O Museu ao Ar Livre, iniciado em 1974 pelo padre oriundo João Leonir Dall’Alba após a devastação das enchentes, resgata todas as fases da colonização da região de Orleans (Santa Catarina). Entre outras curiosidades, são mostrados engenhos e serrarias movidos por roda d’água ou pela força de bois. O museu foi inaugurado em 30 de agosto de 1980.
"Nascido em em Caxias do Sul (Rio São Marcos), no dia 2 de fevereiro de 1938.
e falecido em Ana Rech, Caxias do Sul, dia 12 de junho de 2006, padre João Leonir era filho de Carino Dall' Alba e de Lúcia Ballardin.
Conheceu os religioso josefinos (ordem de San Giuseppe) através do padre. Honorino, também falecido e entrou no seminário em 1949, em Fazenda Souza.
Fez o noviciado em 1955 em Conceição da Linha Feijó. Profissão Perpétua em 1961.
Realizou seu estágio em Orleans, onde foi um dos pioneiros na construção do Seminário São José.
Fez os estudos filosóficos e teológicos na Itália onde também foi ordenado sacerdote em 1966.De regresso ao Brasil, foi enviado novamente a Orleans em 1967 onde ficou até 1980.
Neste período em Orleans, além de dedicar-se à formação dos seminaristas, demonstrou grande habilidade na área do ensino, não apenas dentro do Seminário, mas dedicou suas capacidades para levar o Ensino Médio para Orleans no Colégio Tonezza Cascais no qual foi diretor por diversos anos.
Numa sua autobiografia falando de Orleans escreve: “Em Orleans incentivei muito a cultura que muito favoreceu a transformação da cidade. Consegui fundar diversos museus entre eles, o Conde D’Eu e o Museu ao Ar Livre único no gênero na América Latina”.
Foi participante na fundação da Febave (Fundação Educacional Barriga Verde), hoje entidade de ensino superior, sem dizer de outras inúmeras atividades em prol do município de Orleans.
Em todas estas iniciativas soube trabalhar sem descanso. Doou-se totalmente, embora no começo poucos acreditassem em seus sonhos e em suas tarefas.
Após tantos anos dedicados a formação dos seminaristas e à cultura de Orelans, esteve por alguns anos em Araranguá, onde como professor iniciou as famosas semanas culturais.
Uma novidade na vida dele aconteceu em 1987, quando se dispôs a participar num projeto missionário no Equador. Partiu para novas terras, nova língua, novos costumes na missão do Napo. Foi ali que apareceram novas qualidades no padre João.
Não apenas escritor, não apenas artista, escultor, não apenas exímio poeta, mas agora também missionário. Missionário junto à tribos de índios apenas chegados as noções da civilização ocidental. Ali organizou comunidades igrejas, usando métodos de envolvimento das pessoas, formando lideranças. Ficou no Equador até 1999. De volta ao Brasil, colaborou em Belém do Pará e depois em Ana Rech onde veio a falecer". (Fonte: Congregazione di San Giuseppe )
Um blog para difundir e aprofundar temas da presença italiana no Brasil, bem como valorizar o Made in Italy. Um espaço para troca de informações e conhecimento, compartilhando raízes comuns da italianidade que carregamos no sangue e na alma. A italianidade engloba a questão das nossas raízes italianas e também reserva um olhar para a linha do tempo, nela buscando e resgatando uma galeria de personagens famosos ou anônimos que, de alguma forma, inseriram seus nomes na História do Brasil.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Italianità– Genealogia preserva raízes em Orleans, Santa Catarina
A cidade de Nova Orleans foi uma das tantas localidades do Estado de Santa Catarina a receber imigrantes italianos, cuja presença na região gerou importantes legados. O trabalho do Instituto Cultural Padre Pozzo, fundado em 2001, ajuda a preservar essas raízes italianas em santa Catarina:
O projeto Genealogia Italiana , com base em informações da etnia italiana vinda para a região das Colônias Azambuja (130 anos) e Colônia Imperial Grão Pará (125 anos) propõe a levantar a genealogia de famílias oriundas, completando a árvore genealógica com os dados dos descendentes dos imigrantes. Esse trabalho quer estabelecer “Um Banco de dados dos Descendentes de Famílias Italianas que pretende resgatar informações sobre as famílias de descendentes dos imigrantes italianos que vieram diretamente para Orleans. Basicamente serão pesquisados elementos para se estabelecer a árvore genealógica de cada família, obtendo-se informações desde o mais velho imigrante, até o mais jovem descendente. Cada família organiza o seu ramo de descendentes e deposita no banco de dados para posteriormente retirar informações maiores de todo o conjunto para a Árvore genealógica.
