sábado, 10 de abril de 2010

História (150) - "Far l´America ( 76) - O início da imigração italiana no Estado do Paraná

O grande êxodo dos italianos nas décadas finais do século XIX teve como um de seus destinos no Brasil o Estado do Paraná. Eliane Mimesse e Elaine Maschio ( Universidade de Tuiuti e Faculdade Internacional de Curitiba) num trabalho comparando a imigração italiana em São Paulo e no Paraná abordam a a inserção dos pioneiros nas terras paranaenses.

“No Paraná, a introdução de imigrantes italianos deu-se, primeiramente, por um contrato firmado entre o presidente da província, Venâncio José Lisboa, e o empresário Sabino Tripoti, no ano de 1871 (Balhana,1958:28). Muitos dos imigrantes foram instalados, inicialmente, na Colônia Alexandra no litoral, criada no ano de 1875. Embora a proposta política de distribuição de terras - dinamizada pela província para os imigrantes que desejassem a posse da terra e buscassem o desenvolvimento agrícola e, econômico - fosse aparentemente vantajosa, os imigrantes que pensavam encontrar condições propícias no Paraná, acabaram sofrendo as conseqüências da falta de interesse e de responsabilidade dos agentes da imigração quando de
seu ingresso e instalação no país”.

“O empresário Tripoti, exemplo de falta de responsabilidade, fundou a Colônia Alexandra na região litorânea movido por interesses pessoais. Localizada próxima ao Porto de Paranaguá, despenderia poucos recursos para o transporte dos colonos, Dessa forma, poderia o empresário trazer um número muito maior de imigrantes com a metade dos recursos que o governo lhe pagaria. Segundo Balhana (1958:29), Tripoti não estava interessado nem nos colonos nem na colonização da Província. Seu objetivo era atrair um número maior de imigrantes, uma vez que recebia 500 liras e não despendia mais de 100 por imigrante que trouxesse. Para convencer o maior número deles na Itália, o empresário confeccionou folhetos denominados Carta ao Amico Colono, que traziam informações contrárias e enganosas sobre a realidade daquela colônia”.

“No demorou muito para que aparecessem as conseqüências dessa prática e dessa política. O mau planejamento colocava em evidência a situação lastimável da colônia, tornando quase impossível à sobrevivência dos imigrantes. A localidade tornou-se pequena para o grande número de imigrantes que ali aportava. Os poucos colonos que conseguiram terras não tiveram êxito com a produção devido ao clima, que não era propício para o tipo de cultivo trazido do norte da Itália. A maior parte deles era composta por camponeses contadini, que procediam do Vêneto, região de clima muito frio. (Maschio, 2005)”.

Inúmeras reclamações chegavam a Curitiba da Colônia Alexandra. Muitos imigrantes desejavam até mesmo retornar à Itália, pois julgavam terem sido enganados pelas falsas promessas das propagandas. A melhor solução aos imigrantes seria a assistência e sua remoção para outro lugar. Assim, o governo rescindiu o contrato com o empresário e promoveu diretamente a imigração e a reimigração de colonos”.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Italiani: A bem sucedida história de Luigi Papaiz

Em 9 de dezembro de 1924 nascia na cidade de Sesto al Reghena na região Friuli- Venezia- Giulia, Luigi Papaiz que, tempos mais tarde, se tornaria no Brasil um empresário extremamente bem sucedido. Em 1947, ainda na Itália, mas em outra região (Emilia Romagna), Luigi inauguraria uma pequena fábrica na cidade de Bolonha. Cinco anos depois a família Papaiz se mudaria para o Brasil, onde, na cidade de São Paulo, bairro da Vila Prudente, lançaria a pedra fundamental do que viria a se tornar o grupo Papaiz, sinônimo de cadeados e fechaduras.

O site Rede de tecnologia traz um depoimento do próprio fundador (falecido em 2003). : "A história do Grupo Papaiz começou em 1947, quando iniciei uma pequena atividade mecânica na cidade de Bolonha, na Itália. Como eram muitas as dificuldades da economia na Europa após a guerra, em 1952 decidi transferir-me para a América do Sul em busca de melhores oportunidades de desenvolvimento.

Cheguei a São Paulo trazendo algumas máquinas como bagagem, e os primeiros anos no Brasil foram muito difíceis. A Papaiz era na Vila Prudente, e o fornecimento de fechaduras para indústrias de móveis permitiu impulsionar o crescimento inicial da empresa.

