segunda-feira, 12 de abril de 2010

História (156) - "Far l´America ( 80): As marcas do associativismo em Belo Horizonte

Daniel Gonçalves Cavalieri ao pesquisar sobre a imigração italiana em Belo Horizonte, assim relata o associativismo entre os imigrantes.


 "A Associazione Nazionale Combattenti, também localizada no interior da Casa d´Italia, especificamente no Salão da Victoria, era uma instituição constituída por ex-combatentes italianos que propunha a conservação dos vínculos de fraternidade entre os combatentes, além é claro, do culto a pátria italiana. Defendia os valores da “nação”, a glorificação dos mortos em guerra e da sua memória. Abarcava todas as formas de assistência que poderiam ajudar os combatentes a vencer as dificuldades da vida e a cumprir os seus deveres sociais.
Além das sociedades instituídas no interior da Casa d´Italia, existiam outras que abriam espaço para “interação” entre a comunidade italiana e a comunidade brasileira. De acordo com o Estatuto do Centro Ítalo-mineiro de Cultura, essa instituição era apolítica e tinha por objetivo central manter e desenvolver as relações culturais e de amizade existentes entre o povo mineiro e o povo italiano. O centro realizava seus fins mantendo cursos gratuitos, organizando conferências, concertos e outras manifestações. Funcionava dentro dessa instituição, o centro 'Amigos da Latinidade', que 'tinha por fim especifico promover o estudo e o conhecimento de tudo que se refere à civilização latina comum aos dois povos.' Obviamente, poderiam associar-se pessoas maiores de idade sem distinção de nacionalidade.

Por fim, a Organização Nacional Desportiva, fundada em 1º de dezembro de 1935, substituindo á antiga sociedade italiana Opera Nazionale Dopolavoro, se apresenta como uma instituição que apesar de ser italiana permitia a participação de pessoas de qualquer nacionalidade, tendo como objetivo promover atividades culturais, esportivas, de assistência e de instrução para os seus sócios. A sociedade constava de quatro seções: educação artística, 11 instrução, educação física e assistência; e firmava como uma instituição apolítica, onde fomentava a conservação dos vínculos de fraternidade entre seus componentes"

História (155) - "Far l´America ( 79): Associativismo italiano em Belo Horizonte

Um interessante relato do associativismo italiano em Belo Horizonte  no século XIX é traçado por Daniel Gonçalves Cavalieri

"A primeira forma de associação dos italianos de Belo Horizonte foi a Società Italiana de Assistenza, fundada em 1897. Essa instituição tinha como base a moral e o progresso. Seus fins se pautavam no mutuo socorro, na instrução e na educação intelectual e moral, além da recreação. Somente podiam ser sócios dessa sociedade os italianos e ítalo-descendentes, desde que estes falassem o idioma pátrio. Essa sociedade apresentava-se apolítica e dava plena liberdade aos seus componentes de professarem suas crenças religiosas e filosóficas, além de seus ideários políticos.

A associação foi mantida pelos próprios sócios e prestava serviço de assistência médica para os mesmos. A mais importante sociedade italiana, não só em Belo Horizonte, como em todo Brasil, era a Casa d´Italia. Essa instituição tinha como finalidade fortalecer o espírito de italianidade dos seus associados e, em geral, dos italianos que vivem fora da pátria. A Casa d´Italia tinha como cerne aproximar todas as sociedades e instituições italianas, ou de fins de italianidade, existentes ou que viessem a existir em Belo Horizonte, prestigiar as autoridades italianas, respeitar as leis brasileiras, estabelecer e fortalecer o espírito de italianidade e desenvolver a instrução, os esportes e a assistência aos seus sócios. Tinha como sócios fundadores outras instituições, tais como a Opera Assistenziale Fausto Cecconi, a Societá 10 Italiana di Assistenza, a Associazione Nazionale Combattenti e a Societá Italiana Dante Aliguieri. É interessante situar que todas essas associações e sociedades que permaneciam internamente na Casa d´italia não aceitavam sócios brasileiros, mas somente, os italianos e ítalo-descendentes.

De acordo com o estatuto da Opera Assistenziale Fausto Cecconi, localizada no interior da Casa d´Italia, a instituição tinha por objetivo proporcionar assistência moral ou material aos cidadãos italianos, além de serviços jurídicos, no intuito de defender os direitos desses. Somente poderiam ser sócios dessa sociedade todos os cidadãos de nacionalidade italiana de boa moralidade civil, e assim como todas outras instituições, apresentava-se como apolítica. Se, por ventura, houvesse o fechamento desta, seus bens seriam todos transferidos para a Casa d´Italia".


domingo, 11 de abril de 2010

História ( 154) - Imigração italiana em Rio Claro

Rio Claro, cidade do interior paulista, também recebeu imigrantes italianos na segunda metade do século XIX. Um breve relato dessa história foi publicado no  Diário do Rio Claro de  24 de junho de 2007.

