O Teatro Municipal de São Paulo nasceu embalando os sonhos de uma cidade que crescia com a indústria e o café e que nada queria dever aos grandes centros culturais do mundo naquele início de século.
São Paulo se fortalecia com o fim do ciclo da borracha e com a ascensão de seus barões, mas acabara de perder para um incêndio, em 1898, o Teatro São José (Praça João Mendes), palco das suas principais manifestações artísticas.
Tornava-se imperativo construir um espaço à altura das grandes companhias estrangeiras.
Após aprovação na Câmara dos Vereadores, o projeto do secretário da Casa, Gomes Cardim, começou a tornar-se realidade.
O arquiteto Ramos de Azevedo e os italianos Cláudio Rossi (Capri) e Domiziano Rossi (Gênova) iniciaram a construção em 1903 e, após oito anos de trabalho, o Teatro Municipal foi batizado pela ópera Hamlet, de Ambroise Thomas, diante de uma multidão de 20 mil pessoas, que se acotovelava às suas portas. São Paulo se integrava, então, ao roteiro internacional dos grandes espetáculos.(Fonte: Prefeitura Municipal de São Paulo)
Um blog para difundir e aprofundar temas da presença italiana no Brasil, bem como valorizar o Made in Italy. Um espaço para troca de informações e conhecimento, compartilhando raízes comuns da italianidade que carregamos no sangue e na alma. A italianidade engloba a questão das nossas raízes italianas e também reserva um olhar para a linha do tempo, nela buscando e resgatando uma galeria de personagens famosos ou anônimos que, de alguma forma, inseriram seus nomes na História do Brasil.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
História (178 ) -" Far l´América" (99 ): Imigrantes italianos em São Caetano (2)
O relato dos primeiros tempos da colonização italiana em São Caetano (São Paulo), trabalho das pesquisadoras Eliane Mimesse e Elaine
Maschio (Universidade Tuiuti do
Paraná, e Faculdade Internacional de Curitiba), mostra claramente as dificuldades enfrentadas pelos pioneiros.
“A extensão de terras da antiga fazenda dos beneditinos foi o local ideal para abrigar os recém-chegados italianos no núcleo colonial de São Caetano, por estar próxima da Capital, ser local de passagem dos trens, além de contar com rios e terras férteis para o plantio e, ainda, pastagens para a criação de animais (...) Mas as condições de vida dos colonos foram extremamente precárias quando de sua chegada, em 28 de julho de 1877. As 28 famílias encontraram em ruínas as construções da antiga fazenda composta pela casa-grande, a capela e as 12 casas das antigas senzalas.
Além disso, moravam no local quatro famílias de brasileiros, três formadas por ex-escravos dos beneditinos e uma família de alemães. Tudo estava por fazer: as casas, as plantações, as divisões dos lotes, as picadas para identificar o local. (...)Nesse período muitos faleceram, principalmente crianças, devido à febre tifóide, o que gerou outros problemas, como falta de um cemitério na colônia e de um padre para encomendar os mortos. A solução foi o comparecimento quinzenalmente de um padre na localidade para celebrar missas, batizar crianças e rezar pelos falecidos.
Mas os mortos ainda não tinham um cemitério. Eram enterrados no de São Bernardo, até que o pároco local não os aceitou mais. Eram então encaminhados ao cemitério da Consolação, na cidade de São Paulo entre 1878 e 1893. A partir desse ano passaram a serem sepultados no recém-inaugurado Cemitério Municipal do Brás, também na cidade de São Paulo, até a construção do cemitério local, no ano de 1911”.
“A extensão de terras da antiga fazenda dos beneditinos foi o local ideal para abrigar os recém-chegados italianos no núcleo colonial de São Caetano, por estar próxima da Capital, ser local de passagem dos trens, além de contar com rios e terras férteis para o plantio e, ainda, pastagens para a criação de animais (...) Mas as condições de vida dos colonos foram extremamente precárias quando de sua chegada, em 28 de julho de 1877. As 28 famílias encontraram em ruínas as construções da antiga fazenda composta pela casa-grande, a capela e as 12 casas das antigas senzalas.
Além disso, moravam no local quatro famílias de brasileiros, três formadas por ex-escravos dos beneditinos e uma família de alemães. Tudo estava por fazer: as casas, as plantações, as divisões dos lotes, as picadas para identificar o local. (...)Nesse período muitos faleceram, principalmente crianças, devido à febre tifóide, o que gerou outros problemas, como falta de um cemitério na colônia e de um padre para encomendar os mortos. A solução foi o comparecimento quinzenalmente de um padre na localidade para celebrar missas, batizar crianças e rezar pelos falecidos.
