segunda-feira, 5 de abril de 2010

Historia (147) - Cronologia da obra salesiana no Brasil

Eis os principais fatos que marcaram a presença dos salesianos no Brasil (fonte: Salesianos-Pircicaba)
* 1875 - 8 de dezembro - o navio “Savoie”, proveniente de Gênova, traz os primeiros missionários salesianos à América e aporta na Baía da Guanabara. Os salesianos fazem rápida visita ao bispo do RJ, dom Pedro Maria de Lacerda a pedido de Dom Bosco e seguem rumo à Argentina...
* 1875 - 14 de dezembro - o navio “Savoie” chega à Buenos Aires -Argentina
* 1877 - Dom Lacerda foi a Roma, se encontrou com Dom Bosco e pediu a presença dos Salesianos em sua diocese
* 1882 - 14 de maio - O Pe. Luis Lasagna, superior dos Salesianos no Uruguai, atende o pedido de Dom Bosco, visita Dom Lacerda no Rio de Janeiro e também o norte do Brasil.
* 1883 - 10 de julho - embarcaram em Montevidéu, no vapor “Orenoque”, sete salesianos, destinados a trabalhar em Niterói-RJ;
* 1883 - 14 de julho - chegam na baía da Guanabara, os primeiros missionários Salesianos no Brasil;
* 1885 - 5 de junho - chegada dos Salesianos a São Paulo.
* 1886 - fundação do Liceu Coração de Jesus em São Paulo.
* 1889 - aberto em Guaratinguetá o Colégio S. José;
* 1890 - 3 de março - fundado o Colégio São Joaquim em Lorena/SP.
* 1892 - 9 de abril - o Pe. Luís Lasagna envia ao Brasil, Lorena/SP, a primeira expedição das Irmãs Salesianas, composta por 22 irmãs;
* 1892 - 9 de outubro - Lançada a 1a. Pedra do Liceu N. Sra. Auxiliadora de Campinas;
* 1893 - 12 de março - o Pe. Luís Lasagna foi sagrado bispo em Roma;
* 1894 - 18 de junho - provenientes de Montevidéu, chegam a Cuiabá -MT os primeiros Salesianos;
* 1894 - Noviças FMA recebem o hábito das mãos de Dom Luís Lasagna no Colégio do Carmo;
* 1885 - 3 de janeiro - ocorre a cerimônia de despedida das missionárias FMA destinadas ao Mato Grosso; * 1885 - 29 de janeiro - fundação do Colégio feminino das FMA em Araras/SP
* 1895 - 10 de fevereiro - inaugurado o Colégio Salesiano de Artes e Ofícios do Sagrado Coração em Recife -PE;
* 1895 - 9 de abril - chegada das missionárias FMA a Cuiabá 1895 - 6 de novembro - morre Dom Luís Lasagna aos 45 anos num grave acidente ferroviário em Juiz de Fora/MG.
* 1896 - criada a Inspetoria Brasileira de N. Sra. Auxiliadora abrangendo as casas de Niterói, São Paulo e Lorena.
* 1896 - 5 de fevereiro - as Escolas Dom Bosco de Cachoeira do Campo - Minas Gerais recebem o primeiro grupo de Salesianos liderados pelo Pe. Domingos Albanello.
* 1896 - O Colégio São Joaquim torna-se sede inspetorial e o inspetor nomeado é o Pe. Carlos Peretto.
* 1896 - Nasce a Inspetoria de Mato Grosso. O superior para as casas de Mato Grosso é o Pe. Antonio Malan, como vice-inspetor.