Os dados serão computados pelo Instituto a quem caberá orientar os interessados, bem como fornecer todas informações e instruções para facilitar a pesquisa. Com este trabalho, que possivelmente demandará num grande esforço das famílias interessadas, haveremos de despertar na comunidade um maior interesse pela cultura italiana, notadamente pela origem de cada um.. Os associados ajudarão na divulgação de nosso projeto para conhecimento das famílias descendentes e recrutarão pessoas interessadas, em cada grupo ou ramo de família, para assumir o encargo da pesquisa”. (Fonte: Instituto Cultural Padre Pozzo).
Italiani - Devoção ao padre Vittorio Pozzo
Na cidade de Orleans, em Santa Catarina, existe uma devoção que venera um religioso piemontês que viveu no Brasil entre 1900 e 1902: padre Vittorio Pozzo.
"Pozzo era italiano, nascido em Butigliera D’Asti, Piemonte. Chegou ao Brasil em 22 de dezembro de 1900. Logo, foi designado para instalar-se na localidade de Rio Pinheiros Alto, interior de Orleans, como coadjutor da Paróquia de São Ludgero. A idéia era a de que o padre de São Ludgero atendesse as comunidades de descendência alemã, enquanto o padre Vittorio Pozzo desse atenção necessária aos imigrantes e descendentes italianos. Em pouco tempo, o padre Vittorio Pozzo já havia conquistado a confiança, respeito e a amizade dos fiéis. Menos de dois anos depois de sua chegada o padre faleceu tragicamente.
Conforme relatos de historiadores, o padre Pozzo se dirigia para rezar um terço na capela de São João Batista, em Grão-Pará. Devido ao calor excessivo, o padre parou às margens do Rio Pequeno. Ele buscou um lugar mais reservado e despiu-se para banhar-se nas águas do rio. Naquele momento, um menino polonês, que muito admirava o padre, atirou-lhe uma pedra, como uma brincadeira, para, quem sabe, assustar o religioso. Por uma infelicidade, a pedra acertou o padre na nuca. O religioso caiu e bateu a testa em uma pedra do rio, o que o fez desmaiar e sinistramente morrer afogado. Era dia 6 de fevereiro de 1902.
Logo em seguida, o corpo do religioso foi descoberto pelos fiéis que o aguardavam para o terço. A notícia abalou a comunidade, que passou a tomar todas as providências. Cavaleiros saíram em disparada para avisar todas as capelas e comunidades que o padre atendia em seu sacerdócio. Os mensageiros saíram para as regiões de Tubarão, Urussanga e Criciúma.
Numa espécie de maca improvisada, alguns fiéis de Grão-Pará se anteciparam e se dirigiram para Rio Pinheiros Alto, trasladando o corpo. Ao chegarem no encruzo da estrada que vai para as localidades de Vila Nova e Barracão, uma comitiva da capela já o aguardava com seus trajes de sacerdote e naquele mesmo local o vestiram para os atos fúnebres.
Enquanto o corpo do padre era levado por entre as matas, grupos de pessoas das cidades da região também se deslocavam para aquela localidade para prestar homenagens ao falecido padre.
A total inexistência de qualquer tipo de comunicação não impediu a afluência de católicos de toda a região. Seis padres da região dirigiram os atos de fé. Uma multidão, até então jamais vista na região, aglomerou-se para acompanhar o sepultamento no Cemitério de Rio Pinheiros Alto, onde se conserva o túmulo até hoje. Já existe na região, de maneira muito discreta, um movimento em favor de sua beatificação, que é justificada por alegadas graças alcançadas por devotos" (Fonte: Folha do Vale).
terça-feira, 20 de abril de 2010
Italiani - A presença da Itália no TBC de Franco Zampari
"No livro especialmente escrito para a Coleção Aplauso, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, a atriz Nydia Licia afirma que foi no TBC, como ficou conhecido o Teatro Brasileiro de Comédia, que ganhou disciplina, respeito pelo trabalho, honestidade em cena e coleguismo; lições que lhe serviram de guia para o resto da vida.
