, Antonio Aulicino (unan); revisores de contas, Guido Giannetti, Oreste Giangrande, Armando Rebucci; (todos por unanimidade) ; tesoureiro, Francisco de Vivo (33 v.); 1º mestre-sala, Alvaro F. Silva; 2º mestre-sala, Francisco Morelli; inspetor de sala, Francesco Cilento e Adolfo Izzo; diretor esportivo, Vicenzo Ragognetti (32 v.). O Sr. presidente e depois o Sr. Luigi Cervo, agradecem aos presentes a confiança neles depositada, prometendo fazer o possível, mesmo com sacrifícios, para que o Palestra Itália ocupasse o primeiro lugar entre sociedades congeneres, como digna do nome que leva e que invoca a pátria distante. Em vista do adiantado da hora, e nada havendo de importante a tratar, o presidente dá a seção por encerrada, às 24 horas e 55 minutos. Aprovada por unanimidade de votos. São Paulo, 7 de outubro de 1914. O presidente (assina) - Ezequiel Simoni. O secretário (assina) - Luigi Cervo".

Assim, oficialmente, na noite de 26 de agosto de 1914, foi proclamada a fundação do "Palestra Itália"

Italianità-Especial: De Palestra Italia a Palmeiras(1)



Não é só no plano econômico e cultural que as raízes italianas deixaram profundas marcas em solo brasileiro. Também no esporte os imigrantes que cruzaram o Atlântico plantaram sementes que germinaram dando origem a grandes clubes poliesportivos e, sobretudo, a grandes times de futebol.
E como futebol faz parte da lama do brasileiro, este Blog abre espaço especial para contar a história de clubes como Palmeiras e Juventus (ambos nascidos na cidade de São Paulo) e Cruzeiro (Belo Horizonte).

Uma dessas sementes foi semeada no distante ano de 1914 e recebeu como nome de batismo Palestra Itália, mais tarde Sociedade Esportiva Palmeiras. O primeiro registro da história do Palestra Itália aparece no jornal da comunidade italiana editado em São Paulo "Il Fanfulla". 

"Pela formação de um quadro Italiano de Futebol em São Paulo. São Paulo, 14 de agosto de 1914. Egrégio Sr. diretor do "Fanfulla": Uma palavra apenas e para esta um cantinho no vosso jornal. Eis do que se trata: alguns conhecidos futebolistas italianos, mas associados à clubes brasileiros, encarregaram-me de escrever-vos acerca de um projeto pôr eles ideado, entre dois goles de café, fazendo-me então compreender que tal projeto o vosso jornal deverá se tornar o propugnador e o propagandista. Nós temos em São Paulo - afirmam os referidos esportistas - o clube de futebol dos alemães, dos ingleses, dos portugueses, dos internacionais e mesmo dos católicos e dos protestantes, mas, um clube que seja exclusivamente de "sportmen" italianos, e sendo nossa colônia a maior do Estado, nada se tentou ainda realizar! Futebolistas italianos que jogam bem encontram-se em São Paulo, porque, de comum acordo, não reunimos os referidos senhores, e assim como temos associações de remo, filodramáticas, mundanas, patrióticas, etc., etc., de estrutura italiana, poderemos também ter um clube de futebol exclusivamente de italianos". Ai fica a proposta dos futebolistas italianos; com vossa senhoria, diretor, o comentário. Vicente Ragognetti". 

 Cinco dias depois da publicação da referida carta, na mesma rubrica do mesmo jornal, em data de 19 de agosto, apareceu o seguinte comunicado:

" Foi organizada uma diretoria provisória, para a formação de uma sociedade que será denominada Palestra Itália. A sociedade compreendera também a seção filodramática e dançante, uma seção esportiva objetivando a organização de um time puramente italiano para o jogo do "football". Os aderentes, que. até ao momento se compõem de estudantes e empregados no comércio, reunir-se-ão hoje às 20 horas no Salão Alhambra, à rua Marechal Deodoro nº 2 (atual Rua Riachuelo), com o fim de eleger a diretoria provisória e para a completa formação da sociedade".