* 1896 - Inaugurado no bairro do Ipiranga, em São Paulo o Asilo de Órfãs N.Sra. AuxiliAdora, sob responsabilidade das FMA
* 1896 - A casa do Recife ficou sob a responsabilidade do Conselho Geral, aos cuidados do Pe. José Lazzero.
* 1897 - julho - Inaugurado o Liceu N. Sra. Auxiliadora de Campinas/SP;
* 1899 - Fundado o Colégio Santa Teresa em Corumbá;
* 1900 - Fundada a Escola Agrícola São Sebastião em Jaboatão, Bahia.
* 1900 - 11 de fevereiro - Inaugurado o Liceu Salesiano de Salvador, na Bahia;
* 1900 - 8 de dezembro - inauguração do Monumento de N.Sra. Auxiliadora no Colégio Santa Rosa em Niterói/RJ
* 1901 - Abre-se o curso popular em Araras, no Externato São Luis;
* 1902 - Constituída a nova Inspetoria do Norte do Brasil;
* 1902 - Os Salesianos assumem a direção do Instituto Orfanológico S. Joaquim, no Recife;
* 1902 - Fundada a Escola Agrícola Cel, José Vicente em Lorena/SP
* 1902 - início do funcionamento do Liceu Leão XIII de Rio Grande, aberto pela Inspetoria N. Sra. Auxiliadora e incorporado pela Inspetoria do Uruguai;
* 1902- 19 de março - aberta nova casa Salesiana em Sergipe;
* 1902 - 8 de agosto - nas terras dos Bororos acontece a fundação da Colônia Sagrado Coração de Jesus em Mato Grosso
* 1904 - a Inspetoria do Uruguai abre a Casa de Bagé, Colégio N. Sra. Auxiliadora;
* 1906 - Também no Mato Grosso nasce a Colônia “São José”, para atender os índios Meruri
* 1909 - Inaugurado o Externato São João em Campinas/SP
* 1910 - Aracaju -BA ganha o Colégio N.Sra. Auxiliadora;
* 1910 - Em Aracaju os Salesianos fundam o Ginásio . Sra. Auxiliadora
* 1914 - Inaugurado o Ginásio São Manoel em Lavrinhas/SP
* 1917- Ascurra/SC - inauguração do Ginásio São Paulo
* 1918 - 24 de dezembro - Inaugurado o Santuário de N.Sra. Auxiliadora
* 1919 - Inaugurado o Instituto Dom Bosco em São Paulo/SP
* 1926 - Inauguração do Ginásio Dom Bosco em Rio do Sul/SC
* 1929 - Inaugurada a residência Salesiana S. João Bosco em São José dos Campos/SP
* 1931 - Inaugurado em São Paulo o Externato Santa Teresinha
* 1931 - Inaugurado o Instituto Teológico Pio XI 1936 - Inaugurado o Instituto Salesiano São Francisco em São Paulo
* 1943 - Inaugurado o Instituto do Coração Eucarístico em Pindamonhangaba/SP Inaugurada a Casa do Pequeno Operário em Porto Alegre/RS
* 1946 - Inaugurado em Ananindeua o Aprendizado Agrícola Dom Lasagna
* 1950 - Inauguração do Colégio Salesiano Dom Bosco de Americana/SP
* 1950 - Inauguração do Colégio Salesiano Dom Bosco de Piracicaba/SP
* 1952 - Inaugurada a Escola Salesiana São José em Campinas/SP
* 1952 - Inaugurado o Oratório Festivo em Cruzeiro/SP
* 1955 - Inaugurado em Taquari o Aprendizado Presidente Dutra * 1988 – Neste ano acontecem as comemorações dos Cem anos dos Salesianos no Brasil.