Em uma época em que os palcos fervilham em São Paulo, é importante lembrar que a cidade deve a Franco Zampari, um engenheiro italiano que chegou ao Brasil em 1922, grande parte desta efervescência teatral. Foi este admirador da arte dramática quem fundou, em 1948, o Teatro Brasileiro de Comédia, o TBC, do qual também seria o diretor administrativo. No livro Eu Vivi o TBC, da Coleção Aplauso, editada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, a atriz Nydia Licia rememora a época em que a cidade só contava com três grupos amadores e o público só estava acostumado a dramalhões ou comédias leves. A inauguração do TBC trouxe para o palco textos clássicos e modernos, diferentes, de autores como Luigi Pirandello, Tennessee Williams, Oscar Wilde e Anton Tchekov, relata a atriz. Para ela, trabalhar no Teatro Brasileiro de Comédia era um privilégio; além do salário mensal Franco Zampari fornecia todo o guarda-roupa, algo incomum nas companhias da época. Com a experiência de quem viveu o TBC de corpo e alma, Nydia Licia traça a história da companhia desde que ela foi fundada até ser extinta, no início dos anos 1960.
A atriz refaz o percurso do cenógrafo italiano Aldo Calvo, que viria a se tornar diretor técnico do TBC, e dos diretores teatrais, também italianos, que trabalharam na companhia: Luciano Salce, Flaminio Bollini Cerri, Ruggero Jacobbi e o exigente Adolfo Celi, que imprimiu um ritmo intenso de trabalho e entusiasmou os atores. Em 1950, a companhia já se tornara 100% profissional. Escrito em primeira pessoa, Eu vivi o TBC é um tributo aos atores que se forjaram na grande escola que foi o Teatro Brasileiro de Comédia, como Rubens de Falco, Paulo Autran, Cacilda Becker, Sérgio Cardoso, Walmor Chagas, Cleyde Yaconis e a própria Nydia Licia, entre tantos outros".(Fonte: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo)
Em uma época em que os palcos fervilham em São Paulo, é importante lembrar que a cidade deve a Franco Zampari, um engenheiro italiano que chegou ao Brasil em 1922, grande parte desta efervescência teatral. Foi este admirador da arte dramática quem fundou, em 1948, o Teatro Brasileiro de Comédia, o TBC, do qual também seria o diretor administrativo. No livro Eu Vivi o TBC, da Coleção Aplauso, editada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, a atriz Nydia Licia rememora a época em que a cidade só contava com três grupos amadores e o público só estava acostumado a dramalhões ou comédias leves. A inauguração do TBC trouxe para o palco textos clássicos e modernos, diferentes, de autores como Luigi Pirandello, Tennessee Williams, Oscar Wilde e Anton Tchekov, relata a atriz. Para ela, trabalhar no Teatro Brasileiro de Comédia era um privilégio; além do salário mensal Franco Zampari fornecia todo o guarda-roupa, algo incomum nas companhias da época. Com a experiência de quem viveu o TBC de corpo e alma, Nydia Licia traça a história da companhia desde que ela foi fundada até ser extinta, no início dos anos 1960.
A atriz refaz o percurso do cenógrafo italiano Aldo Calvo, que viria a se tornar diretor técnico do TBC, e dos diretores teatrais, também italianos, que trabalharam na companhia: Luciano Salce, Flaminio Bollini Cerri, Ruggero Jacobbi e o exigente Adolfo Celi, que imprimiu um ritmo intenso de trabalho e entusiasmou os atores. Em 1950, a companhia já se tornara 100% profissional. Escrito em primeira pessoa, Eu vivi o TBC é um tributo aos atores que se forjaram na grande escola que foi o Teatro Brasileiro de Comédia, como Rubens de Falco, Paulo Autran, Cacilda Becker, Sérgio Cardoso, Walmor Chagas, Cleyde Yaconis e a própria Nydia Licia, entre tantos outros".(Fonte: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo)
Italiani - A dramarturgia de Adolfo Celi
“Adolfo Celi (Messina Itália 1922 - Roma Itália 1986). Diretor. Encenador italiano que chega ao Brasil nos anos 50 para tornar-se o primeiro e mais bem-sucedido diretor artístico do Teatro Brasileiro de Comédia. Permanece no Brasil até 1961, sendo um dos fundadores e mentores da Companhia Tônia-Celi-Autran. Volta para seu país de origem, desenvolvendo profícua carreira como ator de cinema.
Forma-se em 1945 na Academia Nacional de Arte Dramática de Silvio D'Amico, onde é colega de futuras celebridades como Luigi Squarzina e Vittorio Gassman, e de Luciano Salce, que mais tarde será um de seus parceiros de trabalho no TBC. Inicia sua carreira profissional como diretor, assistente de direção (de Luchino Visconti, entre outros), ator de teatro e de cinema. É participando de um filme com Aldo Fabrizzi, que viaja em 1948 para Buenos Aires e lá permanece após as filmagens, encenando uma versão de Antígone, de Sófocles, para o Teatro Experimental de Buenos Aires. Sendo indicado pelo cenógrafo Aldo Calvo a Franco Zampari, empresário que começa a implementar o TBC, é convidado a tornar-se diretor artístico da companhia, ainda em vias de profissionalização.