Mas os mortos ainda não tinham um cemitério. Eram enterrados no de São Bernardo, até que o pároco local não os aceitou mais. Eram então encaminhados ao cemitério da Consolação, na cidade de São Paulo entre 1878 e 1893. A partir desse ano passaram a serem sepultados no recém-inaugurado Cemitério Municipal do Brás, também na cidade de São Paulo, até a construção do cemitério local, no ano de 1911”.
História (177 ) -" Far l´América" (98 ): Imigrantes italianos em São Caetano (1)
Municípios que hoje compõem a Grande Sã Paulo também são testemunhas da história da grande imigração italiana no Brasil. Um deles é São Caetano, que está no centro do trabalho desenvolvidos pelas pesquisadoras Eliane Mimesse e Elaine Maschio (Universidade Tuiuti do Paraná, e Faculdade Internacional de Curitiba).
“Na colônia de São Caetano, os imigrantes eram provenientes da região de Vitório-Vêneto, no Nordeste da Itália, embarcaram em 1877 no vapor Europa na cidade portuária de Gênova e desembarcaram em Santos. Vieram de trem para a Hospedaria dos Imigrantes na cidade de São Paulo, local para onde todos os imigrantes se dirigiam quando chegavam ao país, permanecendo lá por oito dias.
Traziam um prospetto contendo as condições mínimas para o imigrante que tivesse pretensões de fixar-se em um núcleo, na província de São Paulo, na localidade em que o governo disponibilizasse lotes. Seria possível escolher entre três tipos de lotes, com preços diferentes, de acordo com a extensão, além das formas de pagamento. Os colonos que conseguissem quitar o lote antes do prazo, teriam um desconto. Mas isso não ocorreria na colônia de São Caetano.
Depois da parada obrigatória na Hospedaria, os italianos rumaram para São Caetano, de trem. A ferrovia construída pelos ingleses havia sido inaugurada em fevereiro de 1867, com algumas paradas nos locais considerados mais importantes. Existia uma estação na Hospedaria para facilitar o embarque e o desembarque dos imigrantes. A estrada de ferro, que ligava as cidades de Santos e Jundiaí, foi a primeira a ser construída na província de São Paulo e sua inauguração havia sido entusiasticamente anunciada. Em São Caetano ainda não existia uma estação para o desembarque das pessoas, obrigando os imigrantes a saltarem do trem com suas bagagens.”.
“Na colônia de São Caetano, os imigrantes eram provenientes da região de Vitório-Vêneto, no Nordeste da Itália, embarcaram em 1877 no vapor Europa na cidade portuária de Gênova e desembarcaram em Santos. Vieram de trem para a Hospedaria dos Imigrantes na cidade de São Paulo, local para onde todos os imigrantes se dirigiam quando chegavam ao país, permanecendo lá por oito dias.
Traziam um prospetto contendo as condições mínimas para o imigrante que tivesse pretensões de fixar-se em um núcleo, na província de São Paulo, na localidade em que o governo disponibilizasse lotes. Seria possível escolher entre três tipos de lotes, com preços diferentes, de acordo com a extensão, além das formas de pagamento. Os colonos que conseguissem quitar o lote antes do prazo, teriam um desconto. Mas isso não ocorreria na colônia de São Caetano.