Minha filosofia sempre foi direcionar recursos para o desenvolvimento dos negócios, através do contínuo investimento em máquinas e equipamentos industriais de última geração, bem como promover uma constante valorização do elemento humano. Posteriormente, iniciamos a fabricação de cadeados, e na década de 70, passamos a produzir também fechaduras residenciais de alta segurança”.

Italiani: A doce história da família Bauducco

"A história da tradicional fábrica de bolachas e bolos BAUDUCCO tem início em 1948, quando o representante comercial Carlo Bauducco chega ao Brasil vindo da cidade italiana de Turim. O motivo para cruzar o Atlântico de navio não era agradável. Ele vinha cobrar uma dívida de máquinas de torrefação de café, importadas por um amigo, também italiano. Apesar de não falar uma palavra em português, conseguiu recuperar parte do dinheiro. Em vez de voltar à terra natal, o italiano então com 42 anos encantou-se pela cidade e decidiu ficar.

O bom faro para negócios ajudou-o a perceber que o panetone era pouco consumido em São Paulo, onde havia muitos italianos e descendentes. Dois anos depois de sua chegada ao país ele já estava produzindo Panettone artesanalmente, enxergando a possibilidade de ampliar sua produção e comercializar a deliciosa receita italiana em toda a cidade de São Paulo. No ano de 1952 foi inaugurada uma pequena confeitaria chamada DOCERIA BAUDUCCO no bairro do Brás, bairro onde se concentravam os imigrantes italianos em São Paulo, que além dos deliciosos panettones, começou a produzir também biscoitos Champanhe, doces, salgados e petit fours. Carlo logo trouxe de Milão seu único filho Luigi para ajudá-lo. Como as vendas ainda precisavam melhorar, o Sr. Bauducco resolveu inovar mais uma vez. Ele teve a idéia de encher um avião de panfletos e “bombardeou” a cidade de São Paulo.

Conseguiu ao mesmo tempo divulgar o panettone, desconhecido para muita gente, e vender todo o estoque em apenas três dias. Curiosamente, Carlo Bauducco não cozinhava. Para cuidar da preparação das guloseimas, o patriarca convidou o conterrâneo Armando Poppa, um habilidoso confeiteiro. Quando Poppa saiu para abrir sua própria doçaria, a Cristallo, em 1953, Carlo trouxe outros especialistas para substituí-lo, mas tomou o cuidado de preservar a fórmula original do doce recheado de frutas cristalizadas. O grande salto, no entanto, foi dado em 1962 com a inauguração da fábrica em Guarulhos. Começava então a passagem de produção artesanal para a produção industrial e o lançamento de novas linhas de produtos. Três anos depois, observando o hábito brasileiro de querer tocar o produto, a marca decidiu criar uma embalagem mais resistente, feito de papelão. Na caixa o Panettone encontrava-se devidamente protegido. O mesmo aconteceu posteriormente com a linha de biscoitos. P

ouco tempo depois, também foi fundamental para a expansão da marca a entrada do produto em supermercados, onde o consumidor comprava por impulso. Nos anos seguintes a BAUDUCCO lançou no mercado brasileiro vários produtos inovadores como a linha de torradas e grissinis, a Colomba Pascal e o panettone com gotas de chocolate, que fisgou os fãs do tradicional doce incapazes de comer frutas cristalizadas. Os produtos BAUDUCCO cruzaram as fronteiras internacionais em 1979 com as primeiras exportações para os Estados Unidos. A década de 80 começou com grandes novidades, como a construção da segunda fábrica em 1983 e os lançamentos de dois grandes sucessos da marca: biscoitos amanteigados e Wafers. Foi também nesta época que Massimo, neto do fundador da empresa, assumiu o comando da empresa e deu partida em um ambicioso plano de diversificação. Na ocasião, os panetones garantiam quase a totalidade do faturamento.


Hoje, eles representam apenas 25%. Num primeiro momento, os Bauducco definiram dois mandamentos. O primeiro: não abandonariam sua vocação, isto é, “produtos de forno”. O segundo: “A gente não admite fazer nada que já existe no mercado”. Foi assim com os sabores inéditos da bolacha wafer, setor no qual a BAUDUCCO se tornou o segundo maior fabricante do mundo. No ano de 1997, após uma série de pesquisas em profundidade, a BAUDUCCO faz a maior mudança de identidade visual já realizada por uma empresa de alimentos. Modernizando a sua logomarca, adota o amarelo como cor predominante em todas as suas embalagens. O amarelo, entre outras coisas, simboliza a luz do sol e o trigo, base de todos os produtos. Junto com a mudança das embalagens, foi veiculado um filme publicitário contando a chegada da família Bauducco ao Brasil.