Aos 27 anos, em janeiro de 1949, Celi desembarca em São Paulo para assumir a responsabilidade pesada de gerir artisticamente aquela que se tornará a companhia estável de maior importância na década de 50 no teatro brasileiro. Sua primeira realização paulista, também a primeira do elenco profissional que Zampari acaba de contratar, estréia em junho de 1949: Nick Bar...Álcool, Brinquedos, Ambições, de William Saroyan, já encenada por Celi na Itália, projeto piloto de um padrão que o TBC seguirá nos próximos anos: um texto interessante, capaz de fornecer interpretações marcantes, reunindo num ambiente levemente exótico um punhado de figuras humanas marcadas por alguma característica diferenciada.
Nesse trabalho, dirige sua futura mulher, Cacilda Becker, primeira atriz profissional a ser contratada pela companhia. A repercussão serve de cartão de visitas ao evidente preparo técnico do jovem diretor, além de revelar sua tendência a um tratamento expansivo, teatral aos espetáculos que abraça. O grande trunfo da encenação, todavia, é a homogeneidade do elenco, hábil e correto nos desempenhos. Seguem-se, ainda em 1949, as direções de Arsênico e Alfazema, comédia americana de Joseph Kesselring, e Luz de Gás, um policial de Patrick Hamilton, última incursão da atriz Madalena Nicol no conjunto, cuja liderança fora abalada pela chegada de Celi. Outro diretor italiano é contratado por indicação de Celi, Ruggero Jacobbi, e todos os espetáculos da temporada de 1949 são bem recebidos pelo público, resultando em um sucesso de bilheteria para o empreendimento.
O início de 1950 traz a primeira realização mais ambiciosa de Celi, Entre Quatro Paredes, de Jean-Paul Sartre, que alcança grande repercussão e polêmica, provocando reações adversas do Partido Comunista e da Cúria Metropolitana. Acompanha a montagem a comédia curta de Anton Tchekhov, Um Pedido de Casamento. Intensamente envolvido na instalação da companhia cinematográfica Vera Cruz, em que dirige seu primeiro filme, Caiçara, roteiro de Alberto Cavalcanti, seu e de Ruggero Jacobbi, 1950 - só em 1951 Celi volta para o TBC, assinando um dos maiores êxitos da casa, Seis Personagens à Procura de Um Autor, de Pirandello, encenação de uma frenética teatralidade. A crítica enaltece o espetáculo, apesar de fazer restrições, novamente, à liberdade do diretor em relação ao texto, modificando o final, em que Cacilda Becker encontra-se às gargalhadas num balanço, rompendo uma tela de papel. Em 1955, despede-se do TBC, salvando-o num momento de grave crise econômica, através do seu maior sucesso de bilheteria até então, Santa Marta Fabril S. A., o mais polêmico texto de Abílio Pereira de Almeida.
Ao lado de Franco Zampari e Cacilda Becker, Celi é uma das pessoas que mais contribuíram para fazer do TBC o que ele foi. Durante toda a primeira fase, é o principal responsável pela definição dos seus rumos artísticos, do seu repertório e estilo, pela formação dos seus atores e pelo aprimoramento do acabamento técnico das suas realizações.
Em 1955, o declínio econômico da companhia, os conflitos internos de ordem pessoal e a natural ambição de estar à frente de um conjunto próprio o levaram a dar por encerrado o seu ciclo na casa, mudar-se para o Rio de Janeiro e fundar, junto com dois dos seus mais íntimos colaboradores, a Companhia Tônia-Celi-Autran, CTCA. Em 1960, Dois na Gangorra, de William Gibson, se mantém em cartaz, resultando num sucesso razoável de público. Já em 1961, a companhia instaura um segundo concurso, cujo vencedor, Lisbela e o Prisioneiro, de Osman Lins, é dirigido por Celi e Carlos Kroeber. Efetiva uma remontagem de Arsênico e Alfazema, de Joseph Kesselring, e a sua despedida da companhia, que se desfará poucos meses depois, com Um Castelo na Suécia, de Françoise Sagan, na qual Celi está também em cena como ator.
A essa altura, porém, a sua participação na CTCA já é menos intensa, e ele exerce paralelamente as funções de diretor do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. A partir do ano seguinte, a CTCA começa a se dissolver, enfraquecida por dissidências internas, pelas remontagens que tentam preencher as lacunas de seu planejamento e pelo descompasso de seu projeto em relação ao gosto do novo público e dos ares que sopram no Brasil da década de 60.