História (146 ) – A chega dos religiosos salesianos ao Brasil

Corria o ano de 1883 quando mais uma ordem religiosa católica e de origem italiana escolhia o Brasil para uma missão evangelizadora. Estamos falando dos Salesianos, ordem funda por Dom Bosco em Turim, no século XIX.

"Os salesianos chegaram ao Brasil em Niterói, RJ, em 1883, vindos do Uruguai. Antes, em 1882, o padre Luís Lasagna, então inspetor salesiano em Montevidéu, Uruguai, viera ao Rio de Janeiro, procurando um lugar para fundar uma casa salesiana. Foi até Belém do Pará, para conhecer melhor a nossa terra. Nem tudo o que viu era bonito. Veio com ele um seminarista, Teodoro Massano, o qual deixou escrito: 'Mas nas ruas, no porto e em todos os cantos das cidades víamos grupos de pobres meninos vestidos com um pobre farrapo, mas a maior parte sem nada, em plena nudez, abandonados à desventura. Ninguém, a não ser a polícia, pensa neles'.

Padre Luís Lasagna optou por ocupar-se principalmente dessa categoria de meninos abandonados, sem excluir os demais jovens.

O fundador da ordem 

'Dom Bosco foi o fundador dos padres salesianos. A palavra "salesianos" foi empregada pelo próprio D. Bosco, para nomear seus seguidores, em honra a São Francisco de Sales. Ele nasceu na Itália, perto de Turim, no dia 16 de agosto de 1815, falecendo no mesmo lugar no dia 31 de janeiro de 1888. Era filho de pobres camponeses. Quis ser Padre para trabalhar com crianças e jovens educando e evangelizando segundo um projeto de promoção integral, visando formar "bons cristãos e honestos cidadãos".
Dom Bosco é hoje, o maior modelo de educador. Em seu centenário, o papa João Paulo II nomeou como mestre e pai da juventude. Em seu trabalho pedagógico ensinou que para educar é preciso amar primeiro. Para ele, educação é missão, um jeito de santificar e tornar tantos os homens quanto o mundo, melhores”.(fontes: Editora Salaesiana e Rede Salesiana Brasil)

Historia (145 ) – “Farl´America (75 ): Dificuldades na travessia do Atlântico

Barra Bonita, estância turística no interior de São Paulo, deve boa parte de sue desenvolvimento ao trabalho do imigrante italiano. No site Estância Barra Bonita, além de relatos sobre tradicionais famílias pioneira, encontramos um breve texto que ilustra as dificuldades enfrentadas pelos italianos que se aventuraram a “fazer a América” cruzando o Atlântico rumo ao Brasil.

“Segundo a historiadora Célia Stangherlin, havia, em cada imigrante, um sonho de riqueza a se concretizar. O café, chamado de "ouro verde" e as pedras preciosas, das quais tinham ouvido falar, eram a promessa de uma nova vida de sucessos. Célia Stangherlin destacou uma curiosidade na história local dos imigrantes italianos. 'Dona Tereza G. Bolla, imigrante italiana, que chegou ao Brasil, aos 18 anos, em 30 de dezembro de 1897, juntamente com o esposo Ferrúcio, com 25 anos, e uma filha recém-nascida, Éster, contava as dificuldades da viagem no navio, onde quase tudo era racionado'. Segundo o relato de dona Tereza, resgatado por Célia, a água para se beber, era colocada numa cartola, a mais de um metro de altura e, nela, se colocava uma chupeta (tipo de bico de mamadeira antiga) para os passageiros ‘chuparem’ a água, quando estivessem com sede. ‘Todos bebiam no mesmo bico. Assim, evitava-se o desperdício, para não faltar água em alto mar’".

domingo, 4 de abril de 2010

Oriundi - Vadico, compositor e parceiro de Noel Rosa

Filho de Erasmino Gogliano e Maria Adelaide de Almeida, casal de imigrantes italianos do bairro do Brás, Osvaldo de Almeida Gogliano, nas rodas cariocas conhecido como Vadico (1910-1962), foi outro oriundo que inscreveu seu nome na história da música brasielira sobretudo como parceiro do genial Noel Rosa.

Rafael dos Santos (Unicamp - Campinas) num trabalho sobre Vadico assim descreve o seu perfil: 

 "Conhecido como um dos principais parceiros de Noel Rosa, Osvaldo de Almeida Gogliano, conhecido como Vadico, atuou intensivamente como compositor, pianista e arranjador. Entretanto, com exceção de suas obras em parceria com o Poeta da Vila e algumas poucas outras (como no caso de Prece, de 1958, com Marino Pinto), até o momento não se encontram disponíveis registros em gravação ou partitura de sua produção, e nem mesmo se sabe se ainda existem. Per Musi - Revista Acadêmica de Música - n.14, 110 p., jul - dez,2006 SANTOS, Rafael dos).