Na noite de 19 de agosto de 1914; no salão Alhambra compareceram 37 pessoas de origem italiana ou de descendência italiana. Foi convidado para presidente da reunião, o Sr. Ezequiel, servindo de secretario, o Sr. Luigi Cervo, que na qualidade de antigo esportista, educado no S. C: Internacional, podia ser considerado como o mais indicado organizador da sociedade futebolística italiana, então em vias de completa formação. Nessa reunião; foram lançadas as bases para a fundação do Palestra Itália e os Srs. Luigi Cervo e Luigi Emanuele Marzo, foram incumbidos de compilar o projeto dos estatutos que deveriam reger a sociedade. A primeira assembléia geral foi realizada em 26 de agosto, noite em que deveria ser oficialmente proclamada a fundação da sociedade.(Fonte: site Palestrinos )


Oriundi: Rubens Ometto, rei do acúçar e do álcool no século XXI (2)

A Revista Exame, ao traçar o perfil de Pedro Ometto, conta que "em 1978, ele cedeu às pressões familiares e passou a dirigir a Celisa, a holding das usinas da mãe. Uma de suas primeiras tarefas foi negociar dois acordos societários para consolidar a divisão entre as empresas de dona Isaltina e as do tio Orlando".

"Em 1986, adquiriu, para si próprio, o controle acionário do grupo Bom Jesus, com as usinas Santa Helena, Ipaussu e São Francisco. Mas nenhuma disputa acionária deu mais trabalho do que o conflito interno com a mãe e os irmãos Celso, Mara e Celisa, iniciado em 1990.  A briga só chegou ao fim em 1996, com a fusão entre os grupos Bom Jesus e Celisa, o que resultou na holding Nova Celisa. Rubens negociou acordos individuais com 23 acionistas e assumiu a gestão do grupo, ficando com 50% das ações. A mãe e os irmãos receberam os outros 50%.”

“Em 1997, 1998 e 1999 o setor penou com austeridade, downsizing, prejuízos e quebradeira. A Nova Celisa reestruturou seis usinas. Trocou todos os diretores. A Usina Santa Bárbara foi fechada e sua maquinaria transferida para Ipaussu. O grupo reduziu todos os custos e equacionou o grosso da dívida. Ao mesmo tempo, quando o governo privatizou os portos, em 1997, aproveitou para arrendar uma seção do Terminal Portuário de Santos por 25 anos. Em 1999, a empresa vendeu 10% do capital à distribuidora inglesa de açúcar e derivados Tate & Lyle. O passo decisivo da reestruturação foi juntar todos os ativos do grupo e consolidá-los numa nova holding, a Cosan, no começo de 2000”. Cosan possui 23 unidades produtoras, sendo 21 em São Paulo e duas em construção, uma na cidade de Jataí (GO) e outra em Caarapó (MS), quatro refinarias e dois terminais portuários.

Por meio da Cosan Combustíveis e Lubrificantes, detentora de licença de uso das marcas Esso e Mobil, a Companhia tornou-se a única empresa totalmente integrada do setor. Desde 2005 a Cosan tem suas ações negociadas no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). EM 2007, teve suas ações listadas na Bolsa de Nova York, tornando-se a primeira empresa de controle brasileiro com ativos negociados diretamente na NYSE.

Produtora de açúcar cristal (VHP), açúcar refinado granulado, açúcar orgânico, amorfo, líquido sacarose e líquido invertido, etanol e energia elétrica (produzida a partir do bagaço de cana), a Cosan é a terceira maior produtora de açúcar do mundo, quinta maior produtora de etanol e uma das maiores exportadoras mundiais de etanol. Na safra de 2008/2009 registrou o recorde de processamento de cana-de-açúcar, obtendo uma moagem de 44,2 milhões de toneladas. Com a absorção dos ativos da Novamerica, sua capacidade de moagem atinge hoje cerca de 60 milhões de toneladas.