Desiludido, em 1961 Celi dá por encerrado o seu trabalho no Brasil e volta à Itália, onde construirá uma próspera carreira como ator de cinema. Retornará ao Rio em 1978, a convite de Paulo Autran, para dirigir a comédia Pato com Laranja, inaugurando o Teatro Villa-Lobos, e ainda, para Tônia Carrero uma outra comédia, Teu Nome é Mulher, seu último trabalho no Brasil. Na Itália, retoma seu ofício de ator e diretor de teatro e inicia carreira cinematográfica, com participação em filmes nacionais e estrangeiros". (Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural)
Forma-se em 1945 na Academia Nacional de Arte Dramática de Silvio D'Amico, onde é colega de futuras celebridades como Luigi Squarzina e Vittorio Gassman, e de Luciano Salce, que mais tarde será um de seus parceiros de trabalho no TBC. Inicia sua carreira profissional como diretor, assistente de direção (de Luchino Visconti, entre outros), ator de teatro e de cinema. É participando de um filme com Aldo Fabrizzi, que viaja em 1948 para Buenos Aires e lá permanece após as filmagens, encenando uma versão de Antígone, de Sófocles, para o Teatro Experimental de Buenos Aires. Sendo indicado pelo cenógrafo Aldo Calvo a Franco Zampari, empresário que começa a implementar o TBC, é convidado a tornar-se diretor artístico da companhia, ainda em vias de profissionalização.
Aos 27 anos, em janeiro de 1949, Celi desembarca em São Paulo para assumir a responsabilidade pesada de gerir artisticamente aquela que se tornará a companhia estável de maior importância na década de 50 no teatro brasileiro. Sua primeira realização paulista, também a primeira do elenco profissional que Zampari acaba de contratar, estréia em junho de 1949: Nick Bar...Álcool, Brinquedos, Ambições, de William Saroyan, já encenada por Celi na Itália, projeto piloto de um padrão que o TBC seguirá nos próximos anos: um texto interessante, capaz de fornecer interpretações marcantes, reunindo num ambiente levemente exótico um punhado de figuras humanas marcadas por alguma característica diferenciada.
Nesse trabalho, dirige sua futura mulher, Cacilda Becker, primeira atriz profissional a ser contratada pela companhia. A repercussão serve de cartão de visitas ao evidente preparo técnico do jovem diretor, além de revelar sua tendência a um tratamento expansivo, teatral aos espetáculos que abraça. O grande trunfo da encenação, todavia, é a homogeneidade do elenco, hábil e correto nos desempenhos. Seguem-se, ainda em 1949, as direções de Arsênico e Alfazema, comédia americana de Joseph Kesselring, e Luz de Gás, um policial de Patrick Hamilton, última incursão da atriz Madalena Nicol no conjunto, cuja liderança fora abalada pela chegada de Celi. Outro diretor italiano é contratado por indicação de Celi, Ruggero Jacobbi, e todos os espetáculos da temporada de 1949 são bem recebidos pelo público, resultando em um sucesso de bilheteria para o empreendimento.
O início de 1950 traz a primeira realização mais ambiciosa de Celi, Entre Quatro Paredes, de Jean-Paul Sartre, que alcança grande repercussão e polêmica, provocando reações adversas do Partido Comunista e da Cúria Metropolitana. Acompanha a montagem a comédia curta de Anton Tchekhov, Um Pedido de Casamento. Intensamente envolvido na instalação da companhia cinematográfica Vera Cruz, em que dirige seu primeiro filme, Caiçara, roteiro de Alberto Cavalcanti, seu e de Ruggero Jacobbi, 1950 - só em 1951 Celi volta para o TBC, assinando um dos maiores êxitos da casa, Seis Personagens à Procura de Um Autor, de Pirandello, encenação de uma frenética teatralidade. A crítica enaltece o espetáculo, apesar de fazer restrições, novamente, à liberdade do diretor em relação ao texto, modificando o final, em que Cacilda Becker encontra-se às gargalhadas num balanço, rompendo uma tela de papel. Em 1955, despede-se do TBC, salvando-o num momento de grave crise econômica, através do seu maior sucesso de bilheteria até então, Santa Marta Fabril S. A., o mais polêmico texto de Abílio Pereira de Almeida.
Ao lado de Franco Zampari e Cacilda Becker, Celi é uma das pessoas que mais contribuíram para fazer do TBC o que ele foi. Durante toda a primeira fase, é o principal responsável pela definição dos seus rumos artísticos, do seu repertório e estilo, pela formação dos seus atores e pelo aprimoramento do acabamento técnico das suas realizações.