No ano seguinte a BAUDUCCO recebe, em Londres, o prêmio Design Effectiveness Awards com a embalagem desenvolvida para a sua lata especial de Natal do Panettone. É a primeira vez que uma empresa brasileira de alimentos recebe este prêmio. Em 1999, com um produto de grande qualidade e versões com recheio, torna-se líder de mercado na categoria de bolos no Brasil. Em 2001, a empresa comprou sua principal concorrente, a Visconti. Essa aquisição consolidou a BAUDUCCO na liderança, com uma fatia de 70% do mercado de panettones. Recentemente, a BAUDUCCO concluiu uma ampla pesquisa para mensurar a aceitação de novos produtos.

Sete categorias foram avaliadas. O resultado revela o vigor da marca. Algumas das categorias estão “prontas” para receber a assinatura BAUDUCCO. É o caso de pães, massas e, um pouco depois, chocolates. Itens como molhos prontos não estão descartados. Conquistando o mundo A partir de 2000 a BAUDUCCO começou uma forte expansão internacional para vários países. Mas a grande sedução vem do mercado americano. Lá, a BAUDUCCO inaugurou em 2005 uma subsidiária, a Bauducco Foods, responsável pela coordenação de oito distribuidores locais. O principal objetivo é atender as grandes redes de supermercados americanas. A Wal-Mart fechou um contrato para abastecer suas lojas da Flórida.

Também é possível encontrar torradas, biscoitos e panetones BAUDUCCO na Walgreens, maior rede de lojas de farmácia e conveniência do país. A menina dos olhos da família, porém, é o contrato com a Target, segunda maior empresa de varejo dos Estados Unidos. A BAUDUCCO será a primeira marca brasileira a ocupar espaço nas gôndolas da gigante. A marca no mundo A empresa comercializa seus produtos através de 200 mil pontos de venda no Brasil.

Atualmente a BAUDUCCO possui quatro fábricas (três em São Paulo e uma em Minas Gerais) e nove centros de distribuição, nos quais trabalham 3.000 funcionários. Os produtos da marca são vendidos em cinqüenta países, entre os quais Estados Unidos, Japão, Portugal e Argentina. As exportações representam hoje 10% do faturamento da empresa. O grupo ainda mantém em seu portfólio a marca Visconti". (Fonte: Blog Empreendedorismo)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Oriundi - Ciccillo Matarazzo e a criação do Museu de Arte Moderna

Criado em 1949 por iniciativa de um grupo de amantes da cultura, em particular Ciccillo Matarazzo, o Museu de Arte Moderna (São Paulo)guarda importante acervo nacional e internacional.

"Encabeça a genealogia do MAM – e, portanto, de sua coleção – uma carta enviada, em 1946, por Sérgio Millet, então diretor da Biblioteca Municipal de São Paulo, ao magnata norte-americano Nelson Rockefeller, presidente do Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York. A correspondência falava de um grupo interessado em formar um Museu de Arte Moderna em São Paulo e a resposta, entusiasta, era de que a instituição nova-iorquina fundada em 1929 poderia servir de modelo a 'todas as entidades que se abririam com esse nome no mundo ocidenta'; palavras de Rockefeller.
No final do mesmo ano, a comunicação de Milliet com o conselheiro do MoMA Carleton Sprague Smith acertava a doação que viria dos EUA para iniciar o acervo de dois novos museus brasileiros. Ao todo seriam 14 trabalhos, sete para o MAM paulistano e sete para o MAM carioca, entregues ao Instituto dos Arquitetos do Brasil – Seção SP, nos termos de guarda provisória.

Da Europa, o empresário Francisco Matarazzo Filho acompanha os preparativos e destaca o secretário Carlos Pinto Alves para fazer a diplomacia das relações com o MoMA. Em janeiro de 1948, Ciccillo Matarazzo Sobrinho cria a Fundação de Arte Moderna, por meio da qual encomenda a Rockefeller uma exposição de arte abstrata, “que causaria grande repercussão e levaria o público a discutir essa forma especial de pintura”, como escreve o industrial ítalo-brasileiro em carta. Enfim, em julho de 1949, é criado o Museu de Arte Moderna de São Paulo. A ata de constituição da sociedade civil, registrada no Tabelionato Nobre da cidade, leva a assinatura de 68 artistas, empresários, intelectuais e arquitetos. Entre eles, Tarsila do Amaral, Villanova Artigas, Oswald de Andrade, o próprio Ciccillo e Milliet. Antes da inauguração da sede à rua Sete de Abril, o MAM expunha tímida coleção – constituída, por exemplo, de telas de Chagall, Dufy, Kandisky, Miró e Picasso, entre os estrangeiros, e Anita Malfatti, Di Cavalcanti, José Antônio da Silva, Mário Zanini e Volpi, entre os brasileiros – no endereço da Metalúrgica Matarazzo.