Oriundi: Rubens Ometto, rei do acúçar e do álcool no século XXI (1)

O legado de Pedro Ometto, filho do imigrante italiano Antonio Ometto, rende frutos ainda hoje. Rubens Ometto Silveira Mello, 59 anos, neto de Pedro, é o senhor do álcool e açúcar no Brasil. O perfil do empresário foi assim descrito pela revista Istoé Dinheiro:

“A trajetória de sucesso de Ometto começou aos 17 anos. Quando a maioria de seus 20 primos almejava trabalhar nos canaviais da família plantados há gerações na interiorana Piracicaba, Ometto debandou para São Paulo com a ideia fixa de cursar engenharia. Passou no vestibular da Escola Politécnica, a Poli, e, apressado, não descansou enquanto amigos não o indicassem para uma vaga em alguma instituição financeira de grande porte. Calhou de um deles conhecer um executivo do Unibanco, para onde Ometto foi dar expediente como estagiário. Aos 21 anos, idade em que seus colegas se limitavam às apostilas da faculdade, foi nomeado assessor da diretoria do banco. Aos 23, teve um golpe de sorte. Numa festa em família, sentou à mesma mesa de José Ermírio de Moraes Filho (morto em 2001) , do Grupo Votorantim, e a identificação foi imediata. Ambos eram obsessivos pelo trabalho, francos de uma maneira incomum e sequiosos por sucesso. Ermírio convidou Ometto para trabalhar na Votorantim. Aos 24 anos, o jovem engenheiro já era diretor financeiro da empresa de Ermírio, o que muitos acreditam ser, pela precocidade, um recorde no universo empresarial brasileiro. Ometto ficou lá até os 30 anos e depois retornou ao ramo de origem da família - as usinas de cana”.

A Revista Exame acrescentaria que “em 1996, Rubens, formado em engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, da quarta geração dos Ometto, italianos que vieram para o Brasil em 1887, assumiu o comando das empresas da mãe, Isaltina Ometto Silveira Mello, com quem travara uma longa disputa judicial. Além de envolver-se em três guerras societárias familiares, Rubens renegociou dívidas, fechou empresas, comprou usinas, bateu recordes de produtividade e conquistou sócios estrangeiros para os negócios".

"(...) As disputas entre parentes são tão freqüentes entre usineiros que viraram uma característica do setor. Entre os descendentes dos irmãos Antonio e Girolamo Ometto, que em 1906 compraram seus primeiros 6 alqueires de terra na fazenda Água Santa, em Piracicaba, não foi diferente. Em um século, os Ometto se multiplicaram e adquiriram fazendas e usinas de acúçar por todo o estado. Em 1986, constituíam cinco grupos autônomos, pródigos em disputas familiares: o grupo Pedro Ometto (Usina da Barra e Costa Pinto), o grupo Hermínio Ometto (Usina São João), o grupo Narciso Ometto (Usina Santa Lúcia), o grupo Iracema (Usina São Martinho) e o grupo Ometto-Pavan (Usina Santa Cruz). Não raro, os donos dessas usinas também possuíam ações das empresas dos parentes, o que tornava o jogo de interesses e participações cruzadas uma teia impossível de desatar. Quando Pedro Ometto, avô de Rubens, morreu, em 1970, suas usinas foram divididas entre seus dois filhos. Isaltina, a mãe de Rubens, ficou com a Costa Pinto e a Santa Bárbara, e seu irmão, Orlando, com a Usina da Barra”.