Depois da parada obrigatória na Hospedaria, os italianos rumaram para São Caetano, de trem. A ferrovia construída pelos ingleses havia sido inaugurada em fevereiro de 1867, com algumas paradas nos locais considerados mais importantes. Existia uma estação na Hospedaria para facilitar o embarque e o desembarque dos imigrantes. A estrada de ferro, que ligava as cidades de Santos e Jundiaí, foi a primeira a ser construída na província de São Paulo e sua inauguração havia sido entusiasticamente anunciada. Em São Caetano ainda não existia uma estação para o desembarque das pessoas, obrigando os imigrantes a saltarem do trem com suas bagagens.”.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Italiani - Eliseu Visconti, um precursor do modernismo no Brasil (3)
Em fevereiro de 2010, foi concluiída a completa restauração das pinturas do “foyer” do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, executadas por Eliseu Visconti em Paris, entre 1913 e 1915. Consideradas por diversos críticos de arte como a obra prima da pintura decorativista no Brasil, as pinturas do “foyer” foram bastante danificadas, atingidas pelas infiltrações na cúpula do Theatro. Antiga reivindicação do Projeto Eliseu Visconti, a restauração dos painéis de Visconti foi incluída nas obras de recuperação do Theatro, no ano de seu centenário, pela Presidente da Fundação, Carla Camurati. Com a coordenação da Holos Consultores Associados, os trabalhos, iniciados pela equipe do Professor Domingo Tellechea, foram desenvolvidos pela equipe de Maria Cristina da Silva Graça. As demais pinturas de Eliseu Visconti no Theatro - pano de boca, plafond e friso sobre o proscênio - também foram objeto de reparos e limpeza, trabalhos executados pela equipe de Humberto Farias de Carvalho. Todos os trabalhos de restauro contaram com a consultoria dos Professores Edson Motta Júnior e Cláudio Valério Teixeira.(Fonte:
Web Site de Eliseu Visconti )
Italiani - Eliseu Visconti, um precursor do modernismo no Brasil (2)
A reforma do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, no início da década de 1930, iria proporcionar a Eliseu Visconti um retorno às emoções da mocidade. Como a reforma previa o alargamento da boca de cena, o Engenheiro Roberto Doyle Maia convidou Visconti a aumentar o primitivo friso sobre o proscênio. Demonstrando grande vitalidade, preferiu o artista, aos 68 anos de idade, executar um novo friso, que seria colocado sobre o original. Nesse trabalho, executado entre 1934 e 1936, foi auxiliado por sua filha Yvonne Visconti Cavalleiro, por seu genro Henrique Cavalleiro e por seus discípulos Agenor César de Barros e Martinho de Haro.(Fonte: Web Site de Eliseu Visconti )
domingo, 2 de maio de 2010
Italiani - Eliseu Visconti, um precursor do modernismo no Brasil (1)
Pintor, desenhista, professor, o italiano radicado no Brasil, Eliseu Visconti, deixou um importante legado na história da arte brasileira.
De acordo com o site oficial do artista, Eliseu Visconti “nasceu em 30 de julho de 1866, na Vila de Santa Catarina, Comuna de Giffoni Valle Piana, Província de Salerno, Itália. Filho de Gabriel d’Angelo e de Christina Visconti, teria imigrado para o Brasil com um ano de idade, segundo Frederico Barata, seu principal biógrafo e autor do livro oficial do pintor 'Eliseu Visconti e Seu Tempo', de 1944. No entanto, informações posteriores, prestadas inclusive por seu filho, Tobias d'Ângelo Visconti, revelam que Visconti viajou para o Brasil já menino.
Uma carta de próprio punho, encaminhada por Eliseu Visconti em 26 de agosto de 1938 a Oswaldo Teixeira, à época Diretor do Museu Nacional de Belas Artes, constitui o único documento que faz menção ao ano em que Visconti imigrou. De seu texto, depreende-se que sua vinda para o Brasil teria ocorrido em 1873, aos sete anos de idade portanto.
Num trabalho de pesquisa sobre obra do artista, Miriam N. Seraphin (Unicamp) ressalta que "sua formação artística deu-se no Rio de Janeiro, a partir de 1883, no Liceu de Artes e Ofícios, e depois na Academia Imperial das Belas Artes, desde 1885. Por ocasião da Proclamação da República, naturalizou- se brasileiro e participou da reforma da Academia, que a transformou em Escola Nacional de Belas Artes (ENBA). Foi o vencedor do primeiro concurso com prêmio de viagem à Europa, promovido pela nova instituição. No seu período de aperfeiçoamento em Paris (1893-1900) estudou na École des Beaux-Arts, na Académie Julian, e na École Guérin, no curso de composição decorativa de Eugène Grasset.
Os nus femininos dominam a produção artística do jovem Visconti, principalmente durante esse período. No entanto, após seu casamento, em janeiro de 1909, com a francesa Louise Palombe, a temática familiar será uma constante até o final de sua carreira. [Fig. 2] Trabalhou na França por pelo menos mais dois períodos (1904-07 e 1913-20), quando realizou as obras de decoração do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e pintou diversos aspectos dos jardins parisienses e de Saint Hubert, onde morou numa propriedade da família de sua esposa.
De 1908 a 1913 foi professor da ENBA no Rio de Janeiro, porém sua atividade principal sempre foi a pintura, da qual tirou seu sustento sem dificuldades”.
A Enciclopédia Itaú Cultural lembra que Visconti, de volta a Europa, realizou, entre 1913 e 1916 (Paris), a decoração do foyer do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e só se fixou definitivamente no Brasil em 1920. Segundo alguns estudiosos, é considerado um praticante do art nouveau e do desenho industrial e gráfico no Brasil, com obras em cerâmica, tecidos e luminárias.