O feitio da inovação na década de 1930... Per Musi, Belo Horizonte, n.14, 2006, p.33-43 34 Vadico era paulistano, nascido em 1910, no Brás; era descendente de imigrantes italianos e todos os seus irmãos eram músicos. Seu irmão Dirceu fez o Conservatório Dramático Musical de São Paulo e sua irmã Rute era formada em piano e harmonia (MARCONDES, 1998, p.797). Sabe-se que a música européia tradicional exerceu uma influência considerável na sua formação; sua educação musical incluiu o estudo formal de piano, harmonia e composição (MÁXIMO e DIDIER, 1990, p. 266).

Anos depois, já durante o período de sua carreira internacional, que começou em 1939, estudou harmonia, contraponto, composição musical e regência com o compositor italiano Mario Castelnuovo Tedesco (MARCONDES, 1998, p.797).

Foi para o Rio de Janeiro em 1931, aos 21 anos de idade, mas um pouco antes disso já tinha duas composições gravadas: o samba Deixei de ser Otário, de 1929, gravado por Genésio Arruda na Odeon, e o samba Arranjei Outra, com Dan Mallio Carneiro, gravado por Francisco Alves em 1930. Também já fazia arranjos nesta época".

Oriundi -Italianidade na vida e música de Toquinho(3)

Em seu Blog Toquinho fala do sentimento italiano que carrega consigo.


"Sou um dos inúmeros brasileiros que, com muito orgulho, carregam a Itália impregnada no sangue. Meus avós maternos e paternos nasceram naquele país. Imigraram para o Brasil, chegando aqui no início do século passado, emprestando a força de seu dinamismo para a construção e o desenvolvimento dessa terra, mais especificamente do estado de São Paulo.

Não bastasse esse elo sanguíneo, a Itália se constituiu no berço de meu aprendizado profissional durante os sete meses que lá passei ao lado de Chico Buarque no ano de 1969, época de forte repressão política aqui no Brasil. Mal podia imaginar que se iniciava naquele ano difícil minha caminhada artística pela Itália. Posteriormente, ao longo dos anos, primeiramente junto com Vinicius de Moraes, e depois individualmente, fui construindo um lastro de popularidade consolidada a partir dos anos de 1980 pelo retumbante sucesso da canção “Aquarela”. Popularidade essa ratificada a cada ano com seguidas temporadas de shows por todo território italiano.

A Itália é minha segunda Pátria, e lá, me tratam como filho da terra. Tanto o povo italiano quanto as autoridades daquele país respeitam e valorizam seus descendentes espalhados pelo mundo. Meu avô paterno nasceu em Toro, município da região de Molise, província de Campobasso. Sei que essa minha relação com aquele pequeno pedaço de terra é um orgulho para toda sua comunidade, e tenho recebido manifestações inequívocas que provam esse sentimento. Em novembro de 2007, fui agraciado pelo “sindaco” (prefeito) de Toro, Ângelo Simonelli, em meio a tantas atitudes de carinho, com os documentos oficiais (atestado de nascimento de meu avô, Giovanni Antonio Pecci) que comprovam minha descendência de uma estirpe “torese”. Sou considerado como uma 'coisa preciosa', como são todas as pessoas que contribuíram e contribuem para elevar o nome daquela região.

Por isso, assim como outros descendentes, fui alvo de mais uma homenagem por parte da comunidade de Toro, recebendo, em julho, o PRÊMIO AMBASSAD’OR, il passaporto d’oro, conferido aos descendentes daquela terra que se destacam pelo mundo em suas atividades. Estive lá, apresentando-me num espetáculo, levando comigo a mistura do engenho inventivo do sangue brasileiro com a altivez do italiano, e meu enorme agradecimento por tão carinhoso ato de reconhecimento pelo meu trabalho. É emocionante receber esse importante reconhecimento, há um valor simbólico muito grande, pois estou representando todas as pessoas que imigraram e trabalharam aqui no Brasil".

sábado, 3 de abril de 2010

Oriundi -Italianidade na vida e música de Toquinho(2)

Em parceria com o poeta Vinicius de Moraes, Toquinho chegaria à Itália (final anos 60), onde faria amigos como Sergio Endrigo e Ornella Vanoni, fatos relatados em site. 