Oriundi: Orlando Chesini Ometto e as origens do colosso Usina da Barra

O pioneirismos da família Ometto na usinagem de cana-de-açúcar tem fortes raízes em Barra Bonita, interior de São Paulo. Foi nesta cidade que Orlando Chesini Ometto, filho de Pedro Ometto e neto do imigrante Antonio Ometto, recebeu de seu pai a incumbência de cuidar de um novo empreendimento familiar: a Usina da Barra, que hoje, ao lado da Usina Costa Pinto e outras negócios, fazem dos Ometto reis do açúcar e álccol no Brasil.

O portal Estância Barra Bonita conta como surgiu a Usina da Barra. "No ano de 1943, uma transação de terras acontece no município. Igual a outras, o tempo viria provar, porém que a ela se credita a modificação da estrutura da cidade, com ressonâncias estadual, nacional e internacional. A Usina Costa Pinto adquire, do Senhor Octaviano Almeida Prado, a Fazenda Pau D'Alho, com trezentos e quarenta e um alqueires por Cr$ 700.000,00. Eram terras de cultura; um cafezal, casa de morada, casas de colonos, animais, maquinário, veículos, móveis, instrumentos agrários, duas usinas: uma elétrica, montada com 30hp e outra hidráulica, com força de 20hp e demais acessórios. A Fazenda Pau D'Alho estava se despedindo do café. Breve o farfalhar dos canaviais a projetaria como principal pólo industrial da região".

"Nesse mesmo ano, adquire do Senhor Fernando Netto, a Fazenda Aliança, com cento e vinte e quatro alqueires, por Cr$ 300.000,00. A compradora, Usina Costa Pinto, pertencia a um conglomerado de indústrias ligadas ao setor sucro-alcooleiro, de propriedade do Grupo Ometto. Para comandar a nova frente de trabalho, Pedro Ometto designa seu filho Orlando, então com 22 anos e há dois trabalhando na Usina Iracema".

"Apesar da pouca idade, Orlando Chesini Ometto se revela administrador competente. Fibra, tenacidade e amor ao trabalho dão mostras de sua capacidade: em dois anos a Usina é posta em funcionamento, moendo o suficiente para produzir 49.380 sacas de açúcar e 107.269 litros de álcool, isso em 1946. Já era ele, Orlando, arrendatário de quatrocentos e sessenta e cinco alqueires da Usina Costa Pinto, conforme escritura lavrada no dia 26 de janeiro de 1945. A histórica primeira safra acontecia quando Barra Bonita estava sob administração do Prefeito Clóvis Pompeu. E em 1949, é constituída a Usina da Barra S/A Açúcar e Álcool, que viria a ser a maior produtora do mundo".

"A Usina da Barra transformou-se em Sociedade Anônima com o capital de vinte milhões de cruzeiros (valores da época), reformulando sua organização administrativa, com a criação de novos departamentos e além de ampliar seu quadro de fornecedores, adquiriu novas propriedades, proporcionando a aceleração de seu desenvolvimento industrial, econômico e financeiro". Integrando-se à comunidade barra-bonitense desde sua chegada em 1944, o jovem Orlando Chesini Ometto foi eleito por duas vezes, Vereador à nossa Câmara Municipal: no período de 1º de janeiro de 1948 a 31 de dezembro de 1951, na primeira gestão do Senhor Hermínio de Lima e de 1º de janeiro de 1952 a 31 de dezembro de 1955 na administração do Dr. Orlando Lopes. Na luta pela Comarca, foi Presidente de Honra da Comissão Central. A benemerência e o espírito público faziam parte de sua personalidade. Os clubes sociais e esportivos; as entidades assistenciais, beneficentes, religiosas e de classes; o esporte, a educação, o desenvolvimento industrial e os projetos habitacionais populares, sempre mereceram de Orlando Chesini Ometto o apoio e a participação direta ou indireta, através de doações imobiliárias, materiais e prestação de serviços, inscrevendo seu nome entre os grandes benfeitores de nossa comunidade.