 "A formação econômica, histórica e cultural da cidade foi beneficiada pela grande concentração de Italianos na região Castellano, Giorgi, Bortolotti, Mazziotti, Bertolo, Rodini, Pezzotti, entre tantos outros sobrenomes de famílias que contribuíram com a história da Cidade Azul ao longo das décadas, confirmam a presença marcante de descendentes de Italianos na região. O sonho de conquistar o novo mundo levou milhares de Italianos a deixarem o local de origem. Estimativa do consolado Italiano, em Rio Claro, aponta que 70% da população do município é de descendente de Italianos. Este variou com o passar dos tempos.

Até 1900, 50% da população de Rio Claro era de Italianos natos. A imigração Italiana para o Brasil começou impulsionada com a grave drise econômica, enfrentada pela Itália na segunda metade do século XIX.Os Italianos vieram para as regiões Sul e Sudeste do Pais. A substituição da mão-de-obra escrava por imigrantes europeus chamou a atenção dos Italianos, que desejavam naquela época começar uma nova vida. O Senador Nicolau Campos Vergueiro foi o primeiro fazendeiro a receber os colonos em suas terras localizadas em Rio Claro e Limeira. A imigração Italiana para o estado de São Paulo teve início oficialmente em 1874, quando chegaram os cincos primeiros Italianos.

Os núcleos agrícolas pioneiros foram estabelecidos em Cananéia e Iguape, em 1877. Mais de 900 mil Italianos se estabeleceram no estado. Os municípios paulistas mais procurados foram São Caetano do Sul, São Bernardo do Campo, Lençóis Paulista, Jundiaí, Vinhedo, Campinas, Mogi-Mirim, Mogi Guaçu, Pinhal, Águas da Prata, Lindóia, Serra Negra, Amparo, São Roque, São Manuel, Piracicaba, limeira, Rio Claro, São Carlos, Leme, Pirassununga, Descalvado, Santa Cruz das Palmeiras, Santa Rita do Passa Quatro, Santa Rosa do Viterbo, Tambaú, São José do Rio Pardo, Sertãozinho Ribeirão Preto, Cravinhos, Guariba, Altinópolis, Jaboticabal, Matão, Catanduva, Taquaritinga, Iguape, Cananéia, Pindamonhangaba e outros. A história dos Italianos em Rio Claro teve inicio a partir de 1880. A maior parte era ciente de seus direitos.

Até a abolição dos escravos, em 1888, o registro era de mais de 1.300 Italianos no município, sendo que o auge da imigração aconteceu de 1891 a 1900, atingindo cerca de 113 mil Italianos. Até o ano de 1910, mais de 20 mil Italianos residiam em Tio Claro. Dentre os que vieram, um grupo numeroso atuou no comércio, pois esta população não tinha conhecimentos agrícolas.

Os Italianos não se limitaram a trazer apenas mão-se-obra para o Brasil. Com elas também vieram as idéias trabalhistas, sindicais e políticas, dando inicio ao movimento socialista e, depois, fascista. Diante dos maus-tratos dos patrões, os colonos Italianos recorriam à Justiça, sob a proteção de seus consulados.

Para os patrões , a posição tomada pelos colonos era totalmente nova, já que eles estavam acostumados ao regime escravocata. A influência Italiana na tradição Rio-Clarense tem vários exemplos, como a liderança do Movimento Constitucionalista de 1932 por um Cartolano, a primeira maior industria de propriedade de um Scarpa e a industria de tecidos Matarazzo".

História (153 ) - A experiência anarquista da Colônia Cecilia, no Paraná

José Antonio Vasconcelos, doutor em História Social pela Unicamp, professor na Universidade Tuiuti do Paraná e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná. é autor do seguinte texto sobre a primeira experiência anarquista no Brasil: a Colônia Cecília.

"Em fins do século XIX, era bastante comum no sul do Brasil o sistema de colônias formadas por imigrantes europeus, dedicadas a atividades de ordem predominantemente agrícola. Dentre estas colônias, uma em especial, de nome 'Cecília', goza atualmente de relativa notoriedade. Embora de duração efêmera - foi fundada em 1890 e dissolvida em 1894 - ela tem sido objeto de inúmeras pesquisas acadêmicas no Brasil e exterior. Idealizada por um militante anarquista italiano de nome Giovanni Rossi, a colônia Cecília constituiu-se na vivência prática de um ideal de liberdade.

