segunda-feira, 1 de março de 2010

História (85)- Especial: Influência de socialistas e anarquistas italianos no movimento operário brasileiro (2)

Em sua tese de doutorado (Pensiero e Dinamite Anarquismo e Repressão em São Paulo nos anos 1890 )  junto ao Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas, Claudia Feierabend Baeta aborda a presença, atividades e repressão dos militantes anarquistas residentes ou atuantes em São Paulo nos anos 1890, contextualizando, inclusive, o cenário da chegada dos atividas italianos no final do século XIX.

“Já nos primeiros anos da década de 1890, havia comentários de que era uma estratégia geral dos países europeus, 'onde só se [falava] de greves ou de manifestações de operários e desempregados, com as ameaças de dinamite e o espantalho do 1º de Maio’ conceder passaportes àqueles cuja presença não era desejada e que mostravam interesse em deixar o país".

"Havia, no entanto, suspeitas de que, mais do que facilitar o embarque dos anarquistas, o governo italiano incentivava sua partida: já em 1893, chegaram às autoridades brasileiras denúncias de que aquele governo fazia embarcar, ‘com destino ao Brasil, agregados às famílias no caráter de primos, a indivíduos a quem quer expulsar da Itália por serem anarquistas e socialistas conhecidos.’ ".

"O cônsul italiano, conde Edoardo Compans de Brichanteau, em correspondência com o Ministero degli Affari Esteri em 1894, chegou mesmo a sugerir que os indivíduos que compunham ‘o primeiro núcleo de anarquistas (...) no Brasil’ eram italianos e, aparentemente, haviam sido enviados 'pelo próprio Governo Régio após os dolorosos fatos do 1º de Maio em Roma' "

"As autoridades brasileiras procuravam tomar tais sugestões com cuidado, relativizando a responsabilidade do governo italiano na migração de tais indivíduos, mas as denúncias persistiam. Entre os indivíduos suspeitos de anarquistas, eram os italianos especialmente temidos no Brasil, tanto por suas idéias anarquistas e práticas subversivas, personificadas nas figuras dos magnicidas – todos italianos – que atentaram contra os chefes de Estado e realeza na Europa, como pela grande afluência de imigrantes dessa nacionalidade que por aqui aportavam".

"Não é por acaso que a Itália vai aparecer como procedência mais recorrente de anarquistas que se instalaram em São Paulo nos primeiros anos da década de 1890, nem que aos comissários responsáveis pela migração para o Brasil fosse cobrada grande vigilância em relação àqueles que deixavam os portos italianos. Daí as preocupações quando chegavam às autoridades brasileiras”. Daí as preocupações quando chegavam às autoridades brasileiras notícias como a seguinte:

"'Partida – Por volta das 17 horas de ontem o vapor Matteo Bruso, da [companhia de navegação] Velloce partiu para o Rio de Janeiro e Santos com 1150 emigrantes dos quais (....) 737 para Santos diretamente para São Paulo. Entre estes últimos, havia o anarquista Fumelli Monti Nivardo, de Lucca, que, com sua mulher e filhos, conduz-se ao Brasil onde será introduzido no estado de São Paulo. Ele segue espontaneamente, talvez para escapar de possíveis perseguições, e o próprio governo facilitou-lhe o embarque. Isso não impediu que durante a sua breve parada de dois ou três dias em Gênova ele fosse continuamente escoltado por dois vigias, que não o deixaram por um só momento, nem de dia, nem à noite, acompanhando-o em todos os lugares, mesmo a bordo, (...) nunca o perdendo de vista, até que o Matteo Bruso levantasse âncora' .”

"O recorte da notícia publicada pelo periódico de Gênova acompanhou o ofício do Cônsul Geral do Brasil na Itália ao Ministro da Justiça e Negócios Interiores. A intenção do cônsul era alertar as autoridades brasileiras para que pudessem tomar as medidas cabíveis na chegada do 'anarquista italiano' ".

Um comentário:

  1. Olá. Sou Bisneto do Nivardo Fumelli Monti.Meu avô era filho dele.

    ResponderExcluir