"O reconhecimento público das nossas autoridades religiosas por tantas iniciativas beneméritas veio através da Comenda de 'Cavaleiro Comendador da Ordem de São Silvestre Papa', concedida pelo Papa João XXIII e entregue ao homenageado no dia 31 de maio de 1959 em cerimônia pública realizada defronte à Praça São José, precedida de grande manifestação popular, representada por um desfile de todas as forças vivas da comunidade"

"Rodeado pelo carinho da família, saudado pelas autoridades e aplaudido pela multidão, recebeu, emocionado, das mãos do Padre Lauro Gurgel do Amaral a comenda que fez jus. A Administração Municipal também prestou seu reconhecimento público ao Comendador Orlando Chesini Ometto, concedendo-lhe em 18 de fevereiro de 1963, através da Lei nº 364 o título de 'Cidadão Benemérito'. Nada mais justo que oficializar um cidadania que já existia de fato há quase vinte anos".

História (81) - "Far l´America ( 49)": A união dos 'paesanos' em Barra Bonita, interior de São Paulo, no ínico do século XX

 Para os italianos e italianos que se fixaram em Barra Bonita a partir do final do século XIX um ditado era seguido à risca: a união faz a força. É isso que relata o portal  Estância Barra Bonita ao contar a história da cidade.

"Superadas as dificuldades de adaptação, a colônia italiana foi se integrando à nova terra, não esquecendo, porém, a distante Itália. Dessa forma, para amenizar a saudade, receber notícias, trocar experiências, conhecer as dificuldades dos 'paesanos' e manterem vivos os usos, costumes, tradições e cultura da terra-mãe, os italianos aqui residentes decidiram fundar uma sociedade, onde pudessem se reunir para tratar de assuntos de interesse geral, incluindo nas finalidades estatuárias (Artigo 3º e 6º letra "f") o mútuo socorro material, intelectual e moral, a consolidação dos vínculos de nacionalidade entre os italianos residentes nesta República, e efetuar, desde que houvesse disponibilidade, pequenos empréstimos de valores aos sócios necessitados, com aval de associado reconhecidamente idôneo e proprietário de imóvel. A Assembléia Geral de fundação e aprovação dos estatutos da 'Societá Italiana Di Mutuo Socorso e Beneficenza di Barra Bonita' - realizou-se no dia 16 de outubro de 1907, conforme exemplar do mesmo, em impresso datado de 1910, indicando apenas dois diretores: Antenore Balsi, presidente e Bruno Romano, Secretário"

. Segundo consta, (e de acordo com os depoimentos dos descendentes dos Sócios fundadores) a 'Sociedade Italiana' de fato, foi fundada em 1907, mas só foi legalizada e passou a funcionar efetivamente em 5 de setembro de 1909, quando os sócios fundadores elegeram por unanimidade de votos, o Conselho Diretivo e também, por unanimidade, escolheram 20 de setembro - Data Nacional da Itália - como dia de fundação da sociedade (Ata de 5 setembro de 1909 do Livro de Deliberazione Assembléia Generale da Societá Italiana, fls. 1 e 3)"

"O Conselho Diretivo ficou assim constituído: Presidente: Antenore Balsi; Vice presidente: Tomazo Pugliese; Secretário: Bruno Romano, Vice Secretário: Tomazo D'Ambrósio; Tesoureiro: Antônio Reginato; Conselheiros: Tomazo Guzzo, Carlo Meneghesso, Aurélio Saffi, Vittorio Cinquetti, Ferrucio Bolla, Rocco Di Muzio, Francisco Mascaro, Giustino Basilico, Giustiniano Ferrazoli, Eugenio Nanni e Francisco De Luca; Porta Bandeira: Valentino Reginato e Ângelo Borsetto; Exator (Cobrador); Amedeo Ruotti.
Presentes também os sócios fundadores: Vitto Melle, Dr. Luciano Maggiori, Pietro Zanella, Carlo Vechiatti, Antônio Sacco, Giácomo Cestari, Francisco Polizzi, Emilio Bressan, Ângelo Cestari, Alfonso Bellei, Batista Torcia, Giovanni Cicco, Arturo Balsi, Giuseppe Rizzi, Antônio Bruno e Luiz Reginato".