Como projeto, sua proposta era a de oferecer ao mundo uma prova da possibilidade de uma organização social onde a autoridade fosse inexistente. Desta forma, segundo Rossi, o discurso do movimento anarquista europeu se fortaleceria, pois o operariado seria seduzido pelo exemplo da colônia Cecília. Rossi sempre se manifestou desejoso de criar uma pequena comunidade onde os ideais anarquistas fossem plenamente vividos. Enquanto membro da Associação Internacional dos Trabalhadores, propunha a fundação de uma colônia socialista na Polinésia. Tendo sido convidado a dirigir Citadella, um projeto cooperativista na Itália, Rossi viu-se frustrado em seus objetivos, pois os camponeses italianos com os quais trabalhou revelaram-se extremamente reacionários no que concernia à propriedade da terra.

Convencido de que o fracasso de Citadella deveu-se, principalmente, à ausência de um ideal socialista entre os integrantes do projeto, Rossi moveu, então, uma campanha para a fundação de uma experiência anárquica na América. Motivado pela propaganda brasileira ao mercado de trabalho europeu, Rossi optou por fundar uma colônia no Brasil, e, em função das circunstâncias então encontradas, ele e um pequeno grupo de companheiros acabou se instalando no Paraná, no município de Palmeira. De fato, o século XIX foi palco de uma imensa série de experimentos socialistas - comunidades utópicas -, que guardavam clara semelhança com os projetos comunitários de Rossi. Todas estas iniciativas tinham como marca a tentativa de auto-suficiência e a freqüente concentração de esforços na atividade agrícola.

A colônia Cecília, nesse sentido, não foi exceção à regra. Os anos vividos na colônia, de acordo com os registros de Rossi, foram muito difíceis. O fracasso das colheitas, a precariedade das condições de moradia, o isolamento em que viviam os habitantes da colônia, a dificuldade de muitos com relação à adaptação ao trabalho agrícola, tudo isto era motivo de desilusão para aqueles que haviam abandonado a Itália em favor de seus ideais. Ao descontentamento causado pela ausência do conforto material, acrescentavam-se ainda os conflitos surgidos entre os próprios membros da colônia. Rossi tinha uma confiança muito grande na infinita capacidade de transformação do ser humano e por isso não havia uma seleção rigorosa dos elementos que integrariam a colônia Cecília.

Ali se reuniram indistintamente pessoas de procedências diversas. Muitos vieram à colônia imbuídos de sinceros ideais anarquistas, mas outros viam na Cecília somente uma colônia de imigrantes italianos, igual a tantas outras que havia no Brasil. Para estes o projeto de Rossi não representava senão a oportunidade para fugir da crise que assolava a Itália na época. Os desentendimentos resultantes dessa situação, o choque de idéias e valores, constituíram um fator importante para o fim da colônia. Após a dissolução da colônia Cecília, Rossi permaneceu no Brasil por ainda mais alguns anos, sem, entretanto, desempenhar atividades de militância anarquista. Ao deixar a colônia, em março de 1894, Rossi dirigiu-se a Taquari, no Rio Grande do Sul, onde passou a exercer a função de agrônomo.

Mais tarde mudou-se para Santa Catarina, morando primeiramente perto de Blumenau, e dirigindo a estação agronômica de Rio dos Cedros. Em 1907 Giovanni Rossi decidiu retornar à Itália, onde permaneceu até sua morte, em 1942. O fim da colônia Cecília, no entanto, não significou o fim do sonho de Rossi, que ainda mantinha vivo o desejo de criar núcleos experimentais de vida socialista. Sua ambição não era a de apontar o caminho, mas abrir perspectivas.

Rossi afirmava que seu propósito não era incutir o seu desejo nas massas incultas, mas sim de fazê-las desejar, e a partir disso iniciar a construção da sociedade futura. Isto talvez explique porque a colônia Cecília, apesar de sua breve duração, ainda hoje exerce um imenso fascínio sobre os pesquisadores que sobre ela se debruçam.

História (152) - "Far l´America ( 78): Imigrantes na Colônia Nova Itália, no Paraná

Para os imigrantes italianos o sonho de "Fazer a América" em terra brasileiras no final do século XIX esbarrava em inúmeras dificuldades. Nas colônias do Paraná esse cenário não foi diferente conforme relatam Eliane Mimesse e Elaine Maschio ( Universidade de Tuiuti e Faculdade Internacional de Curitiba) num trabalho comparando a imigração italiana em São Paulo e no Paraná .