A maior parte das obras, supõe-se, pertencente a Ciccillo – as doações do casal Matarazzo são imprecisas até hoje. Os trabalhos doados por Rockefeller chegam ao museu em dezembro de 1949. São eles um móbile de Alexander Calder, aquarelas de George Grosz e de Marc Chagall, uma têmpera de Morris Grave, um óleo de Byron Browne e guaches de André Masson e de Fernand Léger. D

urante toda a década seguinte, a coleção amplia-se por meio de aquisições, realizadas sobretudo durante o período das Bienais, e doação de artistas, como é o caso de Emiliano Di Cavalcanti, que cedeu ao museu, em meados daquele decênio, mais de 500 de seus desenhos. Em 1963, Ciccillo apoiou-se no artigo de número 52 da escritura de constituição do MAM – o qual reza que “o patrimônio da associação se reverterá, no caso de dissolução, em benefício da Fundação de Arte Moderna”, dirigida por ele - para transferir acervo e tudo o mais ao nascente Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.

Membros da associação do MAM perpetram a tentativa inglória de rever a coleção; conseguem, apenas, sustentar o nome do museu. É só em 1967 que o museu reinicia a formação de um novo (ou segundo) acervo, com a doação da coleção do tesoureiro da instituição na época, Carlo Tamagni.

Outra alternativa foi muito bem pensada por Diná Lopes Coelho, secretária do MAM, idealizadora do Panorama de Arte Atual Brasileira, exposição periódica que traçaria a mais recente produção artística do Brasil, cujos prêmios, aquisitivos, engordariam a coleção. Em paralelo a isso, contava-se com doações generosas de artistas, colecionadores, empresas etc. De todo modo, as circunstâncias que se impunham fizeram o museu volver a diretriz do acervo: daí em diante, o MAM privilegiaria a arte do pós-guerra, produzida a partir dos anos 50.

Nas décadas posteriores, até meados de 90, o museu valia-se muito de doações e das aquisições do Panorama. A coleção dá uma guinada exponencial a partir do final do século passado. Se em 1998, a instituição contava com cerca de 2.500 obras, hoje a coleção constitui-se de mais de 4.000 peças, entre pintura, escultura, desenho, fotografia, vídeo, instalação e performance, concebidas por quase 1.000 nomes da arte brasileira. Entre eles, nomes importantes da ou para a atual produção, como Cildo Meireles, Beatriz Milhazes, Rafael França, Marepe, Rivane Neuenschwander, Valdirlei Dias Nunes, Leda Catunda, Rubens Mano, Daniel Acosta, Laura Lima, Nelson Leirner e Carlos Fajardo". (Fonte MAM)

Oriundi - O legado de Ciccillo Matarazzo

O desenvolvimento das artes no Brasil deve muito a um oriundo nascido de tradicional família de imigrantes italianos: Francisco Matarazzo Sobrinho ((São Paulo, 20 de fevereiro de 1898 — São Paulo, 16 de abril de 1977), mais conhecido por Ciccillo Matarazzo, cujo perfil é assim traçado no portal Sesc.

"Francisco Antônio Paulo Matarazzo, filho de Angelo Andrea Matarazzo e de Maria Virginia Geraldi, nasceu em São Paulo em 20 de fevereiro de 1898 e faleceu na mesma cidade em 16 de abril de 1977. Para a família, para os amigos, e mais tarde para todos os seus conterrâneos, simples e afetuosamente, Ciccillo – homem afável, de saudosa memória para todos os que tiveram a ventura de conhecê-lo, e cuja passagem por este mundo foi marcada tanto pela agudeza de sua visão empresarial como pelos esforços de sintonia com as necessidades da comunidade.

Uma vida assim sintetizada pelo jornalista Luiz Ernesto Machado Kawall por ocasião de sua morte, em matéria da Folha de S. Paulo (17/4/1977): 'Ciccillo nasceu ligado e deitou raízes no tempo e no espaço. Não teve um filho, mas amou a criação, a natureza, o belo, o ideal do entendimento entre os povos pelo congraçamento da arte'.