O website do artista destaca que já na fase de maturidade artística (anos 20) ele inicia (1927) a pintura de “paisagens impressionistas de Teresópolis, cheias de atmosfera luminosa e transparente, de radiosa vibração tropical.
Como notou Mário Pedrosa: ‘... Sob a luz tropical ainda indomada de nossa pintura, Visconti é um conquistador da atmosfera. E aquela ciência da luz e do colorido que aprendeu em França vai servir-lhe agora para dominar o vapor atmosférico, sua grande contribuição à nossa pintura’. (Visconti diante das modernas gerações – Correio da Manhã – 1 de janeiro de 1950)”. Faleceu no Rio de Janeiro, em 1944.
Uma carta de próprio punho, encaminhada por Eliseu Visconti em 26 de agosto de 1938 a Oswaldo Teixeira, à época Diretor do Museu Nacional de Belas Artes, constitui o único documento que faz menção ao ano em que Visconti imigrou. De seu texto, depreende-se que sua vinda para o Brasil teria ocorrido em 1873, aos sete anos de idade portanto.
Num trabalho de pesquisa sobre obra do artista, Miriam N. Seraphin (Unicamp) ressalta que "sua formação artística deu-se no Rio de Janeiro, a partir de 1883, no Liceu de Artes e Ofícios, e depois na Academia Imperial das Belas Artes, desde 1885. Por ocasião da Proclamação da República, naturalizou- se brasileiro e participou da reforma da Academia, que a transformou em Escola Nacional de Belas Artes (ENBA). Foi o vencedor do primeiro concurso com prêmio de viagem à Europa, promovido pela nova instituição. No seu período de aperfeiçoamento em Paris (1893-1900) estudou na École des Beaux-Arts, na Académie Julian, e na École Guérin, no curso de composição decorativa de Eugène Grasset.
Os nus femininos dominam a produção artística do jovem Visconti, principalmente durante esse período. No entanto, após seu casamento, em janeiro de 1909, com a francesa Louise Palombe, a temática familiar será uma constante até o final de sua carreira. [Fig. 2] Trabalhou na França por pelo menos mais dois períodos (1904-07 e 1913-20), quando realizou as obras de decoração do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e pintou diversos aspectos dos jardins parisienses e de Saint Hubert, onde morou numa propriedade da família de sua esposa.
De 1908 a 1913 foi professor da ENBA no Rio de Janeiro, porém sua atividade principal sempre foi a pintura, da qual tirou seu sustento sem dificuldades”.
A Enciclopédia Itaú Cultural lembra que Visconti, de volta a Europa, realizou, entre 1913 e 1916 (Paris), a decoração do foyer do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e só se fixou definitivamente no Brasil em 1920. Segundo alguns estudiosos, é considerado um praticante do art nouveau e do desenho industrial e gráfico no Brasil, com obras em cerâmica, tecidos e luminárias.
O website do artista destaca que já na fase de maturidade artística (anos 20) ele inicia (1927) a pintura de “paisagens impressionistas de Teresópolis, cheias de atmosfera luminosa e transparente, de radiosa vibração tropical.
Como notou Mário Pedrosa: ‘... Sob a luz tropical ainda indomada de nossa pintura, Visconti é um conquistador da atmosfera. E aquela ciência da luz e do colorido que aprendeu em França vai servir-lhe agora para dominar o vapor atmosférico, sua grande contribuição à nossa pintura’. (Visconti diante das modernas gerações – Correio da Manhã – 1 de janeiro de 1950)”. Faleceu no Rio de Janeiro, em 1944.
Oriundi - Sangue italiano no Modernismo Brasileiro: a arte de Aldo Bonadei
Em 1906, o casal Claudio e Amélia Bonadei festejavam o nascimento de mais um filho, o sexto da prole. Era Aldo Cláudio Felipe Bonadei, que, anos mais tarde, assinando apenas Aldo Bonadei, passaria a ser reconhecido com um dos grandes nomes da pintura moderna brasileira. No site da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, o perfil do artista é assim traçado.
“(..) Iniciou seus estudos em artes em 1923, com os pintores acadêmicos Pedro Alexandrino e Antonio Rocco. Cursou, ainda, desenho e artes no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Em 1930, foi estudar na Academia de Belas Artes de Florença. Retornou a São Paulo no ano seguinte e, em 1935, passou a integrar o Grupo Santa Helena, formado por pintores, em sua maioria autodidatas, imigrantes ou descendentes de imigrantes, que compartilhavam ateliê no Palacete Santa Helena, na Praça da Sê.