"Para se ter uma idéia do entusiasmo dos 'paesanos' com a sua sociedade, em 8 de novembro de 1909, o sócio fundador e Conselheiro Ferrucio Bolla, doava uma área de 300m2 para a construção da sede social, à rua 1º de março (hoje Atacadão Badu). Em reconhecimento a essa valiosa doação, a 'Sociedade Italiana', como era chamada, concedeu-lhe o título de Sócio Benemérito em 28 de novembro de 1909, oportunidade em que homenageou também Juvenal Pompeu com o título de Sócio Honorário, por ter lavrado a escritura do imóvel gratuitamente e por seus méritos pessoais, como consta da Ata do Conselho. Na mesma data, Ferrucio Bolla foi eleito para chefiar a comissão encarregada de promover festas beneficentes, subscrições, rifas, etc.. com o fim de angariar fundos destinados à construção do prédio próprio".

"Sobre a inauguração do prédio, não há nenhum registro em Ata, nem placa comemorativa. Apenas um recorte de jornal, possivelmente do "Estado de São Paulo", que publicava em 9 de setembro de 1911 a notícia do seu correspondente local, Juvenal Pompeu, informando que, 'a Societá Italiana de Mutuo Socorso e Beneficenza trabalha activamente para inaugurar festivamente o seu bello edificio próprio no dia 20 de setembro próximo' ".

"A determinação e a coragem daqueles imigrantes, constituíram-se em alicerces sólidos do belo prédio, construído em menos de dois anos, que resistiu à passagem do tempo, permanecendo majestoso, embora tenha sofrido modificações na sua fachada e interior. É bom lembrar que o edifício sede da "Sociedade Italiana", possuía no pavimento inferior um salão para festas, bailes e reuniões. Na parte térrea, um amplo auditório com 314 poltronas, dotado de camarote, palco, camarins, sanitário, além de um piano e equipamento para o 'cinematógrafo', assim chamados os pertences para a projeção de filmes. No carnaval, as poltronas eram retiradas, e lá se realizavam os bailes. Por aquele palco passaram muitos artistas profissionais e amadores. Recitais, festas cívicas e escolares, teatro e festivais beneficentes, enfim, todas as manifestações artísticas eram realizadas na "Sociedade Italiana"


A denominação 'Príncipe Umberto' só ocorreu a 8 de março de 1925 com a reforma dos estatutos e eleição dos novos conselheiros e diretores, assim distribuídos: Presidente, Antenore Balsi; Vice presidente, Vittorio Blasizza; Tesoureiro, Tommaso Guzzo; Secretário; Luigi Pichiello; Vice Secretário, Alberto Stangherlin; Conselheiros: Julio Turi, Dionísio Barduzzi, Padre Nicola Giúdice, Frederico Corradi, Tizziano Dalla Chiara, Ricardo Pigatto, Mario Lorenzoni, Augusto Bombonatto e Domênico Carlo Stocco; Suplentes: Tiziano Bressanim, Tommaso Casale, Emilio Bertagnoli, Nicola Saffi e Emilio Gottardo; Revisores das Contas: Ambrosio Colombo, Domênico Giovanni Guzzo e Romolo Manesco".


Há que se ressaltar a figura de Antenore Balsi que presidiu a 'Sociedade Italiana' por 28 anos, merecendo, quando de sua retirada, em 26 de maio de 1935, os maiores elogios da nova diretoria, presidida por Julio Turi, além do título de "Presidente Benemérito" concedido por unanimidade.
Para atender as exigências legais, a 'Sociedade Italiana' reformulou seus estatutos em 5 de outubro de 1938, sendo estes, e todas as atas a partir de então, redigidas em português, o que anteriormente era feito no idioma italiano".