Era sobrinho do primeiro Francisco Matarazzo (1854-1937), italiano de Castellabate emigrado para o Brasil em 1881, aos 27 anos. E que cerca de 20 anos mais tarde já começaria a implantar um verdadeiro império industrial, representado por 365 fábricas espalhadas por todo o território brasileiro. Em 1934, o conglomerado de suas empresas (Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo – IRFM) tinha uma renda que só perdia, no Brasil, para o Produto Interno Bruto do estado de São Paulo, ultrapassando de longe Minas Gerais, o Distrito Federal e o Rio Grande do Sul. Em 1917, após vultosa contribuição à Itália durante a 1ª Guerra Mundial, o primeiro Francisco receberia do rei Vítor Emanuel o título de conde, logo mais estendido também a seus herdeiros. Ligando-se muito jovem ao trabalho da família e do tio, Ciccillo conseguiria em 1935 tornar-se independente com o desmembramento das várias empresas do grupo, cabendo-lhe a propriedade total da metalúrgica Matarazzo-Metalma.

Em 1944, por averbação em cartório adotou em definitivo o nome comercial de Francisco Matarazzo Sobrinho. Nascido em berço esplêndido, o menino Ciccillo recebeu educação esmerada, iniciada como a de outros garotos de seu tempo no prestigioso Instituto de Educação Caetano de Campos. Com 10 anos, porém, foi mandado pela família, com um preceptor, para estudar em Nápoles. Permaneceu na Europa até os 20 anos, tendo estudado engenharia na Universidade de Liège (Bélgica) – desse prolongado séjour europeu conservaria um sotaque típico, ítalo-francês, durante toda a vida, e um entranhado amor pela literatura e pelas artes. Na mocidade – como ele próprio confessava – preferia a arte acadêmica, e na verdade estava mais interessado "em uma reluzente Bugatti ou em uma Fiat modelo esportivo".

Na maturidade realizou um esforço consciente de integração no meio intelectual, desde o início da década de 1940, e começou a arranjar meios de tornar realidade o desejo de muitos: fazer de São Paulo um centro de efervescência artística e cultural permanente. Sonhos realizados A cidade de São Paulo assistiu na década de 1940 ao surgimento de vários clubes e associações de caráter artístico em que os remanescentes de 1922, juntando-se aos novos artistas e intelectuais recrutados na recém-criada Faculdade de Filosofia de São Paulo, organizavam-se para a criação institucional de uma cultura que pudesse se situar perante o mundo. Com a 2ª Guerra Mundial em curso, os contatos tradicionais com a Europa tornavam-se difíceis.

O Brasil assistia a um processo de substituição de referências culturais, orientando-se mais pelos moldes norte-americanos – aliás, para isso se empenhavam os governos do Brasil e dos Estados Unidos, através da chamada 'Política da Boa Vizinhança', que teve como coordenador o milionário Nelson Rockefeller, dono da Standard Oil e presidente do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA).

Grande articulador dessa aproximação foi um dos maiores intelectuais da época, o crítico de arte Sérgio Milliet, desde o tempo em que era professor da Escola de Sociologia e Política até tornar-se diretor da Biblioteca Municipal. E também o arquiteto Eduardo Kneese de Melo. Ligando-se a eles por laços de amizade e trabalhando em conjunto no projeto do Museu de Arte Moderna – e um pouco mais tarde no da Bienal –, Ciccillo tornou-se um conhecedor de arte e dedicou o resto de sua vida às atividades culturais. Em sua linguagem peculiar, diria o empresário, mais tarde, que fundara o museu porque necessitava fazer alguma coisa do gênero, era preciso 'levantar o diabo nell’acqua morta'.

Em 1947, Ciccillo casa-se em Roma com Yolanda Penteado, uma sobrinha de dona Olívia Guedes Penteado que herdara fortuna e tradição familiar de amparo às artes e se tornara uma "locomotiva" da alta sociedade brasileira – uma catalisadora da grande energia criadora de artistas e intelectuais. Quando o casal estava em Paris em lua-de-mel, Ciccillo adoeceu dos pulmões. Por recomendação médica, tiveram de passar uma temporada no sanatório de Schatzalp, em Davos (Suíça), que já passara à história da literatura como cenário do romance de Thomas Mann, A Montanha Mágica. Lá conheceram o museólogo alemão Karl Nierendorf, diretor do Museu Guggenheim, com quem mantiveram longas e instrutivas conversas.