"De acordo com Azzi (1987:213), em 1877, desembarcaram no Porto de Paranaguá cerca de 2000 colonos vênetos, estimulados por um sacerdote do Canal de Brenta. A Colônia Nova Itália, também na região litorânea, não prosperou devido aos mesmos problemas que afetaram a Colônia Alexandra. Vechia (1998) aponta como um dos principais problemas a localização dessas colônias, que dificultava a comercialização dos produtos. Além disso, muitas outras razões levaram ao fracasso daquelas colônias. Ferrarini (1973:42) afirma que outros fatores foram mais relevantes do que a distância.

Segundo ele, o presidente da província, em visita à Colônia Nova Itália, em 1878, relatou a precariedade das condições de sobrevivência e a insatisfação dos colonos ali estabelecidos: estavam sem alimentação nem vestuário e acometidos de muitas doenças decorrentes do clima do litoral. Havia mais de 800 famílias ocupando 610 lotes, dentre os quais, alguns eram impróprios para o plantio. Tudo isso dificultava a permanência desses colonos nessas localidades. O padre Pietro Colbacchini, em relatório datado de 13 de outubro de 1892, endereçado a Volpi Landi, presidente da Società Italiana de San Rafael e responsável pela assistência aos imigrantes, informou as condições dos colonos que viviam no litoral paranaense, nos anos de 1875 e 1877.

Entre tantos problemas, Colbacchini destacou as doenças mais graves, principalmente aquelas causadas por insetos. Azzi (1987:213) e Balhana (1958), também se referem às doenças causadas por insetos e pelo clima tropical. Mas o que gostaríamos de destacar no apontamento desses autores, é a transferência gradativa dos colonos do litoral em direção a Curitiba. Como nos informa Balhana (1958), a maior parte do contingente de imigrantes estabelecidos no litoral dirigiu-se a Curitiba e sua acomodação no planalto curitibano deu-se de modo diversificado. Muitos imigrantes que deixaram o litoral por conta própria e acabaram se instalando em colônias já existentes.

A maior parte se fixou em novas colônias formadas nos arredores de Curitiba devido à compra de terras feita pelo governo. Embora criadas no mesmo momento, as colônias dinamizaram formas de organização social, condizentes com cada grupo de imigrantes que nelas se estabeleceu e com a interação que esses diferentes grupos fizeram com a população brasileira. Assim, enquanto umas mantiveram por mais tempo uma cultura ligada a seu país de origem, outras sofreram mais rapidamente um processo de integração com a população paranaense, como foi o caso da Colônia Alfredo Chaves”.

sábado, 10 de abril de 2010

História (151) - "Far l´America ( 77): Imigrantes na Colônia Nova Itália, no Paraná


 A mal sucedida experiência da Colônia Alexandra no Paraná acabaria dando origem a um novo núcleo colonial assim descrito por Luiz Carlos B. Piazzetta, tomando por base os arquivos da La Piave FAINORS Federação Vêneta e publicado no blog Imigração Vêneta)



"Após o fracasso da Colônia Alexandra, ainda o número de imigrantes italianos, e vênetos em particular, continuava a aumentar nas terras do Paraná. Os recém-chegados eram recebidos em Paranaguá e depois levados para os barracões para imigrantes em Morretes, amontoados em grande promiscuidade, sem conforto e em precárias condições higiênicas.Ali foi criada a Colônia Nova Itália, inaugurada em 22 de Abril de 1877, a qual também teve uma vida curta e muito atribulada, com revoltas e desmandos administrativos que muito caracterizaram a história desta colônia, e também de outras iniciativas colonizadoras similares do período.O rítmo dos trabalhos, para a colocação definitiva dessa grande massa de imigrantes que chegava, era muito lento e a organização administrativa deixava muito a desejar. Em Janeiro de 1878 ainda se encontravam nos barracões mais de 800 famílias, portanto há aproximadamente 9 meses, na espera do seu lote de terra para trabalhar".

No mês de Março do mesmo ano viviam 3000 pessoas nos barracões esperando a sua colocação.Em um artigo surgido no mês de Março de 1878, no jornal Dezenove de Dezembro se relatava que: "existem mais de trezentos lotes já demarcados, cento e poucos estão ocupados e os restantes tem casas construídas já há seis meses mas, ainda sem teto, quase todas danificadas por estarem expostas ao tempo, por terem sido construídas com péssimo material adquirido a preço esorbitante".