"Entre 1938 e 1956, as atividades  limitaram-se, praticamente, a alterações e reformas estatuárias exigidas para registro, reorganização e funcionamento da mesma. Em 15 de janeiro de 1957, houve uma tentativa de transformá-la em 'Associação dos Amigos de Barra Bonita' entidade que não chegou a se constituir juridicamente".

"A 'Sociedade Italiana de Mútuo Socorro e Beneficência Príncipe Umberto' se findou, por deliberação da maioria de seus sócios e representantes, em 25 de outubro de 1961, destinando todos seus bens ao Hospital São José local, de acordo com os estatutos. Dos sócios fundadores apenas um remanescente: Giovanni Chicco (João Chico)".

História (80) - "Far l´America ( 48)": As primeiras famílias italianas em Barra Bonita, interior de São Paulo

Assim como diversas cidades paulistas, Barra Bonita também acolheu imigrantes italianos no final do século XIX e início do XX. O portal Estância Barra Bonita traça retratos desse período.


"Segundo dados do IBGE, até o ano de 1890 o Brasil havia recebido 360.224 imigrantes italianos, 313.025 portugueses, 45.834 espanhóis e 75.299 entre alemães e demais nacionalidades em menor número. Os desembarques, em sua maioria, eram nos Portos do Rio de Janeiro ou de Santos. Os que desciam em Santos eram encaminhados para São Paulo, e alojados na Hospedaria dos Imigrantes. Dali, após triagem e formalidades legais, o encaminhamento aos locais de trabalho, a maioria na zona rural".

Dos tantos que vieram para a Vila do Jahu, muitos chegaram à região agrícola do Porto da Barra Bonita, após cansativa viagem em sacolejantes carroções que faziam o trajeto entre trilhas e picadas. Outros viajavam de trem até a Estação do Banharão e de lá, em carroças ou a pé, chegaram aqui, a partir da década de 1880. Os italianos formavam a grande maioria mas, entre eles haviam muitos espanhóis, sírios, alemães, austríacos e portugueses. Cada família foi tomando seu rumo, formando novos núcleos espalhados pelas inúmeras propriedades agrícolas que compunham o nosso território de então. Dedicados ao trabalho e à terra que os acolheu, escreveram, de modo indelével seus nomes na história da cidade que ajudaram a formar e progredir".

"Nas pesquisas e buscas realizadas no Departamento de Imigração em São Paulo, nos arquivos do Estado, no Museu Municipal de Jahu, nos livros e relações de eleitores (os estrangeiros também votavam) do "Districto de Barra Bonita - Comarca de Jahu" - a partir de 1897 e anos seguintes, nos livros de atas da 'Societá Italiana', nos cartórios locais, de Brotas e Jahu, nos jornais e publicações diversas, no livro "Memórias de Barra Bonita" de Domingos Settimio Frollini, e de acordo com informações dos familiares e descendentes dos antigos moradores da cidade, figuram entre os pioneiros imigrantes que se fixaram na zona rural, as famílias: Aiello, Antonangelo, Antonelli, Alponti, Abruzzi, Bellini, Barduzzi, Bellei, Balbo, Boldo, Bressanim, Bozzi (Rigon), Bérgamo, Ballan, Blasizza, Bettini, Boarini, Bressan, Bocato, Borgui, Brunelli, Caetano, Cárdia, Cagnotti, Constanzo, Cestari, Casagrande, Casale, Chiarato, Capelossa, Castelari, Dal Corso, De Marchi, De Conti, Dalla Costa, De Luca, Dias, Ereno, Frollini, Ferrari, Fagá, Ferrazolli, Fantin, Fantinatti, Fuim, Feltrin, Finatto, Giacomini, Guedin, Giroto, Grizzoni, Galhardi, Gatti, Marcon, Mascaro, Massenero, Mori, Marinelli, Maffei, Mozarle, Nardo, Osti, Patuzzo, Pizzo, Pollini, Pozebon, Perassoli, Piva, Pezente, Pellini, Pavani, Parezan, Petri, Polatto, Ricci, Rossi, Rizzatto, Reginato, Ragoni, Ribeiro de Andrade, Santinello, Stangherlin, Selleguin, Sargentim, Scarpela, Scalissa, Scapin, Stringheta, Stramantinolli, Sponchiatto, Santilli, Sabbatini, Spaulonci, Salve, Sacco, Simionatto, Simoncini, Testa, Tozatto, Terrazan, Ursolino, Ungaro, Vechiatti, Veghini, Vetorazzo, Victorino de França, Zaffani, Zanella, Zerlin e Ziglio, todas elas representando os fundamentos sólidos sobre os quais construiu-se a cidade de que hoje nos orgulhamos: Barra Bonita".