Ele acabou por lhes sugerir a montagem de uma exposição de arte abstrata para a abertura do MAM, que já estava sendo planejado pelo casal brasileiro.

Seu conselho frutificou no espírito de Ciccillo e Yolanda – a primeira mostra do museu, "Do Figurativismo ao Abstracionismo", aberta em março de 1949, marcaria época: apesar do nome, na realidade trazia somente trabalhos abstratos e condensava toda a polêmica em torno desse tipo de arte, que já corria há tempos. Em 1948 Ciccillo fundou também, com seu amigo de infância Franco Zampari, o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), e, em 1949, a Companhia Cinematográfica Vera Cruz. A partir dessa época, e até sua morte, a figura do empresário se faria presente também na criação da Cinemateca Brasileira, do Museu de Arte e Arqueologia da Universidade de São Paulo e do Balé do 4º Centenário. Logo após a inauguração do MAM, Ciccillo propôs a realização de uma grande mostra periódica internacional, inspirada na Bienal de Veneza – ideia ousada, que enfrentou a resistência de alguns membros da diretoria. Percebendo que não poderia realizar esse sonho apenas convidando por correspondência os artistas estrangeiros, Ciccillo insistiu que Yolanda fosse pessoalmente à Europa para isso.

Devemos a realização da 1ª Bienal, em 1951, a essa grande mulher, que tinha um notável poder de sedução e convicção. No dia da inauguração do evento, 20 de outubro, chovia torrencialmente, mas uma multidão de 5 mil convidados comprimia-se tanto na Avenida Paulista, diante do salão do Trianon, que o ministro das Relações Exteriores foi obrigado a fazer uma entrada sui generis no recinto da exposição: pela janela. O sucesso do evento foi tão grande que foram iniciados imediatamente os preparativos para a 2ª Bienal – a mais gloriosa de todas que já tivemos.

Inaugurada no final de 1953, ela continuaria durante as comemorações do 4º Centenário da cidade, em 1954. Ciccillo presidia a comissão desses festejos e convocou Oscar Niemeyer e Burle Marx para construírem em tempo recorde edifícios e jardins em uma área de várzea, distante e sem nenhuma estrutura urbana até então – que se transformou no Parque do Ibirapuera.

A 2ª Bienal trouxe para nosso público um presente régio: nada menos que o mais famoso quadro de Picasso, Guernica. Além do artista espanhol, contavam também com salas especiais Calder, Paul Klee e Mondrian. O escultor britânico Henry Moore compareceu pessoalmente e foi premiado. Diz a historiadora e crítica de arte Aracy Amaral: 'A Bienal de São Paulo foi um evento que realmente marcou nossas vidas [...] dos críticos, artistas e historiadores da arte [...] Nós nos envolvemos nesse ambiente tão cheio de vibração que existia nos anos 1950. Mas isso não ficou apenas na 1ª Bienal. Esse clima perdurou nas bienais que vieram depois. Talvez isso exista até hoje'.

Em 1962, as Bienais seriam desvinculadas do MAM e surgiria a Fundação Bienal de São Paulo. No ano seguinte, o acervo do MAM passaria totalmente, por decisão de Ciccillo Matarazzo, para um novo museu, o de Arte Contemporânea, cuja administração foi confiada à Universidade de São Paulo. Ele doou também a essa instituição 419 peças de sua coleção particular. Sua esposa, Yolanda, doou 19 obras. Uma grande parte dos sócios do MAM opuseram-se ao fechamento da instituição e decidiram mantê-la em funcionamento

Reestruturado a partir de 1968, o museu existe até hoje. Ciccillo foi também político, tendo sido prefeito de Ubatuba de 1964 a 1969, eleito pelo Partido Social Progressista (PSP). Organizou importantes eventos no município, como a alfabetização em massa promovida segundo o Método Paulo Freire (em plena ditadura, e quando o educador pernambucano já estava banido e exilado) – tal como descrevemos na matéria 'Ubatuba 65: Uma Revolução em Surdina' (PB 385, janeiro-fevereiro de 2008). Ele passou também por dois processos de cassação, ambos sem êxito".

quarta-feira, 7 de abril de 2010

História ( 149)- Associativismo em Santos nos séculos XIX e XX

 “Em 22 de agosto de 1897, sob a coordenação do Sr. Paolo Santucci, os peninsulares Silvério Maimone, Domingos Spinelli, Antônio Aulicino, Emílio Christiani, Carlos Usiglio e C. Fiorani reuniram uma centena de compatriotas domiciliados em Santos e fundaram a Società di Beneficenza Italiana (SIC), com a finalidade precípua de prestar assistência aos emigrantes da Itália que chegavam ao Brasil, pelo porto de Santos, e difundir a língua italiana.