Em 1937, transfere seu ateliê para a casa, no bairro de Moema, em que residia com a família e onde sua mãe e irmã mantinham uma oficina de costuras e bordados e com a qual o artista colaborava realizando, além de desenhos de modelos, trabalhos de manufatura. Embora a pintura seja predominante em sua obra, Aldo Bonadei produziu muitos desenhos, gravuras e trabalhou, ainda, criando figurinos de moda e para teatro e cinema. Bonadei participou da Família Artística Paulista e foi um dos fundadores da Oficina de Arte (O.D.A.). Faleceu em São Paulo, em janeiro de 1974. 'Pode-se dizer que, na história da arte brasileira, poucos artistas tiveram tão grande envolvimento com a pesquisa plástica como Bonadei, que teve a busca de inovação como uma constante em sua trajetória. Nela surgem pesquisas de materiais, de meios de expressão artística e das principais tendências que marcaram o projeto estético da época em que viveu, inclusive com reflexões sobre o seu próprio trabalho'.
O texto acima, escrito por Lisbeth Rebollo Gonçalves, professora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e diretora do Museu de Arte Contemporânea (MAC/USP), para o catálogo da exposição comemorativa dos cem anos de nascimento de Aldo Bonadei, define o percurso estético do artista. Inicia-se no desenho e na pintura acadêmica, mas, alguns anos depois, integra o Grupo Santa Helena que tem como uma das suas características – ao lado da pintura ao ar livre, de paisagens urbanas e suburbanas de São Paulo, e da pintura em ateliê, de modelos e naturezas-mortas – a liberdade de pesquisa da construção do espaço plástico, da cor, da forma. Nos anos 1940, inicia a pesquisa da abstração, a partir do seu contato com a música: pinta ou desenha as sensações que a música lhe provoca. Pesquisa também o cubismo, mas não abandonará jamais por completo o figurativismo. Na verdade, ao longo de seu percurso artístico, Bonadei alternará fases abstrata e figurativa".
“(..) Iniciou seus estudos em artes em 1923, com os pintores acadêmicos Pedro Alexandrino e Antonio Rocco. Cursou, ainda, desenho e artes no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Em 1930, foi estudar na Academia de Belas Artes de Florença. Retornou a São Paulo no ano seguinte e, em 1935, passou a integrar o Grupo Santa Helena, formado por pintores, em sua maioria autodidatas, imigrantes ou descendentes de imigrantes, que compartilhavam ateliê no Palacete Santa Helena, na Praça da Sê.
Em 1937, transfere seu ateliê para a casa, no bairro de Moema, em que residia com a família e onde sua mãe e irmã mantinham uma oficina de costuras e bordados e com a qual o artista colaborava realizando, além de desenhos de modelos, trabalhos de manufatura. Embora a pintura seja predominante em sua obra, Aldo Bonadei produziu muitos desenhos, gravuras e trabalhou, ainda, criando figurinos de moda e para teatro e cinema. Bonadei participou da Família Artística Paulista e foi um dos fundadores da Oficina de Arte (O.D.A.). Faleceu em São Paulo, em janeiro de 1974. 'Pode-se dizer que, na história da arte brasileira, poucos artistas tiveram tão grande envolvimento com a pesquisa plástica como Bonadei, que teve a busca de inovação como uma constante em sua trajetória. Nela surgem pesquisas de materiais, de meios de expressão artística e das principais tendências que marcaram o projeto estético da época em que viveu, inclusive com reflexões sobre o seu próprio trabalho'.
O texto acima, escrito por Lisbeth Rebollo Gonçalves, professora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e diretora do Museu de Arte Contemporânea (MAC/USP), para o catálogo da exposição comemorativa dos cem anos de nascimento de Aldo Bonadei, define o percurso estético do artista. Inicia-se no desenho e na pintura acadêmica, mas, alguns anos depois, integra o Grupo Santa Helena que tem como uma das suas características – ao lado da pintura ao ar livre, de paisagens urbanas e suburbanas de São Paulo, e da pintura em ateliê, de modelos e naturezas-mortas – a liberdade de pesquisa da construção do espaço plástico, da cor, da forma. Nos anos 1940, inicia a pesquisa da abstração, a partir do seu contato com a música: pinta ou desenha as sensações que a música lhe provoca. Pesquisa também o cubismo, mas não abandonará jamais por completo o figurativismo. Na verdade, ao longo de seu percurso artístico, Bonadei alternará fases abstrata e figurativa".
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