"Na Itália, Toquinho e Vinicius infiltraram-se pela península em longas e marcantes temporadas. Mas era ainda uma época em que podiam andar pelas ruas de braços dados, protegidos pelo anonimato. Toquinho lembra essa fase: 'Curtíamos passear por Firenze, parecendo dois Beatles, cabelos compridos, casacos enormes, bonés e cachecóis. Vinicius adorava admirar as estátuas da Piazza della Signoria. Andávamos por aquelas ruelas, parávamos para falar com as pessoas. Entrávamos nos bares e comíamos presunto cru, pão e bebíamos vinho. E as idéias das músicas brotavam simples e despretensiosas ' " .

"Depois, a proteção do anonimato foi de desfazendo. A universalidade da música e da poesia deles 'expandiu-se dos palcos para os discos. Ao longo dos anos, gravaram o LP infantil  'L’arca di Noè”, com Sergio Endrigo; o LP  'Per vivere um grande amore', em italiano; em Milão, quatro horas de estúdio, uma garrafa de uísque do lado, os técnicos no 'aquário', a colaboração especial dos maestros Bacalov e Bardotti, e eles cantando descontraidamente o que lhes vinha à cabeça, originando o LP  'Toquinho e Vinicius – O Poeta e o violão'. Quem ouve esse disco tem a primazia de sentir Toquinho e Vinicius como se estivessem sentados num banco de quintal, conversando entre as músicas e cantando do jeitinho que todo mundo gosta de escutar, sem interrupção, essas delícias como ''Marcha da quarta-feira de cinzas', “Morena flor”, 'Chega de saudade',(...) Pouco tempo depois, caíam nos braços do público italiano com o LP 'La voglia, la pazzia, l’íncoscenza, l’allegria', um documento lírico definitivo, que gravaram com Ornella Vanoni: 'Questo disco é um momento talmente magico per me!', escrevia ela na contracapa. Cantando em todas as faixas, ou sozinha com Toquinho e Vinicius, Ornella é parte integrante da magia desse disco, no mínimo magnífico.

O LP não só se tornou um dos mais importantes do ano como, até hoje, jamais saiu de catálogo, sendo ainda um grande sucesso em toda Itália e em muitos outros países. As versões de Bardotti, estudioso da língua portuguesa e falando fluentemente nossa língua, saíram com todo molho e picardia que Toquinho e Vinicius colocaram no momento da composição. O disco é todo emocionante. Parece que, nas expressões italianas, as palavras se desnudam mais, transparecendo a alma do lirismo, principalmente em canções como 'Samba della rosa', 'Samba in prelúdio', 'Um altro addio', e nesse raro retrato do cotidiano, cada vez mais moderno, que é 'Semáforo rosso'- o 'Sinal fechado', de Paulinho da Viola.

Sem dúvida, é esse disco, que carrega o selo RGE e foi gravado no Studio Fonit-Cetra, em Roma, um dos trabalhos mais felizes da dupla Toquinho/Vinicius. Por mais que Toquinho e Vinicius desejassem – e esse desejo era sempre duvidoso – livrar-se das cantoras em seus trabalhos, volta e meia elas estavam presentes. Eles não perdiam tempo nem oportunidades. Nos estúdios de gravação, trabalhavam com Ornella, enquanto para o palco levavam junto a carioquíssima violonista, compositora e cantora Joyce, num espetáculo apresentado no Lírico de Milão e no Sistina de Roma, ocasião em que quase duas mil pessoas conseguiram entrar no teatro e mais mil ficaram de fora. Um público, segundo o empresário Franco Fontana, só igualado com Charles Aznavour e Gabriela Ferri".