Sua primeira sede foi na própria Rua do Rosário, hoje João Pessoa, nº. 122, endereço este que hoje abriga a Procuradoria Geral do Estado de São Paulo, contando com um edifício diferente do da época da primeira sede. Seu primeiro presidente foi o Sr. Silvério Maimone. Mais tarde a transferiu-se para sua nova sede, em belo edifício da Rua Eduardo Ferreira nº. 79 (hoje ocupado pelo Sindicato dos Estivadores de Santos), na qual teve grande esplendor, com bailes, eventos culturais, festividades típicas e uma excelente escola primária, pela qual passaram muitas personalidades da sociedade santista.

Com o advento da beligerância fascista da Itália, à qual o Brasil declarou guerra, conjuntamente com o Japão e a Alemanha, a 22 de agosto de 1942, todas as entidades que congregavam os súditos desses países foram fechadas e o prédio da Società Italiana, em Santos, foi entregue à guarda do Consulado da Suíça, como representante dos direitos italianos, até o fim do conflito, a 8 de maio de 1945. Após a guerra, o incremento da emigração trouxe novas diretrizes e novo calor à coletividade italiano-santista, fazendo com que a sede social necessitasse de ampliação, surgindo, então, o projeto e a construção de uma nova sede na Av. Ana Costa, nº. 311 - a qual proporcionou um novo fastígio a esse sodalício e à sua comunidade, motivando disputas entre as grandes lideranças da colônia em Santos, nos anos 1960, especialmente entre os Srs. Ricardo Fracaroli, Francesco Savério Chirico, Urbano Ferrari e Paulo Leone. A entidade já alterara sua denominação para Societá Italiana di Santos.

Nos anos 70 e 80 houve grande mudança social e os descendentes italianos foram se nacionalizando, deixando de freqüentar a sede, que já se apresentava superada em suas instalações. A necessidade de novamente criar novos rumos para a entidade despertou a idéia da construção de uma outra sede, dentro dos padrões e exigências atuais e com a amplitude necessária a garantir um futuro promissor.

O então vice-cônsul da Itália em Santos, Sr. Cláudio Capurso, acionou esse projeto, que havia sido gerado em conjunto com o seu antecessor, comendador Paolo Leone, e contando com a valiosa colaboração da diretoria da Societá Italiana, presidida pelo Sr. Domenico Antônio Di Iório, coadjuvada por todo o quadro associativo, passou a executá-lo, derrubando a antiga sede e dando início, no mesmo local, à construção do Edifício Itália - com nove andares, dos quais seis destinados a conjuntos comerciais e ao próprio Consulado Italiano, e três andares e meio (33,33% de toda a construção) destinados, exclusivamente, à Società Italiana di Santos, compreendendo em suas dependências salões sociais, área administrativa, piscina, sauna, restaurante panorâmico, cozinhas e seus complementos, salas de aulas e zeladoria.

O belo Edifício Itália, construído em curto período, foi inaugurado a 21 de agosto de 1993, com a presença do embaixador italiano no Brasil, Sr. Paolo Tariny, do cônsul geral adjunto em São Paulo , Sr. Pierfrancesco Sacco, e do cônsul em Santos, Dr. Cláudio Capurso. A entidade mantém cursos de Língua e Cultura Italiana, para todos os níveis. Em 23 de agosto de 1996, esteve nesta cidade o cônsul geral da Itália, ministro Stefano Alberto Canavésio, para assinar um acordo cultural com a municipalidade, objetivando o ensino da língua italiana em todas as escolas do município em caráter opcional. O treinamento dos professores municipais que se inscreverem nesse programa ficou a cargo do corpo docente da Società Italiana de Santos".

História (148) - Salesianos e o Ensino Superior

 A ordem salesiana, fundada na itália por São João Bosco no século XIX, se solidificou no Brasil. Hoje, os salesianos, no País são aproximadamente 1000 e dirigem cerca de 160 casas. Há seis Inspetorias: Belo Horizonte; Campo Grande; Manaus; Porto Alegre; Recife; e São Paulo, com sede no Liceu Coração de Jesus. E assim tem caminhado a Congregação de Dom Bosco, dedicando-se os salesianos ao ensino fundamental, médio e superior, aos oratórios, às obras assistenciais, às paróquias, às casas de formação, à continuidade das missões junto aos índios no Norte e Centro-Oeste do Brasil, e missão na África, em Angola, desde 1981.