Em 1955, o declínio econômico da companhia, os conflitos internos de ordem pessoal e a natural ambição de estar à frente de um conjunto próprio o levaram a dar por encerrado o seu ciclo na casa, mudar-se para o Rio de Janeiro e fundar, junto com dois dos seus mais íntimos colaboradores, a Companhia Tônia-Celi-Autran, CTCA. Em 1960, Dois na Gangorra, de William Gibson, se mantém em cartaz, resultando num sucesso razoável de público. Já em 1961, a companhia instaura um segundo concurso, cujo vencedor, Lisbela e o Prisioneiro, de Osman Lins, é dirigido por Celi e Carlos Kroeber. Efetiva uma remontagem de Arsênico e Alfazema, de Joseph Kesselring, e a sua despedida da companhia, que se desfará poucos meses depois, com Um Castelo na Suécia, de Françoise Sagan, na qual Celi está também em cena como ator.
A essa altura, porém, a sua participação na CTCA já é menos intensa, e ele exerce paralelamente as funções de diretor do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. A partir do ano seguinte, a CTCA começa a se dissolver, enfraquecida por dissidências internas, pelas remontagens que tentam preencher as lacunas de seu planejamento e pelo descompasso de seu projeto em relação ao gosto do novo público e dos ares que sopram no Brasil da década de 60.
Desiludido, em 1961 Celi dá por encerrado o seu trabalho no Brasil e volta à Itália, onde construirá uma próspera carreira como ator de cinema. Retornará ao Rio em 1978, a convite de Paulo Autran, para dirigir a comédia Pato com Laranja, inaugurando o Teatro Villa-Lobos, e ainda, para Tônia Carrero uma outra comédia, Teu Nome é Mulher, seu último trabalho no Brasil. Na Itália, retoma seu ofício de ator e diretor de teatro e inicia carreira cinematográfica, com participação em filmes nacionais e estrangeiros". (Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural)
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Italiani: Franco Zampari e as primeiras temporadas do TBC
"A estréia do TBC dá-se em 1948, com as apresentações de La Voix Humaine, de Jean Cocteau, por Henriette Morineau, em francês, e A Mulher do Próximo, de Abílio Pereira de Almeida, pelo Grupo de Teatro Experimental - GTE, dirigido por Alfredo Mesquita Seguem-se outras produções de amadores até que, em 1949, o conjunto se profissionaliza, lançando Nick Bar...Álcool, Brinquedos, Ambições, de William Saroyan, sob a direção de Adolfo Celi.
A contratação do encenador italiano, formado pela Academia Nacional de Arte Dramática de Silvio D'Amico, é decisiva para o futuro da companhia. Com Celi, o elenco permanente inicia um longo aprendizado técnico e artístico, submetendo-se às exigências de uma montagem moderna, esteticamente sofisticada. Aldo Calvo, o primeiro cenógrafo contratado, ratifica essa opção. Cacilda Becker é a primeira atriz profissionalizada e à sua contratação seguem-se as de: Paulo Autran, Madalena Nicoll, Marina Freire, Ruy Affonso, Elizabeth Henreid, Nydia Licia, Sergio Cardoso, Cleyde Yáconis, entre outros.
Os textos são escolhidos em função das dificuldades técnicas oferecidas mas, igualmente, de olho na bilheteria, no gosto do público. Na temporada de 1949, são apresentados Arsênico e Alfazema, de Joseph Kesselring, e Luz de Gás, de Patrick Hamilton, ambos dirigidos por Celi, exercícios que antecedem as montagens de Ele, de Alfred Savoir; e O Mentiroso, de Carlo Goldoni, primeiras direções de Ruggero Jacobbi na casa. Os tecidos dos figurinos são especialmente confeccionados na tecelagem Matarazzo; armas e adereços são forjados em metalúrgicas, contribuindo para o brilho e o sucesso, sem precedentes, até então". (Fonte:Enciclopédia Itaú Cultural)
A contratação do encenador italiano, formado pela Academia Nacional de Arte Dramática de Silvio D'Amico, é decisiva para o futuro da companhia. Com Celi, o elenco permanente inicia um longo aprendizado técnico e artístico, submetendo-se às exigências de uma montagem moderna, esteticamente sofisticada. Aldo Calvo, o primeiro cenógrafo contratado, ratifica essa opção. Cacilda Becker é a primeira atriz profissionalizada e à sua contratação seguem-se as de: Paulo Autran, Madalena Nicoll, Marina Freire, Ruy Affonso, Elizabeth Henreid, Nydia Licia, Sergio Cardoso, Cleyde Yáconis, entre outros.