Oriundi -Italianidade na vida e música de Toquinho(1)

 Outro grande músico e letrista brasileiro a trazer no sangue origens italianas é Antonio Pecci Filho, que na sua bem sucedida carreira artística é conhecido como Toquinho, autor de canções (solo ou parceria) que fizeram sucesso no Brasil e no exterior, principalmente na Itália.

Toquinho, nascido em 6 de julho de 1946 ( São Paulo) é neto de imigrantes italianos. Os avós paternos Giovanni Pecci, (Molise) e , Filomena Agazio Pecci (Calábria) , chegaram ao Brasil em 1895. Em seu site, o artista conta que na infância a mãe o chamava de ‘meu toquinho de gente’, donde veio o apelido Toquinho que se confirmaria como nome artístico.

“Nasceu em 1946, em São Paulo, com o nome de Antonio Pecci Filho. Era o novo integrante de uma família de ascendência italiana: a mãe, Diva Bondeolli Pecci; o pai, Antonio Pecci; e o irmão de quatro anos, João Carlos Pecci. Moravam no bairro do Bom Retiro, na rua Anhaia, 1144, bem próximo à várzea do rio Tietê, onde se espalhavam vários campos de futebol. Não havia calçamento, a rua era de terra, por onde desfilavam, em fila organizada, obedientes vacas leiteiras carregando enormes tetas. E após sua passagem, a bola rolava outra vez no chão de terra dura: o portão da cocheira era o gol da gurizada".

"Tendo sido aluna de violino na escola dirigida pelo Maestro Memore Peracchi, Dna. Diva tornou-se professora e depois trancou o instrumento no armário, onde o tempo e o desuso se incumbiram de desintegrá-lo. Num dia de faxina, baixou do armário a caixa do violino. A família se apressou ao redor daquela relíquia por tantos anos adormecida. A tampa envolta em bolor soltou-se da caixa, revelando um violino sem cordas, madeira encarapinhada, arco afrouxado. Um instrumento a decompor-se. Mesmo assim, iluminava os olhos do menino: 'Foi minha primeira sensação da existência de um instrumento', explica Toquinho. 'Sempre tive vontade de ver o violino que minha mãe guardava lá em cima do armário. Foi a primeira vez que peguei num instrumento, mas num desses que facilitam a intimidade com as pessoas, que se pode levar para qualquer lugar, instrumentos que colam no corpo. A primeira vez que peguei num, foi naquele violino'

“A música começou a entrar mesmo em minha vida através dos discos que meu pai comprava', afirma Toquinho. Seu Nico, como era conhecido o Antônio pai, não completara nem o ginásio. Portava uma sabedoria extraída da vida e guardava dentro dele amores a certas artes. Ia freqüentemente ao cinema, mesmo sozinho, nos espaços vazios de algumas tardes. Chegava a assistir o mesmo filme três ou quatro vezes. Tanto que, na quase rudeza de sua cultura, ia colecionado discos de todos os gêneros e plantava em sua própria casa os primeiros tentáculos do talento de um dos filhos. 'Eu ouvia os discos do Luiz Gonzaga e sentia uma estranha euforia. Emocionava-me com a Ângela Maria cantando, com o Francisco Alves. E de repente estávamos almoçando com orquestrações do Ray Antony, Ray Coniff. Ou com aqueles clássicos italianos nas vozes de Beniamino Gigli, Gino Becchi. São canções que ainda circundam meus ouvidos. E muitas vezes se jantava com Chopin na vitrola...', completa Toquinho. Essa influência tinha um avesso representado pela Nadir, a empregada. Seu radinho pendurado no trinco da geladeira, apoiado na janela da pia, na beira do fogão, no móvel da sala, na penteadeira do quarto espalhava por toda a casa as vozes de Anysio Silva, Orlando Dias, Nelson Gonçalves".