Nos dias atuais, vem consolidando sua estrutura administrativa e patrimonial por vigorosos investimentos na área da Educação, o que ocasionou uma significativa expansão de suas instituições. Este crescimento teve maior ênfase nas escolas de ensino fundamental e médio, em função do próprio carisma salesiano - educação de jovens - lema maior e inspirador de todas as ações do seu fundador, São João Bosco. Desde 1952, a congregação no Brasil vem instituindo e mantendo, também, cursos superiores.

Os Salesianos e o CENTRO UNISAL Em Americana, o Instituto Salesiano Dom Bosco, inaugurado no dia 26 de novembro de 1950 pelos salesianos, evoluiu e desenvolveu-se, numa frutífera caminhada de educação e ensino. Em 1972 criou os cursos de Administração de Empresas, Pedagogia e Serviço Social, no então Instituto de Ciências Sociais de Americana, atual Centro Universitário Salesiano - UNISAL. Às vésperas do ano 2000, o Centro Unisal, no dia 09 de outubro de 1999, lançou o marco inicial de seu novo campus em Americana. Em uma área de 442.000 m², onde haverá toda a infra-estrutura para abrigar os atuais e os novos cursos do Centro Unisal. Os câmpi do Centro Unisal ficam nas cidades de Americana, Campinas, Lorena e São Paulo.

Os Salesianos em Piracicaba Em janeiro de 1950, chegaram a Piracicaba os padres salesianos, a convite do bispo desta diocese, dom Ernesto de Paula, que estava preocupado com a falta de um colégio católico para rapazes. Nessa época, a cidade contava com o Colégio Nossa Senhora da Assunção, que mais tarde passou a se chamar Colégio Salesiano Dom Bosco Assunção, voltado para a educação feminina e o Colégio Piracicabano, de orientação metodista, que funcionava na cidade há mais de 70 anos e atendia a um grande número de rapazes de famílias católica. A pedra fundamental do Colégio Dom Bosco foi colocada em 20 de agosto de 1950, na presença de autoridades eclesiásticas, do prefeito, dos vereadores e estudantes vindos do colégio Nossa Senhora Auxiliadora de Campinas, numa área que abrigava o Clube Tênis, na antiga Chácara Laport, de propriedade da prefeitura. Desde então, o colégio cuida da formação intelectual e religiosa de seus alunos.

Junto ao colégio, os salesianos assistem os mais pobres, através do oratório festivo, com atividades esportivas e religiosas. Com a educação centrada na razão, religião e carinho, o “Dom Bosco”, como era chamado o colégio, passou a ser referência de ensino na cidade. Solidificando esse reconhecimento público de pujança cultural atribuída a Piracicaba, formou gerações de cidadãos, atuantes nas mais diferentes áreas, inclusive, ligados à vida política municipal, estadual e federal. Sempre presentes e atentos à vida social, política e econômica da cidade e às suas necessidades, os salesianos fundaram na década de 60 o Oratório São Mário, entidade assistencial, no bairro operário da Vila Rezende, atendendo até os dias de hoje, gratuitamente, crianças carentes. Esses laços tão profundos com os problemas sociais de Piracicaba, participação ativa na comunidade, exercício efetivo de cidadania, além da presença marcante na área educacional, na cidade e municípios vizinhos, deram às obras salesianas respeito, carinho e reconhecimento.

Em 1988 a Congregação das Irmãs de São José de Chambéry, impossibilitadas de continuarem com sua missão educadora em Piracicaba, na Escola Nossa Senhora da Assunção, fundada em 15 de agosto de 1893, ofereceram aos salesianos essa responsabilidade. A partir dessa data, os salesianos assumiram mais essa obra educacional que passou a se chamar Colégio Salesiano Dom Bosco Assunção. No ano 2002 os Salesianos iniciaram o processo de instalação de cursos superiores em Piracicaba.

Em 2004 foi autorizada a instalação dos cursos de Administração, Normal Superior e Sistemas de Informação na Faculdade Salesiana Dom Bosco de Piracicaba. Em 2006, os cursos de Administração e Normal Superior foram reconhecidos pelo MEC. Em 2007, o curso Normal Superior foi transformado em Pedagogia. Neste mesmo ano, formaram-se as primeiras turmas de Administração e Pedagogia.(fonte: Faculdade Dom Bosco)