Os textos são escolhidos em função das dificuldades técnicas oferecidas mas, igualmente, de olho na bilheteria, no gosto do público. Na temporada de 1949, são apresentados Arsênico e Alfazema, de Joseph Kesselring, e Luz de Gás, de Patrick Hamilton, ambos dirigidos por Celi, exercícios que antecedem as montagens de Ele, de Alfred Savoir; e O Mentiroso, de Carlo Goldoni, primeiras direções de Ruggero Jacobbi na casa. Os tecidos dos figurinos são especialmente confeccionados na tecelagem Matarazzo; armas e adereços são forjados em metalúrgicas, contribuindo para o brilho e o sucesso, sem precedentes, até então". (Fonte:Enciclopédia Itaú Cultural)
Italiani: Franco Zampari e o Teatro Brasileiro de Comédia
Na história do Teatro no Brasil, o nome do napolitano Franco Zampari está associado à criação de uma importante companhia paulistana: o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC)
fundado em 1948.
“O Teatro Brasileiro de Comédia é o grande modernizador do teatro no país. No comando do TBC está Franco Zampari, italiano radicado no Brasil desde 1922. Em 1945, Franco Zampari escreve uma peça de teatro chamada 'A Mulher de Braços Alçados'.
Napolitano, engenheiro das Indústrias Matarazzo e amante das artes, Zampari apresenta sua peça numa festa da alta sociedade de São Paulo. Essa brincadeira entre amigos é a semente que brota e acaba motivando Zampari para uma dedicação mais profunda ao teatro.
Nas décadas de 30 e 40 predominavam, no teatro brasileiro, espetáculos humorísticos centrados em um ator principal, valorizado por sua capacidade de comunicação direta com o público e suas habilidades de improvisador. O ator era, em geral, o dono da companhia e sua principal atração. Procópio Ferreira, Jaime Costa e Dulcina de Morais são exemplos.
Nos anos 40, uma vontade geral de transformar esse modo de fazer teatro se propaga por grupos amadores, formados por universitários, intelectuais e profissionais liberais. Décio de Almeida Prado funda o Grupo Universitário de Teatro. Alfredo Mesquita dirige o Grupo de Teatro Experimental e funda a primeira escola de atores do Brasil, a EAD - Escola de Arte Dramática, em São Paulo. Esta febre de mudanças tem dois alvos prioritários: o repertório dos textos encenados e a técnica. Movidos pela força da paixão, os amadores brasileiros viabilizam parte desse projeto.
Em 1948, Franco Zampari, associado a um grupo de empresários de São Paulo, cria o TBC - Teatro Brasileiro de Comédia. Transforma um velho casarão em teatro aparelhado com 18 camarins, duas salas de ensaio, uma sala de leitura, oficina de carpintaria e marcenaria, almoxarifados para cenografia e figurinos, além de modernos equipamentos de luz e som. Um luxo para a época. Na noite de 11 de outubro , o TBC estréia com espetáculo duplo. "A Voz Humana", monólogo de Jean Cocteau, interpretado em francês pela atriz Henriette Morineau. Completa a apresentação a peça "A Mulher do Próximo", escrita e dirigida por Abílio Pereira de Almeida. No elenco está a jovem atriz Cacilda Becker, que mais tarde se torna um dos maiores mitos do teatro brasileiro. A estréia é um sucesso.
O TBC renova a sistemática do trabalho teatral. Monta uma equipe fixa, com encenadores estrangeiros como Adolfo Celi, Ziembinski, Ruggero Jacobi, Luciano Salce e Flamínio Bollini Cerri. Além de cenógrafos, iluminadores e cenotécnicos, contrata um corpo de atores que inclui Cacilda Becker, Sérgio Cardoso, Nydia Lícia, Cleyde Yáconis, Paulo Autran, Tônia Carrero e muitos outros nomes importantes para o teatro brasileiro.
A partir de 1949, Zampari expande suas atividades nas artes e inicia a Companhia Cinematográfica Vera Cruz. As histórias da Vera Cruz e do TBC se misturam. Diversos artistas e técnicos trabalham para as duas companhias. Ao longo de sua existência, o TBC alterna grandes sucessos com fracassos de público. As constantes crises econômicas da companhia levam-na ao fechamento em 1964. O TBC é um marco na história do teatro brasileiro.