"Embora a grande maioria dos imigrantes tenha se dedicado à lavoura, muitos desenvolveram atividades de acordo com as profissões que exerciam anteriormente. Lembram-se, nesse particular, entre outros, italianos, alemães, sírios, espanhóis, portugueses e austríacos, os comerciantes: José Angelino, Ângelo e Silvano Bataiola; Guerino; Luiz e Antonio Reginato; Luiz, Carlos, João, Antônio e Francisco Lourenção; Rocco Di Muzio; Emílio Bressan; Luigi Gaioli; Luiz Iaia; Salomão, Elias e Alfredo Simão; José, Alfredo e Muhama Rayes e José Chadad; Cláudio e Hyppólito Lopes. Os sapateiros: Tiziano Dalla Chiara, Aurélio Saffi e Gregório Vessio. Os ferreiros: Júlio Turi, Ezio Benfatti, Luiz Simon e Alberto Strutzel. Arthur e Antenor Balsi foram proprietário da primeira serraria do lugar. Os hoteleiros: Jacob Chalita, Victorio Cinquetti, Tomaz Mantovani, Emílio Quaglia e João Fantinatti. Os ceramistas: Ezequiel Otero, Thomas Guzzo, Francisco e Frederico Corradi, Benedito Bressanim, Ângelo Borsetto, Valentin Ferrazolli e mais tarde, João Martini, o introdutor do forno "abóboda" no município. Os açougueiros: Ferrucio e Sabino Bolla. Os primeiros pescadores profissionais: Valentino e Eugenio Giacomini. Vito Melle e Serafim Berti foram os primeiros farmacêuticos e Dr. Luciano Maggiori um dos primeiros médicos. Os fabricantes de cervejas e refrigerantes: Germano Güther, Baptista Torcia e os irmãos Antônio, Luiz e Giovanni Carnevalle. Os barbeiros: Francisco Mascaro e Domingos Di Poldo. Os construtores: Eugenio Nanni, José Negrin, Emílio Bertagnolli e Bernardo Pardo. Os carpinteiros: Amadeu Angelici, Ângelo e Emílio Gottardo e os irmãos José, Antônio e Manoel Marques Ferreira. Relojoeiro: José Lodi. O comandante fluvial: Francisco de Oliveira Diniz. Os condutores ou proprietários de trolis e carroças: João Gerin, Ângelo e Valentin Reginato, Ângelo e Giácomo Cestari, Adamo e Pietro Ziglio, Lorenzo e Severino Antonelli, Victório e Arthur Blasizza, Giuseppe Antonangelo, Olimpio Trema, Alfonso e Aristodemo Bellei, Francisco e Victorio Bergamo, Antônio Guerreiro, Antônio Moreno Ramirez e Miguel Molina que se juntaram aos "brasilianos": Francisco de Oliveira Paulista, Virgolino e João da Silva Nogueira".