"Não existe uma estrada para os lotes e os colonos os recusam pois são invadidos pelas águas durante as cheias dos rios ou localizados em terreno muito montanhoso. Os colonos estão quase na miséria, sem roupas, sem casas habitáveis, sem sementes para as suas primeiras plantações. Estão completamente desencorajados, ainda mais que muitos terrenos distribuídos são ruins e pantanosos". Ainda em Fevereiro as condições sanitárias continuavam muito precárias. Assim, em comunicado ao Ministério a presidência advertia que: 'Situada em uma localidade pouco salubre, circundada por terrenos pantanosos e baixos, sujeitos à inundações do Rio Nhundiaquara, muito freqüentes naquela zona, acarretando, como está acontecendo atualmente, febre tifóide, malária e outras enfermidades graves'.

"Em Março do mesmo ano, proveniente do Rio de Janeiro, chegaram alguns navios e com eles doentes com febre amarela. Já no dia 20 de Março a cidade de Antonina foi atingida por uma epidemia desta terrível doença, que apesar dos esforços para contê-la rapidamente atingiu Morretes e Paranaguá, e a notícia das primeiras mortes.A Colônia Nova Itália foi bastante atingida pela epidemia de febre amarela e as mortes foram muitas".

"Porém, outras doenças graves ceifavam a vida dos primeiros imigrantes: anemia por verminoses que atingiam especialmente as crinças, as doenças transmitidas por mosquitos que infestavam aquela zona e por outros parasitos, menos conhecidos, como o bicho-de-pé, que tornavam um inferno a vida daqueles pioneiros. O descontentamento era geral entre os colonos. Alguns procuravam meios para retornarem a seus países, sem encontrarem muita ajuda. Finalmente no mês de Julho o governo do Paraná resolveu transportar parte dos habitantes da Colônia Nova Itália, para colônias localizadas ao redor de Curitiba, a capital do Estado".

História (150) - "Far l´America ( 76) - O início da imigração italiana no Estado do Paraná

O grande êxodo dos italianos nas décadas finais do século XIX teve como um de seus destinos no Brasil o Estado do Paraná. Eliane Mimesse e Elaine Maschio ( Universidade de Tuiuti e Faculdade Internacional de Curitiba) num trabalho comparando a imigração italiana em São Paulo e no Paraná abordam a a inserção dos pioneiros nas terras paranaenses.

“No Paraná, a introdução de imigrantes italianos deu-se, primeiramente, por um contrato firmado entre o presidente da província, Venâncio José Lisboa, e o empresário Sabino Tripoti, no ano de 1871 (Balhana,1958:28). Muitos dos imigrantes foram instalados, inicialmente, na Colônia Alexandra no litoral, criada no ano de 1875. Embora a proposta política de distribuição de terras - dinamizada pela província para os imigrantes que desejassem a posse da terra e buscassem o desenvolvimento agrícola e, econômico - fosse aparentemente vantajosa, os imigrantes que pensavam encontrar condições propícias no Paraná, acabaram sofrendo as conseqüências da falta de interesse e de responsabilidade dos agentes da imigração quando de
seu ingresso e instalação no país”.

“O empresário Tripoti, exemplo de falta de responsabilidade, fundou a Colônia Alexandra na região litorânea movido por interesses pessoais. Localizada próxima ao Porto de Paranaguá, despenderia poucos recursos para o transporte dos colonos, Dessa forma, poderia o empresário trazer um número muito maior de imigrantes com a metade dos recursos que o governo lhe pagaria. Segundo Balhana (1958:29), Tripoti não estava interessado nem nos colonos nem na colonização da Província. Seu objetivo era atrair um número maior de imigrantes, uma vez que recebia 500 liras e não despendia mais de 100 por imigrante que trouxesse. Para convencer o maior número deles na Itália, o empresário confeccionou folhetos denominados Carta ao Amico Colono, que traziam informações contrárias e enganosas sobre a realidade daquela colônia”.

“No demorou muito para que aparecessem as conseqüências dessa prática e dessa política. O mau planejamento colocava em evidência a situação lastimável da colônia, tornando quase impossível à sobrevivência dos imigrantes. A localidade tornou-se pequena para o grande número de imigrantes que ali aportava. Os poucos colonos que conseguiram terras não tiveram êxito com a produção devido ao clima, que não era propício para o tipo de cultivo trazido do norte da Itália. A maior parte deles era composta por camponeses contadini, que procediam do Vêneto, região de clima muito frio. (Maschio, 2005)”.

Inúmeras reclamações chegavam a Curitiba da Colônia Alexandra. Muitos imigrantes desejavam até mesmo retornar à Itália, pois julgavam terem sido enganados pelas falsas promessas das propagandas. A melhor solução aos imigrantes seria a assistência e sua remoção para outro lugar. Assim, o governo rescindiu o contrato com o empresário e promoveu diretamente a imigração e a reimigração de colonos”.