Formou toda uma geração de atores, diretores e dramaturgos. Suas encenações estão documentadas nestas fotos de Fredi Kleemann, ator do TBC e fotógrafo de teatro. Diversas companhias teatrais têm origem no TBC, como as de Nydia Lícia e Sérgio Cardoso; de Tônia Carrero, Adolfo Celi e Paulo Autran; e de Cacilda Becker. Também o Teatro de Arena e o Teatro Oficina, que apesar de terem propostas diferentes, partem do TBC como referência. O TBC fez uma das mais importantes revoluções no teatro brasileiro ao estabelecer um novo conceito de profissionalismo. Encenou textos de qualidade, com montagens bem cuidadas e renovou o ambiente cultural brasileiro". (Fonte: Tv Cultura)
“O Teatro Brasileiro de Comédia é o grande modernizador do teatro no país. No comando do TBC está Franco Zampari, italiano radicado no Brasil desde 1922. Em 1945, Franco Zampari escreve uma peça de teatro chamada 'A Mulher de Braços Alçados'.
Napolitano, engenheiro das Indústrias Matarazzo e amante das artes, Zampari apresenta sua peça numa festa da alta sociedade de São Paulo. Essa brincadeira entre amigos é a semente que brota e acaba motivando Zampari para uma dedicação mais profunda ao teatro.
Nas décadas de 30 e 40 predominavam, no teatro brasileiro, espetáculos humorísticos centrados em um ator principal, valorizado por sua capacidade de comunicação direta com o público e suas habilidades de improvisador. O ator era, em geral, o dono da companhia e sua principal atração. Procópio Ferreira, Jaime Costa e Dulcina de Morais são exemplos.
Nos anos 40, uma vontade geral de transformar esse modo de fazer teatro se propaga por grupos amadores, formados por universitários, intelectuais e profissionais liberais. Décio de Almeida Prado funda o Grupo Universitário de Teatro. Alfredo Mesquita dirige o Grupo de Teatro Experimental e funda a primeira escola de atores do Brasil, a EAD - Escola de Arte Dramática, em São Paulo. Esta febre de mudanças tem dois alvos prioritários: o repertório dos textos encenados e a técnica. Movidos pela força da paixão, os amadores brasileiros viabilizam parte desse projeto.
Em 1948, Franco Zampari, associado a um grupo de empresários de São Paulo, cria o TBC - Teatro Brasileiro de Comédia. Transforma um velho casarão em teatro aparelhado com 18 camarins, duas salas de ensaio, uma sala de leitura, oficina de carpintaria e marcenaria, almoxarifados para cenografia e figurinos, além de modernos equipamentos de luz e som. Um luxo para a época. Na noite de 11 de outubro , o TBC estréia com espetáculo duplo. "A Voz Humana", monólogo de Jean Cocteau, interpretado em francês pela atriz Henriette Morineau. Completa a apresentação a peça "A Mulher do Próximo", escrita e dirigida por Abílio Pereira de Almeida. No elenco está a jovem atriz Cacilda Becker, que mais tarde se torna um dos maiores mitos do teatro brasileiro. A estréia é um sucesso.
O TBC renova a sistemática do trabalho teatral. Monta uma equipe fixa, com encenadores estrangeiros como Adolfo Celi, Ziembinski, Ruggero Jacobi, Luciano Salce e Flamínio Bollini Cerri. Além de cenógrafos, iluminadores e cenotécnicos, contrata um corpo de atores que inclui Cacilda Becker, Sérgio Cardoso, Nydia Lícia, Cleyde Yáconis, Paulo Autran, Tônia Carrero e muitos outros nomes importantes para o teatro brasileiro.
A partir de 1949, Zampari expande suas atividades nas artes e inicia a Companhia Cinematográfica Vera Cruz. As histórias da Vera Cruz e do TBC se misturam. Diversos artistas e técnicos trabalham para as duas companhias. Ao longo de sua existência, o TBC alterna grandes sucessos com fracassos de público. As constantes crises econômicas da companhia levam-na ao fechamento em 1964. O TBC é um marco na história do teatro brasileiro.
Formou toda uma geração de atores, diretores e dramaturgos. Suas encenações estão documentadas nestas fotos de Fredi Kleemann, ator do TBC e fotógrafo de teatro. Diversas companhias teatrais têm origem no TBC, como as de Nydia Lícia e Sérgio Cardoso; de Tônia Carrero, Adolfo Celi e Paulo Autran; e de Cacilda Becker. Também o Teatro de Arena e o Teatro Oficina, que apesar de terem propostas diferentes, partem do TBC como referência. O TBC fez uma das mais importantes revoluções no teatro brasileiro ao estabelecer um novo conceito de profissionalismo. Encenou textos de qualidade, com montagens bem cuidadas e renovou o ambiente cultural brasileiro". (Fonte: Tv Cultura)
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